Mentes Entrelaçadas
17 A Famosa Mesa
O plano já estava pronto na minha cabeça, afinal, eu ia apenas conversar com ela como se não soubesse de nada. Mas ali, tudo parecia diferente, meu velho amigo nervosismo, que há muito não me visitava, decidiu se alojar em minha mente, fazendo minhas mãos suarem e tremerem, não sabia se conseguiria mentir diante dos lindos e profundos olhos de Melissa, que analisavam o meu rosto, este estava com gotas de suor já escorrendo.
—Você está bem? — ela perguntou, mas não falava com a mesma doçura de antes, embora ainda soasse muito atraente.
—Esse café me deu um pouco de calor, só um minuto, vou lavar meu rosto. Ela assentiu e eu fui.
Me olhei no espelho, isso nunca havia me acontecido antes, desde muito jovem conseguia mentir descaradamente, na maior parte do tempo sem levantar suspeitas. Me senti tão normal e vulnerável naquele instante, que eu considerei fugir, mas aquele lugar só tinha uma saída. Então, joguei água gelada sobre o meu rosto e tentei não pensar nos olhos cor de mar de Jenny quando olhasse os de Melissa, tentei me preparar psicologicamente e já me sentia um pouco mais confiante. Sequei meu rosto com o papel horrível que se assemelha a um pedaço de jornal e voltei para a mesa.
—Desculpe — falei, sentando-me à sua frente. —Já fazia um tempo que não nos víamos, né?
—Não vejo problema, já que não temos compromisso algum. — ela disse, de maneira rude.
—Pelo jeito que fala, parece que vê um problema sim. — respondi, calmamente.
—Não, não vejo problema algum em transar com outras pessoas.
—Do que está falando, transou com outras pessoas? — perguntei, fazendo-me de desentendido.
—Não, mas você sim. — Ah, Melissa, pensei que agiria de forma mais madura.
—Ainda não entendi, eu não transei com ninguém, eu...
—Ah, então uma mesa de escritório não lhe diz nada? — ela me interrompeu.
—Mesa de escritório? Eu já fiz isso, mas pode apostar que foi há muito tempo.
—Você acha mesmo que eu vou acreditar nisso? — Acho sim.
—Não sei, mas é a verdade, eu nunca faria isso agora, porque eu... — ela abriu a boca pra me interromper, mas eu não deixei. —Porque eu estou apaixonado por você.
Ela me olhou nos olhos, com a boca entreaberta, aquilo a pegou totalmente de surpresa, foi exatamente a reação que eu esperava.
—E... E você tem como provar?
—Que eu estou apaixo...
—Não! Que aquele vídeo foi gravado faz tempo. — ela diz, parecendo levemente envergonhada. Parece até que não é a mesma pessoa que eu transei.
—Bom, eu mudei a decoração do escritório um pouco depois de te conhecer, se não me engano, eu posso te levar lá e você vê se é a mesma do vídeo.
Ela aceitou ir comigo depois do expediente dela, o que foi ótimo pra mim, já que não teria mais ninguém no escritório àquela hora e é claro que eu já havia mudado a decoração, parece que o plano vai dar certo.
Ela entrou no carro comigo, mas ficou calada o trajeto inteiro, observando as gotas de chuva deslizando pelo vidro do carro. Quando finalmente chegamos e entramos em meu escritório, ela analisou cuidadosamente todo o ambiente.
—E aí? É igual ao do tal vídeo?
—Não, é evidentemente outra mesa e outra poltrona também, até as canetas... — ainda bem que eu tive o cuidado de trocar até esses mínimos detalhes, eu sabia que ela era uma ótima observadora.
—Isso quer dizer que estou perdoado? — falo, me aproximando dela.
—Sim — ela sussurra, tão perto da minha boca que sinto o agradável hálito suave dela. Finalmente acabo com a distância entre nossas bocas, a deixando sem fôlego quase de imediato. Me distancio novamente, com um sorriso malicioso.
—E então? Quer experimentar minha mesa nova? — ela responde me puxando pra mais perto dela e começando a desabotoar minha camisa, enquanto eu a conduzo até a beirada da mesa, já arrancando a sua blusinha fina – e quase rasgando-, sento-a na mesa e retiro o resto de sua roupa que nos está atrapalhando.
Essa mulher me deixa maluco, terminamos ensopados de suor e tenho que admitir que aquele foi, definitivamente, o melhor sexo que eu já fiz em minha vida (e olha que nem foram poucas minhas parceiras sexuais, claro que elas geralmente acabavam ensopadas de sangue, mas não vem ao caso no momento).
Talvez eu esteja realmente apaixonado por ela, penso, mas afasto rapidamente esse pensamento da minha cabeça.
Fale com o autor