Mentes Encabuladas
1 Já sabe meu nome, mas não minha história
Notas iniciais
Apenas mais um mero presidiário da própria torre. Sucumbido ao calabouço intensivo e extenso da dimensão mirabolante da mente.
Era imprevisível, digo com apta certeza.
Ou talvez eu nem diga, afinal, é tudo tão inadmissível pra entender, que nem eu sei quem sou de fato.
Se conhecer? Bem, acho que esse conceito ainda é avançado demais, inalcançável.
Sou tudo ou não sou nada, cinzas espalhadas e abatidas; ou um arco-íris flamejante e imóvel. Tolo com a complexidade dum contador de histórias.
As mãos, tão grandes obras divinas já desgastadas e abastecidas por calos e pedaços de maneira entrelaçadas na pele de tanto anotar as fantasias abundantes que se escondem debaixo da cartola de cetim...
São paredes rachadas e quadros distorcidos pelos olhos carregados e até então, embaçados na pólvora internamente cicatrizada.
Pois bem, quem sou? Quem fui? E quem serei?
Talvez só mais um lunático com abstinências altas demais. Mas quem comprova tantas hipóteses? Ninguém dirá, porque eu ainda sou peça chave no mistério que eles tanto procuram. Sou incógnita, sou uma rosa desbravada e despedaçada clamando por reconstrução e reformas. Querendo repor cada pétala, cada pensamento, cada palavra, cada essência.
Porém, não posso, digamos que sou uma ovelha negra no roseiral por ser mais perfumada que o necessário, ninguém precisa de tanto, ninguém carrega diversos frascos e os utiliza na mesma noite.
E por isso, que a fragrância — que depois de determinado tempo, nem fragrância é mais — se perde, se esparrama no quintal e contamina tudo. Veneno.
Uma flor envenenada, a mais pura emboscada, a mais pura calúnia.
Posso ser o que fora dito, está por aí, viajando como o vento, mas nem sei se sou. Posso ser o que alguém quiser e o que der. Um narrador de disseminação das mais controversas loucuras. Permito chamar-me de Sean.
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