Mente tortuosa

17 Surpresas e mais surpresas


Notas iniciais
Bom gente eu fiquei com pena por causa do cap pequeno que eu postei. Então estou aqui para postar outro. Espero que gostem. Boa leitura.

POV Emily Monroe

– Você está falando sério Susanne ? — Perguntei com o coração acelerado.

– Vamos para o seu quarto, lá poderemos conversar melhor — Diz ela e em seguida caminhamos em direção ao meu quarto. Quando chegamos lá, nós nos sentamos na cama e ela diz.

– Nessas últimas semanas eu tentei descobrir qual era a razão do seu esquecimento. Quando eu puxei a sua ficha médica, percebi que no primeiro ano que você foi internada aqui você começou a fazer uso de uma medicação que eu notei que não é mais produzida. Resolvi pesquisar sobre ela e descobri que um dos efeitos colaterais desse remédio é perda de parte da memória.

– Isso significa que essa medicação é a causa da perda da minha memória? Mas como isso é possível? — Pergunto confusa.

– Algumas medicações tendem a ter fortes efeitos colaterais e um desses efeitos podem ser a perda de memória. Esse remédio não é mais produzido, pois os malefícios que os pacientes sofriam era bem maior do que os benefícios. Mas isso não é tudo o que eu tenho pra te contar.

– Tem mais? — Pergunto, o que será que Susanne descobriu a mais?

– Junto com a sua ficha hospitalar havia uma outra ficha com o sobrenome Monroe e ela pertence a sua mãe.

– A minha mãe, ela teve uma passagem aqui na clínica? — Estou em choque, como minha mãe teve uma passagem por aqui e eu nunca soube?

– Ela este aqui há seis anos para fazer um exame, o médico que a atendeu é o mesmo neurologista que te acompanha. Como as informações sobre os pacientes são sigilosas ele não pode falar nada. Perguntei se ele lembrava da consulta de sua mãe com ele, o doutor me respondeu que se lembrava de pouca coisa, mas se lembra de ter pedido um exame sim. Este exame foi feito mas ela nunca voltou para fazer o acompanhamento.

– E o qual foi o resultado desse exame? Pergunto nervosa.

– Não sei, esse exame foi entregue a sua mãe mas ela não voltou depois.

– Mas por que ela esconderia esse exame do meu pai? Qual seria esse diagnóstico? Agora eu preciso ir até o fim, eu preciso que vocês me levem até a minha casa.

– Emily, você sabe que é complicado sair assim da clínica..

– Por favor Susanne, eu preciso acabar com essa interrogação que é a minha vida. Chega. Chega de dúvidas, eu preciso ter certeza de uma coisa pelo menos, quem realmente era a minha mãe.

Susanne me olha, parece preocupada com a possibilidade de eu voltar para casa, mas acho que no fundo ela percebeu que era o certo a fazer pois ela diz.

– Vou ligar para o seu pai, se ele não puder vir, eu mesma dou um jeito de assinar o termo de responsabilidade — Quando ela diz isso eu sorrio e a abraço. Em seguida ela sai do meu quarto.

Demora um pouco mas em seguida meu pai chega e diz que irá me dar todo o apoio que eu precisar, pouco tempo depois pego meu casaco e entro no carro. Cada minuto se tornava uma tortura constante, queria chegar logo a sua casa, precisava descobrir.

Depois de alguns minutos eles finalmente chegam na casa. Demoro um pouco para entrar pois paço um tempo a olhando e pelo menos tentando relembrar de todos os momentos que passei nessa casa. Assim que entro percebo que praticamente nada mudou, os sofás estão no mesmo local, é a mesma lareira e o cheiro é o mesmo, cheiro de lar.

Olho para as fotografias, em especial para uma que mostra eu eu e meus pais no meu aniversário de oito anos. Estou vestida com uma fantasia de princesa, com o rosto sujo de bolo, mas o meu sorriso é verdadeiro. Seguro o retrato e lágrimas caem dos meus olhos, mas não posso me deixar abalar pelas emoções preciso seguir em frente.

Faço o caminho até o meu quarto, ao acender a luz percebo que ele está exatamente como eu o deixei no dia em que fui internada. Absolutamente nada mudou, é como se eu nunca tivesse ido embora. Sento em minha cama e olho os meus livros, meus perfumes, o armário com roupas, as bonecas na prateleira, está tudo lá.

Meus olhos caminham por todo o quarto até eles pararem em uma caixinha. E eu me lembro muito bem que caixinha é essa, ela me foi dada de presente pela minha mãe quando eu tinha uns seis anos de idade. Todas as noites que ela tinha plantão e ela não conseguia cantar pra mim ela dava corda na caixinha e deixava a bela música de piano tocando em meu quarto até eu adormecer.

Me levanto da cama, abro a caixinha e dou corda, pouco tempo depois a música começa a tocar. Enquanto escuto a melodia, meus olhos param em uma parte da caixinha, uma espécie de gaveta com um buraco de chave. Era ali que a minha minha mãe guardava doces quando ia dar para mim, era um dos nossos segredos.

É então que percebo que talvez eu saiba onde o exame está. Saio procurando a chave pelo meu quarto. Eu acabo encontrando encima de uns livros, quando pego a pequena chave meu coração acelera e minhas mãos tremem será que é ali que irei encontrar as respostas para as minhas perguntas?

Levo a chave até a fenda e a destranco, quando abro a gavetinha vejo que lá dentro há um envelope dobrado. Quando retiro percebo que é um envelope e está lacrado, o que significa que ninguém abriu. Nele está escrito o nome da minha mãe. Encontrei o exame.

Respiro fundo e abro o envelope, é um exame neurológico e no fim leio o diagnóstico. O resultado deu positivo para esquizofrenia possessiva. O relatório dizia que minha mãe tinha uma obsessão doentia por uma pessoa e a recomendação seria a internação.

Estou sem palavras, a minha mãe era esquizofrênica. Será que meu pai sabia? Ou será que minha mãe escondeu isso dele?

É então que a minha ficha começa a cair, a pessoa que a minha mãe tinha uma obsessão era eu. É então que e começo a me lembrar dos momentos em que eu queria brincar na rua e minha mãe não deixava, ela dizia que as pessoas eram cruéis, os momentos que ela penteava meus cabelos e cochichava no meu ouvido o quanto eu era perfeita. Ela me comparava as bonecas que eram perfeitas, mas a perfeição é algo muito difícil de se conquistar e rapidamente pode desaparecer. No ponto de vista dela no momento em que eu fui internada a boneca se quebrou, significava que a perfeição tinha acabado.

Tudo veio a tona, minha mãe era doente e ela escondeu esse exame. A data da entrega desse exame foi um dia antes de eu ser internada. A música que a minha mãe cantava para mim vem em minha mente, a letra completa. Canto ela em voz alta e relembrando de todos os momentos em que a minha mãe me deixava presa em casa e em todos os momentos nós estávamos sozinhas.

Ouço passos se aproximando, meu pai entra no quarto e diz.

– Mary? — Ele parece atordoado e quando me vê parece voltar a si.

– Emily, a sua voz é igual a de sua mãe.

– Pai eu encontrei o exame, você sabia disso? — Entrego o exame para meu pai, ele lê e parece chocado com o resultado final.

– Ela escondeu isso de mim, eu sabia que ela tinha feito o exame mas o resultado nunca chegou...

– Pai o que você sabia sobre isso? Minha mãe realmente morreu em um acidente de carro? Eu mereço respostas pai — Digo com lágrimas nos olhos.

– Se acalme Emily, eu irei te contar tudo. Eu percebia que os cuidados que a sua mãe tinha com você estava ficando fora de controle, chamar a filha a todo instante de perfeita não era sudável, ela te trancava aqui em casa, não estava normal essa situação. Então eu levei ela até o hospital para fazer a consulta e fazer o exame, mas o resultado nunca foi visto por ninguém até agora ela escondeu isso de mim.

– Não pode ser. Ela ... realmente morreu em um acidente de carro? — Pergunto chorando.

– Sim Emily, ela perdeu o controle da direção um dia depois de você ser internada. Depois de um tempo começaram a suspeitar e a causa da morte foi uma crise enquanto ela estava dirigindo o que a fez perder o controle do carro.

Eu me ajoelho e choro, minha mãe tinha a mesma doença que eu. Uma saudade me invade como eu queria que ela estivesse aqui para ter as respostas dela, meu pai se ajoelha ao meu lado e me consola. Não sei por quanto tempo fico assim mas parece que acabo adormecendo, pois acordo em minha cama. Sinto meus olhos arderem, pouco tempo depois meu pai entra com um prato de sopa e se senta ao meu lado.

– Como você está se sentindo Emily.

– É muita coisa para absorver em um dia, mas eu vou ficar bem — Digo tomando um pouco da sopa.

– Lamento não ter te contado, mas você já tinha tanto com que se preocupar não queria aumentar o seu stress.

– Sei que fez isso para o meu bem. Eu não estou brava nem com você nem com a minha mãe pois não ela não tinha culpa em ter essa doença. E em certos momentos a memória dela me acalma nos momentos em que dançávamos na sala, que assistíamos Senhor dos Anéis, ainda sinto muita a falta dela.

Meu pai me faz companhia até eu terminar a sopa. Quando termino de comer vou para o carro e volto para a clínica. Quando chego na entrada avisto uma pessoa que nunca esperaria ve-la por aqui.

Era o pai do Thomas, mas não com a postura de poder. Ele estava com os cabelos bagunçados, os olhos vermelhos e as roupas amassadas, não imagino o que ele iria querer comigo.

– O que faz aqui? — Pergunto confusa.

– Eu preciso falar com você. Eu sei que não tenho direito nenhum de vir até aqui, mas é urgente.

– Olha, eu já me afastei da sua família, ainda tenho uma tala na minha mão e um corte na cabeça da cabeça por culpa de sua mulher e ainda me dói saber que eu deixei seu filho, mas fiz isso para o bem dele, para que ele fosse feliz.

– Eu quero te pedir desculpas, por que eu só agora fui perceber o quanto você faz bem para o meu filho e eu garanto que ele faz muito bem a você.

– Aonde quer chegar com isso — Pergunto sem entender.

– Quero falar que depois que você terminou com o Thomas ele voltou a beber.

– Ai não — Digo preocupada, o que será que ele iria dizer.

– E ele acaba de sofrer um acidente de moto. Ele está no hospital e a única pessoa que ele precisa agora é de você Emily.

Notas finais
Quantas surpresas para um cap hein. O segredo da mãe da Emily foi reveladooo e o pai do Thomas aiu na real. Espero que tenham gostado meus lindos, deixem nos comentários o que achararam beijooooooooos