Notas iniciais
Espero que gostem.

Você não pode Elena! Disse a si mesma em pensamento. Havia impedimentos terríveis, o mais paralisante era que, por mais que ela não se sentisse assim, era casada e com um homem cruel. James podia estar preso a uma cama, mas ainda era tão perigoso quanto antes, além disso, ele só precisava de um telefonema para cumprir sua ameaça. E ele ainda podia ser mais cruel do que isso se simplesmente suspeitasse que estava gostando de outro homem.

– Preciso ir pra casa. – Disse finalmente

– Vamos então.

– Não, daqui não é tão longe e eu preciso caminhar um pouco.

– Como assim? Estou indo para o mesmo prédio e estou de carro. Venha, eu te levo. Além disso, está ficando frio e você está sem casaco.

– Mas... – tentou argumentar, mas estava realmente frio lá fora.

– Mas nada! Entre, por favor.

Abriu a porta para que ela entrasse e colocou a mão em suas costas, como que para conduzi-la. Elena estremeceu ao toque e Oliver com certeza percebeu, pois retirou a mão no mesmo instante e pareceu confuso. Quando Elena se ajeitou no banco do carona ele a olhou como se quisesse dizer algo, mas apenas apertou os olhos, passou a mão nos cabelos e fechou a porta, com um pouco mais de força que o necessário.

– Você está bem? – ele perguntou ao entrar no carro. Elena apenas assentiu.

Não disseram nada por todo o caminho, Oliver parecia confuso, quase que decepcionado. É claro que estava, ela havia mudado da água para o vinho em um segundo. Num momento estava se debulhando em lágrimas, abraçada a ele e no outro rejeita um simples toque de gentileza. Mas Elena não podia arriscar se envolver mais, sabendo que, mesmo que Oliver correspondesse em algum momento, ela poderia viver aquele sentimento que estava brotando.

Oliver se despediu ainda no saguão.

– Bye Elena! – Aquilo parecia ser mais um adeus e não um até breve. – Vou ficar por aqui e beber alguma coisa.

– Claro... Cuidado com o café! – Tentou amenizar o clima entre eles.

– Claro. – Respondeu com um sorriso forçado.

Ele se virou e foi em direção ao restaurante do prédio. Elena sentiu o peito se apertar e esvaziar, como se seu coração estivesse sendo levado.

Não acredito que vou fazer isso! Pensou.

– Oliver! – Ele parou, mas não se virou, a olhou por cima do ombro.

– Sim?

– Quer tomar um café de verdade?

Ele virou em sua direção, colocou as mãos nos bolsos e caminhou lentamente em sua direção com um pequeno sorriso no rosto.

– É claro que sim. E aonde vamos?

– Para cima! – Desta vez Oliver abriu um sorriso de verdade. Aquele sorriso que fazia Elena perder o ar toda vez que via.

O que eu estou fazendo? Se alguém o vir entrando no meu apartamento vai pensar bobagem. Elena pensou enquanto apertava o botão para chamar o elevador. Oliver estava parado bem atrás dela, sem dizer nada, mas ela podia ouvir sua respiração. O elevador chegou.

– Você primeiro. – ele disse estendendo a mão e mostrando o caminho.

– Obrigada. – estava nervosa.

Porque está assim Elena? É só um café! Disse a si mesma. As portas do elevador se fecharam deixando os dois sozinhos em cubículo apertado, o que não ajudou muito para acalma-la.

– Como você faz? – Oliver se virou lentamente e a olhou com olhar indecifrável.

– O... O que? – Elena quase pulou com a pergunta, engoliu em seco.

– O café. Como você toma o seu café. – ele permanecia impassível.

– Forte e doce.

– É como eu gosto também. Elena?

– Sim?

– Posso pedir um favor?

– Claro. – o coração de Elena acelerou.

– Você me ensina a fazer?

– Co... Como? – ele não respondeu imediatamente. Parecia se divertir com aquilo.

– O café, Elena. Já que o daqui é uma lástima, acho que vou ter que fazer eu mesmo, certo.

– Certo. Claro.

O elevador chegou ao décimo primeiro andar, onde Elena morava e abriu com um “plim”. Elena ficou aliviada.

A porta do apartamento se abriu para um pequeno hall onde havia um aparador com algumas fotos e um quadro de um artista de rua com o Cristo Redentor no Rio de Janeiro.

– O Rio é mesmo lindo, não é? – ele olhava fixamente para o quadro.

Elena sentiu uma estranha ligação com ele naquele momento.

– Você já esteve lá?

– Sim. Como disse, passei um tempo no Brasil. O Rio foi minha casa por um tempo.

– Claro.

Ele pegou uma das fotos que estavam no aparador, uma em que John estava com Elena nas costas. Eles riam de felicidade.

– Este deve ser o John, se parece com você. – Ele sorriu carinhosamente. Assim como Elena, era isso que acontecia toda vez que falavam de seu irmão.

– É. É o que dizem.

Elena ligou as luzes da sala de jantar que era integrada com a cozinha pequena, mas bem equipada, colocou sua bolsa em uma mesa de canto, havia uma porta grande que dava para sala de jantar e os quartos, outra pequena na parede contrária que levava à lavanderia e ao lavabo. Toda a decoração era de madeira rústica e materiais claros combinando.

– Fique a vontade.

– Legal, você em embaixo de mim. – Elena se virou em um pulo, seu coração quase parou. – O seu apartamento fica bem abaixo do meu. – Ele estava se divertindo com aquilo, definitivamente.

– Ah!

Oliver sentou-se em um banco alto no balcão que separava a sala e a cozinha, enquanto Elena pegava o café e o açúcar no armário à esquerda do fogão.

– Apartamento legal, aconchegante.

– É sim, eu gosto da simplicidade. É mais a minha cara.

– E por que morar em um bairro tão luxuoso como o Upper East Side? – Elena o olhou meio confusa. – Desculpe, não é da minha conta. Eu...

– Não, tudo bem. – Elena já havia dado aquela resposta milhares dezes desde que se mudou para o Paradise. – Eu consegui um ótimo emprego, aqui mesmo no prédio e tinha um dinheiro guardado da casa que vendemos no Brasil, além disso, o dono deste apartamento era o meu chefe. Foi mais fácil do que pensei.

– Que bom e, desculpe de novo.

– Não há o que desculpar – Elena começou a fazer o café. – Então é isso, primeiro você coloca duas colheres de sopa de café e seis de açúcar, bem aqui. – ela olha para ele como quem pergunta “entendeu?”, como se lelé fosse criança. Ele assente. – E então você coloca água aqui, depois é só apertar o botão. Simples!

– Obrigado mamãe! – os dois riram.

Ela contornou o balcão e se sentou ao lado de Oliver, estava se sentindo mais confortável perto dele, como se o conhecesse há muito tempo. Apesar de fazerem... O que? Dois dias? Isso se contar o esbarrão na academia.

– Minha vez de perguntar. O que você faz exatamente? – Ela olhava diretamente para ele, com a cabeça apoiada na mão, o cotovelo no balcão.

– Bom, eu administro uma empresa.

– Uau! Isso explica esse terno italiano.

– Nossa! – Ele se olha. – Nem acredito que ainda estou com isso. – Tira a gravata. – Posso colocar ali? – Apontou para a mesa onde ela tinha deixado a bolsa e o celular.

– Claro. – Por favor, não tire o paletó! Pensou. Mas ele tirou e desabotoou dois botões da camisa branca que delineava perfeitamente seu corpo rígido e forte, que ela olhou de cima a baixo antes que ele voltasse a se sentar.

A cafeteira apitou. Elena fez menção de se levantar, mas o celular tocou. Sentiu um calafrio subir dos pés a cabeça. Calma, John está bem! Pensou.

– Vá atender, eu pego o café.

Elena foi até a mesa e pegou o celular. Era John.

– Oi John. Está tudo bem?

– Sim, só estou ligando para avisar que os bombeiros não vão liberar as ruas tão cedo. Vou dormir aqui no Mathew. Tudo bem pra você?

Elena pensou por um segundo. O perfume do paletó de Oliver a invadiu. Droga!

– Tem certeza que há como vir?

– Tenho, além disso, Phil está cansado, mas se você realmente quiser, eu dou um jeito de ir.

– Não. Tudo bem.

– Elena, onde estão as xícaras?

– No armário superior, à direita.

– Você está em casa? Tem alguém com você?

– É só um colega da academia.

– Ok, bye maninha.

– Bye John. Me liga.

– Okay.

Ela se inclina e apoia as duas mãos na mesa, fica olhando para aquele paletó. O que estou fazendo? Ela pensa em James, em John. Não queria perde-lo.

Oliver pára atrás dela e fala quase em seu ouvido. Perto demais.

– Aqui está. – ela se arrepia inteira e sente um calor entre as coxas aumentar. Essa não! – O que foi? Está preocupada com seu irmão?

Ela se vira e o olha nos olhos.

– Não. Estou preocupada comigo agora.

– Eu não mordo Elena. Parece que você está com medo de mim. Fiz algo errado.

– Não. E eu não estou com medo de você, estou com medo de mim.

Ele não esboça expressão alguma. Coloca as xícaras com o café na mesa, quase roçando seu rosto no dela. Elena fica ofegante, e aquele calor aumenta mais. Oliver passa os braços ao seu redor e apoia as mãos na mesa, chegando mais perto.

– Eu não tenho medo de você.

Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, ela a beijou.

Foi intenso, Elena não conseguiu, ou não quis resistir. Oliver colocou uma mão em seu cabelo e a outra em sua fina cintura, puxando-a mais para perto. Ela colocou as duas mãos no cabelo dele. Como era macio. Uma eletricidade saia do corpo dele e reverberava no dela. Ele colocou uma mão abaixo de sua coxa e a ergueu para cima da mesa, que por sua vez o enlaçou com as pernas, seus quadris se encaixavam e o corpo dele respondia cada vez mais. Já podia sentir algo rígido entre as pernas enquanto seu corpo era invadido pelo calor causado pelo contato.

Ela parou de repente. Oliver descolou seus corpos, mas seus braços fortes ainda a mantinham perto o bastante para sentir o seu calor.

– O que foi? Você estava a fim, sei que estava. – ele sussurrava tão ofegante quanto ela. A olhou bem nos olhos, procurando uma resposta.

– É complicado. – ela encostou a cabeça em seu ombro.

– Rápido demais, certo? Desculpe, achei que você queria. – Ela a soltou, colocou as mãos nos bolsos, mas não se afastou nem um centímetro.

– Eu queria. – ergueu a cabeça e olhos em seus lindos olhos verdes para que visse sua sinceridade. – Eu quero, mas...

Ela não sabia o que dizer.

– Tudo bem, entendo. – A beijou na testa e se afastou. Elena sentiu um vazio.

Elena desceu da mesa e olhou o paletó que estava em cima.

– Droga!

Oliver olhou para o mesmo lugar e fez uma careta. Tinham derramado todo o café nele. Depois sorriu.

– Mais trabalho pra Liz.

Elena não conteve o pânico que a invadiu. E raiva. Como não havia pensado nisso!

– Oh Deus, você é casado? – disse com raiva. Ele ficou paralisado por um momento, depois riu.

– Claro que não! Liz é minha governanta, na verdade é quase uma mãe pra mim.

Elena soltou o ar que havia segurado desde que fez a pergunta e suspirou de alivio. Caminhou até a sala de TV e sentou no sofá. Estava tonta e exausta.

–Deixe ai, eu cuido disso e te entrego com o lenço.

Oliver sentou ao seu lado e segurou sua cabeça entre as mãos, beijou-a com delicadeza.

– Tudo bem, mas só por que significa que eu vou ter ver de novo. – se levantou e caminhou até a porta. Esperou Elena abri-la. – Até logo Elena.

– Bye Oliver!

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Mensagem enviada por: John

Que bom que tenha companhia :D.

Até amanhã, te amo!

Enviada às 20:43 11/23/2022.

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Elena revirou os olhos e respondeu.

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Enviar para: John

Não é o que está pensando!

Durma bem, também te amo!

Entregue às 21:17 11/23/2022.

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Notas finais
Comentários, sugestões e críticas são sempre bem vindos!