Capítulo I – Cinzenta e Atrapalhada


Foi numa manhã de primavera. Os pássaros cantavam, as flores se abriam, os trestálios brigavam... e as corujas se amontoavam, no salão comunal, no castelo da escola de Hogwarts; era hora do correio da manhã. Uma mensagem em particular foi parar no lugar errado. Ninguém percebeu, quando a coruja cinzenta e atrapalhada veio voando, deu uma pirueta no ar e desprendeu-se de sua perninha o pequeno pedaço de pergaminho, indo parar exatamente na cabeça de uma garota de cabelos castanhos claros, sentada na mesa da Grifinória. Tinha por volta de quinze anos, mais ou menos. Ela assustou-se com aquilo batendo em sua cabeça e imediatamente pôs a mão na região, pegando o bilhete.

–Hum... mensagem pra você, mione!

–Ora, o que que tem isso, Ron? Não posso receber nada? Deve ser de meus pais...

Hermione abriu o pequeno pergaminho e leu: “E aí tudo bem? As aulas já começaram? Espero que sim... esse ano estarei aí para o torneio tribruxo. Não demora muito a gente vai se encontrar... aguardo sua resposta. Bjs, Fleur Delacour.”

–Que estranho – disse Hermione indagativa. O pergaminho tinha a insígnia de Beauxbatons, a escola para bruxos na França, em Paris – Quem será que...

–Parece que não foram seus pais, né Hermione?

–Se foram ou não, não é da sua conta Harry – Hermione disse guardando o pergaminho rapidamente dentro do livro de história da magia, olhando os dois rapazes de lado, indiferente. Em seguida se levantou, pegando suas coisas. Os garotos a olharam intrigados.

–Ah, fala aí mione! É um admirador secreto? – Ron disse num meio sorriso, vendo a menina se levantar – estamos curiosos...

–é Hermione,fala...

–Não é da conta de vocês. Se não se importam, tenho aula de Runas Antigas agora de manhã, e tenho que passar na dormitório para pegar os livros da matéria. Agora com licença – Hermione disse virando-se e afastando-se em direção da torre da Grifinória, deixando os dois garotos olhando-se intrigados.

“Quem é você? Se me lembro bem não conheço ninguém em Beauxbatons... você é francesa? Eu Não sabia do torneio tribruxo... Vai ser esse ano? Puxa, aguardo sua resposta! Bjs, Hermione Granger.”

Hermione dobrou bem dobrado o pequeno bilhete, chamou sua coruja e prendeu-o no pé dela. Em seguida, disse:

–Beauxbatons. Fleur Delacour...

A coruja a olhou meio surpresa, em seguida alçou vôo, saindo pela janela. Hermione pegou os livros e saiu suspirando para mais um dia de aulas...

[...]

Na manhã seguinte, Fleur acordou com insistentes batidas em sua janela. Uma coruja Creme com olhos cor de mel, insistia em bater com o bico no vidro da janela e olhar suplicante pra dentro, querendo entrar. Ela levantou-se e com um floreio da varinha, abriu a janela, vendo a coruja entrar em disparada, caindo no sofá logo em frente. Deu um meio sorriso, a coruja devia estar ali há um bom tempo, mas ela estava dormindo...

–O que você tem pra mim, corujinha? Não te conheço... – Fleur pegou o pequeno pedaço de pergaminho e leu. Em seguida tomou um susto — Extraviada. Minha mensagem foi... – ela olhou novamente para o bilhete preocupada, mas em seguida decidiu que poderia conhecer a tal de Hermione lá de Hogwarts, afinal ela iria para o torneio mesmo e precisava fazer novas amizades. Sentou-se na escrivaninha e pegou um novo pedaço de pergaminho.

“Sou Fleur Delacour de Beauxbatons, a escola para bruxos em Paris, França. Acho que minha mensagem, que era pra Cho, aí em Hogwarts, acabou indo pra você, pois minha coruja é um pouco atrapalhada, (rs). Espero que possamos fazer amizade. Qual a sua idade? Você também é de Corvinal, como a Cho? Inclusive, gostaria de lhe pedir que a avisasse do extravio, já que ela deve estar até agora esperando minha resposta. Muito obrigada. Bjs, Fleur.”

Fleur sorriu ao terminar o bilhete e prende-lo na perna da coruja creme, a coruja da tal Hermione. A coruja a olhou um instante e subiu para o céu, em direção do Reino Unido, Inglaterra. Levantou-se e saiu para tomar café. “Tenho que começar a treinar...”

[...]

Hermione abriu um meio sorriso contente ao ler a mensagem, sentada no sofá da sala comunal da Grifinória. Tinha feito uma amiga francesa, Fleur Delacour, de Beauxbatons. E tinha que avisar a Cho sobre o extravio do bilhete que acabou parando nas mãos dela, por coincidência ou força do destino – afinal conhecera uma pessoa de longe, e que iria competir no torneio tribruxo desse ano. Isso era bastante interessante.

–De novo outra mensagem mione? – Harry a olhou intrigado e um tanto preocupado, enquanto o pequeno sorriso sumia dos lábios de Hermione, que o olhou indiferente novamente.

–é só uma menina, amiga minha de Beauxbatons. ela virá para o torneio desse ano...

–O torneio tribruxo? puxa!

–E ela vai competir? Com a nossa escola? – Ron retrucou, chegando ao lado de Harry.

–Voce sabe que nós temos o Cedrico, não sabe, mione? Nós temos que torcer por ele...

–Ah calem a boca vocês dois! Eu não disse que ia torcer por ela, eu disse que ela é minha amiga...

–Tudo bem, mione. Só não se esqueça que...

–Eu não me esqueço de nada, lembra-se? E eu não preciso que me lembre que devo torcer por Cedrico. Eu sei perfeitamente disso – Hermione levantou-se e saiu correndo para a biblioteca. Tinha que escrever um bilhete, mas por algum motivo não queria que os dois abelhudos vissem...

[...]

–Fleur, preciso falar com você – disse Bill Weasley, ao passar por ela no corredor em Beauxbatons. Estava há um ano naquela escola francesa para graduação em transfiguração, e ainda não se acostumara ao novo clima e novo ambiente. Não tinha feito muitos amigos, então ficava boa parte do tempo sozinho. Sua única amiga íntima era Fleur, que a essa altura era sua namorada; planejava pedi-la em noivado, só faltava o momento perfeito, já que estavam muito avançados no namoro – eles já haviam dormido juntos duas vezes – e eles se amavam demais...

–Desculpe Bill, essa semana estive tão ocupada treinando... – Fleur disse num sussurro, tentando parecer despreocupada. Na verdade não queria encontrá-lo há alguns dias, desde que conheceu uma nova pessoa...

–Eu sei. Estive te observando treinar – ele disse um pouco ressentido – mas você nem percebeu...

–É claro que eu percebi, meu amor – ela disse se aproximando mais dele. Ele percebeu que ela se aproximava e a enlaçou pela cintura, afagando seus cabelos – Sinto sua falta...

–Eu sei meu amor, eu sei. Olha, me encontre mais tarde perto do quadro de madame Maxime, após a ronda da noite, tá?

–Claro, claro... então até mais tarde... – Bill percebeu que ela queria se afastar, afinal estavam no meio do corredor, e madame Maxime detestava ‘intimidades’ entre os alunos, principalmente manifestações públicas. Ele a soltou logo em seguida, vendo-a se afastar sorrindo-lhe cúmplice, em direção ao lado oposto do corredor.

–Essa noite – foi o que ela disse ao mover os lábios sem sair um único som, enquanto se afastava dele. Viu-o sorrir e virou-se olhando pra frente. Estava começando a ficar confusa...