Mensageiros 2 - Versão Alternativa
36 Capítulo 36
Notas iniciais
Peço desculpas por ter me afastado, é que eu estava em semana de provas e trabalhos da facul, tava muito corrido então tive que pedir férias pra Lu, que arrasou como sempre!!
Adoro vc amiga!
Espero que gostem do capitulo!
Beijos!
POV MARY
"Jhon não estava em casa, deixei Lindsay no berço e fui até o varal recolher as roupas. Estava ventando muito e parecia que ia chover, o tempo estava verde demais pro meu gosto, tudo úmido por conta da época de chuvas. Meu ouvido aguçado de mãe me alertou que ela tinha acordado, corri pra dentro de casa. Mas parecia que minha casa estava longe demais, eu corria tanto, mais do que meus pés aguentavam, me senti como se estivesse em uma esteira, corria, corria e não saia do lugar. De repente uma névoa de corvos sobrevoou minha cabeça e pousaram na varanda, gritando desesperadamente e mascarando o choro da minha filha. Corri mais do que pude e finalmente alcancei a varanda, espantando os bichos que voaram escandalosamente. A chuva que tinha dado uma trégua voltou com tudo, entrei dentro de casa já molhada. Me dirigi ao quarto da Lindsay, seu choro tinha cessado, mas nem por isso deixei de correr até o quartinho lilás, e lá estava ela dormindo como um anjo no berço, respirei aliviada enquanto acariciei a cabecinha frágil do meu bebê. Um trovão seguido de um raio me assustou, fechei a janela do quarto pra que ela não acordasse. Quando me virei, uma figura horrorosa estava sentada na cadeira que eu amamentava Lindasy, a figura que eu mais temia desde que fiquei grávida. O espantalho. Ele estava lá sentado com seu chapéu de palha e uma foice na mão, seus olhos pareciam com duas jabuticabas podres olhando pra mim com uma fúria que eu não conhecia. Tentei gritar mas meu grito saiu sufocado, mal consegui tomar fôlego pra tentar pedir socorro. Lindsay chorou, um choro dolorido, corri pro berço, mas fui detida algo parecido com uma mão, mas feito de feno. Ouvi ao longe o som do carro do Jhon, o espantalho apertou ainda mais meu pulso, olhei bem fundo naqueles olhos, mal dava pra distinguir onde estava sua boca, a palha se mexia mas eu não ouvia nada, somente no meu consciente pude interpretar suas palavras.
_Você não poderá ter os dois.
_Me solta seu monstro, me deixa ver minha filha. -Falei. Minha menina esperneava no berço.
_Você não poderá ter os dois.
_Mary, cadê você? E porque a Lindsay tá chorando? -Jhon gritou ao entrar pela cozinha, ele viria até o quarto.
Tentei desesperadamente soltar me daquele boneco, ele estava perto demais de mim e de Lindsay, por um minuto pensei que ele fosse pega-la, mas Jhon fez barulho demais batendo a porta, distraindo-o. Parece que ele se lembrou de algo quando ouviu o barulho, der repente ele me soltou e correu em direção a cozinha. Temi por meu bebê e meu marido, o desespero tomou conta de mim naquele instante, não sabia quem proteger. Antes que eu pudesse ter alguma reação do que fazer, ouvi um grito estrangulado do Jhon."

POV JHON
Acordei assustado com o grito de Mary, parece que os dias em Los Angeles fizeram bem pra ela, foi só voltarmos pra que os pesadelos recomeçassem. Virou rotina desde que ela engravidou acalmar ela no meio da madrugada, ela chorava desesperada e temia por mim e pelo bebê, murmurava algo parecido com "Eu posso sim ter vocês dois". A tomei nos braços como se fosse uma criança e fiquei embalando ela, até que se acalmasse.
_Amor, por favor, tira ele.
_Tirar quem Mary?
_O espantalho.
_Mas porque querida? Sonhou com ele de novo?
_Sim, e foi horrível, tira pelo amor de Deus, eu tenho medo de sair lá fora, não gosto de olhar pra ele.
_Amanhã eu prometo que tiro tá? Agora dorme por favor. -Falei tirando os cabelos da testa suada dela.
_Jura? Mas você tem que queimar ele, pra nunca mais pendurar.
_Tudo bem senhora mandona.
Apesar da barriga dela estar bem grandinha, dormimos bem agarrados, ela se enroscava no meu pescoço com medo. Não sei porque diabos todo mundo tem medo desse boneco, mas como minha esposa anda sensível demais vou fazer o que ela quer, vê-la feliz é primordial pra mim.
...
Acordamos na mesma posição da noite anterior, Mary não afrouxou o braço do meu pescoço, tive que me soltar aos poucos dela pra poder levantar, mas como o sono dela que antes era de pedra agora ficou leve, ela acordou toda sorridente passando a mão na barriga.
_Lindsay. -Ela falou sorrindo.
_Lindsay? -Não intendi direito.
_Sim, o nome vai ser Lindsay!
_E você tomou essa decisão enquanto dormia? -Falei sorrindo e beijando o rosto dela.
_Sim... na verdade eu sonhei que eu chamava ela de Lindsay... Amor, ela tem os seus olhos! Eu vi!
_Ah você viu? Aposto que é linda igual a mãe dela!
Começamos nosso dia como de costume, Mary já não vomitava mais depois do café, o que pra mim era ótimo porque assim ela voltou a colocar ração pro Bummer, ela pegou nojo da comida do pobre coitado deixando a tarefa pra mim todo dia. Da varanda avistei que o celeiro estava fechado, Vincent deve ter perdido a hora. Passei pela plantação só pra ver como estavam as coisas, me deparei com a tranqueira do boneco jogado no chão de novo, provavelmente devido as chuvas de vento. Nem me preocupei porque hoje eu tacaria fogo naquilo mesmo, fui pro celeiro chamar Vincent pra me ajudar com o milho de hoje, era dia de levar na cidade.
Vincent estava já saindo quando me aproximei, pediu desculpas dizendo que dormiu tarde, eu disse que não tinha problema já que teríamos um dia bem corrido.
Colocamos todo o milho possível na caminhonete e antes de partir me lembrei da promessa que fiz a Mary. Vincent aguardou no carro enquanto eu peguei o espantalho e joguei na parte de trás da plantação, onde normalmente eu queimava os corvos mortos que sempre apareciam. Enchi um tanque com gasolina e pronto. Chega de boneco assustador e chega de Mary com medo.
POV MARY
Fiquei frustrada por estar sozinha em casa e por não poder sair com Jhon, o carro estava abarrotado de milho e só caberia mais uma pessoa, que, claro, seria o Vincent já que ele pode fazer esforço, eu jamais poderia ajudar meu marido, nem grávida, nem nunca.Eu estava sentada no sofá quando ouvi baterem na porta, confesso que senti um medo atravessar minha espinha. Apesar do pesadelo de ontem me fazer escolher o nome da minha filha, eu ainda sentia pavor de pensar naquele boneco. Bummer dormia no sofá, cutuquei ele acordando-o, ele pareceu entender que eu estava com medo. Bateram outra vez, ele se levantou atento e seguiu pra porta me encorajando a abrir. Senti muito medo mas abri. Tomei um susto quando meu irmãozinho gritou meu nome e agarrou minhas pernas, eu sentia tanta saudade dele, foi muito bom vê-lo.
_Mana! Que saudade de você!
_Michael seu doido, o que tá fazendo aqui? A mamãe sabe que veio?
_Não sabe não, eu fugi pra te ver, achei que estivesse brava com a gente!
_Ah meu irmãozinho lindo, nunca vou ficar brava com você! Entra, vem!
Michael me atualizou de todas as fofocas das redondezas e principalmente da nossa família, minha mãe nada discreta deixou ele saber de como meu pai está enlouquecendo na cadeia e que a cidade inteira sabe, ele inclusive tentou se matar e já não enxerga nada mais. Senti pena dele, apesar de tudo que ele me fez e não ser meu pai de verdade, ele me criou, e isso me deixava triste. Queria que tudo fosse diferente, mas graças a Deus eu agora tinha uma filha que passaria por momentos bons com o pai, eu não tinha dúvidas de como o Jhon seria um pai maravilhoso e que ela não passaria nada do que passei. Michael falou muito, parando somente pra beber o suco ou morder os biscoitos que comíamos, quando me dei conta já estava escurecendo, falei pra ele esperar o Jhon voltar pra leva-lo de carro até a casa da minha mãe.
POV JHON
_A sorte está mesmo sempre do meu lado Vincent, o senhor Hale pagou o dobro pelo milho hoje, dizendo que o meu era o maior e mais bonito de toda cidade acredita? -Comemorei dirigindo, já avistando minha fazenda.
_Mas é verdade mesmo senhor, seu milho é sem dúvida o melhor! -Ele responde sorrindo. Eu gostava do Vincent, ele era um homem muito simples e de confiança, sua humildade e bom caráter faziam dele uma boa pessoa.
_Mas que inferno! Que diabos! -Gritei olhando pro poste. _Quem colocou aquela porcaria ali?
_Que foi senhor? -Vincent não entendeu minha raiva.
_Eu queimei aquele espantalho Vincent, eu juro que queimei! Mas que merda!
Desci do carro e segui até o poste, batendo com toda minha força pra que o boneco caísse, Vincent me olhava assustado.
_Eu juro que queimei! -Falei batendo com mais força.
_Senhor Jhon, acalme-se...
Foi quando senti uma dor na mão e no ombro. Eu consegui me cortar e aquela droga continuava ali. Aquele boneco me desafiou, ele vai ver só.

POV MARY
Michael dormiu no sofá, meus ouvidos agradeceram. Sentei na varanda e notei que o espantalho ainda estava lá, Jhon me pagaria. Foi quando o avistei andando em passos largos com cara de raiva, não intendi o porque, seu cabelo estava bagunçado, tive vontade de rir daquela cara marrenta de Jhon.
_Mary, eu juro que aquele espantalho vai se ver comigo!
_Mas o que aconteceu com sua mão? -Levei um susto ao ver o sangue escorrendo.
_Eu queimei ele, e cortei a mão agora.
_Amor, você tá ficando doido é? O boneco não saiu dai a tarde toda, você tá é arrumando desculpa pra mim!
_Não tô não, eu juro! Eu queimei antes de sair! Mas porque infernos ninguém acredita em mim? -Ele grita raivoso.
_Porque ninguém acredita eu não sei, mas eu sei que você vai entrar agora e cuidar dessa mão, depois levar meu irmão pra casa.
_Michael tá ai? -Ele dá um meio sorriso torto.
_Tá sim, vamos amor, amanhã a gente conversa com calma, vem.
Obviamente meu irmão acordou e grudou no meu marido, preocupado com sua mão já enfaixada e dizendo que se ele tomasse uma injeção melhoraria, ri muito da paciência que o Jhon tinha com ele. Já era bem tarde quando levamos Michael pra casa, ficamos no carro observando ele entrar. Dormimos bem cedo naquele dia, eu novamente acordei arfando devido a um pesadelo, Jhon me confortou e disse que amanhã daria um jeito.
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