Mensageiros 2 - Versão Alternativa
19 Capítulo 19
Notas iniciais
Bjus da luh!
POV MARY
Eu estava feliz e realizada, eu ia finalmente sumir daqui e entrar pra faculdade de veterinária, meus sonhos estão se concretizando. Jhon era o melhor namorado do mundo, semanas se passaram, eu ia escondida do meu pai vê-lo nos dias de faxina de Tess, ela nos dava apoio e privacidade, minha vida estava perfeita agora.
Eu iria me mudar depois do ano novo, quando as coisas estivessem ajeitadas, minha matricula estava feita, graças a Deus consegui a bolsa, só precisaria de dinheiro pra me sustentar mesmo, já tinha pesquisado onde ia morar, uma república que vi na internet, eu moraria com uma menina que ainda não conheci, tinha um hospital veterinário bem perto dali onde eu iria trabalhar, espero que tudo dê certo. Meus planos estavam indo bem, Jhon insiste na ideia de arcar com meus gastos, já criou uma conta pra mim com um dinheiro pra eu me virar por lá.
Faz dois dias que não vejo o Jhon, hoje é véspera de natal, na minha casa não fazemos nada porque meu pai é chato, mas Simon e Tess deram uma festinha no natal, fui com mamãe e Michael, Jhon já estava lá bebendo e rindo com um amigo, como nosso namoro não é mais segredo pra ninguém, caminhei até ele e me sentei em seu colo dando um selinho.
_Tudo bem meu amor? -Pergunto sorrindo.
_Tudo e você? -Ele parece estranho, normalmente me recebe tão feliz.
_Tudo... aconteceu alguma coisa?
_Não, nada... -Ele responde olhando pra mamãe que se aproxima. -Mary, será que poderíamos ir até o quintal, precisamos conversar.
Me levanto do seu colo, mamãe e Jhon trocaram olhares cúmplices, achei estranho mas nem liguei muito. Caminhamos até o fundo da casa de Simon, Jhon para encostado em uma árvore, com a mão nos bolsos fica me olhando com seu olhar torto.
_Mary, eu.... nós não podemos mais ficar juntos.
Paralisei aos poucos em sincronia com as palavras que saiam de sua boca.
_Não dá mais Mary, eu tentei, eu juro que tentei de tudo, mas não podemos mais..... -Fiquei calada, meu corpo levou um choque, não conseguia me mover, falar ou pensar.
_Droga Mary, fala alguma coisa! -Ele coloca as mãos nos meus ombros, lutei para sair da bolha que me encontrava.
_Como assim não podemos? Jhon eu falei que você pode ir morar comigo, tudo tem um jeito e...
_Mary não é questão de onde morar...
_Porque Jhon? Você não me ama mais?Qual o problema?
Ele abaixa a cabeça em resposta a minha pergunta.... É... já entendi... bem que minha mãe me disse pra nunca confiar em homem nenhum, eles levam moças para a cama umas três vezes e depois descartam. Como eu fui cair nessa? Por que fui tão burra?
Meu peito de repente ficou apertado com a ideia de que eu fui só mais uma na vida do Jhon... Senti o ar sumir da atmosfera que me cercava.
_Porque você me enganou esse tempo todo dizendo que me amava? Você fez eu me apaixonar, eu me entreguei pra você! Falei sentindo as lagrimas rolando pelo meu rosto.
_Eu nunca menti pra você!!! E pelo amor de Deus, eu nunca quis ser um canalha Mary, eu tinha planos pra nós eu juro! -Notei que os olhos dele tinham lágrimas.
_Eu não entendo. -Meu rosto já estava encharcado, senti falta de ar, desejei morrer.
_Por favor, não pense que eu quis brincar com seus sentimentos... E eu não posso te falar muita coisa agora, eu sei que é difícil pra você entender, vai parecer que eu sou louco e mentiroso, mas acredite em mim... é melhor pra você que a gente se afaste.
_É difícil acreditar sabe? -Falo enxugando meu rosto e puxando o ar bem forte. _Eu nunca nem tinha beijado ninguém, você surgiu na minha vida e fez tudo mudar, eu conheci um mundo diferente, experimentei várias sensações e emoções... Você imagina como me sinto e como vai ser minha vida?
_Tá achando que eu tô feliz é? Eu sei como vai ser sua vida, você vai estudar, conhecer outras pessoas, vai conhecer um cara que te mereça de verdade e vai te fazer feliz... Droga.... -Ele fala enfurecido, seu olhar era de dor e angústia misturado com raiva, ele pega meu rosto e encosta minha cabeça em seu peito, eu o abraço de volta molhando sua camisa com as lágrimas, ele continua falando enquanto afaga meus cabelos. _ E eu vou continuar aqui cuidando da minha fazenda, e vai ser como se nunca tivéssemos existido um para o outro. Voce é muito novinha Mary, tem muita coisa pra viver, isso foi loucura me perdoe..
_Não faz isso Jhon.... -Eu aperto ainda mais seu corpo contra o meu. _Não saia da minha vida, eu te amo tanto, não vou suportar te perder.
_Shihhh.... Vai passar.... Eu prometo que nunca mais vou entrar na sua vida, você vai ser feliz. -Ele beija minha testa e passa os dedos pelo meu rosto secando minhas lágrimas, seus olhos eram dois oceanos profundos, uma imensidão de tristeza.
Me afasto dele, sua expressão agora era de alguém que tinha uma dor na alma, uma dor que não podia ser curada, algo que era mais forte que ele e que ninguém poderia fazer nada a respeito, e que só restava a solidão como forma de consolo. Por que ele estava fazendo isso?
_Jhon, você não vai me dizer mesmo o porque? Se nunca mentiu sobre seus sentimentos, porque não conta o que está passando? Eu sei que tem alguma coisa.
_Mary, não, não dá pra te falar, e não dá mais... Olha, eu te desejo tudo de melhor nessa vida, agora eu tenho que ir... Cuide-se por favor, não faça nada de errado, continue sendo essa menina maravilhosa que você é e dê orgulho pra sua mãe e irmãos, eles te amam. -Ele fala meio grosso se afastando de mim e segue em direção ao seu carro estacionado.
_Achei que você não fosse se afastar nunca. -Ele para ao ouvir minhas palavras, se vira e volta correndo na minha direção, meu coração dá um pulo quando nossos lábios se tocam com desespero, foi um beijo rápido mas intenso, alguns segundos depois ele acariciava meu rosto.
_Me perdoa... Porque eu nunca vou conseguir me perdoar..... Eu te amo e sempre vou amar, só preciso que saiba disso. Adeus princesa.
Ele segue em seu carro para sua fazenda, eu fico ali observando ele ir, a ultima coisa que me lembrei foi da dor que senti no peito, e o impacto do meu corpo no chão.
POV ROBERT CHANDLER
Vi a caminhonete de John se afastando em alta velocidade pela estrada, o pai dele tinha razão, John nunca prestou, nunca teve vergonha na cara, como ele podia vir a minha fazenda depois de tanta afronta que me fez?
Saiu cedo, melhor eu ir dar uma olhada no que aconteceu. Caminhei até a casa de Simon, espiei pela janela, Tess cantarolava uma canção de natal, parecia tudo bem. Nunca gostei dessas festinhas de natal, só pra gastar dinheiro com parentes que não aparecem o resto do ano.
Continuei andando e vi Mary caída no chão nos fundos da casa, apertei o passo e cheguei até ela, estava pálida.
_Mary? Mary? Chamei dando uns tapas leves no rosto dela, ela continuou sem reação.
Lembrei da caminhonete saindo rápido...
_Mary! a sacudi. O que John fez com ela? Não parecia machucada. Olhei ao redor não havia ninguém.
Levei as minhas mãos até o pescoço dela e apertei com força, ela abriu os olhos e se contorceu, continuei apertando. Ela agora se contorcia com força e batia com as mãos nos meus braços.
_Quieta! Eu já devia ter feito isso a muito tempo... Sussurrei, vi o desespero tomar conta dos olhos dela, e as forças irem se findando. Ela parou de lutar, a neve começou a cair, fazia anos que não tínhamos neve no inverno, os olhos dela ficaram parados e se fecharam. Acabou. Finalmente acabou.
_Você não devia ter nascido, a culpa é sua você destruiu a minha vida, destruiu a nossa família a culpa é sua Mary. Sussurrei baixinho.
_Simon! Simon! Georgine, alguém pelo amor de Deus! Gritei!
Simon veio correndo, eu já levava Mary pra dentro da casa nos braços.
_Filha! O que fez com ela Robert? Perguntou Georgine.
_Nada! Ela já tava caída quando a encontrei.
_Tudo bem, me deem licença eu sou enfermeiro posso ajudar. Disse o irmão de Georgine.
Ele tomou o pulso de Mary e imediatamente abriu a parte de cima do vestido dela.
_Ei o que ta fazendo? -Gritei.
_Para pai ele só quer ajudar! -Gritou Simon.
Ele recostou a cabeça no peito dela, e imediatamente começou a fazer uma massagem cardíaca seguida de respiração boca a boca.
_O que ela tem? Meu Deus! Minha filhinha... Gritou Georgine.
Segundos depois Mary puxou forte o ar pra dentro respirando fundo.
_Tudo bem, ela voltou a respirar temos que leva-la pro hospital rápido.
Senti um arrepio frio percorrer o meu corpo.
POV JOHN ROLLINS
Por mais que eu soubesse que havia feito a coisa certa, me sentia um completo canalha, eu não devia ter deixado isso ir adiante. Droga eu sou o adulto, Mary ainda é uma menina, devia ter trancafiado os meus sentimentos no meu peito e ela não estaria sofrendo agora por minha causa. Maldito jeito sonhador que acha que tudo ia dar certo, porque eu continuo sendo assim? Nada na minha vida ficou do jeito que pensava que seria quando eu tinha a idade dela.
Respirei fundo e acelerei mais o carro, Eu fiz a coisa certa, eu sei que fiz, eu posso ser preso, o povo da cidade já anda virando a cara pra mim, achando que eu matei o Tommy e o pai dele também que com esse azar é capaz de até reabrirem o caso. Merda! Como aquela foice foi parar lá? Ta certo que eu não conheço o Vicent a muito tempo, mas ele não teria motivo nenhum pra matar o Tommy, tenho certeza que não foi ele. E se alguém tiver tentando me encriminar? Mas quem e porque? Mary me perdoe, como eu queria que as coisas fossem diferentes, mas vai dar tudo certo, você vai me esquecer logo, sua mãe ta certa, é o melhor pra você, não posso ser egoísta, mesmo que eu me livre da acusação você ainda é uma menina, não quero que daqui alguns anos você olhe pra mim e veja tudo que deixou de viver, como a sua mãe deve sentir quando olha pro Robert. Eu morreria de tristeza se visse que você se arrependeu. Eu te amo demais minha menina.
Cheguei em casa, peguei uma garrafa de uísque e comecei a beber. Peguei um cobertor e sentei na varanda, como poderia doer tanto? Como eu pude me apaixonar desse jeito por ela?
Fale com o autor