Mensageiros 2 - Versão Alternativa
3 Capítulo 3
Notas iniciais
POV JOHN
No fim da tarde terminei o trabalho e tomei um banho pra ir a casa dos Chandler, teria que arranjar alguns trabalhadores pra colheita, talvez Robert pudesse me indicar algumas pessoas. Deitei um pouco no sofá, fechei os olhos e imediatamente caí num cochilo.
Sonho on
Estava caminhando pelos enormes corredores por onde os estudantes caminhavam apressados com seus cadernos e livros nas mãos, uma faculdade, quase no fim do corredor avistei Mary com um sorriso bonito e olhos brilhantes, ela correu na minha direção e envolveu os braços no meu pescoço e eu os meus na sua cintura, senti os lábios dela tocarem os meus, eram macios e doces. Imediatamente aquele momento foi cortado por vozes, Robert gritava corredor a dentro.
Acordei um pouco atordoado com o sonho, eu estava beijando a irmã do Simon? Levantei e me dirigi a casa dos Chandler.
Cheguei a casa deles e avistei Mary na varanda com um olhar perdido, fiquei um tempo olhando pra ela do carro.
_Ela é muito bonita mesmo. No que estaria pensando? falei a mim mesmo.
─Boa noite?
─Boa noite, como está a ovelha e os filhotes?
─Estão bem. Seu pai esteve lá em casa essa manhã, tiveram algum problema?
─Não, tá tudo bem. Disse ela com um olhar triste.
─Belo carro. Disse Simon me estendendo a mão.
─Vou ter que me livrar dele logo não vai aguentar muito tempo nessas estradas de terra.
─Isso é verdade, vem quero que conheça meu filho Jordan.
Entramos na sala o bebê brincava com alguns cavalinhos de madeira.
─Esse é meu garoto e essa aqui é a minha esposa Tess.
─É um prazer conhece-lo, eu fazia a limpeza na sua casa pro seu pai, foi lamentável o que aconteceu. Desculpa não ter ido no enterro, meu filho estava doente.
─Realmente ainda não me entra na cabeça o que aconteceu, mas a Sra Murdov me disse que ele estava bebendo bastante, talvez estivesse bêbado quando fez aquela loucura.
─Bom chega de falar de coisas tristes, é a final do campeonato de futebol americano! Bradou Simon.
Sentamos no sofá, minutos depois Robert chegou trazendo algumas sacolas.
─Que bom que veio John, eu vou levar isso na cozinha e já volto.
Foi um jantar agradável, diria que teria sido perfeito se não fosse pelo fato de Chandler tratar a esposa como se fosse uma escrava, mas mesmo assim pude esquecer um pouco da morte de meu pai, a família Chandler era muito acolhedora e me senti muito bem com eles, Mary estava um pouco estranha bem calada e mal me olhava no rosto, lembrou-me a menina tímida que viva se escondendo agarrada a uma boneca de pano que eu vivia ajudando Simon a procurar pela fazenda quando resolvia sumir de casa. Ela serviu um pedaço de torta de maça com canela.
─ Foi você quem fez Mary? Tá uma delicia. Falei tentando anima-la um pouco.
Ela deu um sorriso discreto.
─Mary é uma boa cozinheira, não é mesmo filha? Disse Robert.
─Nem tanto papai. Disse ela em tom baixo.
─E ainda é boa com os animais, ela ajudou uma ovelha na minha fazenda ontem a ter os filhotes. Falei.
─Mary vai ser veterinária de bichos grandes né mana! Disse Michael empolgado.
─Vai cursar veterinária? Perguntei
─Bem eu pretendo, gosto bastante de animais e acho que levo jeito. Disse ela de cabeça baixa.
─ Perca de tempo, tem é que arranjar um marido que a sustente enquanto é jovem e bonita. Depois que ficar velha e com rugas de tanto enfiar a cara nos livros e não arranjar casamento vai me dar razão. Disse Chandler.
─Mary ainda é muito jovem Robert, vai ter tempo pra pensar nisso depois que se formar. Disse a Sra Chandler me servindo uma xícara de café.
─ Eu fiz fotografia, mas não cheguei a me formar. Arranjei emprego num jornal e acho que me acomodei.
─ Fotografia? E Se tem faculdade pra ensinar a bater um retrato? Disse Chandler num tom uma tanto irônico que fizeram as palavras do meu pai no dia que disse que seria fotógrafo ressoarem na minha mente.
“Fotografia? Você enlouqueceu? Isso não é coisa de homem!”
─Bem é mais complicado do que você pensa. Falei.
─Se quiser que eu continue fazendo a limpeza é só me dizer, eu costumava ir uma ou duas vezes por semana. Disse Tess.
_Bom é claro que eu quero, eu mesmo cuidava do meu apartamento em Los Angeles, mas ele era bem menor, se quiser ir na sexta, aí acertamos o valor.
_ Ótimo. Disse Tess com um sorriso.
_Eu vou precisar de trabalhadores quando o milho estiver bom pra colher, será que pode me indicar alguém Sr Chandler?
_Muita gente, acho que sua fazenda é a única que vai ter uma colheita descente, a maioria dos fazendeiros estão alimentando os animais com o milho porque sabem que não vão conseguir vender na má qualidade que está por causa da seca. Você teve sorte.
[...]
A semana passou calmamente o milho continuava crescendo e brotando, meu trabalho se resumia em arrancar as poucas ervas daninhas que cresciam entre os pés. Sentia uma ansiedade pelo fim de semana onde eu veria Mary novamente, era estranho o modo com que aquela garota mexia comigo. Na sexta Tess chegou a minha casa acompanhada por Mary e o pequeno Jordan.
_Desculpa eu não costumo trazer ele, mas não parou de chorar, ai Mary veio comigo pra cuidar dele enquanto eu faço a limpeza.
_Sem problemas. Falei
Acertamos o preço e Tess iniciou a faxina, Mary brincava com o bebê na cadeira de balanço da varanda.
─Como está a ovelha e os filhotes? Perguntou ela.
─Estão bem. Já começaram a correr por ai.
─Senhor Rollins! Gritou um homem descendo de uma caminhonete bonita acompanhado por um rapaz.
─Sou eu. Falei
─Sou Gregory Baker, esse é meu filho Tommy.
─Oi Mary que faz aqui? Perguntou o rapaz.
─Tess ta fazendo a limpeza estou cuidando do Jordan pra ela. Respondeu a garota.
─ Bom vou falar sem rodeios, seu pai estava devendo um bom dinheiro ao meu banco e ele deu essa fazenda como garantia.
─Eu já me interei disso senhor Baker e sei que a dívida é bem menor do que o valor dessa fazenda e que o senhor deu um prazo a ele que ainda não se extinguiu, então não entendo o motivo da sua visita. Falei sério.
Passei a vida toda vendo meu pai lidar com esse tipo de homem, eles emprestavam dinheiro aos fazendeiros desesperados com juros gigantescos pra depois tomarem suas terras por uma bagatela.
─Calma John, eu não estou cobrando sei que ainda está no prazo só vim alerta-lo pra não ter perigo algum e você reclamar depois que não tiver dinheiro pra pagar.
─Eu vou ter o dinheiro, assim que a colheita acabar vai ter o seu pagamento com os juros absurdos que você cobra.
─Que isso Rollins sou um homem honesto. Bem até mais então, até mais Srta Chandler.
─Até mais senhor Baker, Tommy. Disse ela.
─Meu pai também deve dinheiro a eles, na verdade acho que toda a cidade deve. Mas a nossa colheita não vai dar pra pagar, meu pai está engordando o gado e os porcos pra vender e quitar pelo menos os juros. Disse Mary.
─São uns carniceiros desgraçados, odeio essa gente por mim podiam morrer todos. Falei.
POV TOMMY
─Pai essa fazenda você vai ter que tirar da sua lista olha que plantação linda! Falei olhando o milharal que parecia não ter mais fim.
─Filho, as vezes temos que usar artimanhas pra conseguir o que queremos. Disse ele.
Meu pai parou o carro na beira da estrada e se aproximou da cerca que circundava o milharal do Rollins, pegou alguns papeis e um isqueiro e colocou fogo em um dos pés em questão de segundos o fogo começou a espalhar.
─Pai isso é crime! Falei assustado.
─Não isso é jogada de mestre. Vamos embora antes que alguém nos veja.
POV MARY
─Bem não que seja ruim morar em Los Angeles eu gosto de lá mais sabe eu morava a cinco anos no mesmo prédio e nem sabia o nome do meu vizinho de porta, e com certeza nenhum deles ia me trazer um assado. Disse John sorrindo, ele tinha um sorriso tao bonito.
_John aquilo é fogo? Falei indicando a fumaça que vinha do milharal.
_Merda! Gritou ele correndo até a bomba e ligando os irrigadores. Coloquei Jordan sobre o sofá e fui tentar ajudar.
John ligou uma mangueira grossa em outra bomba e começou a adentrar o milharal, eu o ajudei pois eram muitos metros de pesada mangueira, o sistema de irrigação já molhava e continha um pouco o fogo, a fumaça preta deixava o ar difícil de respirar, John me entregou a mangueira eu segurei firme na direção do fogo e ele tirou a camisa e começou a bater nas chamas menores apagando-as e evitando que o fogo se alastrasse.
Alguns minutos depois e estávamos ensopados, mas o fogo havia sido controlado com uma perda bem pequena de colheita.
_Obrigado, disse ele me olhando.
_Bom acho que na próxima vez que eu vier aqui vou trazer uma toalha. Falei rindo, ele também riu. Ficamos nos encarando por algum tempo como se nossos olhos estivessem presos um ao outro, ele se aproximou um pouco e tirou o cabelo molhado do meu rosto, senti minha respiração ficar ofegante, não mais pela fumaça. O rosto dele se aproximou do meu eu fechei os olhos, pude sentir um leve roçar de lábios e depois ele se afastar bruscamente, continuei ali paralisada. Pude notar que ele também estava um pouco envergonhado.
_Melhor a gente ir se secar. Disse ele balançando a cabeça.
POV JOHN
“Você enlouqueceu John? Essa garota deve ter metade da sua idade, além do mais é a irmã mais nova do seu amigo de infância, como pode se sentir atraído por ela?” pensei
Estremeci com aquele pensamento, eu estava atraído por ela? Não devia ser coisa da minha cabeça, nem mesmo quando eu morava aqui eu me sentia atraído pelas garotas do campo, sempre preferia me envolver com mulheres até mais velhas do que eu, decididas com uma certa bagagem de vida na qual eu não teria tanto peso caso algo desse errado. Vi Tess com o bebê nos braços nos olhando assustada pelo incêndio, Mary caminhava na minha frente tentei desviar o olhar mais foi impossível não perceber o corpo bem feito sob o vestido molhado que colava na sua pele. Respirei fundo e tentei dissipar aquela imagem da mente.
POV TOMMY
Acordei cedo na manhã de sábado, a cidade estaria um furor com a quermesse vinha o pessoal das fazendas e do interior era a oportunidade perfeita pra mostrar a nova aquisição da família, um carro modelo Porsche azul metálico ultimo modelo.
“Esses colonos vão morrer de inveja e as garotas vão ficar malucas por mim.” Pensei penteando o cabelo com bastante mouse pra não acabar despenteado no meio da festa.
Se bem que só uma delas me interessava de verdade, não sei se era pelo fato dela parecer não se importar com o nome e a tradição da minha família, tendo recusado várias vezes os meus convites pra sair, ou porque ela era uma gracinha que me enchia de tesão, só de pensar naquele rostinho de menina e aqueles lábios rosados e carnudos eu chegava a ter uma ereção.
_ Pai? Onde você está? Você disse que me emprestaria o porsche pra mim ir a Quermesse. Perguntei abrindo a porta da garagem, no chão vi uma imensa mancha de sangue que se alastrava por baixo do carro. Caminhei mais a frente sentindo a minha respiração acelerar, vi o corpo do meu pai dilacerado com parte do intestino saindo pela sua barriga. Senti uma ânsia de vômito enorme com o cheiro de sangue fresco.
_Pai! Gritei apavorado.
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