Mensageiros 2 - Versão Alternativa
10 Capítulo 10
Notas iniciais
POV JOHN
Fui acordado pelos latidos de Bummer na porta, senhora Georgine batia freneticamente e gritava meu nome. Abri a porta, ela aparecia desesperada:
_John, pelo amor de Deus, aconteceu algo horrível com Robert, por favor, não tenho como leva-lo ao hospital.
Me vesti rapidamente, fui até a estrada próxima a fazenda dos Chandler, ele estava caído próximo a caminhonete tombada, havia muito sangue. Mary segurava sua cabeça no colo e chorava compulsivamente.
Colocamos Robert no carro e dirigi até o hospital do centro, Mary chorava com Michael nos braços. Chegando ao hospital a senhora Georgine tratou de fazer a papelada para a internação, Mary me abraçou ainda chorando, abracei-a de volta mesmo com a mãe dela olhando de longe, afaguei os cabelos dela.
_Calma meu amor, vai ficar tudo bem.
_John, se ele morrer é culpa minha porque eu desejei isso, é culpa minha!
_Não! Não pense assim, ele não vai morrer, vai dar tudo certo. Como as coisas ficaram depois que sai?
_Eu me tranquei no meu quarto, nós discutimos. Obrigada por falar aquelas coisas pra ele.
_Eu não sou nenhum moleque Mary, eu falei que vou assumir você e é o que vou fazer, custe o que custar. -Beijo a testa dela.
A mãe de Mary chega, ela meio que tenta se soltar do meu abraço, eu não deixo, eles tem que entender que será assim de agora em diante.
_Ele vai entrar em cirurgia agora, os médicos virão avisar quando acabar. John, Deus lhe pague, muito obrigada por socorrer a gente nessa hora.
_Não há de quê senhora, pode contar pra o que for preciso. Ficarei aqui com vocês.
Georgine olha pra Mary nos meus braços, ela parece tão desesperada com o acontecido que nem se dá conta da cena que vê, ou se deu conta, não se importa mais, isso é bom, aos poucos eles terão de se acostumar comigo perto da Mary.
Passamos a madrugada no hospital, Mary e Michael adormeceram, eu fiquei acordado com a senhora Georgine, que quase não falava, aparentava estar cansada.
Era quatro horas da manhã, quando ela de repente me lança um olhar como se quisesse dizer algo.
_Precisa de alguma coisa senhora Georgine? -Falei.
_Mary é uma boa menina, tem sonhos e ela tem a chance de vive-los, se gosta mesmo dela não estrague isso. Ela diz me olhando nos olhos, quando Mary de repente acorda dando um grito, ela ofegava muito, com dificuldade para respirar, as lágrimas corriam pelo seu rosto.
POV MARY
Sonho on
"Eu estava no ultimo ano de faculdade, já trabalhava em uma clinica em Los Angeles, me sentia realizada e feliz. John era definitivamente o amor da minha vida, fazia 4 anos que tínhamos nos casado. Nunca mais tive contato com minha família, meu pai me expulsou de casa, ele nunca gostou de mim eu sempre soube e isso me aterrorizava, uma ferida que nunca ia curar, doía demais ser rejeitada pelo meu pai.
Sai do trabalho as cinco horas e passei no médico que era caminho, peguei o resultado do exame de sangue. Mal pude acreditar no que li no papel, como eu posso estar grávida?
Sigo dirigindo, me sentia tonta, um bebê... Como John vai reagir? Em meio a esses pensamentos dou de cara com meu pai parado bem na minha frente, não consegui frear o carro, joguei meu pai longe na avenida, só consegui ouvir o barulho da colisão que parecia muito real."
Acordei atordoada e gritei, não intendi por alguns segundos onde eu estava... ah sim, hospital, John e mamãe me olhavam assustados.
_Pai!!! Como ele está? Jhon, foi horrível -Coloco as mãos no rosto pra chorar, senti falta de ar.
_Foi só um pesadelo, tá tudo bem, ele está na cirurgia ainda, você precisa se acalmar -Jhon fala me abraçando.
_Eu quero sair um pouco daqui de dentro, por favor John.
_Filha, pare de perturbar o John, ele está cansado. -Mamãe diz.
_Tudo bem senhora, eu preciso pegar minha carteira no carro mesmo, vamos Mary, você tem que respirar ar fresco. -Jhon me leva pra fora.
Peguei na mão do John e andamos até o carro, agora eu vejo como eu preciso dele do meu lado, eu me sinto protegida perto dele... Será que um dia eu me casarei com ele e teremos filhos como no meu sonho? Ele me interrompe dos meus pensamentos quando se encosta no carro e me puxa pra perto, envolvendo sua jaqueta nos meus ombros.
_Melhor?
_Sim, obrigada.
_O que você sonhou?
_Que eu atropelava meu pai... foi tão real.
_Foi só um sonho ruim, não fica assim, vem cá, vamos resolver tudo. Eu já disse que você é linda?
.As vezes me pergunto se John foi projetado em laboratório ou algo parecido... Como ele consegue ser tão fofo?
Nos abraçamos bem forte, suas mãos me seguravam firme, envolvi meus braços no pescoço dele e cheguei bem perto, senti o cheiro do perfume misturado com shampoo e creme de barbear, esse era o cheiro do John, o cheiro que eu mais amava sentir e que só ele tinha. Nem penso muito, as palavras escapam como um sussuro no ouvido dele:
_Eu te amo senhor Rollins. -Depois me toquei do que fiz e fico com vergonha.
_E eu também te amo senhorita Chandler. -Ele me beija, as borboletas no meu estômago ficam alvoroçadas, ficamos ali por um bom tempo, já amanhecia, minha mãe só pode ter pego no sono.
_Vamos senão seu pai sai da cirurgia com a espingarda pronto pra me matar. -Rimos e voltamos pra recepção do hospital.
Mamãe dormia com Michael nos braços, ficamos uns minutos sentados aguardando o médico que veio logo, mamãe acordou.
_Senhora Chandler, a cirurgia foi um sucesso, o marido da senhora está estável, daqui algumas horas ele vai pro quarto e vocês poderão visita-lo. Está fora de perigo já.
_Graças a Deus, obrigada doutor! -Disse mamãe aliviada, que me abraçou sorrindo.
_Ainda bem, eu não te disse Mary? -John falou com meu irmãozinho já grudado nele, Michael o adora.
Mamãe abraçou Jhon agradecendo muito, quase nem acreditei quando vi a cena, foi até engraçado. Ele nos levou pra casa, pra poder voltar mais tarde pra ver o papai.
Era quase 13:00h da tarde, faltei a escola porque precisava comer, tomar banho e dormir. John fez questão de nos levar ao hospital novamente. Papai já estava bem e teria alta logo, ele falou comigo até que bem, sempre foi muito grosso e ignorante, deve ter batido a cabeça ou algo assim.. até foi educado quando John disse que ficou feliz por ele estar bem, acenou com a cabeça, mas não agradeceu.
POV ROBERT CHANDLER
Minha cabeça ainda estava muito confusa, eu devia ter batido forte com ela, eu tinha lembranças do acidente, imagens desconexas, coisas que não podiam ter acontecido.
Flashback Robert
“Fiquei alguns minutos desacordado, quando abri os olhos senti uma dor enorme entre as costelas, me arrastei pra fora do carro com muita dificuldade, vi Michael parado me olhando.
_Michael me ajude, me ajude vamos filho!
Ele apenas me olhou e sorriu, logo atrás dele vi Mary surgir em meio a plantação seguida por Simon, os três ficaram parados me olhando sem qualquer reação.
_Mary, Simon! Me ajudem.
Mary sorriu, seria apenas uma alucinação? Vi um homem com um chapéu e uma foice surgir atras deles, uma figura estranha que movia-se lenta e desordenadamente, ele levantou a foice e atravessou o corpo de Simon, fiz toda a força que pude mas não consegui me levantar e vi o corpo de Simon desfalecer no chão.
_Simon! Não! Simon meu filho! Gritei vendo a criatura estranha dar golpes estilhaçando o corpo de meu primogênito. Eu tentava me arrastar me desprender, mas nada, mandei Michael e Mary correrem mas eles continuaram parados imóveis. A criatura se aproximou dos dois e atravessou o corpo de Michael com a foice, a coisa, porque definitivamente aquilo não era humano, começou a andar na minha direção.
_Mary! Gritei, ela permanecia em pé me olhando e sorrindo.
Nesse momento vi algumas luzes de lanternas e as vozes de Georgine e Mary gritando, a criatura desapareceu e eu mergulhei novamente na escuridão.
POV TOMMY
Alguns dias se passaram desde aquele escândalo com o Rollins, eu ainda estava enfurecido, como aquele caipira metido a metropolitano teve ousadia de me acertar socos, aquele infeliz ia me pagar cedo ou tarde.
Minha Irmã Jude me contou sobre o acidente do pai da Mary, resolvi ir até a escola falar com ela. Caminhei pelos corredores, era hora do intervalo, procurei por toda escola e nenhum sinal dela, já estava desistindo quando a vi sentada nas arquibancadas do campo de futebol.
_Bom dia.
_O que faz aqui? Vai embora! Disse ela com os olhos vermelhos e molhados, devia estar chorando.
_Eu vim te pedir desculpas, eu acho que a dor pela perda do meu pai, eu não sei, parece que isso me deixou muito desorientado eu faço e digo coisas que acabo me arrependendo depois, eu amava muito o meu pai, não sei como vai ser as coisas agora sem ele, me perdoe Mary, não é segredo pra ninguém que eu gosto de você, mas você ta em outra e eu respeito isso, me sinto um cretino por ter agido daquela forma e peço de todo o meu coração que me perdoe. Falei olhando no fundo dos olhos dela, fiz um pouco de esforço e consegui algumas lagrimas escapando pelo canto dos meus olhos. Eu sabia o quanto uma garota como a Mary ficaria comovida com aquilo.
_Tudo bem. Disse ela enxugando o rosto. Eu me sentei ao lado dela.
_Seu pai esta melhor? Eu pretendia passar no hospital pra me desculpar com ele e ver como ele esta...
_Ele ta melhor, já voltou a xingar todo mundo, deve ter alta nos próximos dias.
_Que bom, Mary eu só queria dizer que, podem contar comigo pro que precisar... Eu sei que a sua família não ta passando por um momento financeiro muito bom e agora com seu pai hospitalizado, se precisarem de algo podem contar comigo.
_Obrigada Tommy, mas ta tudo bem.
_Bem eu tenho que ir, acho que já desconfiaram da minha presença e logo me expulsão, fica bem tah? E não chore vai dar tudo certo.
Me despedi de Mary e fui ao hospital, preciso colocar o Robert na parede pra me pagar, já que não posso ter a filha dele, ele podia ao menos me dar o dinheiro que me deve, que aliás, está muito atrasado.
_Olá Robert, como se sente? Falei entrando no quarto.
_O que te faz pensar que quero receber visita sua? Já não bastou o vexame que você e o John me fizeram passar? Saia daqui agora! -Ele exclama.
_Fica tranquilo Robert, não quero mais saber da vadia da sua filhinha não, o Rollins já deve ter se aproveitado bastante dela e eu gosto mesmo é de carne nova, só quero deixar bem claro pra você que sua dívida está muito atrasada, e eu te dou o prazo de um mês pra você quitar assim que você sair desse hospital, do contrário, sua fazenda será oficialmente minha, ai eu quero ver essa sua pose de machão onde vai parar.
_Seu verme, eu vou pagar você assim que eu sair daqui. E cuidado no jeito que fala da Mary.
_Acho bom mesmo me pagar. Ou eu boto você e sua linda família na rua! Melhoras.
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