Menor Aprendiz
1 Menor Aprendiz
— Pra você entrar no grupo, você terá de fazer.
Então eles me deram o objeto em minha mão. Parece pesar uma tonelada, minhas mãos suam, a adrenalina me faz ver em câmera lenta. Vejo o sorriso maléfico dos três caras que estão comigo. Estamos em uma casa normal, as paredes ainda não foram rebocadas e aparenta chover lá fora. Eu estou em frente a uma porta, a maçaneta está a cair. Eu estou muito nervoso, um menor de idade não deveria fazer isto. Respiro fundo e abro a porta. A vítima está amarrada na cadeira e amordaçada, ela não consegue falar. Fecho a porta, e só está a pessoa e eu. Eu estou em uma cozinha, tem uma pia e a pessoa está sentada atrás de uma mesa de granito branco. Estou tremendo demais, mas não posso fraquejar. Não estou fazendo isso só por mim, mas é por minha família, ela necessita de dinheiro. Não é como minha mãe imaginou, porém não tive escolha, muito dinheiro envolvido. Pego uma bala que está em meu bolso. Mal consigo colocar no tambor do revolver. Levanto vagarosamente a arma e miro entre seus olhos, não consigo estabelecer um único ponto. Parece que tenho Parkinson. Meu coração está disparado, no entanto estou em um caminho sem volta. A vítima está chorando, ela parece pedir piedade. Desculpe-me. Destravo a arma e puxo o gatilho, nunca tinha sentido tamanha força ou escutado um barulho tão alto. A parede atrás da pessoa estava respingada de sangue. Saio da cozinha abatido e entrego o objeto ao cara. E com o sorriso ele me diz. — Maluco, tu se mostrou forte, será aceito aqui, venha, eu te levo pra casa. Eu apenas abaixo a cabeça, e saímos daquela casa. A gente está no segundo andar, logo após o cômodo que está os três caras, há a porta de saída, que dá direto a uma escada de concreto armado sem corrimão que leva a rua. Descemo-las sem eu dar uma palavra. Entramos no Fiat 147 vermelho. Durante o caminho passamos por um belíssimo Maverick preto. Desde que me entendo de carro era meu sonho de consumo. Se eu ainda tiver um sonho para o futuro.
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