Meninos de Elite
3 Os Prodígios, seus Tutores e a Arena
Notas iniciais
Música para escutar enquanto lê: "Lipstick & Guilt" - Melody Thornton
Kellan, depois de chorar muito, foi acordado às 09h35min horas por Phillip, que não parava de berrar!
– Vamos acordar crianças! Andem logo! Temos algo importante para mostrar pra vocês! Acabou a moleza!
Kellan já estava de pé. Foi dada para jovem uma escova de dente e roupas novas. Kellan ainda estava abatido por tudo aquilo. Pela morte de seus pais, de ficar sem casa, de pessoas inocentes terem morrido, era como se mais nada importasse pra ele. Ele aceitava o que a Harpia Secreta dava pra ele. Ou, melhor dizendo, o que a vida lhe desse ou onde ela levasse. Ele estava tão melancólico que nem viu que tinha apenas ele no quarto. Quando ele viu que estava sozinho no sentido literal, saiu correndo do dormitório e foi procurar os outros garotos. Eles estavam no refeitório, que era logo em frente do dormitório. E lá estavam os alunos, comendo pão e tomando café com leite do lado dos seus novos pertences. Kellan se sentou do lado de um aluno de pele negra, como uma medalha Olímpica de bronze, de cabelos bem curtos e negros e de olhos castanhos, como a terra. Quieto, de cabeça baixa, com um ar de luto.
– Você deve ser o Kellan, né?
Kellan levantou a cabeça e fez que sim com ela, quase que devagar. Em frente à Kellan, tinha um pão e uma xícara de café preto bem quente. Espalhada pela mesa comprida, onde estavam quase todos os agentes, tinham tudo que era coisa. Açúcar, geleia, manteiga, leite, ovos, bacon, café, pães, rosquinhas, frutas. Dava pra ter um café da manhã bem reforçado pra começar bem o dia. Mas nem isso animou Kellan. Aquilo só o lembrou de como era bom tomar café com seus pais. Mas o garoto voltou a falar com Kellan.
– Meu nome é Marcelo. Marcelo Trickery.
Marcelo disse aquilo estendendo a mão, para cumprimentá-lo. Por educação, Kellan apertou a mão dele. E assim que um encostou a mão no outro, Marcelo sentiu a tristeza de Kellan.
– Sabe, essa coisa de mudar de vida também está sendo difícil pra mim. Não esquece que você não está sozinho nessa. Eu também perdi pessoas queridas. Inclusive o meu pai.Marcelo ficou quase no mesmo tom de tristeza que Kellan. Kellan olha o rosto triste de Marcelo e diz:
– E sua mãe?
– Morando com seu novo marido no Texas. Ele é legal, mas eu ainda a queria comigo e com meu pai. Pelo que eu sei, meu pai batia muito nela quando eu tinha apenas seis meses de vida. Era porque eu chorava demais. Não sei direito. Só sei que ele batia nela demais. Isso foi o bastante pra ela fugir dele e me deixar com ele. Kellan escutava aquilo tudo espantado.
– E ele era agressivo com você? O seu pai.
– Não. Por estranho que pareça... Eu o amava demais. Poucas vezes eu disse “eu te amo” pra ele... – agora era Marcelo que estava melancólico.
Kellan mudou de assunto, porque além de querer deixar Marcelo um pouco mais feliz, queria saber quem eram os outros sortudos da explosão.
– Quem são os outros?
Marcelo logo fica um pouco mais animado.
– Ah, que bom que perguntou. Marcelo chamou atenção dos quatro alunos, que estavam ao seu lado dizendo:
– Galera, esse é o Kellan! Kellan, esse são o Marcos, a Martin, o Gabriel e o Matthew!
– Pode me chamar de Matt – disse Matthew, acenando para Kellan.
Matthew tinha um rosto bonito, mas tinha um ar de ser bem durão. Ele devia estar lutando muito com essa coisa de perder a família. Kellan já tinha visto Matthew algumas vezes na escola. Era bem popular, bom nas aulas de educação física. Era o mais forte e mais veloz. Uma vez Kellan pegou Matthew brigando com o valentão do colégio, que era muito mais forte fisicamente, por ter obesidade. Mas foi Matthew que saiu ganhando a briga. Mas pelo fato do valentão fazer teatro, e ser um bom ator, Matt se deu muito mal. Kellan contou para diretora quem foi o verdadeiro culpado, mas não queria ser identificado, porque se Matthew soubesse que o livrou da expulsão, provavelmente o valentão iria machucar Kellan. Mas Matt ainda gostaria de saber quem o livrou da expulsão. Matt tinha cabelos negros, como a noite, olhos castanhos feito chocolate, pele branca e tinha um bom físico.
Marcos nunca tinha falado com Kellan, ou muito menos reparado nele alguma vez. Mas Kellan já tinha visto ele pelos corredores do colégio. Marcos fazia parte do nerds. Não tinha um perfil comum do que pensam de um nerd. Ele até era bonito, não usava aparelhos, nem óculos. Mas era muito inteligente. Mas muito mesmo! Venceu as Olimpíadas de matemática, ficando em primeiro lugar. Mas os nerds são uma nação meio desprezada pelos mais populares. As pessoas apenas dão a devida atenção para eles quando estão precisando de ajuda com alguma prova. Ele é também um dos melhores hackers da escola.
Conseguiu ir a vários shows de bandas e cantores famosos, falsificando ingressos e pagando quase nada. Ele tinha uma pele branca que mais parecia mármore, mas não tão branca que a pele de Kellan. Cabelos negros e olhos castanhos como lama.
Gabriel era como Kellan. Era apenas mais um estudante que estava ali apenas para estudar. Estava ali apenas por existir. E ponto final. O que era estranho, porque, assim como Matt, ele tinha uma boa aparência e era bem forte. Gabriel tinha cabelos castanhos bem escuros, quase negros, pele branca e olhos castanhos bem escuros.
E Martin era a menina mais bonita do colégio. Onde ela passava, transmitia glamour, amor, felicidade e doçura na vida dos alunos. No dia da explosão, ela ia concorrer para rainha do baile. E novamente, Kellan nunca trocou uma meia palavra com ela. Mas não era por timidez. Kellan evitava muito as pessoas porque tinha medo de magoar e de ser magoado por alguém. Ele achava que era melhor estar sozinho do que estar mal acompanhado. Ele gostava de ficar examinando a vida dos outros e guardar sua opinião para elas. Era esse o único lado bom de ser invisível. O lado ruim é a solidão que ele sentia. Ele gostaria de se expressar suas opiniões para alguém e escutar da outra pessoa, para ficarem debatendo sobre vários assuntos. Mas mesmo assim, ele achava que podia magoar alguém com suas opiniões. Então era melhor ficar quieto e guardar suas mágoas. Mas se alguém viesse e quisesse falar com ele, ele conversaria numa boa. Mas voltando para Martin! Ela tinha um grupinho de garotas que eram bonitas, mas eram feias ao lado dela, e pelo ponto de vista de Kellan. Ou de muitos garotos. Martin tinha belíssimos olhos azuis, belos cabelos de um castanho tão claro, que era bege, quase loiro. E tinha uma pele branca que só de olhar, era como se tocasse em um pêssego.
E ali estava à chance de Kellan fazer amigos. Os alunos que ele ficou observando o ano inteiro. E ele fez o que sempre quis. Tentou puxar assunto...
– Matt... Pode me passar a geleia? Matt passou a geleia, dizendo:
– Sabe, eu acho que nunca te vi na escola. Você era novo?
– Não. Sempre estudei lá...Matt o olha surpreso.
– E como eu nunca te vi?
– Eu sempre te vi. Eu vi a sua luta com aquele valentão.
– Ah, o Cannon! Aquele cretino não contava com um... Ei, foi você que me inocentou! Kellan da uma mordida no pão com geleia e, com a cabeça, faz que sim.
– Cara, você é meu herói! Muito obrigado! Matt dizia isso, saindo do seu lugar e abraçando forte Kellan, que achava aquilo meio estranho e engraçado ao mesmo tempo.
– E eu entendo porque você não se identificou.
– Eu também nunca te vi – disse Martin.
– Nem eu... – disse Gabriel.
– Eu só reparei nele ontem... – disse Marcelo.
– Você sempre morou em Ohio? – perguntou Marcos.
– Sempre. Tanto que ás vezes, eu gostaria de sair de lá. Agora que ela não existe mais...Os cinco ficam um tempo em silêncio e voltam a tomar café. Então Nick, Isaac e Phillip chegam até eles e Isaac diz:
– Vocês seis. Venham conosco...Os seis alunos foram seguindo os agentes até um pequeno prédio que ficava na base mesmo. E logo que abriram a porta, deram de cara com uma enorme oficina, que tinha um enorme computador, com uma tela enorme. No computador, estavam três pessoas mexendo nele.
– Vírus! Aqui estão eles – gritou Nick, porque eles ainda estavam meio longe do rapaz, que chamavam de Vírus.
– Já possuem bom físico. Serão bem úteis.
– É sobre o tal plano do Capitão Glock? – Martin perguntou.
– Exatamente.
O rapaz chamado Vírus era um hacker particular da Harpia Secreta. Era quase careca, pele negra e olhos castanhos, quase negros como uma azeitona.
– E como é esse plano? – perguntou Martin.
– Glock queria, há muito tempo, criar um esquadrão apenas com jovens que pudessem realizar missões como “gente grande”. Quando Nick, eu, Isaac, Lucas, Jolie, Marie e Phillip entraram... – Vírus ia continuar, mas Gabriel disse:
– Espera... Quem são Jolie, Lucas e Marie?
– Jolie e Lucas foram os agentes que salvaram vocês. Marie logo estará aqui. Ela e eu estamos fazendo equipamentos para vocês. Mas, continuando. Quando nós entramos na Harpia Secreta, Glock logo nos fez uma equipe. Phillip e Marie eram os pilotos. Eu, Lucas e Jolie eramos hackers, e os seus tutores aí eram atiradores. E vocês serão a nossa próxima geração. Vocês serão a “Meninos de Elite”!Aquela frase foi como música para cada aluno.
– Então, nós iremos defender o nosso país? – Kellan perguntou.
– Nossa! Que incrível! – disse Marcelo.
– E o que cada um de nós será? – perguntou Martin.
– Isso ficará ao nosso critério. Iremos treinar vocês e, depois de somar as notas, vocês entram em classes e ganharam até codinomes – disse Vírus.
– E quando começamos? – perguntou Matt.
– Daqui a pouco... – respondeu Nick.
– Mas espera um pouco... Estamos em uma guerra. E se eles atacarem?
– Ah, que bom que perguntou... Mostra pra eles, Vírus! – disse Nick.Vírus digitou alguma coisa e logo, no telão, apareceram vários dados espalhados.
– O que é tudo isso? – perguntou Gabriel.
– São dados do Japão. Eles serão os primeiros a vir aqui. Mas a chegada deles só será daqui a oito meses. Exatamente às 20hs00min.
– Mas por que essa demora toda pra nos atacar? – perguntou Martin.
– Pois é. Eles provavelmente vão nos atacar com alguma coisa diferente... Sabe o que pode ser, Vírus? – perguntou Phillip.
– Não sei ainda. Mas prepare esses garotos. A garota deve ficar comigo... – disse Vírus.
– O que? Por quê? Só por que eu sou mulher? – disse Martin, inconformada.
– Sim! – disse Vírus. Então, para provar que era um bem valioso como os garotos, Martin pegou tirou a faca de Isaac da bainha e atirou ela na parede. A faca ficou cravada na parede, e provocou algumas rachaduras. Aquilo os deixou espantados. Principalmente Vírus, que estava boquiaberto.
– Garota! Desde quando você atira facas? – perguntou Matt.
– Faz uns três anos. Meu pai me ensinou para eu me defender. Eu podia deixar em segredo, mas o idiota aí me obrigou a mostrar uma coisa que eu queria guardar para quando eu precisasse.
– Vamos lhe dar, no máximo, umas dez facas para você usar em batalha. Pode ser? – disse Isaac, tirando sua faca da parede sem fazer o menor esforço, e colocando de volta na bainha.
– Claro. Alguém contra? – disse sarcasticamente Martin, se referindo a Vírus. O hacker se virou rapidamente, envergonhado, sem dizer uma palavra.
– Bem, vamos para a arena – disse Nick.A arena era quase que uma academia para os agentes e soldados. A arena tinha todos os tipos de armas. Pistolas, escopetas, metralhadoras, espadas, facas, machados e até um arco e flechas. E tinha matérias de exercícios normais. Os alunos ficaram de frente aos seus tutores, esperando os exercícios começarem.
– Eu serei seu tutor de combate. Phillip irá dar aulas de pilotagem e Isaac, de armas de fogo e branca. Nesses oito meses, treinaremos duro pra colocar o mundo em ordem novamente. E vocês vão mostrar para eles que nunca é cedo para vingar seu país. Então prontos? – disse Nick, com um tom de autoridade.
– Sim, senhor! – gritaram os alunos.Antes das aulas, eles se alongaram. Só então, Nick disse:
– Eu quero que cada um de vocês me ataque.Os alunos ficaram com uma interrogação na cabeça. Como assim? Atacar o próprio tutor?
– Andem! Vamos! – ele gritou.Então, Matt foi correndo para dar um soco em Nick, que logo se defendeu e colocou-o no chão. Matt não sabia o que fazer, então continuou deitado, se contorcendo de dor.
– Próximo! – exigiu Nick.Logo foi Gabriel, que demorou cinco segundos a mais de luta, mas logo foi ao chão.
– Próximo! – gritou mais alto Nick.Martin e Marcos foram juntos, mas nem a dupla, que demorou um segundo a mais, conseguiu.
– Só falta você Kellan. Anda!Kellan então fez o inimaginável... Correu até Nick, e ficaram brigando, entre ataques e defesas, a luta durou uns dez segundos, mas Kellan perdeu. Mas ele não desistiu!
– Temos que ser uma equipe! – gritou Kellan.
– “Esse aprendeu rápido...” – pensou Nick, que logo se preparou.Então, foi uma plana sequência de luta. Primeiro Marcos foi até ele, indo dar um soco, que logo foi defendido. Nick, assim que colocou Marcos no chão, foi pego de surpresa por Matt pelo pescoço, pronto para dar um golpe “Mata Leão” nele. Mas Nick se jogou, dando uma cambalhota no ar, levando Matt com ele, que se machucou quando Nick caiu de costas. Matt soltou lentamente Nick, quase chorando por causa da dor.
– Estão indo bem... – disse Nick. De repente, Martin fica atrás de Nick, fazendo o mesmo golpe que Matt fez, mas com uma faca no pescoço deles, e Kellan tinha uma pistola Glock na frente dele.
– E agora? – disse Kellan.- Não se esqueçam de que... Já pode sair das minhas costas, Martin – disse Nick, calmamente. E continuou assim que Martin se retirou de suas costas.
– Serão exércitos, e não apenas uma pessoa. Terão que ser mais que uma equipe. Uma família. Protegendo uns aos outros. E hoje vocês me mostraram que sabem ser uma equipe. E eu vou treinar um por um. Entenderam?
– Sim, senhor! – disseram os prodígios. Oitos meses se passaram, e os treinamentos eram pesados. Na primeira semana, eram vários vômitos, roupas suadas, cansaço, hematomas. Eram vários treinamentos que, assim que eram terminados, tinham que malhar. Começaram a sentir músculos que nem sabiam que tinham. Os quatro primeiros meses foram os mais difíceis. Na primeira vez que Martin deu um tiro na escopeta Maverick, ela ficou com um hematoma horrível no rosto. Mas, com o tempo, suas habilidades com as facas melhoraram. Estava mais forte. Mais durona. Marcelo era o que tinha mais dificuldade no simulador de voo. Ele não gostava de aviões ou helicópteros. Ele sabia atirar bem. E era o mais veloz. Corria feito um guepardo. Matt se tornou o mais forte do grupo. E lutava como ninguém. Nick gostava dele, porque Matt sempre dava o melhor de si e queria ultrapassar seu limite. E se mostrava ser o prodígio exemplar. Assim como Kellan, que era o melhor atirador do grupo. Sempre atento nos alvos. Isaac ensinou que, antes de atirar, pegue bastante ar e, antes ou enquanto dispara, solte. E ele acertava sempre com maestria. Marcos, porém, não se saia muito bem em muita coisa. Não lutava bem, não era muito rápido, mas era o que sobrevivia mais e ganhava mais pontos no simulador de voo. Phillip sempre dizia que ele iria ser um ótimo piloto. O que era bom, porque o coitado era o mais fraco do grupo. Com o tempo, Kellan começa a se aproximar deles. Gabriel ainda se mostrava um pouco mais fechado, já que suas notas eram as mais regulares. Mas Kellan conseguiu um pouco da amizade dele. Mas sempre tinham alguns incidentes. Gabriel se feriu usando uma katana, Kellan quebrou o braço esquerdo, Marcelo distendeu o músculo interno da coxa. Mas Nick sempre dizia que a única maneira de ficar mais forte é usando os músculos, a única maneira de usar os músculos é machucá-los, a única maneira de machucá-los é sentir a dor do machucado. E com o passar dos meses, eles eram quase atletas, superando suas barreiras. E se eles se machucavam, adequavam os treinamentos com os problemas do momento. Mas se não fosse pela enfermaria que tinha naquela base aérea... Porém, numa noite, no refeitório, os prodígios e seus tutores comiam tranquilamente, entre piadas e risos, quando Vírus chega correndo até o lugar deles e diz:
– Gente, os japoneses vêm daqui a três dias, e eu já sei o que eles estão tramando!
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