Menina de Família

7 Capítulo 6 (pt. II)


Notas iniciais
Adiantou porquê é um pedido de desculpas haha Como eu atrasei a postagem nas duas últimas semanas, faço com esse capítulo meu humilde pedido de desculpas. Boa leitura ♥

O sinal tocou, anunciando o intervalo. Eu enfiei a apostila na mochila, porque não gostava de deixar a mesa entulhada de coisas quando saia da sala.
Assim que me levantei, levei a mão ao bolso para pegar o celular mas, para a minha surpresa, a bateria estava acabando.

Daniel veio logo atrás de mim e colocou a mão no meu ombro.

— Já tá com saudade do boy, miga? Foram só três períodos, calma.

— Fui ver se não tinha mensagem da minha mãe, seu trouxa.

— Uhum, sei. Mas ei, me conta você agora. Qual é a desse Thiago aí?

— Sabe aquele evento de anime que teve final de semana passado? — ele fez que sim com a cabeça, andando para fora da sala enquanto conversávamos, e eu fui ao seu lado — Então, eu fiquei com ele.

— Queeee. Você pegou alguém? Impossível. O cara tava sem óculos né?

Eu soquei seu ombro, rindo.

— Cala a boca Martines.

— A gente deveria declarar esse o seu bordão.

Eu ri ainda mais. Nós começamos a descer as escadas.

— Com certeza. Mas sério, vai dizer que eu sou feia agora?

— É, maizomenos né. Dá pro gasto.

— Babaca.

— Ahh, vai. Você não é tipo minha namorada nem nada, mas sei lá, eu te pegava — ele riu

— Ihh tá me estranhando Martines? Eu hein.

— Claro linda, vem cá. Bora lá pra'quela escada atrás da quadra, que não tem câmera.

— Bora gato.

Ele fez um biquinho e se inclinou pro meu lado, e eu empurrei a cara dele. Nós dois estávamos rindo, eramos idiotas mas idiotas que se divertiam.

— Mas me conta tudo migaaa — disse ele, forçando uma voz "afeminada" — Ele beija bem? Rolou mão boba?

— Sem mão boba, Martines. Já falei que sou uma menina comportada.

— Minha namorada também dizia que era.

— Vai se fuder.

— Vai você.

— Vamo.

— Você não respondeu.

— Ele beija pra caralho. Meio rápido demais, mas sabe dar mordidas e chupões na hora certa.

— Mordidas e chupões onde? — provocou ele, com cara de lua preta do Whats.

— Na boca, seu tarado. Lábio inferior, pra ser exata.

— Aham, sei.

— Sério. Ele até deu uma mordida que rasgou um pouquinho meu lábio por dentro, olha — eu puxei meu lábio inferior e mostrei o pequeno corte por dentro.

— Meu Deus — ele fingiu ultraje — Isso sangrou?

— Um pouquinho.

— Você é masoquista Chris?

Dei de ombros.

— Acho que não.

— Mas se eu fizer isso, você gosta? — ele falou, beliscando meu braço.

— Ai!!! Caralho Martines, óbvio que não.

— Tá, e se for assim? — ele deu um tapa com força na minha coxa, na parte da frente. Doeu, óbvio.

— Assim... Hue, talvez. — ele arregalou os olhos, surpreso. Provavelmente não esperava que eu fosse responder afirmativamente e só queria me zoar e aproveitar pra me bater. — Mas vamos parar né, que o barulho desse tapa foi tão alto que chamou atenção. Depois inventam na sala que a gente tá ficando e você não sabe porquê.

— Tá, então falou — ele estendeu a mão pra um cumprimento de "soquinho" — Vou procurar os guris. — os "guris" que ele falava eram os amigos nerds dele da outra sala.

— Okay. Quero ir falar com as meninas do 2°, faz um tempinho que não vejo elas.

— Tá.

Ele entrou no meio da multidão aglomerada em frente à cantina e eu fui para o pátio procurar Naomi e Benny.
Encontrei eles no mesmo canto de sempre, perto do playground. Eles estavam sentados em um banco, e Giulia estava lá também.

— Ahhh miga — Benny me puxou para perto deles assim que me viu — O que houve? Você tá sumida desde segunda.

— Altos rolos Benny, tu nem imagina.

— ELA PEGOU UM BOOYYY — Naomi cantarolou, mais alto do que se espera de uma conversa particular.

— Whaaaat. Me explica isso, sua louca.

— É, pois é. Foi domingo.

— No evento de anime?

Eu fiz que sim com a cabeça.

— Ahhhh que orgulhinho. Você era bv, não era?

— Sim.

— Porra Chris — Giulia finalmente se manifestou — Perder o bv com macho? Eu te criei tão em, e pra que? Pra tu virar hétero?

— Ai, é verdade! — exclamou Benny, me empurrando de brincadeira — Sai hétero.

— Ata. Vocês sempre souberam que eu sou bi, calem a boca — reclamei, rindo.

— Não, sai. Tá expulsa do Vale dos Homosexuais. — ironizou Giulia.

— Mas a Naomi é hétero e fica aqui. — rebati.

— Ela é meu bebê, não conta. — ela brincou.

— Eii — protestou Naomi — Eu sou só um ano mais nova que você Giulia.

— Dá na mesma fofa. — ninguém nunca estava acima de Giulia numa discussão, mesmo de brincadeira. Se ela disse, acabou.

— Mas como foi? — Benny me puxou, curioso. Ele tinha quase metade da minha altura eu acho.

Eu me sentei com ele no banco.

— Ah, sei lá. Ele beija bem.

Ele riu.

— Hmm safadaaa, 'cê gosta néé.

— Gosto ué. Poque todo mundo me trata como tarada?

— Porquê você é, more — Giulia comentou. — Eu já te disse que se cortasse as unhas ia arranjar uma namorada fácil, fácil. Teu dedo é maior que muitas rolas por aí.

— E o que isso tem a ver, Giulia?

— Também não ser, mas enfim, vou comprar lanche, já volto.

Ela se levantou e eu fiquei lá conversando com Benny, contando tudo que tinha acontecido no evento e tal. Quando Giulia voltou, ela sentou ao meu lado no banco, com as costas escoradas em na parede que tinha do lado, e colocou as pernas no meu colo.

— Tá abusada hoje, né fofa? — falei pra ela.

— Cala a boca meu amor. Tu beijou um macho perdeu o direito de opinar. Vou ter que te deixar mais gay a força.

— Virou héterofobia essa porra agora?

— Sempre foi, linda.

— Pena que não sou hétero. Sou bi.

— Aham, tá. Você é lésbica e não sabe, isso sim.

— Giulia, nem toda garota gay precisa ser lésbica.

— Não precisa. Mas são. O resto é frescura. Ninguém precisa de macho.

— Eu preciso — disse Marcelo, brotando sabe lá Deus de onde.

— Ah, oi Ma — cumprimentei. — Você tá no Wonder, né sua vagabunda? Muda de equipe, por favor??? Vem pro Soldiers comigo, tô te implorando. Eu tô sozinha lá.

— Seu cu. Você acha que vou perder a chance de ficar num time bom, e ainda por cima junto com os boy e as girl mais bonitos da escola? Never monamour.

— Uhumm sei, esses boy por acaso seria o Thariq? — eu provoquei, rindo maldosamente. Eu era um amorzinho, mas pingava veneno.

— Ah vai lavar a casa da cachorra, vai.

Eu revirei os olhos. Marcelo usava os PIORES memes.

— A Marina ficou no Singers? — perguntou ele.

— Uhum — respondi.

— Sério??? Pera, eu vou matar essa vagabunda, já volto.

Ele saiu para procurar a Mari, e então o sinal bateu.

— Bora lá manas, que tem mais dois períodos pra tentar aguentar acordado — Benny lamentou, se levantando.

Giulia tirou as pernas do meu colo, me deu um beijinho na bochecha, e colocou uma bolinha de guardanapo na minha mão.

— Joga no lixo pra mim, beijo, te amo, fui.

Eu belisquei o braço dela enquanto ela saia, e fui em direção ao lixeiro jogar o papel fora antes de subir as escada para a minha sala.

No meio da escada, ouvi alguém me chamando.

— Ei, Chris, espera!

Notas finais
Amo vocês ♥ Mas tô sentindo falta de um povo que costumava comentar mais viu rsrs
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.