Menina Gaunt
7 Revelação
Numa manhã, alguns dias depois da chegada do frei, Merope passava pela sala, quando alguém lhe perguntou: "Já leu o jornal hoje?”
Merope virou-se surpresa e viu a expressão desdenhosa de Tom.
Depois da quase expulsão de Merope da casa dos Riddle, Tom continuou olhando-a incomodado, mas já não mais a ameaçava ou dirigia insultos à sua pessoa. Na verdade, ele apenas ignorava sua presença. Merope achava melhor assim.
Ele levantou-se da poltrona e foi na direção da garota. Ficou a poucos centímetros dela e entregou-lhe o jornal. Ela tomou o papel em suas mãos e permaneceu de cabeça baixa.
“Leia em voz alta.”
Ela olhou as letras à sua frente. Abaixou o braço que carregava o papel e olhou para o chão.
“Você ouviu o que eu disse ou preciso desenhar? Leia!”, aumentou um quarto de sua voz, ficando irritado.
Merope continuou em silêncio e lágrimas embaçaram seus olhos.
“Qual é o seu problema, garota?”
Ele puxou seu braço e direcionou o jornal na face da menina com violência.
“Está surda?”
“Eu...não, eu não sei ler.”, sussurrou Merope. Seu pai nunca a colocara numa escola, e muito menos ensinara sua filha. Sempre quisera ler, era um sonho. Merope sentiu-se estúpida e humilhada diante de Riddle.
“Você o quê?”, indagou incrédulo em voz alta. “Você não sabe ler?”
“Não sabe ler, minha querida?”
Para surpresa de Merope, o frei estava na sala. Provavelmente estivera passando pelo corredor e não pudera deixar de ouvir a indagação de Tom. O rapaz afastou-se da moça.
“Não sabe ler, querida?”, repetiu aproximando-se da menina. Merope meneou a cabeça em concordância e continuou calada. “Oh, isso é realmente lamentável. O maior tesouro de um homem são livros. Parece que você sofreu uma vida de negligências e privações.”, lamentou o padre. “Se eu ainda tivesse a energia e o tempo de minha juventude, pode ter certeza de que a ensinaria.”, como se algo lhe ocorresse, o frei virou-se para o jovem.
“Meu caro, Tom, por que não ensina à Merope?”
Tom arregalou os olhos, mas o senhor continuou.
“Sua mãe me contou que você era sempre o primeiro em sua classe. Tenho certeza de que poderia ajudar essa moça.”
Nesse instante, Mary apareceu na sala.
“O que aconteceu, frei?”, questionou intrigada, olhando todos os presentes e fazendo uma careta quando sua vista alcançou a menina.
“Acabo de descobrir que essa pobre mocinha não saber ler.” Merope sabia que o padre não falava por maldade, mas sentiu-se cada vez mais envergonhada. Esse fato a constrangia; ela fizera de tudo para que ninguém soubesse de sua ignorância. “Sugeri que Tom a ensine. Acredito que ele seria um ótimo professor.”
“Não, eu...” Tom começou, mas o padre interrompeu.
“Ah, vamos lá, meu jovem. Você está na flor da idade. Tenho certeza de que essa ação só melhoraria o seu bondoso espírito. Não se esqueça de um dos ensinamentos de nosso Deus: ensinai os ignorantes.”, finalizou com um grande sorriso.
“Mas ela tem muitos serviços, padre Augustus.”, interveio Mary em prol de seu filho. Não permitiria aquele disparate. Seu garoto, um ótimo rapaz de família, ensinando àquela empregada imunda.
“Ah, tenho certeza de que podem encontrar um tempo para aprender. Jesus veio ao mundo para nos ensinar também sobre a caridade.”, argumentou o padre.
“Tudo bem.”, aceitou Mary cada vez mais irritada. Aquele padre já estava causando-lhe problemas demais. Certamente não ofereceria a casa para ele de novo no próximo ano. Lançando um olhar de aviso a Tom, que a fitava indignado ao ouvir a concordância da mãe, acrescentou. “Mas apenas depois que ela terminar as tarefas.”
“Excelente!”, exclamou o padre Augustus feliz.
No dia seguinte, no final da tarde, quando Merope terminara seus serviços, as aulas começaram. Nos primeiros dias, Tom era impaciente, arrogante e não perdia a chance de criticar e zombar de Merope. Em vários momentos, ela pensara em desistir, mas sempre que isso acontecia, Darcey a incentivava.
A doce empregada nunca tivera a oportunidade de estudar, ficara radiante ao ouvir a notícia das aulas, mesmo sabendo que Tom não as daria por bondade. Dissera a Merope para agarrar aquela oportunidade com unhas e dentes. Segundo ela, o estudo faria a garota crescer e ser alguém na vida. Merope queria orgulhar Darcey, já a tinha como uma vó e prometera a si mesma dar somente alegrias àquela pobre senhora.
Para surpresa de Tom, no décimo dia, Merope já começava a ler e escrever várias palavras e até algumas frases. Apesar da completa ignorância no início, a garota se mostrara uma ótima aluna; apresentava facilidade para assimilar novas informações. Merope percebeu que Tom ficara satisfeito ao ver seu desempenho. Parecia contente consigo mesmo por sua capacidade de ensinar. Obviamente, ele nunca daria créditos às habilidades de Merope.
Ainda assim, ela ficara feliz. Havia esquecido sua paixonite por Tom devido ao seu comportamento grosseiro, mas a proximidade das aulas reacendera esse sentimento. Ela agora conhecia o modo como ele mexia nos cabelos, e já sabia como sua expressão ficava quando estava pensativo.
“Está prestando atenção?”, ele falara irritado em uma das aulas quando ela estivera observando-o ler um texto de Shakespeare. Os textos do grande autor eram difíceis. Tom queria testar Merope e exercitá-la para usufruir de sua máxima capacidade.
“Sim.”, falou sentindo seu rosto esquentar. A partir daquele dia, ela passou a tomar mais cuidado ao admirá-lo.
Padre Augustus era outra pessoa bastante contente com as aulas. Conversava com Merope, que já sentia grande afeição por ele, e até lhe dera de presente alguns livros antigos. Ele também pediu que Tom não se detivesse apenas às aulas de Inglês. E assim Tom o fez: começou a falar sobre História e Artes, assuntos que fascinaram Merope.
Merope descobriu, pelo próprio Tom, que a notícia que ele queria que ela lesse falava sobre a condenação de seu pai e irmão. Ambos haviam sido condenados à trinta anos de prisão. Ela não soube exatamente o que sentiu com essa descoberta, mas com certeza não fora pena.
Quando o frei finalmente se foi, a garota já se preparava para partir e Darcey começava a lamentar. Porém, para sua completa surpresa, Mary, resignada , revelou que ela poderia permanecer na casa. Tom dissera à mãe que pretendia continuar com as aulas, explicou ela. Aparentemente, Thomas também parecia satisfeito por seu filho ter alguma ocupação.
“Por que está fazendo isso?”, perguntou a garota a Tom no dia seguinte após a ida do frei. Ela, por algum motivo, já não tinha medo do rapaz. Estavam sentados à mesa da biblioteca de Thomas, onde as aulas ocorriam.
“Costumo terminar o que início. Se eu tenho que lhe ensinar, que seja por completo.”, explicou olhando a nos olhos, mas pela primeira vez, não havia raiva naquela mirada. Merope sentiu um revirar no estômago e Tom desviou o olhar.
Não falaram mais a respeito.
Alguns dias mais tarde, o jantar de aniversário de casamento de Thomas e Mary agitava a casa como na festa de Tom. Três dias antes do grande dia, as aulas com Tom pararam em função do ritmo de trabalho que já não mais lhe permitia terminar os afazeres no final da tarde.
No dia da celebração, a casa estava decorada com requinte. Merope estava terminando de secar os talheres que seriam usados no jantar, quando Penny aproximou-se. “Mas você, hein?”, soltou parando ao lado da jovem e ajeitando alguns petiscos em uma bandeja. “Enganou a todos nós com essa carinha de anjo. Fingiu-se de santa, mas assim que viu a oportunidade de se aproximar do filho dos patrões, não se fez de rogada. Daqui a pouco estará dando o golpe da barriga.”, terminou venenosamente. Merope decidiu ignorar a provocação. Desde que chegara àquela casa, Penny lhe tratara com desdém. Diferente de Frank e Finn que eram sempre gentis.
As horas passaram, e os convidados apareceram. Havia uma recepção onde poderiam ser deliciar com alguns aperitivos e, mais tarde, quando todos estivessem presentes, o jantar seria servido.
Darcey, mais uma vez, não trabalharia no evento e como de costume, ajudava na cozinha. Por algum motivo, parecia nervosa. Deixara os talheres caírem a toda hora e até derramara uma jarra de suco no chão.
“Darcey”, Merope aproximou-se da mulher e lhe tirou duas taças de sua mão antes que também fosse ao chão. “Está tudo bem?”, perguntou com preocupação.
“Sim, sim.” A voz da senhora soara trêmula. Merope ajudou-a a se sentar numa cadeira próxima. Penny entrou na cozinha com aquele semblante displicente e olhou para Darcey.
“Já disse e volto a repetir: ela está ficando velha, caduca...”
“Cale a boca!”, ordenou Merope. Não aguentava o tom de deboche daquela mulher. Não se importava que ela a ofendesse, mas não admitiria que fizesse isso com Darcey. “Darcey merece respeito. Respeito que você nem em mil anos terá.”, vociferou Merope mirando Penny ferozmente.
A mulher de meia idade não se abalou, mas retirou-se do local.
“Acho melhor a senhora descansar, Darcey.”, gentilmente, ela levantou a idosa, que não manifestara qualquer reação durante a breve discordância, e a levou-a para o quarto. Deitou-a com dificuldade e saiu do aposento fechando a porta com cuidado.
Tentou esquecer por um momento sua preocupação com a idosa para poder concentrar-se em seu trabalho. Com seu uniforme de festa, ela foi atender uns convidados. Observou que Tom estava junto de Cecilia, mas ele já não parecia tão atencioso com a moça. Sua expressão demonstrava impaciência.
Merope aproximou-se de uns senhores que fumavam charuto. Thomas estava nesse grupo. Ela serviu a todos, e quando chegou ao último homem, sentiu um calafrio. Ele tinha os cabelos brancos e longos, aparentava ter uns setenta anos, e seus olhos eram cinzas e frios. Sua postura era aristocrática, tinha um ar superior como se pertencesse à nobreza. Ela sentira o arrepio de medo ao perceber a maneira maliciosa com a qual ele a olhava. Ele deu um sorrisinho quando ela lhe serviu, trêmula. Rapidamente, afastou-se.
O jantar ocorreu tranquilamente, apesar de Merope sentir a todo momento o olhar do velho acompanhando-a. No fim do jantar, quando todos já haviam levantado e voltado para o espaço da recepção, Merope dirigiu-se para cozinha para terminar sua última tarefa e depois dormir. Os funcionários novamente contratados por fora ficariam até mais tarde.
“Olá, gracinha.”, saudou uma voz fria quando ela terminava de lavar a louça e secava suas mãos. Merope soltou o pano e virou-se lentamente. O homem que a assustara estava parado à entrada do cômodo. A cozinha estava escura e vozes vinham de bem longe. Não havia mais ninguém além dos dois.
“Sabia que te achei linda?”, ele continuou e agora estava aproximando-se como uma cobra que está prestes a dar o bote. Merope permaneceu paralisada e encostada a pia como se quisesse se embutir à parede.
“O que foi, querida?”, perguntou sorrindo maliciosamente. “Não mordo. Só quero te conhecer. Você pode ser muito útil para mim e eu posso lhe oferecer muito dinheiro.” Continuou andando lentamente. “Prazer, Nicholas Malfoy.” Estendeu a mão agora quase tocando na menina. “Qual seu nome?”
Merope permaneceu paralisada de medo.
“Hum, parece que o gato comeu sua língua. Acho que você não está entendendo minha proposta, não é mesmo?”, sibilou. “Deixe-me facilitar as coisas para você.” E dizendo isso e ele agarrou.
“Solte-me!” gritou Merope debatendo-se em seus braços. Ele estava quase chegando sua boca, quando uma voz feroz ordenou.
“Solte-a!”
Era Tom. Seu rosto estava lívido.
Malfoy rapidamente afastou-se e deu um risinho desdenhoso.
“Ah, meu jovem. Parece que eu cheguei tarde, não é? Você já fisgou a mocinha aqui. É uma pena porque...”
“Saia da minha casa agora!”, cortou-o Tom, feroz.
“Que gritaria...?”
Darcey paralisou no corredor que ligava a cozinha ao seu quarto. Seu rosto transformou-se em terror completo ao avistar o homem. Merope ligeiramente correu para o lado da empregada que a acolheu em seus braços, ainda chocada.
Malfoy saiu em passos largos da cozinha. Tom afastou-se com nojo quando o homem passou por ele. “Você está bem?”, questionou sério voltando-se para Merope.
A moça meneou a cabeça e ele se foi. Darcey a guiou até o quarto.
“O que aquele homem fez com você?”, perguntou segurando com as mãos o rosto de Merope após sentarem na cama.
“Ele me agarrou, mas Tom chegou antes que pudesse fazer mais alguma coisa.”, explicou Merope tentando acalmar Darcey que parecia mais assustada que ela própria.
“Oh, meu Deus! Sinto muito, querida. A culpa é minha. Ele vem aqui, todos os anos. Eu deveria ter te avisado...Eu...”, gaguejou nervosamente. Lágrimas brotavam a todo instante.
“Darcey, acalma-se. Não tinha como você prever, ninguém tinha. Eu estou bem!”
“A culpa é minha, sim! Eu poderia ter te mantido em alerta.”, chorou. “Você não entende...”
“Então me explique, Darcey.”, pediu baixinho.
Ficou acariciando as costas da idosa por um longo tempo enquanto ela acalmava-se. Esquecera até do ataque que sofrera. Realmente, ficara com medo, mas perguntava-se o porquê do desespero de Darcey. Ficaram assim, até que Darcey conseguir respirar com mais calma.
“Lembra-se quando eu disse que os Riddle me ajudaram no momento em que mais precisei?” Merope assentiu em silêncio. “Eu e minha mãe trabalhávamos na casa de uma família muito tradicional e muito rica, como os Riddle, antes de vir para cá. Minha mãe se mudou para lá quando meu pai faleceu. Eu tinha dez anos, na época. O casal para quem prestávamos serviço tinha um filho, cinco anos mais velho que eu. Esse garoto era Nicholas Malfoy.”
Os olhos de Merope arregalaram-se, mas ela não ousou interromper. Darcey contava a história com uma voz baixa e distante, como se nunca tivesse falado sobre isso com ninguém.
“Um dia, quando eu tinha quinze anos e estava me banhando num lago, atrás da casa, como sempre fazia nos sábados de sol, ele apareceu. Não percebi sua presença no início, mas depois o vi me observando. Senti medo no modo como ele me olhava. Sai da água e me cobri com a toalha que estava levando. Infelizmente, para chegar a casa, eu tinha que passar por onde ele estava. Passei, e já estava quase suspirando de alívio, quando senti um braço forte me agarrando e me puxando em direção as árvores que circundavam a casa. Ele me jogou no chão e me violentou pelo o que me pareceram horas. Quando terminou, me disse que se eu contasse para alguém, minha mãe morreria. Não ousei me mexer e passei a noite ali. Quando consegui levantar e voltar para dentro da casa, na manhã seguinte, minha mãe estava desesperada à minha procura. Eu disse que havia me perdido na floresta. Ela acreditou. Os meses passaram-se, e ele continuou me violentando. Eu estava assustada demais para contar alguma coisa. Minhas primeiras regras vieram. Ele continuou abusando de mim, até que engravidei. Quando minha mãe percebeu, quase morreu. Para ela, não havia vergonha maior. Eu finalmente tomei coragem e tentei lhe explicar o ocorrido. Ela não quis me ouvir e ainda disse que eu devia morrer por inventar uma história tão terrível. Ela queria que eu fosse embora. Deu-me uma semana para sair dali. Morreu de vergonha para explicar aos patrões o porquê de estar me mandando embora. Eles não tiveram piedade e apoiaram minha mãe. Nicholas viu tudo e permaneceu em silêncio, lançando-me olhares ameaçadores. Eu estava completamente perdida. Faltavam três dias para o meu prazo acabar, quando o casal Riddle, os pais do senhor Thomas, foram visitar a família como sempre faziam. A mãe de Thomas sempre gostara de mim. Ninguém contou-lhe a respeito, mas ela notou meu semblante, me perguntou o que tinha acontecido. No início, recusei-me a falar, mas acabei cedendo devido a sua insistência. Para minha surpresa, ela acreditou em mim e quis fazer um escândalo; implorei-lhe por silêncio. Nada faria os Malfoy acreditarem naquela história. Então, ela pediu ao marido para me levar para sua casa e ele concordou. Minha mãe ficou surpresa ao saber que eles me levariam, mas não se opôs, permaneceu fria a todo instante. O casal Malfoy também não se pronunciou, mas viu aquilo com grande desgosto. A mãe de Thomas lançou um olhar de puro desprezo para Nicholas antes de partimos. Um mês depois, sofri um aborto espontâneo. A senhora Riddle continuou me apoiando. Antes de morrer, de tuberculose, quando o pequeno Thomas era apenas uma criança, eu prometi a ela cuidar de seu filho como se fosse meu. Os Riddle perderam contanto com os Malfoy, até que, Thomas — que nunca soube de nada —, já na idade adulta, retomou os laços. Todo ano, em datas comemorativas, esse homem vem aqui. Ele provavelmente já deve ter esquecido toda a história. Com certeza, acha que morri há muitos anos ou talvez nem se lembre mais de mim.”
Quando terminou, a senhora, com um semblante cansado, simplesmente deitou na cama, ajudada por Merope, que estivera paralisada. A moça foi para sua cama, recém-colocada, e ficou com os olhos bem abertos. Não tinha sono. Absorveu aquelas palavras e sentiu um pesar enorme.
Por isso, Darcey estava nervosa. Malfoy não fora ao aniversário de Tom e ela devia saber que ele não compareceria, por isso a tranquilidade naquela ocasião. Sentiu uma dor profunda em seu coração. Seu sofrimento não era nada perto daquilo que Darcey passara. Nunca imaginaria que uma pessoa tão bondosa como aquela pudesse ter passado por algo tão terrível. Se Merope passasse por isso, com certeza ficaria com raiva de tudo e de todos.
Pensou no martírio que devia ser lidar com aquele monstro mesmo depois de tantos anos. Quantas vezes ela já não devia ter ficado assim, nervosa e assustada, por saber que o causador de seu maior sofrimento estaria tão perto? Sentiu um ódio tão grande de Nicholas Malfoy que seu sangue ferveu e suas unhas perfuraram sua carne ao fechar a mão. Não sabia como, nem quando, muito menos onde, porém, naquela noite, ela jurou para si mesma vingar-se daquele crápula.
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