Menina Gaunt
1 Jovem Tom Riddle
Merope Gaunt acordou naquela manhã devido aos xingamentos, direcionados a ela, que seu pai proferia em voz alta . Levantou-se da cama, que parecia conter apenas o estrado, uma vez que os panos que deveriam substituir o colchão mal cobriam a superfície de madeira, e seguiu em direção à sala que também servia de cozinha. Foi preparar o café da manhã, que era o quê seu pai exigia aos berros.
Levou mais alguns minutos e serviu a refeição ao patriarca da família, e a seu irmão mais velho, Morfin, que estavam sentados em volta de uma mesa redonda de madeira desgastada. Depois, pegou sua própria parte do miserável desjejum, como sempre ficando com as sobras, e dirigiu-se à poltrona imunda que ficava ao lado do fogão.
Comeram em silêncio. Quando terminaram, seu pai lhe dirigiu mais alguns insultos e, em seguida, ele e Morfin saíram de casa sem sequer dirigir uma palavra à Merope, como se a garota não existisse para nada além de servi-los e para ser alvo de suas explosões de raiva e acessos de fúria.
Não que Merope se importasse, já parara de tentar ganhar um pouco de afeto de sua família há tempos. Viu a porta sendo fechada com força e concluiu que os dois iriam fazer negócios ilegais com pessoas de índole duvidosa. Afinal, só conviviam com gente desse tipo.
Sem perder tempo, começou a arrumar a casa, ou pelo menos, tentar tirar algumas camadas de poeira que dominavam o ambiente. Estava quase no fim da faxina, próxima à janela, quando ouviu os barulhos de cascos na estrada que passava por sua casa. Espiou pela janela e o viu. Todo esplendoroso em cima do cavalo que tinha pelos castanhos assim como seus curtos e lindos cabelos e seus olhos expressivos. Apesar de estar montado, Merope sabia que ele era bem alto por já tê-lo visto várias vezes a pé, acompanhando, quase sempre, ou de seu grupo seleto de amigos que possuía a mesma aparência elegante, ou de uma menina loira e bonita que sempre usava belos vestidos. Mas agora ele cavalgava sozinho.
Era o homem mais bonito de toda Little Hangleton. Não que tivesse muito contato com outras pessoas do vale, na realidade, não possuía nenhum, contudo já vira o suficiente para saber que nenhuma beleza superava a do rapaz que contemplava naquele momento.
"Tom..." seu nome lhe escapou por seus lábios num sussurro inaudível. Amava a forma como a palavra soava: simples, mas forte. Tom Riddle era seu nome. O filho do homem mais rico da região, que era dono de tudo que havia no lado oposto do vale.
Observou-o se distanciando e voltou à limpeza. Não sabia em que momento aquele sentimento despertara dentro dela, mas quando se dera conta, já estava a suspirar sempre que o via passar. Sentia-se apaixonada, porém sabia que ele nunca olharia para ela. Filha do homem que todos sentiam repulsa, moradora da casa mais horrível do vale e, com toda certeza, a garota mais feia de todas naquela região.
Terminou a faxina pensando, mais uma vez, que jamais teria o jovem Tom Riddle para si. O que era uma pena, pois era tudo o que a menina Gaunt poderia querer.
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