Olá querido leitor!

Sou Capitu e possivelmente este não é meu verdadeiro nome, mas prefiro que me conheça assim. Nós temos muitos lados, não é mesmo? O que aprendi com a vida é que todos usamos máscaras e só revelamos para o outro aquela que queremos que ele conheça.

Então, é como deverão me ver de agora em diante. Como Capitu. Este é meu caderno de memórias onde conhecerão os amigos que fiz, as tretas, as viagens.

Pra começar moro em Natal, Rio Grande do Norte. Minha infância? Não quero falar sobre ela e muito menos vou te contar da vez que fugi de casa, fui parar no outro lado do bairro Pajuçara e que quando me encontraram e me levaram pra casa eu levei uma baita surra com o chinelo da minha mãe quando eu tinha 6 anos. Mas e daí? Sou um pássaro livre. Odeio ficar enjaulada.

Também não vou te contar da minha outra fuga, desta vez quando eu tinha uns 11 anos mais ou menos e estava no interior (cujo nome eu realmente não recordo) na casa de alguma tia-avó. Quando então empaquei no sono e perdi o único ônibus que me levaria para a casa da minha avó. Era um lugar sem sinal de telefone ou internet e no meio do nada. Por falar nisso, vocês não precisam saber que neste mesmo dia após fugir em fui em destino a cidade vizinha à pé e quando já estava avistando a cidade da minha avó ao longe eu peguei carona com um carroceiro desconhecido que ia na mesma direção. Mas então finalmente a prima da minha mãe de moto me encontrou e me levou pra casa da minha avó.

Vocês realmente não precisam saber de coisas assim. Até porquê minha infância foi altamente monótona. Se você pegou o meu caderno de memórias então pelo menos vou me esforçar pra fazer isso valer à pena lhes contando sobre fatos do meu início de vida adulta.