Memórias de uma vida
14 Entrevista com a Ellen e Amor
Passei pelos demais contrarregras, e então me posicionei e peguei meu violão, começaria cantando Sing, porque era divertido e eu gostava de cantar ela. E então a parede a minha frente se abriu e eu vi Ellen, e o público em pé ao som das primeiras notas.
“…I need you darling
Come on set the tone
If you feel you're falling
Won't you let me know
Oh oh oh, oh oh oh (sing)
If you love me, come on, get involved
Feel it rushing through you, from your head to toe
(Louder) oh oh oh, oh oh oh
Sing”
Cantei o ultimo verso e sendo aplaudido fui até Ellen, a cumprimentando com o famoso selinho, e então me sentando com o meu violão encostado no sofá. Assim que a plateia parou de fazer barulho ela começou a entrevista.
— Hey Ed, Olá.
— Olá. – Sorri para ela e para a plateia.
— Ah quanto tempo não nos vemos não é? Como foram suas férias? – Ela sorria.
— Foram ótimas, saí me diverti e até fiquei um tempo com os meus pais. Foram ótimas. É.
— Bom, ficamos sabendo que você acabou tendo problemas no seu casamento, correto? – Assenti. – Como tem sido para você desde então, a superação?
— Sabe, jamais pensei que passaria pelo o que passei e bem, superar tem sido fácil.
— Ainda mais quanto se tem uma linda filha, não é Ed? – Ela perguntou sorrindo.
— Realmente, a Pietra é incrível, e extremamente adorável. Sinto que ganhei na loteria toda a vez que a vejo.
— É disso que venho falando sempre que ouço ou vejo seu nome e o dela nos sites e revistas, você quando estourou pela primeira vez foi tipo “uau, que cara talentoso” e todos “Ele é jovem, não é incrível?” E hoje as coisas continuam iguais, você apesar dos anos não mudou muito, digo amadureceu e muitos admiram esse seu amor pela sua filha.
— É Ellen, ele é minha vida, e minha família agora.
— Então as fofocas são verdadeiras? Você e sua esposa terminaram?
— Sim, infelizmente. – Ela me olhou com ternura.
— É uma pena, mas sei que logo você conseguirá se arranjar. – Eu sorri e olhei para o público a procura de Pietra, e logo a achei.
— Acabo de saber que você trouxe sua filha? – Ela colocava a mão no ponto na orelha.
— Sim, ela inclusive é sua fã. – Sorri.
— Cadê ela Ed? – Ellen começou a procura-la.
— Ali. Vem cá Pietra, vem. –Ela veio com passos apressados.
— Isso vem com o Papai garota. – Todos riram quando Ellen levantou e a pegou no colo. – Posso te roubar?
— Não! – Ela falou de uma vez e eu babava sentado no sofá.
Assim que acabaram as brincadeiras de Ellen com Pietra, nós encerramos o programa cantando juntos a música preferida da pequena, “Afire Love”. Saímos de lá, e ela não parava de falar em como era legal, e então fomos direto para o aeroporto, após aterrissarmos em solo britânico tive que acordar Pietra, que dormia o voo todo.
— Eii pequena, acorda chegamos.
— Eu quero dormir papai. – Ela virou se aconchegando na poltrona.
— Ok então. – Tirei seu cinto e a peguei no colo, andando até o meu carro que estava no estacionamento. Posicionei a pequena no banco de trás e rumei até a minha casa.
Estava tudo um silêncio, era assim quando ela dormia, tranquilo e muito normal. Isso me lembrava dos tempos de solteiro, quando tudo o que eu fazia era pensar na burrada que fiz com a Nina. Nunca mais nos falamos ou nos encontramos, apenas decidimos escrever músicas um para o outro e foi isso. Sem perceber, enquanto me lembrava dela acabei digitando no navegador do celular o nome dela.
— Ainda esta no ramo da música, e vai fazer um filme. – Sorri enquanto lia. – Seria interessante falar com ela, mas será que ela me deixaria chegar perto novamente? – Balancei a cabeça tentando parar de pensar nessas coisas.
Fui até o banheiro, tomei um banho e voltei para a cozinha para comer algo, achei batatas para por no forno e foi o que eu fiz. Segui para a sala e liguei a televisão no volume baixo para não acordar o furacão Pietra. Vi que passava um show do Elton John e então eu assisti inteiro comendo as batatas recém-tiradas do forno. O show acabou e começou a programação de clipes e então aquele vídeo que eu dançava começou, e eu cantarolei baixinho junto com a música, eu realmente estava pensando alto quando escrevi aquela canção, o mistério do amor é o que deixa tudo mais incrível.
Ao pensar em tudo, desde as palavras de minha mãe, os da Ellen e a letra da minha própria música percebi que mesmo que eu fugisse do amor, ele sempre estaria ali esperando para que eu desse uma segunda chance, não é por que apostei minhas fichas na Liz que elas acabaram, e sim apenas esqueci-me de usá-las novamente. Eu precisava recomeçar de verdade, me deixar aberto para novos encontros, novos relacionamentos, eu preciso viver e parar de ser um cara que vive apenas para proteger a menor. Quero protege-la e me proteger, quero amar e que o amor venha da mesma direção para Pietra. Perdido em pensamentos ouço um estalo atrás de mim, e vejo a minha pequena vindo em minha direção.
— Fiz barulho?
— Não Papai. – Bocejou. – Vim deitar aqui com você.
— Mas eu já vou ir para a cama docinho. Deita lá que eu já vou.
— Não Papai, vou ficar aqui com você.
— Teimosa. – Ela se sentou ao meu lado. — Então vou dormir, vamos? – Desliguei a televisão e a olhei, ela coçava os olhos.
—Sim Papai. – A peguei no colo e a deitei em minha cama, a ajeitei e dei a volta na cama e deitando por fim.
— Confortável?
— Uhum, Boa noite Papai.
— Boa noite meu anjo.
Provavelmente ela nem se lembraria disso na manhã seguinte, pois assim que terminei de falar ela adormeceu. Aquele pingo de gente era mais sábia que eu, era mais encantadora, e a partir de hoje iria para todos os lugares que eu fosse, mesmo que eu tenha que pagar uma professora particular para ela. Eu e ela iriamos em busca de felicidade e também em meu primeiro show fora de Londres.
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