Memórias de uma vida
25 A ligação
O sol no meu rosto me acordou, abri meus olhos lentamente observando o teto e percebi que não era o meu quarto, passei a mão na cama e senti algo ao meu lado e me virando aos poucos observei Sophia dormindo, ela estava virada para mim e seus cabelos caídos em seu rosto, fazia dela ainda mais linda. Tirei os fios da frente de seus olhos e sorri me levantei um pouco e a beijei na testa, e sentando na cama comecei a procurar meu celular, quando finalmente o achei vi que era 6h da manhã, esfreguei a mão no meu rosto tentando acordar.
— Humm, Ed volta para a cama. – murmurou.
— Eu tenho que ir, a Pietra vai sentir minha falta. – me virei para ela.
— Ed vem! – ela puxou meu braço me fazendo deitar na cama. – Esqueceu que hoje eu tenho um encontro com ela também.
— Eu sei, mas será que ela comeu ontem e tomou banho?
— Ed ela esta bem, sua Mãe mora lá sabia disso?
— Eu sei.
— Olha. – ela deitou em cima do meu peito. – Fica mais um pouco, e depois eu te deixo ir. – eu sorri. – Não é sempre que isso acontece na minha vida.
— O que?
— Acordo ao lado de alguém.
— Garota, você precisa viver. – ela sorriu.
Quando voltei a olhar para o relógio, era 6h30min e mesmo que eu quisesse ficar ali na cama com Sophia, eu precisava ir para casa principalmente por ter que explicar o porquê do meu sumiço.
— Sophia. – chamei.
— Hum? – perguntou de olhos fechados.
— Preciso ir.
— Ok. – ela abriu os olhos e sentou na cama e o cobertor caiu mostrando seu corpo nu.
— Agora gostei, acho que vou ficar um pouco mais.
— Palhaço. – ela se tampou novamente. – Vai lá que a dona Pietra deve estar morrendo de saudades do pai dela.
— Ah, não fala assim, eu sei que vai sentir minha falta também.
— Convencido. – sorriu. – Mas eu vou mesmo.
— Calma, que nos veremos mais tarde. – a beijei.
— Tchau Ed.
— Tchau.
Ela se jogou na cama tentando dormir novamente, e eu comecei a juntar minhas roupas e vestindo-as fui em direção à porta. Foi então que notei como o dia estava lindo, e enquanto caminhava para casa, tive visões da noite passada, o que fez brotar um sorriso em meus lábios. Quando cheguei a casa, minha Mãe estava acordada e já estava tomando seu chá na varanda e ao seu lado tinha outra caneca, eu fui me aproximando e ela foi abrindo um sorriso.
— Bom dia. – ela bateu no lugar ao seu lado, e quando me sentei ela entregou a outra caneca para mim. – Estava te esperando.
— Bom dia, me esperou a noite toda?
— Não, acordei há pouco e aí como foi ontem?
— Foi incrível Mãe. – sorri e tomei um gole do chá. – Que delícia.
— Que ótimo, estava até mais feliz. – ela sorriu.
— Pietra perguntou por mim?
— Sim, aí falamos que você estava dormindo na casa da Sophia noite passada e ela aceitou e quando vimos foi dormir com o Matthew.
— Ela realmente gosta do tio.
— Ela gosta do tio e da Sophia também.
— Eu sei, nunca vi gostar tanto de alguém assim.
— Isso é bom. – sorriu e bebeu o chá.
— Eu vou subir e tomar um banho.
— Ok, meu filho.
Levantei-me dando um beijo na testa dela e levei a caneca de chá comigo, subindo as escadas vi a porta do quarto do Matt entre aberta, parei ali e espiei os dois dormindo, Pietra como sempre esparramada na cama e Matt tentando deitar apenas em um pequeno espaço. Fechei a porta e fui para meu quarto tomar banho e separar a roupa para minha pequena hoje.
Quando foi de tarde Pietra se arrumou e me olhou sorrindo, ela estava esperando muito ir ao estúdio de Sophia e isso era muito legal. Ter uma filha com a mesma paixão do que você é maravilhoso, você vê um pouco de si mesmo aprendendo os instrumentos e lembra quando era com você. Sophia apareceu lá por volta das 13h da tarde, ela me cumprimentou beijando minha bochecha, e Pietra sorrindo puxou minha camisa para que eu abaixasse para ela dar um beijo.
— Tchau Papai.
— Tchau Filha, se cuida.
— Pode deixar, eu cuido dela. – falou Sophia.
Depois que elas saíram fiquei na sala assistindo o jogo com meu Pai, ele queria passar esse tempo comigo, e foi isso que eu fiz. Tínhamos cervejas e pipoca, minha Mãe estava sentada ao nosso lado com o Matt, eles jogavam xadrez. E então no intervalo do jogo meu celular tocou.
— Alô.
...
— É ele mesmo falando.
À medida que eu ia ouvindo o homem falar do outro lado, eu ia me assustando, eu não poderia acreditar no que estava ouvindo, a minha expressão estava acompanhando perfeitamente o que eu estava sentindo, quando desliguei minha Mãe me olhou.
— Filho, tudo bem? – meu Pai me perguntou.
— Não, preciso buscar Pietra rápido.
— O que houve Ed? – foi à vez de Matt.
— Liz, preciso voar para a Irlanda. – me levantei e fui correndo para a porta. – Mãe arruma minha mala e a da Pietra, por favor.
— Ok Filho.
Saí correndo, fui em direção à escola a onde Pietra estava com Sophia, isso não poderia ser verdade, não poderia. Quando cheguei à escola ela e viu, e veio em minha direção com um enorme sorriso, e atrás dela estava Sophia.
— Papai!
— Oi Pietra. – eu deixei transparecer um pouco da preocupação.
— Papai, o que foi?
— Precisamos ir embora, Papai tem uma coisa para resolver.
— Mas já? Quero ficar.
— Filha. – me abaixei. – Papai precisa ir para a Irlanda, e quero que você vá para a nossa casa.
— Irlanda? Vai fazer o que lá?
— Filha, por favor, vamos.
— Sim Papai. – ela foi em direção à porta e antes da mesma fechar a vi se sentar na frente da escola, e eu me levantei.
— Ed o que aconteceu? – Sophia perguntou.
— Aconteceu algo com Liz, preciso ir para a Irlanda. – olhei para a porta. – Sophia posso te pedir uma coisa?
— Diga.
— Vem comigo.
— Não sei Ed, tenho meu trabalho aqui.
— Sophia. – eu a olhei com algumas lágrimas querendo sair. – Por favor, vem comigo, não sei como reagir a isso tudo, e ainda mais ser forte para a Pietra.
— Ed. – ela me abraçou. – O que aconteceu?
Flashback on...
— Alô?
— Senhor Edward Christopher Sheeran?
— É ele mesmo falando.
— Aqui é a Enfermeira Mary, o senhor conhece senhora Lizandra Flanagam Sheeran, não é?
— Sim, ela é minha ex-mulher, o que aconteceu?
— Ontem à noite, a senhora Lizandra foi encontrada entre a vida e a morte em seu apartamento, e levada ao hospital em estado de emergência.
— Como?
— Precisamos de algum parente, caso aconteça o pior.
— Eu vou, qual hospital ela esta?
— No Saint Louis.
— E sabem o que aconteceu?
— A Policia descarta tentativa de suicídio e investiga o caso como tentativa de homicídio.
— Ok, estou indo o quanto antes para ai.
Flashback Off...
— Ed o que aconteceu?
— Sophia vem comigo? — peguei em suas mãos.
— Sim, pelo seu estado acho que realmente é algo grave.
— É. — a abracei.
E em poucos minutos estávamos os três no avião embarcando em direção à Irlanda, Sophia me convenceu que o melhor seria levar Sophia se o caso fosse tão grave e foi o que fiz. Só estava começando a rezar para que Liz saísse dessa, para Pietra não passar pela perda.
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