Memórias de idiotas.

5 Quarta feira maravilhosa.


Esse acontecimento foi recente. Na verdade eu iria falar de outras coisas, mas graças a esse acontecimento recente eu tive que botá-lo aqui na fic pois, ele aconteceu nessa ultima quarta-feira. Sim, 10/06, pessoal! E foi horrível! Kkkkkkk

Lá estava eu, descendo do ônibus e caminhando a pequena rua que naquele horário da manhã era calma e vazia, sem nenhuma movimentação, indo para a escola.

Quando eu estava chegando, avisto um caminhão descarregando alimentos e levando para dentro da minha escola. Quando passo do lado do caminhão vejo que havia alguns sucor de laranja avulsos que no mínimo caíram das caixas ou sei lá o que... E na maior cara de pau a minha, que não sei de quem da família eu herdei, olhei para os lados e vi que ninguém me via, então peguei um daqueles sucos.

E entrei para a escola do portal de carga mesmo, indo direto para o pátio. Eu não iria dar a volta para entrar no portão da frente da escola, né?

Mas aí, já tomando meu suquinho de laranja vejo que o pátio estava vazio. Quer dizer, quase vazio, ainda assim tinha algumas pessoas. E uma dessas pessoas era o Douglas, o fdp gordo que conheço desde o pré e até hoje nunca mudou! Continua cretino do mesmo jeito!

Ah, antes de mais nada, esqueci de escrever aqui... Eu havia acabado de me recuperar do meu período de doente. Eu havia faltado na escola segunda e terça, e estava indo na quarta... Passei de sexta até terça doente! Sério, eu não estava bem. E naquela manhã fria de quarta feira, eu não estava tão bem assim não! Mas enfim, voltando aqui...

Cheguei no pátio e logo já gritei.

—UÉ! Cadê o pessoal, Douglas? O povo acha que é festa pra não vir?

—Mas é festa...

Minha mente deu um leve baque.

—...Como assim? –Perguntei meio confusa. Olhei meio em volta e percebi que era a única de mochila.

—Cara, você é muito troxa, meu Deus! Os dias que era pra você vir você não veio e no dia que você pode faltar, você vem! –Falou ele dando risada.

—Fala logo o quê que tá pegando aqui, caralho! -Perguntei já me irritando.

—Hoje é festa Junina na escola, sua idiota!

E foi aí que olhe para ele sem expressão nenhuma. Minha cara ficou tipo... Uma cara sem expressão, com as sobrancelhas, lábios, nariz, bochecha, tudo, todos estavam normais... Minha cara era de... “Não acredito” ....

Depois de alguns segundos o encarando e começando a escutar algumas risadas alheias que surgiam ao meu redor. Eu me sento no chão e boto as mãos na cabeça, já largando meu suquinho de laranja que havia roubado. E fui me lamentar.

Para depois explodir.

—E POR QUE CARALHOS NINGUÉM ME AVISOU? PUTA QUE PARIU, EU ACORDEI AS 5 DA MANHÃ, NEM TÔ ME SENTINDO MUITO BEM AINDA! EU PASSEI QUASE 5 DIAS DOENTE, CARA! PUTA QUE PARIU, MANO, EU AINDA NÃO TÔ RESPIRANDO DIREITO, MINHAS PERNAS ESTÃO TREMENDO E O CATARRO TÁ PRESO NA PORRA DO PULMÃO! NACREDITO QUE ATRAVESSEI DUAS CIDADES PRA VIR AQUI A TOA! –Sim, eu moro bem longe da minha escola. –POR QUE NINGUÉM ME AVISOU!?

—Olha cara... Eu pensei em te avisar. –Falou ele segurando o riso. –Só pensei.

—Mas você é um grande e imenso gordo filho de uma puta! –Falei com ódio pra ele.

—Hahahahaha, cara, na moral! Ninguém mandou você não ter whatzapp.

—Eu não quero ter essa porra, é muito chato! E outra! Que porra de festa é essa que não to sabendo?

—Essa esta tá sendo planejada, oh, faz tempo! Iria ser num final de semana mas mudaram para o meio da semana, decidindo ser uma festa fechada só para os alunos com comida grátis pra todos. –Falou ele. –Eu vim só pra comer.

E todos os nossos amigos, que estavam ali naquele momento, falaram o mesmo.

Eu o encarei com uma cara de taxo. Eu estava triste, realmente. Eu nem estava boa de verdade, ainda sentia a maldita da minha respiração falhar em algumas horas, e eu fui para a escola achando que teria aula... Mas não... Tava tendo festa.

—Tsc, quer saber? Só de raiva eu vou ficar pra comer. E vou comer muito, tipo, pra caralho! Só de raiva vou comer pra porra, nessa merda! –Disse com raiva.

Iria, de alguma forma, causar prejuízo pra essa escola. Nem que seja acabando coma comida daquela festa horrorosa!

[...]

A festa começou. Tocava a típica música de festa junina, pessoas dançando e gritando. Enfim, normal. Uma coisa que me incomodava era a quantidade de puta que tinha naquele pátio! Gente, não achava que para uma festa junina as meninas precisavam usar um mini short jeans com uma bota de couro salto alto, blusa xadrez amarrada acima do umbigo e um chapéu de cowboy... Gente, algo de errado naquelas roupas não estava certo! Mas enfim, tirando este pequeno fato meio “urgh!”, eu atropelava todo mundo nas mesas para poder pegar as comidas, enchendo a mão, literalmente, e enfiando na boca, não me importando quem me olhava feio e tals. Foda-se, eu to naquela escola desde criança, tempo o suficiente pra me sentir a vontade, a vontade o suficiente para passar vergonha sem constrangimento (?) pois ali todo mundo já está careca de saber que sou meio louca.

Sim, sou conhecida naquela escola. (risos) (risos sofridos) (chorando)

Aposto que os únicos que me encaravam eram os alunos novos, já que não me conheciam direito...

Mas enfim. Eu atacava de tudo, sério. O Douglas nem estava comendo muito. Só bebia refrigerante e comia alguns salvados. Mas eu? Eu atacava os doces, mesmo não curtindo muito, mas comia. Atacava os salgados, mas atacava os salgados com vontade! Já que ali só tinha o que eu gostava. Comia de monte e ainda pegava copo descartável pra botar mais dentro pra levar pra casa!

Mas aí, chegou um momento que eu não conseguia mais comer. Nem beber... Eu estava abarrotada de comida. Foi aí que me lembrei daquele dia que vomitei na sala de aula depois da competição do Leite, e levemente entrei em desespero...

—D-douglas... –Eu soltei um arroto nessa hora. E todos fizeram “Auêh”, Sim, nós ainda fazemos essas brincadeiras infantis, apesar de já ter passado da data de tomar vergonha na cara e agir como alunos do terceiro ano que estão quase completando 18 anos...

—O que foi? –Perguntou ele.

—Eu vou embora.

—Mas já? Ainda é dez da manhã.

—Cara, eu comi das sete até as dez! Eu estou lotada de comida, não cabe mais nada em mim! Se lembra dos copos de leite que me fizeram vomitar na oitava série? –Falei relembrando ele.

—Ohh, sei, sei.

—Aposto que se eu ver um copo de leite agora, eu jogo tudo isso aqui pra fora. –Apontei pra minha barriga.

—Hahahaha, ok, ok, cê que sabe.

Bati em seu punho e me despedi do resto do pessoal que ainda ficaria na festa e fui para a diretoria para ir embora... Mas aí, quando cheguei lá.

—Não vai embora, não. –Falou a tia da secretaria.

—Porra, tia. Deixa eu ir embora.

—Já disse que não vai! Se entrou, agora fica.

—É uma festa forçada?

—Vai logo pro pátio e aguarde o horário da saída.

—Puta que me pariu, como é que vou embora dessa porra... –Desisti de argumentar com a tia, fui andando para os corredores das salas de aula para tentar ir embora.

O bom da minha escola é que lá te várias rotas de fuga, para se acaso o aluno quiser cabular. Você pode pular pelo buraco da grade que tem no pátio que dá para a rua. Você pode pular do buraco da grade que tem do lado do refeitório, que dá pro jardim, que dá para a quadra de vôlei, que tem um muro, e no muro uma grade que tem um buraco que dá para a rua. Sem falar que também tem a opção da quadra de futebol, só que a grade é mais cumprida e você acaba saindo na creche do lado, e da creche você pode pular o muro que é baixo e ir para a rua. Também tem a rota das salas de baixo, onde as janelas da salas são altas e sem grades, onde você pode pular e parar na casa do zelador, e da casa do zelador ir direto para a rua, pulando um murinho que tem lá. E a ultima rota de fuga que tem são as salas do segundo andar, com suas janelas em forma de painéis que estão sem grade nenhuma... É só pular e você para na garagem da escola, e da garagem vai para a rua.

Enfim, eram cinco opções para eu sair daquela bosta de escola. Mas tinha um porém...

Buraco da grade do pátio = Iria chamar muita atenção. Todo mundo iria me ver!

Buraco da grade do refeitório = O caminho era muito grande e cansativo de se fazer.

Buraco da quadra de futebol = É muito alto pra eu escalar e carregar minha mochila junto!

Janela das salas baixas = O zelador botou cachorro para cuidar daqueles que tentassem pular pela casa dele.

O que me resta são as salas do segundo andar. Onde eu fico...

Subi para as salas de aula do segundo andar e entrei na minha sala, abrindo uma das janelas e olhando para baixo. O bom é que o segundo andar não era muito alto e dava pra descer de boa, graças as grades das janelas de baixo, então era só descer segurando nas barras.

Rapidamente joguei minha mochila primeiro, a vendo cair no chão. Então botei o pé do lado de fora da janela e enfim meu corpo inteiro. Botei o pé da grade de baixe fui descendo, até chegar no chão, que acabei caindo de bunda. Quando me levanto, dou de cara com alguns alunos que estavam na sala de baixo, conversando... E todos estavam olhando para mim.

Deve ser super normal você estar conversando com seu amigo e do nada, da janela de sua sala ver uma pessoa descendo pelas grades da sua janela.

Encarei de volta todo mundo, e sem se importar muito, peguei minha mochila colocando nas costas e dei um salve para todos que me viram. E corri para o estacionamento da escola, saindo pelo portão de trás, dando para a rua.

E fui para a casa, pois ainda tinha curso e tinha que agilizar algumas coisas... Mas eu não corri não. Fui andando de vagar para o ponto de ônibus, afinal, estava carregando um filho na minha barriga cujo nome era comida. Muita comida.

E essa foi a minha quarta feira...

Foi horrível.

Notas finais
A história "Memórias de idiotas" foi interrompida, por aqui dá-se o término da fic. Porém, um extra, uma possível continuação, ou então um capítulo de conclusão da fic já foi postado separadamente, e tem como título "Escolar". Obrigada a todos que leram até aqui~ C:
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!