Memórias de alegria e agonia

1 Capítulo 1 Volume Único



Sabe,o tempo todo olhamos para TV, vemos as noticias,e entre tantos casos de assassinato e roubos encontramos entre eles o jeito mais ridículo de morrer,uma morte da qual poderia ser evitada, aquela que são causadas por enchentes, tsunames,furacões e deslisamentos, esse chamados desastres naturais, bom talvez não tão naturais assim, afinal muitos dele podem ser evitados com algumas atitudes e essas mesmas atitudes também podem ser as causas deles, na minha opinião eles deveriam ser os tais desastres humanos,ou talvez consequências humanas, mas isso é somente minha opinião,e devo dizer que alguém que passou o que eu passei ela deve ser bem considerada. Oh...mas que rude de minha parte, eu ainda não me apresentei. Meu nome é Haru, tenho 23 anos, amigos? família? namorado? Não...eu não tenho...pelo menos não mais.
MEMÓRIAS DE ALEGRIA E AGONIA
Dia 24 de Dezembro de 2009
Hoje é o dia mais feliz da minha vida em meio ao nascer do sol eu olhava aqueles brilhantes olhos que pareciam me pedir algo, aos poucos ele se ajoelhou e exatamente as 6 da manhã quando o sol resolveu aparecer ele pronunciou aquelas palavras:
– Quer casar comigo?
Naquele momento meus olhos ficaram vermelhos, eu pensava e dizia a mim mesma — Não chorre — mesmo assim lagrimas eu derramei e com pouco esforço eu disse com um sorriso no rosto.
– Sim, com toda certeza...sim.
Esse homem, o amor da minha vida, tem 26 anos, havia acabado de se formar e estava pronto para me fazer sua esposa, esse homem, seu nome era Watanuki...Kimiriro Watanuki e depois de seu maravilhoso pedido havia mais um motivo para comemorar afinal era véspera de natal e eu estava noiva, minha família estava contente e por conta da noticia minha mãe, Hana, fez um café da manhã esplendoroso e meu pai, Doumeke, parecia muito contente com meu casamento o que é estranho já que sou sua unica filha.
Estava indo tudo bem, conversamos sobre o casamento até o almoço quando de repente houvi uma noticia na TV:
– Ontem de madrugada uma mulher de 23 anos morreu devido a um deslisamento de terra,a polícia diz que a casa onde a mulher se encontrava já havia sido interditada, porém a mulher não tinha família e por conta disso não tinha para onde ir. 3 dias depois de ter retornado a casa o acidente aconteceu. Amigos e vizinhos se encarregaram do velório, ela foi enterrada hoje de manha cedo por volta das 6 horas.
A sala que se enchia de risos de repente abriu espaço para o silêncio e eu só pensava o quanto a vida é miserável, pois enquanto eu vivia meu momento de felicidade aquela mulher era enterrada e dava adeus a sua vida, senti pena mas logo veio a raiva e eu pensei ...ridículo...c-como é ridículo morrer assim, com quilos de terra sobre seu corpo até mesmo com litros de água te arrastando ou pior com uma enorme placa de concreto esmagando seus pulmões, morrer sob as forças da terra, da natureza isso é tão ridículo até um tiro me traria mais dignidade. Não me conformava, não entendia, por que?por que alguém chega a morrer assim?
De repente sinto um toque em minha mão e percebi o quão pulsante meu sangue estava, olhei nos olhos de quem me tocava, meu namorado, meu noivo, parecia preocupado. será que pensei em voz alta? Ninguém mais na quela sala me olhava da quele jeito, de maneira tão preocupada.
Depois do almoço realizamos os preparativos para a ceia, minha mãe estava caprichando, afinal em meio a festa meu casamento seria anunciado, mas o que eu não sabia...o que eu não esperava era que nosso casamento já havia sido marcado. 20 de fevereiro esse é o dia em que fui entregue ao homem que amava.

Nosso casamento foi realizado em nossa terra natal, no Japão. A cerimonia foi tipica de uma japonesa, foi celebrado por vários dias, eu e Kimiriro entramos no templo por portas diferentes e vestimos quimonos de seda, as convidadas mais novas e minhas amigas usavam cores fortes e as mais idosas quimonos mais escuros com o uso dos chinelos tradicionais japoneses e meias. O meu quimono era branco e o de Kimiriro era preto, havia uma peça bem elaborada em minha cabeça, adornada com flores, perolas e pendentes de ouro que juntos significam sorte. Fui pintada de branco puro da cabeça aos pés e durante todo o casamento tive de trocar de traje 5 vezes todos igualmente luxuosos.
Depois da celebração, nós trocamos nossos votos e prometemos lealdade um ao outro enquanto nossas famílias se olhavam frente a frente bebendo sake, selando a união entre nós e depois que trocamos as alianças fomos ao santuário e fizemos oferendas aos deuses. Assim que saímos fomos abanados com galhos de uma arvore sagrada dando fim a cerimonia religiosa. Seguidamente é servido o sake. Neste ritual devemos partilhar a bebida sentados em uma mesa em frente um do outro e nos olhando nos olhos demos um gole, tendo o cuidado de pousar o copo ao mesmo tempo. Isto é feito com o intuito de não morrermos um antes do outro, ou seja o que colocar primeiro o copo na mesa será o primeiro a morrer. Até hoje eu penso se fiz algo erado neste momento, apesar de todo o cuidado que tive para colocar o copo na mesa, não só ele mais toda a minha nova família foram tirados de mim e acabou que o melhor dia da minha vida se tornou o pior.
Depois do casamento fomos descansar em uma das casas da família de meu marido...quer dizer...nossa família, a estrutura parécia ser boa apesar de ter uma aparência antiga. Kimiriro havia me contado que a casa pertenceu a era EDO e por conta disso é considerado um patrimônio histórico, qualquer um que quiser realizar algum tipo de reforma na quela casa precisaria da autorização do governo, ele também me disse que já havia pedido uma, mas se passaram cinco..CINCO anos e a permissão ainda não foi dada.
Assim que acabamos de conversar minhas amigas foram levadas aos seus quartos e meu marido e eu fomos para o nosso, quando acendemos as luzes sentimos o chão tremer, não me preocupei no primeiro momento até que o teto começou a rachar e eu escutei alguns gritos, a casa estava desabando, todos nós saímos correndo, meu marido segurava a minha mão para que eu não me perdesse em meio a tanto pó, mas mesmo com esse cuidado eu acabei tropeçando e meu pé ficou preso entre as pedras, a saída estava longe para mim mas não para ele, eu olhei nos olhos dele e pedi que fosse sem mim, ele não queria e insistia em tentar tirar meus pé das pedras até que seus pais o acharam em meio a neblina e o arrastaram pelo braço até um lugar seguro, naquele momento eu fiquei ali deitada, não conseguia ver nada apenas escutava Kimiriro gritar por mim, até eu ouvir somente o meu coração bater e depois... eu já não ouvia mais nada.
Sabe meu nome é Haru, amigos? família? marido? não, eu não tenho... pelo menos não mais ... e creio que não vou voltar a ter.

Notas finais
Espero que tenham gostado irei postar mais Historias se vcs me derem idéias e comentarem.Sugestões esse é meu lema.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!