No dia seguinte, Lucy e sua mãe se levantaram logo cedo, Lucy pegou a lista de compras e foi ao Supermercado com o que ainda lhe restava do seu salário. Percorrendo os estreitos corredores daquele estabelecimento, deparou-se com uma pessoa com um carrinho de compras, bem em sua frente, olhando a prateleira inúmeras vezes, como se procurasse algo, sem paciência , Lucy cutucou a tal pessoa que se virou rapidamente, surpreendendo-a.

- Ah, não acredito, você de novo? – Disse Lucy, em voz alta, um quase grito de espanto. Sim, era a mulher da gasolina, aquele rosto, aqueles olhos, difíceis ou até mesmo impossíveis de serem esquecidos.

- Nossa, que prazer encontrá-la por aqui! – Disse a mulher, com um rápido sorriso, encontrando seus olhos com os de Lucy por alguns segundos antes de se virar e novamente fixá-los na prateleira.

- Você gosta de atrapalhar o fluxo, não é?

-Não, só estou procurando uma coisa, eu sei que está aqui, só não estou vendo!

-Está esperando que caia do céu de novo? – Riu Lucy.

- Já que você está tão disposta e bem humorada hoje, porque não me ajuda?

- O que você está procurando?

- É um tempero, eu esqueci o nome, tem nome de dança...

- Salsa?

-ISSO! – exclamou a mulher, aliviada da dúvida, mostrando claramente que não entendia nada sobre o assunto.

- E está procurando Salsa na prateleira de ketchup e maionese? – Perguntou Lucy, rindo da situação e apontando para o corredor onde ela poderia encontrar o tal tempero, disse – Ali, procure ali que você irá encontrar.

- Obrigada- A mulher saiu andando em direção aonde Lucy havia apontado

- Espere! – Gritou Lucy- Fique sabendo que perdi meu emprego por culpa sua!

Assustada, a mulher pergunta:

- Culpa minha?

- Sim, cheguei atrasada no trabalho e fui demitida!

- Perdão, mas eu não tive culpa, não pedi para aquilo tudo acontecer, será que tem como você me desculpar?

-Não sei não, estou achando que já te ajudei demais e... – Disse Lucy, quando foi interrompida pela mulher-.

- Deixa de ser tão cabeça dura, vamos jantar amanhã e desfazer esse mal entendido, o que acha?

- Tudo bem, mas vou logo avisando, você paga, porque como perdi meu emprego, que aliás foi culpa sua... – Disse Lucy, sendo interrompida mais uma vez.

-Tudo bem, não precisa ser inconveniente, amanhã 9 horas no Albamar.

- Combinado.

A mulher virou-se , foi caminhando para longe , quando Lucy gritou-a mais uma vez:

- Espera!

- O que foi dessa vez? Seu cachorro morreu e a culpa também é minha?

- Seu nome, você não me disse...

- Júlia Machado.

- O meu é Lucy, tem algum apelido?

- Sim, Júlia, seu nome é Lucy mesmo ou é apelido?

- Mas Júlia já é seu nome... Esquece... – Disse Lucy, sem entender se a tal Júlia estava brincando ou não – Meu nome é Lucy mesmo.

- Legal, eu tinha uma hamster com esse nome, enfim, tenho que ir. –

Júlia parecia estar com pressa, então sem mais delongas, Lucy deixou-a ir. – Hamster? Ela me chamou de rato, é isso? – Pensou, ainda confusa sobre esse senso de humor tão esquisito.