Memórias Recortadas
1 Memórias Recortadas
Notas iniciais
Essa é a minha primeira fic One Shot, e confesso que estou nervosa >.<
Enfim, ela é curtinha, mas espero de coração que gostem :3
A primeira memória que guardei com carinho me remete ao homem que me erguia do chão, e me jogava no ar. O vento, o frio no estômago, aquela sensação de que iria voar, a frustração de perceber que não, para então ser preenchida com o alívio de estar nos braços dele novamente. Meu corpo pequeno era envolvido por seu abraço, e ríamos enquanto dançávamos uma valsa imaginária. Posso visualizar o seu sorriso, enorme, orgulhoso e satisfeito. Parecia que aquele momento duraria para sempre, assim como a música que eu cantarolava para a nossa dança.
Mas a memória seguinte é inundada de preto. Sapatos pretos, saias pretas, ternos pretos, guarda-chuvas pretos... Eu me lembro de procurar a grama verde e não ser capaz de ver nela a beleza. Minha visão estava embaçada, e talvez por isso toda a lembrança aparece para mim como uma imagem borrada. Jogaram a terra molhada sobre a madeira, e lá se ia a minha música. “Vai ficar tudo bem” disseram para mim, e eu não entendi o que ia ficar bem. Eu vejo a janela do carro chorar junto com o céu nublado, enquanto deixo para trás as flores que havia colhido... Sem saber muito bem o porquê.
Muitos dias e memórias se seguem depois dessas. Elas têm mais preto e menos dança. Uma delas me leva até a porta do quarto de alguém, e ouço a voz chorosa lá dentro, carregada de saudade. Desse dia, lembro-me de me ajoelhar ao lado da cama, pedindo por ela mais que por mim, implorando para quem estivesse ouvindo que trouxesse de volta a canção que não acabava. Lembro-me de adormecer no chão e de ter tido um sonho... Eu acordava pela manhã e havia uma moeda sob meu travesseiro, e um olhar gentil me era lançado da porta, antes de um aceno se despedir de mim. No sonho, eu tentava, mas não podia cantar. Ao acordar na manhã seguinte, descobrindo que nada acontecera, entendi o motivo de os céus e todos ao meu redor chorarem. Era a foto no porta-retratos.
O tempo deve ter passado devagar, mas o que guardei na memória foi o dia que ele chegou. Um toque gentil, um sorriso caloroso e uma fala mansa. Ele brincava comigo, fazia um cheiro gostoso quando ficava à beira do fogão, e fazia com que ela sorrisse tão lindamente. Quando o dia que ela entrou de branco veio, eu me lembro de ter olhado para o céu e tê-lo visto muito azul. Fomos para casa juntos, e desta vez eu levava comigo as flores que colhera.
Não me lembro de tê-la ouvido chorar com aquela voz saudosa novamente, e nem de ter olhado para a grama sem ser capaz de vê-la verde. Ainda sentia falta da música que não parava, mas o cheiro delicioso que vinha da cozinha quando ele estava lá não deixava mais doer. Nós não retiramos uma foto para colocar outra no lugar. Apenas colocamos uma ao lado da outra. E não deixamos que nenhuma das duas nos trouxessem mais lágrimas.
Notas finais
Se gostou, odiou, viu erros, tem alguma crítica ou dica, deixa um comentário aí me contando tudo ^^
Aqui me despeço 0/
Até mais ♥
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