Notas iniciais
Oláaaa! Cá estou eu com mais uma one SasuHina porque eles são perfeitos!
Desculpem qualquer errinho, foi betada por mim e sempre me escapa algo. De resto, boa leitura pra vocês!

Sempre achei que o bom da vida era ter uma história pra contar. Mas o que vale mais do que a minha história? Sabe... Aquelas coisinhas que passam despercebido como mimos de tias, ou aqueles erros bobos de criança. Aqueles mimos que me confortavam, e que na adolescência viraram um “e os namoradinhos?”. E aqueles erros que me faziam morder o lábio e ficar vermelha tentando não chorar. São coisas pequenas, mas tudo isso tudo está na minha mala cheia de memórias que eu carrego e vou carregar até o meu último dia de vida. E também, tem aquelas pessoas que surgiram na minha vida, não para ficar, mas sim para marcar. E sou muito sincera ao falar que me lembro de todos eles, por isso sei como cada um me marcou. A vida é um dom, e a amizade, uma sorte. Eu posso parecer meio filósofa, mas só sou uma qualquer que teve uma vida recheada de amigos. E é por isso que eu posso falar isso filosofando. Porque aconteceu comigo, porque eu estava lá. Passei por tudo aquilo, vivi, ri, chorei. Posso parecer também uma velha que está à beira da morte e quer comentar os momentos bons que passou. E eu não estou morrendo, só estou saindo da cidade. Ainda assim, meu drama adolescente ainda está vivo dentro de mim e dos meus vinte anos bem vividos.

- Eu ainda não entendo porque você não pode ficar, Hinata... – disse Naruto, enrugando a testa.

Eu estava no café do centro da cidade com alguns amigos, que não paravam de me lotar de perguntas. Eu respondia todas, meio na minha. Eu sou sensível, mas não a ponto de deixar meu pai de lado. Desde que eu me conheço por gente, tem sido ele por mim e eu por ele. Ele podia parecer meio durão às vezes, e até chato. Mas nunca deixou de dar uma passadinha no meu quarto antes de ir trabalhar, e também, trabalhava duro por tudo o que temos. E não é pouca coisa.

- Neji vai ficar. – Completou Tenten, e eu não sei se fui só eu que percebi, mas ela estava feliz por isso.

- Mas não posso deixar meu pai sozinho com a Hanabi. Sabe, ela está passando por aquela fase, e acho que precisa de uma mulher por perto... – dei de ombros, dando a entender que eu preferia que o assunto acabasse ali e que queria aproveitar minha última semana ao lado deles. – E também... – completei, me odiando por dar motivos para mais perguntas. – Não é como se eu não fosse voltar.

- Você sabe que não vai ser a mesma coisa. E você passou por aquela fase, sozinha, já que você está dizendo que seu pai não dá conta...

Não acho que Kiba realmente soubesse do que eu estava falando quando me referi a “aquela fase”. Mas, em todo caso, eu entendi o que ele quis dizer.

- Eu nunca disse que ele não dá conta... – respondi, cansada.

- Você sabe que eu sempre leio as entrelinhas.

Naquela mesa, podia-se encontrar Tenten, Kiba, Naruto – que impressionantemente não tinha falado quase nada até agora -, Sakura e Sasuke. De verdade, os dois primeiros eram os que estavam me enchendo de tantas perguntas, os outros, estavam um pouco aleatórios da conversa. Percebendo isso, Kiba pigarreou.

- O que vocês têm?

Sasuke, de imediato, respondeu:

- Fome. Não poderíamos ter ido num restaurante de verdade?

Sakura riu do que Sasuke disse, como se tivesse sido a piada mais engraçada que ela já ouvira na vida. Quem tinha a convidado mesmo?

- Podemos ir pra outro lugar se você quiser Sasuke... – esse efeito... Tudo o que ele dizia parecia fazer tanto sentido, que era até perturbador. Minhas experiências com Sasuke nunca tinham sido realmente significantes. Mas cada coisinha era importante, afinal. E aí, eu resolvi que precisava ter um momento um pouco mais memorável com ele, nem que fosse um porre. – Pensando bem Sasuke... Acho que preciso falar em particular com você.

- Comigo? – perguntou surpreso, e isso era novo.

- Com ele? — perguntou Kiba, franzindo o cenho.

- Sim, pras suas perguntas – respondi com um meio sorriso.

Sasuke foi andando comigo, um pouco desconfiado, até a praia. Lá eu me sentei, e fiquei olhando as ondas do mar até que ele se sentasse ao meu lado também. E, assim, eu fiz a coisa mais ridícula que eu podia ter feito na frente dele, todo durão e inquieto. Eu chorei. Não me pergunte porque ali, na frente dele. Eu posso dar uma resposta do tipo: “Ele é tão ausente na minha vida, que eu sei que ele não me faria pergunta alguma”.

Mas seria cruel.

- O que há? – e ele perguntou! Essa também é nova.

- Quem se importa? – respondi, sorrindo.

Não era um sorriso de verdade, e eu sabia que ele se importava, só não sabia por que. Mas até que gostava disso, dessa atenção de Sasuke. Quer dizer, ele era bem requisitado e desejado. E eu nunca o vira perguntar nada que desse a entender que estava preocupado para ninguém e porque logo comigo? Eu devia mesmo estar parecendo depressiva.

- É, sério, Hinata. O que houve?

- Eu achei que você não perguntaria...

- Estou sendo incomodo?

Ele não estava.

- Não.

- Então me responda! – Disse, em um misto de autoridade e... Nada. Autoridade.

- Eu não queria sair daqui, de verdade. Tenho ótimas lembranças dessa cidade. Vinte anos aqui, não dá pra apagar. E eu também não quero que virem “boas lembranças” – disse com uma careta, como se fosse clichê demais falar disso. – Não sei se você vai me entender, já que praticamente não sentiria falta de ninguém aqui. – Tapei minha boca, fazendo um pedido de desculpas silencioso, pelo olhar.

- Tão previsível. E eu realmente não sentiria falta de ninguém se eu fosse embora.

Eu considerava Sasuke um amigo, um amigo calado, que sempre esteve presente, não que realmente marcasse presença com sua fala ou algo do tipo. Mas sempre estava lá. E me doeu saber que ele não sentiria falta. Eu sentiria a dele.

- Eu... – continuou. – Não sentiria falta porque a única pessoa que eu tenho certo... Apego emocional está indo embora nessa sexta.

Eu quase perguntei “quem é”, mas ligando os pontos, soube que era eu. Soube, mas não disse. Já pensou que vergonhoso se não fosse?!

- É você, Hinata. — respondeu sério, olhando as ondas que formavam e acabavam perto dos nossos pés. – Você é diferente das outras. Você é bonita e também é inteligente. Não cai matando em cima de mim, me dá espaço pra respirar.

- Quando você diz apegado emocionalmente...

- Exato. Claro que eu não vou te beijar e te pedir pra ficar ou algo do tipo. Vou te dar o espaço que você sempre me deu. E você também não precisa ficar dizendo que me ama nem nada, você não tem que...

Ele estava realmente neurótico, e eu queria que ele calasse a boca logo. Nunca tinha ouvido a voz dele tanto quanto hoje, estava começando a ficar irritada. Por isso selei meus lábios nos dele, só pra que ele ficasse calado. Só por isso...

- Você é mais bonito calado.

Dois segundos depois, eu estava vermelha e rindo igual a uma idiota.

- Eu... Sasuke... De verdade... Desculpa – e eu continuava rindo, vermelha como uma pimenta.

- Está pedindo desculpa por me beijar? – Sasuke sorriu e estreitou os olhos, chegando perto de mim. – Quantas personalidades você tem?

-x-

Cinco dias depois, eu percebi que só havia saído com Sasuke. Estava na véspera de minha ida, e nos encontramos no mesmo lugar daquele do primeiro beijo. Se é que posso chamar aquilo de primeiro beijo.

- Já é amanhã, né?

Ele perguntou um pouco incomodado. Eu batia meus dedos do pé na areia, brincando com aqueles grãozinhos finos. Foi uma pergunta retórica, eu não precisava, e não queria responder. Eu tinha mesmo me apegado à companhia dele. Tanto, que nem tivemos tempo de falar do beijo fracasso, ou de nos beijarmos realmente. Só conversamos, e rimos muito juntos. E se meu coração não tivesse batendo mais rápido por um problema de saúde, eu tinha mesmo me apegado a ele.

- Podia ser igual aos filmes... – respondi, minha voz soava extremamente infantil. – Meu pai podia chegar aqui e dizer que não iremos mais.

- Hinata? – ouvi a voz de meu pai e meu coração bateu mais forte.

Antes que pudesse dizer alguma coisa, Sasuke levantou e estendeu a mão para meu pai. Eu me limitei a olhar para cima.

- Não demore muito, temos que terminar de empacotar as coisas.

Eu assenti e voltei a olhar para o mar. Sasuke sentou ao meu lado logo em seguida, e eu já não ouvia mais os passos de meu pai na areia.

- O que dizia sobre seu pai chegar? – perguntou Sasuke, estralando os dedos preguiçosamente. Eu dei de ombros e respondi.

- Algo como coisas que nunca vão acontecer na vida real.

- Não é como uma despedida, “acabamos” de nos conhecer.

Sasuke deu o primeiro passo – passo certo dessa vez – e me beijou. Eu senti sua linda procurar quase aflita pela minha, num beijo um pouco urgente, quase desesperado. Ele tinha gosto de hortelã e... Uma pontinha de canela. Combinava bem com o perfume cítrico e o cheiro quase imperceptível de seu gel de cabelo. Eu senti meu corpo ser empurrado para a areia, e não liguei para o fato de alguma pessoa poder passar e nos ver assim, Sasuke estava apenas entrando na minha mala de memórias. E eu esperava realmente que não fossem só memórias.

- Eu venho visitar nos feriados... – Sasuke aprofundou o beijo e quando me deu chance de respirar eu continuei – E nos finais de semana também. – ele passou a beijar meu pescoço, dando umas risadinhas com a minha tentativa de puxar sua camisa para que parasse. Não que eu quisesse realmente — E alguns dias da semana, claro. – Finalizei rindo, sabendo, após todos esses beijos, mordidas e futuras marcas no pescoço, que não conseguiria deixar Sasuke preso na minha mala de memórias.

Notas finais
Palmas? Pedras?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!