Memórias Póstumas de Uchiha Obito
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Akari ga oreba kage ga dekiru to itta
Ano hi no kiminokoe ga wasure rarezu ni
Dizem que não pode haver sombras sem luz
E mantive a lembrança de sua voz desde aquele dia
[...]
Tinha sido a pior experiência da minha vida. Não tinha como aquilo não ser um pesadelo, ou um genjutsu daquele velho. Mesmo aqueles caras estranhos dizendo que eram meus amigos, talvez não fosse verdade, talvez todos estivessem prontos pra me enganar. Mas pensar em um velhinho mentido... não podia acreditar. Até que o frio do corpo dela me comprovou a verdade: Aquilo era real, ela estava mesmo morta em meus braços.
Sim, aquilo era real. A morte dela era real.
Minha vida sempre foi solitária. Sem pais, em um clã de prodígios onde mesmo eu me esforçando ninguém me reconhecia. Nem mesmo morando em um clã... sem amigos, família, talvez só mesmo a solidão nas horas difíceis. Eu tinha os velinhos que ajudava, os animais que cuidava e alimentava, mas tudo aquilo não preenchia minha solidão, o buraco no meu coração.
E mesmo minha vida sendo tão solitária, eu não baixava a cabeça, não me entristecia. Porque tinha sonhos. Esses sonhos me moviam... mas um destes sonhos, o maior deles, se foi sem eu nem mesmo ter a chance de poder fazer algo.
Foi demais pra mim. Mesmo sempre procurando fazer meu melhor, mesmo não baixando a cabeça por nada, aquilo era muito... o que aconteceu me abalou de uma forma que não se pode explicar.
E agora... só tinha as lembranças, as lembranças dela... e... a lembrança de sua voz.
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Tsuyoku aritai to negai
Rousoku o keshita yubi
Hi no atsu-sa ni inochi o oboete
Boku no koa ga hajikeru
Eu quero ser mais forte
Como o dedo que sopra a vela
E pode sentir a alma no coração das chamas
Eu explodo dentro de mim
[...]
É isso, no final tudo se resume a força. Eu era mais forte do que as velhinhas pra quem carregava as compras, por isso ajudava. Fico pensando se eu não ajudasse, como elas iriam se virar. Talvez pedissem ao dono da venda pra levar as compras, mas no final tudo voltava ao começo: A força. Se elas tivessem força pra levar por si mesmas, não dependeriam dos outros.
E era isso que eu queria, força. Força pra suportar a dor que estava sentindo ao ver minha amada Rin sem vida. Queria força pra mudar aquele destino. Força pra voltar no tempo e impedir que aquilo acontecesse, mas não a tinha. Eu não possuía o que realmente move o mundo. Tudo se resume a quem é mais forte.
Naquele momento meu peito explodiu. Senti que conseguiria derrotar todos que ousassem tocar no corpo da minha amada. Senti o ódio crescer dentro de mim, e a força que aquilo me deu. Estava em êxtase, sentia que meu corpo a qualquer momento iria explodir. O confronto entre o amor que sentia por Rin, e o ódio que sentia pelo mundo que a tirou de mim era torturante. Não sabia o que fazer. Se escolhesse a vingança, iria renegar os sonhos dela, assim como os meus, mas... não tinha como ser diferente. O mundo sem ela não valia a pena. Não pra mim... não esse mundo.
E a resposta me apareceu. Não esse mundo. Não esse mundo onde ela não existe. Não a realidade.
Essa era a resposta. Mudar a realidade. Eu era um Uchiha, mudar a realidade está no meu sangue, e agora usaria isso pra trazer a Rin de volta.
Não tinha conhecimento de como poderia revivê-la, e também não queria isso. Queria que ela nem mesmo tivesse passado por essa experiência, queria que tudo fosse apagado, que nem mesmo tivesse acontecido. Que a realidade fosse alterada da forma que eu quisesse: Um genjutsu.
Iria fazer isso. Iria realizar o Tsuki no Me que o velho havia falado. Realmente, até parecia que ele tinha visto o futuro. Que ele sabia que eu precisaria desse genjutsu gigante...
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Guren no ai ga kokoro o yaite
Kaze ni mayoeba namida ga ochiru
Kizutsuki nakara mirai shinjite
Mata saki e sonosakihe
O amor carmesim chamusca meu coração
Se eu vagar contra o vento irei chorar
Mas eu vou suportar minha dor por acreditar no futuro
Em que está à frente e além
[...]
Todo dia que raiava, era um dia a menos pra ver minha Rin. E era isso que me motivava a continuar. Não mais queria o miserável posto de Hokage, mesmo tendo feito uma promessa à Rin, o que estava fazendo era mais importante que ser Hokage. O Hokage só pode trazer felicidade à vila da Folha, já em um genjutsu, todos podem ser felizes. E sei que isso deixaria minha Rin ainda mais feliz...
Aquela coisa de genjutsu mundial era algo mais complexo do que eu poderia imaginar. Tive que fazer sacrifícios, passar por cima de pessoas, até mesmo matar sem motivo. Ao longo dos anos fui aprendendo a fazer aquilo sem chorar a noite por fazer coisas que julgava erradas, mas mesmo assim, a dor de fazer coisas erradas me consumia.
Um dia chegava atrasado à missão por estar ajudando alguém a pintar a casa, no outro estava cravando uma kunai no peito de um homem inocente. Mas um dia eu tinha que amadurecer, não fazer só aquilo que me deixasse feliz, e sim o que era preciso.
Tantos anos, tantas lutas, até mesmo contra meu próprio sensei, e os preparativos ficaram prontos. Logo estaria com minha Rin novamente.
Foi estranho ver todas as grandes aldeias unidas pra nos deter. Desde que a Rin se foi, eu sempre achei que aquilo não era possível. Que vilas inimigas sempre seriam inimigas. Mesmo acreditando em um mundo unido quando criança, quando se é forçado a crescer, o pensamento muda.
Mas mesmo assim... era inútil. Éramos muito fortes pra eles. Mas eles não desistiam, tinham algo em que se apoiar, assim como eu tinha a Rin.
E por ironia do destino, o pilar de sustentação deles era um jinchuuriki, a quem todos odiavam por ser o receptáculo de demônios.
Eu e ele, o jinchuuriki, passamos boa parte da guerra travando nossa própria “guerra fria” (N/A: Pelo menos essa analogia foi melhor do que a da copa do mundo em Saikai hehehe). Nossa guerra de idéias. E eu estava pra ganhar.
Ele disse que não deixaria que seus amigos morressem, mas... não teve como evitar. E isso o desesperou. Ele iria se render, iria se entregar e admitir que eu estava certo e que essa realidade não presta. Mas eu não contava que ele tivesse alguém que realmente se importasse com ele, que daria a própria vida em troca da dele, alguém como a Rin...
Ela era bem parecida com a Rin. Não fisicamente, mas sim na forma como se movia, como falava e como tratava o Naruto. Era meiga, doce, gentil e atenciosa. Suas palavras eram serenas, e me fez lembrar da Rin. Acho que só por isso não a matei quando ela fez o Naruto desistir de se entregar a dor. Sim, ela conseguiu convencê-lo a continuar a lutar. Fiquei enfurecido com ela, mas a semelhança com a Rin me fez deixá-la em paz.
E também, acho que não conseguiria fazer isso com os dois. Estava claro que eles se amavam, talvez ele ainda não soubesse muito bem disso, mas para mim estava claro. Destruir o amor deles seria horrível de mais. Provavelmente eu faria isso, quebraria os laços deles para executar o Mugem Tsukiomi, mas faria isso com todo o meu corpo tremendo.
A questão é que ela conseguiu convencê-lo, e a guerra se estendeu. E eu estava ansioso de mais pra ver minha Rin. Eu não saberia que era um sonho mesmo, pra mim seria a realidade...
Meu corpo inteiro me mandava lutar, lutar para reencontrar com a mulher que amo e sempre vou amar. E a chama da batalha consumiu meu corpo. A guerra continuaria.
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Gareki no sora wa bokura no kizuna
Osou ma yakarashi ke chirashite yaru
Tatakai no hate ni nani mo nakute mo
Mata saki e sonosakihe ikou
O céu em ruínas é o nosso laço
Para destruir essas mentiras e falsidades que nos atacam
E mesmo que no fim esta batalha nos tenha sido em vão
Vamos seguir para o que está à frente e além
[...]
Matei mais do que em toda a minha vida, em apenas alguns minutos. A batalha de ideais continuava, e desta vez eu estava me vendo sem saída. Os argumentos eram claros e verdadeiros, acho que a garota que parece com a Rin despertou algo no Naruto, ele estava mais maduro em seus argumentos, e falava como um homem.
Percebi que eu não estava fazendo igual... eu não estava sendo um homem, assim como minha Rin merece.
Eu estava fazendo exatamente o que ela não queria, estava desistindo de nossas idéias, de nossas vidas!
Eu prometi que me tornaria Hokage, e infelizmente essa promessa não tinha mais como ser cumprida, mas ainda era tempo de me redimir, nem que fosse um pouco.
Ao longo da guerra houve várias reviravoltas, e acabou com a aparição da deusa Coelho, Otsutsuki Kaguya...
Ela com certeza era um adversário mais complicado do que eu ou Madara, e a situação já estava bem difícil. O Mugem Tsukiomi foi ativado, e quase toda a população do mundo caiu no genjutsu, sobrando somente aqueles que são a chave para a vitória, eu, uma tal de Sakura e o Kakashi.
A luta realmente não era nossa, Sasuke e Naruto eram os únicos que podiam bater de frente com Kaguya. Nós três éramos apenas pesos...
Mas ao longo da luta consegui uma chance de fazer algo bom depois de tantas coisas que fiz, meu poder foi útil para juntar novamente Sasuke e Naruto que haviam sido separados por Kaguya.
Mas ainda tinha espaço para mais um ato de heroísmo de minha parte. Kaguya atirou projeteis em direção à Naruto e Sasuke. Se um daqueles dois morresse, seria o fim do mundo, e eu não mais queria isso. Não mais era influenciado pelas idéias do Madara, por todo o teatro que ele armou para a minha vida. Havia me libertado dos cabos.
Kakashi e eu estávamos dispostos a nos sacrificar para proteger o futuro, mas eu não queria ter meu momento a sós com a Rin atrapalhado pelo Kakashi, mais uma vez o salvei...
A morte não é algo a ser temido, e sim respeitado. Quando se teme a morte, ela te alcança, quando você a respeita, ela retribui e só aparece na hora marcada. Não sei em qual dos casos eu me encaixo. Passei a vida sendo um ninja renegado, obscuro, sempre procurando a morte, e ao meu ver, aquele era o momento certo pra eu morrer, ou seja, ela veio na hora marcada, até parece que ela tem relógio...
Mas tenho muito a agradecer a ela, pois pude reencontrar minha Rin. Ela estava brilhando, cintilando... tão linda... só podia pedir desculpas por tudo o que fiz. Não cumpri minha promessa, e ainda por cima me tornei alguém que ela certamente detestaria.
Sei que ter sido influenciado por alguém como o Madara não era uma desculpa muito convincente, na verdade eu queria só olhar pra ela e que ela me perdoasse, não tinha porque ela me amar, mas ela amava. Eu sabia que ela me amava, e ela me provou isto.
Me perdoou, entendeu minha situação, e me beijou.
Sim, aquele beijo que dei na foto, agora se tornava realidade. Nos lábios dela, quentes e macios. Podia sentir que ela me amava só com aquele beijo... com os toques macios que ela me dava.
Achei que quando a reencontrasse, não conseguiria conter a alegria. Cheguei até a imaginar que desmaiaria ou coisa assim, mas não, me senti tão calmo que parecia que estava flutuando em nuvens.
Conversamos por mais um tempo, ela disse que estava me esperando. Demos as mãos... e caminhamos juntos em direção à eternidade....
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