- Seria possível eu ter acesso a canais fechados do meu quarto?
A recepcionista do hotel revirou sutilmente o nariz pontudo, olhando para as vestimentas de Near, e seu jeito peculiar de andar, um jeito semelhante a alguém que não estava mais presente neste mundo.
- Sabe que isso lhe custará um acréscimo na diária?
Near fez que sim com a cabeça.
- Deseja que eu adicione Playboy TV?
Near revira os olhos, era certo de que ela estava achando que ele fosse um tipo de pervertido.
- Eu preciso adicionar esse canal pra ter acesso a rede de noticiais dos outros países?
- Este é o pacote — ela respondeu apática.
- Eu não posso escolher que canal eu vou ser obrigado a pagar?
- Isso vai alterar o preço.
Near bufa, sem alterar a emoção inabalável.
- Mas eu não vou assistir maioria dos canais adicionados, eu só preciso do canal de noticias.
De repente as feições de tédio da moça e o chiclete sendo torturado dentro da boca da mesma começaram a lhe irritar.
- Adiciono o Playboy TV?
Near ainda paralisado e com uma expressão ainda mais tediosa que a da moça revirou os olhos e forçou um gemido dramático.
- Se isso lhe fará feliz, adicione a droga do canal!
- Sua transmissão será estabelecida em minutos, obrigada — ela disse numa voz robótica e sem um pingo de simpatia.
Near revira os olhos e se vira, a moça cochicha alto com a companheira que estava ao seu lado.
\"Ele é tão estranho, passa a maior parte do tempo digitando em um notebook e fica sentado feito um macaco\"
\"Mas ele até que é bonito\"
\"Ahh faça-me o favor!\"
Near tosse uma risada debochada e pega o elevador em direção ao seu quarto.
\"Estamos começando mais um \"Reino de Kira\" Onde estará nosso mestre? Por que seus julgamentos estão mais concentrados nos EUA e outros países próximos? É claro, que ele é Deus, e não deve ter nos esquecido!\"

- Argh! TV Sakura, sempre a TV Sakura!
Near caminha pelo quarto, pegando o notebook e o conectando em um dos cabos da TV, fazendo com que o notebook servisse como uma segunda TV sintonizando outro canal.
\"Compre camisetas, bottons, adesivos, e outros produtos do nosso herói, Killer!\"
- É incrível como a charlatanice ataque rápido a mente humana.
Near, enquanto assistia os canais, brincava com uma caneta nas pontas dos dedos, a girando habilmente.
\"Kira/Killer continua deixando de lado assassinos do Japão, já é mais que fato que ele não seja japonês, Soichiro, hmmm Soichiro... As minhas suspeitas não alteraram em nada sobre ele, mesmo sendo uma criança e possivelmente movida por sentimentos, pelo pouco que o conheço, ele não seria tão imaturo em matar o treinador tão claramente, e tão as minhas vistas, há uma margem de pelo menos 5% que eu esteja errado, mas mesmo assim, Soichiro seria mais estratégico e escolheria um horário para a morte, mas minhas suspeitas sobre ele ainda não somem por completo...
Near disca rapidamente um número no celular.
- Alô?
- Gevanni?
- Sim, pode falar Near.
- Você estava reclamando de falta do que fazer, não é?
- Em que está pensando?
- Preciso que venha pra cá, vou precisar muito de seus serviços investigativos, é isso aí, vamos trabalhar.
Gevanni sorri.
- Estarei indo pra aí amanhã de manhã.
- Nos vemos amanhã então.

[primeiro dia]
- Está tudo pronto Near...
- Ótimo — Near murmurou inerte, os olhos petrificados em um ponto fixo no nada, os dedos revirando a típica mecha de cabelo.
Gevanni fechava uma maleta, enquanto analisava vagamente o estado crítico do quarto de Near.
- Você já sabe o que deve fazer não é?
Gevanni sorri.
- Sim, é claro que eu sei.
- Ótimo, qualquer coisa, sabe onde me encontrar.
***
Nome: Harper Brandon Castillas, Idade: 45 anos
Etnia: hispânico.
Harper sai de casa às 6 e meia da manhã, pega uma bicicleta e vai até a floricultura todos os dias, das 7 horas, às 18:30, aos sábados e Domingos trabalha até 14:00.
É viúvo e não possui filhos, mora há 20 anos em Jacksonville, alcoólatra em estado quase crítico, fuma excessivamente, os vicios têm aumentado significativamente após a morte da esposa.
Possui uma vida profissional quase tão regrada quanto a de Mikami, não se atrasa um segundo sequer para abrir a floricultura, e nem para fechá-la.
Depois de 18:30 fecha se em seu quarto e toma muitos copos de Wisky e depois caindo no sono literalmente.
- Você não sabe o horário exato em que ele se fecha no quarto?
- Os horários se alternam entre mais ou menos, meia noite e duas horas da manhã.
- Você não soube como a mulher morreu?
Gevanni estalou a língua, como se estivesse limpando os dentes com a mesma.
- Me parece que ela levou um tiro de uma bala perdida, alguns conhecidos não quiseram dar muitos detalhes.
Near rascunhava habilmente em uma folha de papel.
- Preciso que você continue o observando, assim como fez tempos atrás, e mais que isso, se não for pedir muito...
Gevanni se estica na cadeira, parecendo tenso.
- ...Se for possível, gostaria que implantasse algumas câmeras na casa e na floricultura de Harper.
Gevanni arregalou os olhos sutilmente, e logo depois assentiu.
- Eu farei o possivel.
[segundo dia]...

Às exatas 6:30, ele sai de casa, pega a bicicleta e vai em direção a Floricultura.
No caminho não fala com ninguém, e não olha pra ninguém, ao chegar na floricultura, liga o rádio na emissora local, e fica na mesma emissora até o final do dia quando fecha a loja definitivamente.
Parece que o único prazer que sente é quando cultiva as rosas.
e outro detalhe que parece ser crucial...
Parece ser simpatizante de Killer...

- Colocou as câmeras? — Near perguntou, observando Gevanni instalando alguns fios e os conectando ao notebook de Near, e mais a alguns outros que Gevanni trouxe.
- Sim, como pediu, há cinco câmeras na floricultura, dentro e na parte da loja, e sete câmeras na casa.
- Estou muito satisfeito com seus serviços Gevanni.
- Obrigado.
Near se senta na cadeira, enquanto Gevanni termina de instalar os cabos aos notebooks, quando de repente seu celular toca.
Meio indeciso resolve atender, Gevanni fica em silêncio e só observa.
- Alô?
- Alô, L?
- Sim, sou eu mesmo, Geremy?
Gevanni arregalou os olhos, olhando surpreso a calma de Near ao receber a ligação.
- Sim, sou eu mesmo — a voz soou tímida.
- Sim, o que gostaria?
- Bem, queria... er, bem, eu vou ser sincero, queria que compartilhássemos a investigação.
- Compartilhar?
Geremy engoliu em seco.
- Eu não sei o que eu sou comparado ao melhor detetive do mundo, mas tenho algumas pistas...
- Pode continuar — Near murmurou, um sorriso se formando.
- Bem, já que eu tenho ligação intrínseca com a policia, eu posso auxiliá-lo, e lhe dar cobertura para o que for, e quanto as pistas, logo depois de algumas mortes, eu percebi, que sempre ao lado dos corpos, há uma rosa vermelha.
\"Então quer dizer que agora esse simbolismo está freqüente.
- Quantos corpos você analisou até agora? Se não for incômodo responder.
Geremy sussurrou uma conta e depois respondeu convicto.
- Foram treze corpos inspecionados.
- Ahh, interessante... E todos eles você diz, terem rosas vermelhas ao lado?
- Sim, é isso mesmo, eu ...

- Você?
- Bem, eu, não sei se isso é loucura, mas acho que há possibilidades de que haja um outro Killer...
\"É exatamente o que eu penso...\"
- E posso saber por que chegou a essa conclusão?
- Bem, eu não tenho certeza, mas me parece que esse Killer age de forma diferente, por isso há suspeitas de que ele possa ser outro.
- Sim, o fato dele deixar rosas próximo ao corpo, é um indício de que ele age diferente, muito bem observado, eu tenho algumas suspeitas, mas se não se importa prefiro mantê-las em sigilo.
- Se assim prefere, e se precisar de qualquer coisa, não hesite em me contatar.
- Não se preocupe, farei isso quando precisar.
Gevanni havia se sentado na poltrona do canto do quarto de Near, a poltrona que L costumava usar pra suas aparições repentinas, ahh L...
- Está tudo instalado?
- Sim, como nos conformes.
Haviam quatro notebooks espalhados em prateleiras, e cada um mostrava alguns ângulos de algumas cameras, alternando pra outras, nas telas, Harper caminhava tranquilamente com maços de rosas nas mãos.
- Eu vou ir para o meu quarto, qualquer problema me avise.
- Você pediu um quarto aqui?
- Sim, eu estou em um andar acima do seu por sinal.
- Ah sim, não se preocupe comigo, somente com as investigações.
Gevanni se levanta e caminha até a porta e sai, a fechando suavemente.
Depois de tanto tempo observando a rotina medótica e sem nenhum movimento suspeito ou algo fora do comum de Harper, inconsequentemente acaba pegando no sono, na mesma posição em que estava, pousando o rosto em cima do joelho.
Um sono que durou menos de minutos.
\"Hei, eu já não te disse que não preciso de você aqui?\"
Harper finalmente diz algo, depois de quase um dia inteiro calado, e mais, não havia absolutamente ninguém, que o acompanhasse.
\"O que? Não, nada disso!\"
Near arregalava os olhos freneticamente, enquanto acompanhava as imagens brilhantes no monitor.
\"Isso, é... um absurdo Ryo, absurdo, minha vida? Pela metade...\"

Near deu um salto brusco pra trás, derrubando a poltrona onde estava.
\"Isso é tão claro, que eu nem quero acreditar...\"
Near se arrasta, pegando o celular.
- Gevanni?
A voz sonolenta de Gevanni relutava pra responder com clareza.
- Sziim?
- Conseguimos, pegamos ele!
Gevanni se engasga.
- Venha agora para a recepção do hotel, estarei lhe esperando lá.
- Está bem.
Near desliga o telefone e logo disca um outro número, ansioso.
- Geremy?
- Pode falar L...