- Isso é simplesmente fascinante — Near murmurou fechando o caderno — Se esses diários forem realmente de L, eu não faço ideia do quanto irei aprender com isso, aprender sobre o meu mentor, primeiro eu preciso descobrir a fonte dessa entrega, por via das dúvidas mesmo assim, irei guardá-los com exímia segurança.
- Near? — Halle bateu suavemente na porta — Está tudo bem?
\"Droga!\" pensou Near \"Eu preciso de um tempo pra que eu possa esconder em um lugar melhor os cadernos, eu tenho quase certeza de que eles irão procurá-los\"
- Sim, está tudo bem, Halle.
Ela fungou, parecendo convencida e então eu ouvi seus passos com salto alto pelo corredor.
Near amarrou todos os cadernos em ordem com um elástico grosso e resistente, os colocando em um plástico coletor de pistas, os guardando dentro de uma parede falsa de livros em uma das salas do QG.
- Aqui está perfeito, as fitas de vídeo e DVDs ficarão seguras aqui também — ele murmurou fechando o fundo falso e depois a parede de livros de fachada.
Near deu um salto da cadeira e saiu.
- Onde você vai Near? — Gevanni perguntou entre um gole e outro de capuccino.
- Preciso dar uma saída, e por favor, não me sigam, detesto quando fazem coisas sem o meu comando.
Gevanni engoliu seco, assentindo.
- Sim, senhor.

Near caminhou rapidamente em direção a uma papelaria.
- Bom dia — uma moça sorridente que tinha o nome Mizuki escrito num crachá dizia ao ver o estranho rapaz de cabelos brancos entrar em sua loja.
- Bom dia, gostaria de uma informação — Near se antecipou — Há quanto tempo sua papelaria está no mercado?
Ela sorriu.
- Há muitos anos, pra ter certeza de quanto eu precisaria confirmar com meus patrões, mas é isso mesmo.
Near estreitou os olhos, colocando uma das mãos no bolso.
- Preciso saber se vocês ainda vendem caderno brochura com folhas similares a papiro.
A moça o encarou assustada.
- Nós paramos de vender há uns vinte anos atrás.
Near franziu o cenho e estreitou mais uma vez os olhos negros.
- E existem papelarias que vendam ainda?
- Não, é um produto obsoleto, senhor.
Near estreitou as sobrancelhas, recuando do balcão da vendedora.
- Posso ajudá-lo em mais alguma coisa?
Near sorriu, parecendo rir de uma piada interna.
- Não, arigatou.
Ela se curvou sutilmente enquanto Near saía da loja.
- Mais uma prova de que aquele caderno pode ser realmente de L, mas eu ainda preciso saber o remetente, talvez eu precise continuar lendo, quem sabe eu não tenha todas as respostas ao meu alcance?
Near andou de volta ao prédio, com as mãos no bolso da calça de moletom branco, uma camisa branca de botões e um All Star surrado azul marinho.

- Muito bem, vou pular aqueles primeiros, e vou direto para os dezoito anos — sussurrou Near pra si mesmo, ignorando os agentes o crivando de perguntas, sobre onde ele estava, com quem, e porque fora.
- Me dêem mais um minuto por favor — Near pediu, antes de abrir o esconderijo secreto dos cadernos.
Os agentes assentiram, fechando a porta, a pedido de Near é claro.
Ele então puxou uma combinação perfeita de livros e depois abriu uma segunda camada, que protegia os tais cadernos.
- Vamos ver — ele murmurou pegando o caderno dos dezoito anos em mãos.

Terça-feira, 15 de Abril de 1997.
Já faz dezessete anos que saímos do Japão, e há quatro eu embarco na meu primeiro desafio, há alguns anos Watari me perguntara.
- Filho, o que você quer ser quando crescer?
Eu, com os olhos brilhantes e grandes totalmente empolgado dizia: — Quero ser advogado, senhor Watari.
Ele, com os olhos arregalados e sorrindo me perguntava: — Por que tanto interesse assim na advocacia?
Eu apenas dava de ombros e respondia: — Quero proteger as pessoas boas.
Watari ficava pensativo de repente e me respondia: — Nem sempre as boa são boa pequeno L.
Desde então eu aprendi que realmente nem todas as pessoas são boas, e então meu sonho tomou um novo curso, pra algo que eu faria pra desmascarar essas pessoas que não fossem boas, e não apenas com hipóteses, mas sim com provas físicas, foi então que descobri o amor por ser detetive.
Como muitos anos, meu \"pai\" Watari me chamara de apenas \"L\" resolvi usar isso como meu pseudônimo, podia dar certo, foi então que encarei meu primeiro caso, o assassinato de um artista muito conhecido por Nova York, apresentei minhas ideias ao FBI e eles riram da minha cara, já que eu tinha apenas 16 anos, além de ser jovem eu não tinha nenhuma formação acadêmica em ser detetive, assim, vendo minha frustração, Watari resolver me ajudar, me dando apoio, tanto econômico como pessoal, ele, diferente dos outros, acreditava em meu potencial, foi desde então que assumi a simples alcunha de \"L\"

E sem sequer mostrar meu rosto resolvi o assassinato, o caso que indicava sem dúvida alguma o pai da própria vítima, que a polícia federal e o próprio FBI batera tanto a cabeça pra encontrar, logo abaixo há algumas anotações e observações que seguem o caderno anterior, que eu fizera durante o caso...
O FBI se surpreendera com minha eficiência, o primeiro detetive que resolve um caso sem sequer se envolver fisicamente nele, eles então me chamaram pra trabalhar junto com eles, mas agora seria a minha hora de revidar, eu então neguei trabalhar com eles, disse que trabalharia por conta própria, que eu escolheria os casos em que eu quisesse me envolver, e que só me chamassem em caso de extrema urgência.
Eles somente concordaram, desde então eu comecei a mergulhar de cabeça no mundo dos quebra-cabeças, eu não escolhia os casos que mais me agradassem, ou os que mais me simpatizassem, eu escolhia aqueles que me imponhassem mais desafios, aqueles que fossem mais excitantes e estimulantes pra se resolver, desde pequeno eu tenho essa atitude, de entrar no jogo mais complicado de todos e não saber perder (uma coisa que nunca acontecia).
O meu maior sonho sempre fora encontrar um adversário a altura do que eu almejo, alguém que não me dê saídas, alguém que tenha o mesmo tipo de atitude infantil que eu tenho, a de entrar em um jogo e nunca querer perder.


- Me parece que esse realmente é o L — Near murmurou fechando o caderno e pegando outro aleatoriamente, pescando enfim o ultimo deles.
- A idade que ele tinha, ao se envolver no caso Kira — Near pegou o caderno e o ergueu, o avaliando, ele estava grosso de anotações, anexos, fotos, clips dobrando páginas pra que segurassem mais e mais anotações, tudo aquilo indicava que o caso Kira havia sido o mais tenso, o mais... excitante, estimulante.
Near abriu o caderno e o folheou, atentamente.

Sexta-feira, 13 de Junho de 2006.

Eu estava de volta ao Japão, eu fiz questão de que ninguém, absolutamente ninguém soubesse disso, apenas eu e Watari, todos estavam alvoroçados com a descoberta de um novo herói, um herói que vingava pessoas julgando criminosos com a morte.
- Você está bem? — Watari perguntou me trazendo uma xícara de café.
- Sim — pisquei algumas vezes saindo de meu devaneio — Eu só estou pensando.
Ele então olhou para a televisão, parecendo entender o que prendia minha atenção.
- Não está pensando em tentar desvendar quem, ou o que, está matando eles não é?
Eu apenas sorri, com os olhos ainda vidrados na tela, um sorriso que muitos diriam ser psicopático.
- É muito perigoso Lawliet — ele advertiu.
Eu não respondi, eu não iria me envolver pessoalmente no caso.
- Yokohama, Osaku e Tóquio — murmurei apontando para a televisão.
- O que? — Watari murmurou assustado.
- Não vê? São todas cidades vizinhas da capital, e são todas do Japão, parece que o nosso herói é japonês.
Watari franziu o cenho, concordando.
- Já vi que eu não vou conseguir te segurar, não é?
- Não mesmo — afirmei olhando pra ele com um sorriso malicioso — Somente precisamos saber se a polícia já está envolvida no caso.
- Você sabe que eles não irão lhe chamar.
Estreitei os olhos.
- Você sabe que eles querem me chamar.
Watari sorriu e deu um suspiro.

Near então pulou algumas páginas do caderno, uma foto caíra no chão, uma foto tirada de uma parede com um pentagrama desenhado com sangue