Memórias Póstumas
17 Aviso
Near aluga um carro próximo ao estacionamento do hotel, e dirige na velocidade que estava acostumado, ou seja, pisando fundo no acelerador.
\"Auto Escola é muito util sabia?\"
L estava de cócoras no banco do passageiro, segurando seus joelhos.
- Morrer você não vai, então...
Ele somente sorriu.
- Chegamos, e por favor, não faça nada pra chamar atenção.
\"Olha só, me dando ordens, hunf!\"
A mesma recepcionista coincidentemente estava lá, ela era pequena, uma beleza suave, cabelos castanhos que batiam na cintura e pele muito clara, e que estranhamente fazia com que Near se sentisse estranho.
- Bom dia — ele murmurou.
- Olá! Você veio!
- Sim — Near coçou a nuca — Eu vim.
- Bom, então vamos fazer seu cadastro.
Enquanto a recepcionista rascunhava rapidamente algumas coisas em uma prancheta, Near observava discretamente o local.
- Er como é seu nome?
Ela sorriu e desvirou o crachá sobre o peito.
- Susan — ela disse sorrindo, acompanhando o próprio nome com a ponta dos dedos.
- Hmm, Susan, bem, seu pingente é muito bonito, onde você o comprou?
Ela arqueou as sobrancelhas, e buscou no pescoço pálido, uma correntinha de prata, com um pingente de clave de Sol embutida numa clave de Fá, formando um coração.
- Bem, este pingente eu ganhei, mas... porque a pergunta?
Near permanecia na mesma posição curvada, e com as mãos no bolso da calça frouxa de moletom.
- Eu só queria saber, sabe... quero dar de presente.
Ela pigarreou sutilmente, piscando algumas vezes, sem olhar nos olhos de Near.
- Sua namorada? — ela murmurou desconcertada.
- Talvez — ele sorriu esfregando a nuca novamente.
Ela sorriu, depois de abanar a cabeça quase milimetricamente.
- Está aqui, está é sua inscrição, você pode aguardar na sala de espera ou no ginásio.
- Muito obrigado.
\"Que história é essa de pingente?\"
- Shhhh... — Near sussurrou.
\"Você só fez um teste pra saber se ela tem namorado não é?\" L, deu uma gargalhada.
\"Acredite, eu sei bem como é, eu também já fui galante\"
- Eu não estava sendo galante, e espera aí, você o que?...
L gargalhou guturalmente.
\"Não se faça de bobo, eu só era mais discreto com as mulheres e...\"
- Argh, cale a boca, por que ultimamente você não some como antes?
L se silenciou, o dedo indicador em frente ao lábio inferior, o silêncio mórbido, fez Near se arrepender das palavras que usou, porém não se manifestou, cada um se manteve em seu silencio.
Soichiro estava caminhando pelo ginásio, tirando as luvas e depois o colete protetor, espiando por debaixo da franja lisa e castanha, Near se aproximando.
- Err... Olá, de novo — Near murmurou.
Soichiro olhou para os lados hesitante, e depois espiou o rosto de Near, através da franja novamente.
- Oi.
- O que houve? Eu me inscrevi aqui, vamos nos ver frequentemente.
- Legal.
Near se afastou, e se curvou um pouco mais, avaliando o rosto de Soichiro, que parecia menos iluminado que outras vezes.
- O que foi?
Ele engoliu em seco, colocando o capacete embaixo do braço.
- Minha avó disse pra mim não conversar com você.
Near sorriu abafado.
- Quer dizer que ela acha que eu sou perigoso?
Ele fez que sim com a cabeça, parecendo tímido.
- É porque você não me conhece direito — Near esticou uma mão pra Soichiro — Muito prazer, meu nome é Near.
Soichiro olhou assustado pra mão magra e grande de Near que estava em sua frente, e depois a pegou, meio com receio.
- Como eu posso confiar em alguém que se chama \"perto\"?
Near gargalhou.
- É bom ver que seu inglês é fluente, e acredite, eu também não gosto do meu nome.
Ele sorriu.
- Se é assim, eu não sei porquê, mas eu gosto de você.
- Isso é muito bom — Near assentiu com a cabeça — Você está treinando?
- Eu estou na minha parada para o lanche, depois de meia hora tenho que voltar.
- Quer tomar café comigo? Eu soube que aqui ao lado há a melhor cafeteria da Florida.
Soichiro estreitou os olhos, olhando Near de lado.
- Você não confia em mim? — Near murmurou, se curvando, colocando as mãos no bolso.
Soichiro deu de ombros.
- Tudo bem então.
E então saíram do ginásio, Near o avaliava com cautela.
- Aqui tem sorvete? — Soichiro perguntou.
\"Espero que sim\"
Near olhou torto para o fantasma e depois respondeu pra Soichiro.
- Eu creio que sim.
- Legal, vou querer de chocolate.
- Soichiro, o que você acha sobre seu pai ser um policial?
Ele sorriu, uma garçonete dava a volta por ele, colocando uma taça de sorvete em sua frente.
- Eu acho muito divertido, eu gosto de apostar com ele quem resolve um caso primeiro.
\"É um apostador...\"
- Ahh é mesmo? Quer dizer que você gosta de solucionar casos?
Ele deu uma colherada saborosa no sorvete e depois fez que sim com a cabeça.
- Papai quase sempre perde de mim, e isso é o mais divertido.
\"Não gosta de perder...\"
- Você sabia que seu tio também gostava de solucionar casos com o pai dele?
Soichiro de repente se enrijeceu na cadeira, olhando fixamente para o sorvete.
- Eu não conheci meu tio.
- Não ouviu nem falar dele?
Ele deu mais uma rápida colherada no sorvete, engoliu e depois respondeu.
- Eu já o vi por fotos, mamãe fala muito dele, e eu gosto de como ela fala sobre ele, ele foi um homem muito bom, e justo, gosto de como ele via a sociedade, e de como a criticava.
\"Ele tem admiração por Raito...\"
- Vejo que o nível de nossa conversa está se elevando, caro Soichiro.
Ele sorriu, passando a colher pelos lábios pequenos e rosados.
- Eu soube que tio Raito abominava o modo como os criminosos era julgados.
Near sorriu, quase secretamente.
- E você concorda com ele nisso?
Soichiro olhou fixamente pra Near, piscando confuso.
- Eu não sei, mas você concordaria se não houvesse punição devida pra quem merecesse?
\"Ele está revidando...\"
- Você tem razão, a punição devida é realmente necessária.
Soichiro parou por instantes, saboreando novamente o sorvete.
- Posso te contar uma coisa? — Near murmurou enfim, quebrando o silêncio.
- Sim — Soichiro murmurou com a boca cheia.
- Eu sou um detetive.
Soichiro arregalou os olhinhos cor de chocolate.
- É sério? Que legal!
- Sim, é sério.
- E que tipo de detetive você é?
- Os de investigações criminais.
Os olhos de Soichiro brilharam sutilmente, acompanhados por um sorriso envolvente.
- Você tem algum caso em mãos?
\"Eu não sei porque, mas já imaginei que ele fosse perguntar isso...\"
- Não, por enquanto não tenho nenhum.
Soichiro estreitou os olhos, sorrindo torto.
- Como eu posso acreditar que você é mesmo um detetive, você deve estar tirando uma onda com a minha cara.
Near sorriu.
- Não, eu sou mesmo um detetive, se quiser pode perguntar ao seu pai, ele confirmará.
- Meu pai nunca falou sobre nenhum detetive Near.
Near se encostou na cadeira, tendo uma vista panorâmica do rosto de Soichiro, que era estampado o rosto de Raito.
- Mas eu creio que ele já deve ter falado sobre o detetive L.
Soichiro larga a colher sobre o resto de sorvete, o abandonando por completo.
A imagem de L, ao lado de Near, o olhava abismado.
- L?
Near sorriu.
- Como eu posso acreditar que você é L? — Soichiro murmurou, a boquinha séria e pequena contornada por um bigode de chocolate.
- Não é necessário que você acredite — Near murmurou, tomando um gole de café.
Soichiro piscou algumas vezes.
- Caramba!
- Eu não devo avisar que isso é um segredo vital e que você deve guardá-lo com sua própria vida, não é?
Soichiro fez que sim o cabeça, os olhinhos ainda apreensivos e sutilmente arregalados.
- Eu não vou contar a ninguém.
\" Ahh, de repente Dejavús ficaram tão comuns e minha vida de morto!\" L dramatizou.
- Eu acho que precisamos voltar, meu treinamento já vai recomeçar.
Soichiro olhou em um pequeno relógio no pulso pequeno e esquálido.
- Tudo bem, vamos voltar — Near concordou.
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