Memórias - Interativa

16 A Confissão de Tania e o Segredo do Dom


Notas iniciais
Por favor, postem nos comentários que personagem enviaram para mim, pois aconteceu um problema e os links que vocês enviaram de seus perfis do Nyah não estão funcionando XD

Ontem, passamos várias horas tentando descobrir o que aconteceu, mas só chegamos à uma conclusão, e mesmo ela é incerta: eu fui a causa daquilo. Afinal, só eu conheço os Rangers bem o suficiente para saber das capas peculiares, das facas e do escudo de Carvalho.

Decidimos não contar para ninguém o que havia acontecido; nem me lembro direito os argumentos que usamos na discussão.

Agora, eu estou em um dos raros momentos que dedico ao treinamento. Quase não usei a Mesa de Treinamento desde que cheguei aqui, mas é o que eu e Tania estamos fazendo agora.

A ilusão de ontem e a Mesa de Treinamento seguem o mesmo princípio: em ambas a gente sente, cheira, vê e ouve. A única diferença é que as ilusões da Mesa têm um objetivo fixo e bem-definido.

O Treinamento de corrida de obstáculos se passa em um campo infinito, de grama baixa e verde até onde a vista alcança, com uma faixa asfaltada de mais ou menos 3 metros de largura contínua e interminável repleta de barras, muros, muradas, cones e outros obstáculos.

Eu e Tania estamos correndo no que meus professores de educação física chamariam de ‘intermediário entre o ‘meio-galope’ e o ‘trote’, um ritmo constante e regular que podemos manter com facilidade.

Em determinado momento, Tania me pergunta:

– Bel – ela salta sobre um cone, dando uma pausa na frase – o que você acha do Mitch?

Estranho a pergunta.

– Ele é legal. É um grande amigo e acho fofo como ele tenta me proteger... ele é meio protetor com todo mundo, mas comigo é tipo superprotetor... – respondo, com sinceridade.

Ela fica em silêncio por alguns segundos.

– Você não gosta dele como... sei lá, namorado?

A pergunta me pega de surpresa.

– Bom, como eu disse, ele é um grande amigo, é simpático e fofo, mas não, não gosto dele desse jeito. É mais como um irmão mais velho daquelas histórias de ficção – comparo. Eu tenho uma irmã um ano mais nova, e sei que muito do que se conta nas histórias é a mais completa ficção – pelo menos, para a maioria dos irmãos. Tania talvez tenha um irmão ou conheça alguém que tenha, pois parece entender o comentário.

– Mesmo? – ela indaga.

– Mesmo – confirmo. – Por que?

– É que... – ela fica em silêncio por algum tempo, salta por cima de uma barra e desvia de um cone. Por fim, respira fundo e completa – eu gosto do Mitchel.

.

A resposta me pega desprevenida. Cambaleio por alguns metros, tomada pela surpresa, e então meu pé se prende em uma das barras mais rasteiras e próximas do chão, me fazendo cair. Sinto o meu pé se dobrando, e gemo de dor.

– Ai, acho que torci o tornozelo – reclamo, me endireitando e sentando. – É tipo um carma, esse maldito.

O cenário e o ambiente são substituídos pelo quarto de Tanni – que, na verdade, é idêntico ao meu – e sinto a dor, aos poucos, diminuir, até desaparecer completamente, como costuma acontecer com as feridas adquiridas no Treinamento.

– Você está bem, Bel? – ela pergunta. Seu rosto está vermelho como se estivesse pegando fogo. Não sei como seu corpo não está pálido com todo o seu sangue concentrado na cabeça.

– Sim – afirmo. – Já estou melhor. Mas esse tornozelo é mesmo desgraçado.

Tania ri, fracamente e quase sem humor, da menção à queimadura. Quatro dias e eu já havia me queimado e torcido o mesmo tornozelo.

Nenhuma de nós duas menciona a sua confissão.

.

Duas horas depois, é como se a luz da compreensão tivesse se acendido de repente em minha mente.

De repente, eu simplesmente sei o que fazer.

– Samantha! Mitchel! – disparo até a porta.

Os dois estavam comendo algo que não sei o que era, pois, francamente, não dei a menor importância; toda a minha atenção estava voltada para outra coisa.

– Eu descobri o que aconteceu ontem!

Essa frase capta toda a sua atenção, e ambos se viram para mim, subitamente esquecendo de sua comida.

– Não sei exatamente o que é, mas sei que tem a ver com isso.

Me viro e levanto o meu pouco cabelo, deixando à mostra a cicatriz.

– Eu senti algumas pontadas agudas nela durante a ilusão, mas eu não prestei muita atenção na hora – ‘por motivos óbvios’, completo, em pensamento – Só eu conhecia o suficiente dos Rangers para poder criar a ilusão, e me lembro que a última coisa que pensei antes de irmos parar na floresta foi comparar-nos aos personagens da história e pensar em como seria bom ter uma aventura assim com eles.

Me viro e corro até ambos. Me sento ao seu lado no chão, com as costas apoiadas na cama de Sam.

– Segurem minha mão.

Eles obedecem prontamente.

Penso em um dos meus sonhos do qual eu me lembro com clareza.

Eu queria poder estar lá com meus amigos.

E em um instante, já não estamos mais no quarto.

Notas finais
Desculpa por não ter feito esse capítulo mais longo, mas, apesar de tudo, aconteceu muita coisa importante nele... farei os próximos maiores. Estou pensando em duas possibilidades: posso escrever direto a história de RPG ou posso fazer uma outra história, que se passa com essa mesma personagem (Isabel) e que será a ponte entre essa fic e a do RPG, de forma que as três serão da mesma personagem. Comentem qual vocês preferem!