Memórias Espalhadas
3 Voz estranha
Uma longuíssima hora depois, eles encerraram a conversa, mas mesmo com muitos diálogos e duas cabeças, não conseguiram responder a questão dos bonecos, e muito menos sabiam exatamente quem seria o autor da perda de memória de Brynn. E é claro que o silêncio não domina por completo o local só por isso:
– Tantas palavras, tantos assuntos, e nenhuma resposta sequer... — Choramingava sussurradamente Xandro.
– Tudo bem, fique tranquilo! Pelo menos, ainda podemos encontrar pistas, não é?
– Sim, mas como vamos fazer isso?
– Já temos várias pistas: Os pelúcias, os fatos acontecidos e alguns suspeitos. Acho que isso já é o suficiente para resolver a droga do enigma! — Começou a ficar mais impaciente com a situação.
– Pode ter mais alguma coisa nesse local, tem que ter algo! — Disse o Xweetok, perdendo a paciência também.
– Tenho quase certeza disso... — O Ixi foi examinando as coisas em seu bolso, só para garantir que estavam preparados.
***
Uma agulha, um tecido, e algumas costuras. É isso que se descreve as únicas ações que existem nobremente no mundo, ou é apenas uma estúpida opinião de uma ex-neopiana que, mesmo que esteja morta, não descansa em paz. Ainda que não identificada, essa pessoa está produzindo um objeto que nos parece bem familiar, cantando, de vez em quando, no volume mínimo, uma música que parece de uma outra língua.
Ela é simples, porém, infinitamente repetitiva. Mas deixando isso de lado, só te pergunto uma coisa: Já sabe que objeto é esse?
***
– Espera! — Disse o Xweetok Verde, parando logo depois. Ele suspeitou-se de algo.
– O que há? — Perguntou Hanso.
A audição de um esquilo é mais apurada do que a de um Ixi, por isto é que conseguiu captar facilmente a voz de uma fantasma, bonita por sinal. Xandro ficou simplesmente paralisado:
– Xandro, você está bem? — O ladrão passava a mão na frente do rosto.
Passando-se um minuto, esse cidadão acabou caído no chão: Ele simplesmente desmaiou. O Ixi Azul não sabia o que fazer a não ser chamar o seu nome várias vezes e tentar dar uma poção para desmaios, dado como presente da Fada da Água.
***
"Con il calore nelle vostre mani,
Offerto da un semplice peluche,
Senti il tuo cuore..."
Este é o trecho em que Semera canta várias e muitas vezes enquanto costura delicadamente, com um tecido verde, uma pelúcia de Brynn.
Espera! Por que a Brynn!?
***
– Que estranho... Por que ele iria desmaiar desse jeito...? — Enquanto ele fala, coloca a tal poção anti-desmaios nos lábios de Xandro, para que o ser desmaiado pudesse beber e acordar.
No começo, não aconteceu nada, porém mais tarde, o Xweetok acordou i-me-di-a-ta-men-te, dando um pequeno susto no outro:
– Mas... Que voz... é aquela...?
– Eu não ouvi nada... — Suspira o ladrão.
– É que... — De repente, começa a balançar Hanso — PRECISO ENCONTRAR A AUTORA DAQUELA VOZ! — Estava praticamente babando.
– Não acredito, você foi enfeitiçado... — Colocou sua mão na cara.
– Que nada, vou bem! É a minha ansiedade que faz isso. — Riu Xandro.
– Duvido! — Desconfiou.
– Pois isso é verdade! — Sorriu o ser verde.
Além disso, o que tinha acabado de acontecer? Quem seria a tal de Semera? E por que ela perderia tanto tempo com um pelúcia? Ela pode ser uma inimiga, ou amiga.
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