Notas iniciais
Essa é a proposta de uma fic totalmente diferente do que já escrevi, que nem foram tantas coisas assim, mas, tá valendo.

A visão de seu corpo ali deitado, tão inerte e submisso aos meus desejos excitava-me cada vez mais, tanto que não conseguia conter meus impulsos. Sentia uma corrente percorrendo-me de uma forma incontrolável.

Ainda que eu conseguisse sentir raiva de mim, pelo meu ato, nenhum sentimento de remorso maior poderia me deter. Eu, que sempre fora tão dono de mim, agora era um mero escravo de meus instintos. Ou seria o contrário: um homem livre para extravasar tudo o que o reprimia?

Sua pálida pele alva convidava-me a encontrá-la com meus lábios. Osculei toda a sua extensão com ardor. Agarrei-a em meus braços, procurando ser sutil, mas a pressa tinha deixado-a levemente marcada. Segurei a sua fina cintura aumentando meus movimentos, sendo abruptamente pego pelo raciocínio de que poderia machucá-la. Péssima divagação...

Durante todos esses dias, eu não havia reservado momento algum para refletir sobre esse buraco no qual estava me afundando. A minha simples rotina era essa. O prazer havia se tornado o meu subterfúgio.

Suas belas pupilas sem vida agora fitavam-me, talvez interrogando o porquê de tudo aquilo. Se eu pudesse justificar, diria que foi por medo de perdê-la para sempre, mesmo que não pareça uma justificativa plausível. Como pude me deixar levar pelo seu ar tão arrogante, tão cheio de si? Ela tentou me descartar, como as mães desnaturadas que abortam suas crianças.

- Querida, não foi por mal. — Tomei suas frias mãozinhas — Ainda te amo, como sempre. — Lágrimas quentes invadiram meus olhos ao constatar que as marcas da lâmina ainda permaneciam em seu pescoço, então, tive a infelicidade de perceber que não poderia trazê-la novamente, não tão fácil quanto deixei-a daquela forma.

Um odor característico já se manifestava timidamente pelo recinto, avisando que, mesmo que fosse da minha vontade, aquela rotina não poderia se delongar por muito tempo.

Levantei-me, sem vacilar, empunhei a bela adaga manchada de rubros tons, que havia sido jogada em um esquecido canto de meu quarto, e em um triz, deslizei a lâmina pelo meu pulso, o que não causou-me dor alguma, ou pelo menos, muito menor do que a dor moral que havia me acometido.

Senti um vento gélido correr-me a espinha e uma sensação de moleza indescritível. Meus últimos momentos seriam, finalmente, os mais consoladores, por conta da certeza do iminente reencontro com a minha pequena.

Hei de reecontrar-te — Dizia para mim mesmo.

Hei de reconciliar-me.

E, por fim, hei de amar-te...

Notas finais
Reviews?
Beijos!
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