Memórias
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Você já sentiu esquecido por alguém que gosta muito? Foi assim que Larissa se sentiu em sua festa de aniversário. Todo ano a garota dava uma festa e chamava toda a sua turma da escola. Naquele ano, ela estava mais animada que o comum por ser seu aniversário de 15 anos. Não era qualquer aniversário.
Acontece que naquele dia, como em todos os outros, apareceu um akumatizado e a luta estava sendo transmitida ao vivo pelo Ladyblog. Em alguns segundos, todos estavam sintonizados naquele blog e ninguém mais estava dando bola para a festa e sua aniversariante.
Há um ano, esse tipo de coisa não acontecia, pois não havia Ladybug nem Chat Noir nem akumas do mal. Sua festa de 14 anos foi um sucesso e contribuiu muito para a sua popularidade. Mas a de 15, festa mais importante da sua vida (pelo menos até o momento) se sentia esquecida. Mesmo assim, ela ignorou.
Quando foi cortar o bolo, ouviu uma gritaria animada, isso pôs um sorriso no seu rosto já que achou ser o motivo ds gritos. Não, Ladybug purificou o akuma. Isso foi a gota d'água. Saiu raivosa do salão e nem foi notada.
—Oh, coitada. Esquecida em seu aniversário... Mas eu jamais esqueceria uma vítima tão perfeita para meus akumas. Voe meu pequeno akuma, e traga ela para o mal.
Larissa estava sentada do lado de fora do salão onde sua festa ocorria, nem viu a borboleta se aproximando e entrando na faca de bolo que segurava.
—Olá Aniversariante. Eu sou Hawkmoth, posso te dar o poder de fazê-los esquecer de Ladybug e Chat Noir. Mas você me dará os miraculous deles.
—Fechado, Hawkmoth.
...
—Zerou!
—Espere, Ladybug! Chat Noir! — eles estavam indo embora antes que suas transformações acabassem, mas pararam ao pedido da blogueira — Podem me responder uma coisa para o Ladyblog?
—Mas é claro, Alya. — Ladybug disse
—A Ladybug sabe meu nome! — disse Alya toda animada
—Como não saberia? — respondeu ela — Você tem o blog mais importante sobre mim.
Alya estava toda feliz. Ladybug via seu blog!
—É verdade que você e o Chat Noir estão namorando? — quis saber
Ladybug olhava indignada para Chat Noir, que sorria:
—É claro que não é! Quem espalhou isso?
Ele olhou para ela como quem diz "não fui eu".
...
—Vocês me esqueceram por causa deles, agora esquecerão deles!
Todos que eram acertados pelos tiros que ela disparava esqueciam de Ladybug, Chat Noir e tudo que tivesse algo a ver com eles. Consequentemente, esqueciam que ela era uma akumatizada e da existência de proteção contra isso.
Os primeiros alvos foram todos os presentes na festa. Depois, aqueles que estavam entorno de Ladybug e Chat Noir, já que há a necessidade de pegar os miraculous. Quando chegou lá, Alya já ligou novamente a câmera.
Marinette e Adrien estavam escondidos em lugares diferentes, alimentando seus kwamis. Quando ouviram a gritaria, já foram logo transformando.
—Mas já? Nem pude descansar ainda... — reclamou Plagg
—O mal nunca descansa. Não é Marinette? — disse Tikki
Logo Ladybug e Chat Noir estavam lá para derrotar outra vítima de akuma.
—Olá de novo My Lady. Saudade de mim?
—Jamais gatinho.
A akumatizada tentou acertar os dois, mas eles desviaram de muitos raios e não foram acertados. Porém, Alya, que filmava tudo, estava tendo dificuldades para fazer o mesmo. No final acabou sendo acertada.
—O que está acontecendo aqui?! Isso são super heróis?! Eu não acredito! E uma super vilã! Se isso é um sonho não me acorde! Preciso filmar isso! — e ironicamente, voltou a fazer o que estava fazendo
"O que ela fez com a Alya?" se questionava Ladybug
O raio que acertou Alya, estava sendo mirado nos heróis e sem querer que acertou Alya. Ou seja, Chat Noir e Ladybug ainda eram alvos dos tiros da akumatizada. E ao ver que a vermelha estava distraída olhando Alya, mirou nela. Ela teria acertado o seu alvo se Chat Noir não tivesse entrado na frente.
Ele amava Ladybug e jamais a deixaria sofrer. Daria sua vida para que ela ficasse intocada. Não conseguiria viver sem ela, o inferno deve ser mais feliz. Ele não deixaria que nada a machucasse, não quando pudesse impedir.
Ladybug nem percebeu o que houve. Só quando viu a confusão de seu parceiro:
—Ué? Quem é você e por que está me olhando preocupada? Aliás, por que a fantasia? É uma festa?
Ao ouvir tais palavras, Ladybug quase chorou. Não sabia por qual seria o motivo, mas Chat Noir esquecer dela, a abalou muito. Ela se sentiu quebrada, total e completamente.
—E-eu sou a-a Lady-Ladybug... — disse ela gaguejando, não pelo mesmo motivo que gaguejava com Adrien, mas por estar quase chorando
—Ladybug! Que irado! — disse Alya toda animada — E você, garoto de preto? Como é seu nome?
—Alya, você sabe meu nome, é A...
—Não fale! Quer dizer, er..., chame-o de Chat Noir.
—Que maneiro! Um inglês e outro francês! E a vilã? É espanhol?
Ladybug tornou a olhar para Chat Noir e percebeu uma cara de dar dó. Ela não imaginava que ser o Chat Noir era uma parte tão animadora em seus dias, ou a única parte animadora. Isso a magoou de forma a deixá-la com raiva. Vontade de bater no desgraçado que tirou a felicidade dele.
—Enfim, seja lá o que foi isso, tenho que ir. Meu pai não me deixa sair de casa, nem me lembro de como consegui chegar aqui. — e começou a ir para casa
—Ei! Estão me roubando alguém me ajude! Aquele garoto é um ladrão! Ele pegou meu anel! — gritou a akumatizada de repente
Como todos esqueceram Ladybug e Chat Noir, também esqueceram que tinham um miraculous. Chat Noir também foi acertado, óbvio que não lembrava de ter anel.
—Não, me desculpe! Não sei como veio parar aqui, eu devolvo. Só não conte para o meu pai. — disse ele desesperado tirando o miraculous
Ladybug estava tão desesperada quanto ele. Essa akumatizada era tão boa quanto a Marionetista! Como impedi-lo de entregar o miraculous? Fez a única coisa que conseguiu pensar na hora, pulou em cima dele, de modo que ela caiu por cima do mesmo, afastando a mão do miraculous.
Ele não gostou de se ver preso e tentou escapar. Como Ladybug não era nem um pouco a favor de ficar naquela posição, também não impôs nenhuma dificuldade.
O garoto saiu dali rapidamente, queria distância daquela garota maluca. No entanto, pôde ver em seus olhos que era uma pessoa maravilhosa, boa gente e tudo o mais, então deixou o anel da outra garota, que Alya chamava de vilã, com ela para que pudesse retornar a mão do dono. E foi-se embora. Precisava fugir para ir para a escola, como sempre fez há quase um ano. Não podia ter suspeitas em cima dele. A ida para a escola era o momento mais feliz do dia dele, quando via o Nino, a Alya, e principalmente, a Marinette...
Ladybug encarou o anel em sua mão, agora tinha um problema. Além de estar sozinha, não sabia para quem deveria devolver quando derrotasse a vilã.
—Me dê os miraculous!
—Nunca!
Ela fez a única coisa que lhe veio à cabeça, colocar o anel. Não fazia ideia do que acontece se alguém usa dois miraculous, mas ela imaginou que ganharia alguma espécie de poder extra ou sei lá. Hawkmoth tinha um motivo para, mesmo tendo um miraculous, querer mais dois e se dedicar tanto para isso.
Ao pôr o anel, perguntou ao kwami quais eram as palavras para a transformação e as pronunciou:
—Mostrar as garras!
Alya, que tudo filmava disse:
—Que irado!
Marinette viu que vestia algo que parecia a junção de sua roupa de sua roupa de Ladybug com a dele de Chat Noir. Realmente, se sentia mais poderosa, porém não um mais poderosa comum, um mais poderosa diferente. Se sentia quase sem limites. Quase uma divindade. Com poder praticamente ilimitado. É claro que ela não resistiu em usar, primeiro devolveu as memórias às pessoas, apagou o vídeo tão revelador e curou a Chat Noir também, seja lá onde estivesse, agora ele se lembrava dela.
Marinette, naquele momento, sentiu algo único e novo. Não como a paixão, isso era bom de sentir, era o que nutria por Adrien. O que sentiu de novo e único foi triste. Ela ficou quebrada quando Chat Noir se esqueceu dela. Pôde ver que seus olhos não refletiam mais amor por ela, talvez só um pensamento de "Ela é esquisita." Chat Noir não gostava mais dela. Achava que era esquisita. Nunca mais ele falaria com ela, não faria mais trocadilhos e cantadas! Seria o fim! Como ela poderia continuar vivendo?! Quando resolveu que curaria todos, sabia que ele tinha sido atingido, e isso deu um alívio tão grande nela...
Depois aproveitou-se desse estranho poder ilimitado que Hawkmoth tanto almejava para já purificar o akuma enquanto a Aniversariante só olhava boquiaberta o que ela fazia. Para que esperar o Chat Noir, que aliás, daria problema para ser identificado por estar destransformado, e ter o trabalho de usar o talismã e tudo o mais, quando bastava estalar os dedos?
Depois de usar o poder que com razão tanto queria Hawkmoth, ela estava até em dúvida se devolveria o anel ao dono. Ela retirou o miraculous e pediu para que o kwami procurasse o usuário e mandasse um bilhete que ela anotou numa propaganda de uma papelaria que alguém estava distribuindo. Plagg obedeceu.
Ladybug foi ver se estava tudo bem com a akumatizada.
...
Quando Adrien se deu por si, já estava na porta de casa. Não se lembrava de como havia chegado ali. Sua última lembrança era de ter se jogado na frente de Ladybug e ter sido acertado em seu lugar.
Ao julgar estar destransformado e sem o miraculous não podia ter sido algo bom que resultou de sua jogada. Se mostrou enganado quando Plagg veio voando com o seu anel.
—Ei! Adrien! -ele arfou — Finalmente te achei. Mereço um queijo por isso.
—Tudo bem, — ele pegou um queijo no bolso — agora de o anel. — Plagg deu e ele colocou
Ele percebeu que Plagg segurava um papel dobrado.
—Ei, Plagg. O que é isso?
—Isso? Ladybug pediu para entregar-lhe.
Adrien abriu um sorriso maior que a cabeça. Não importava o que tinha ali, estava feliz como se fosse um pedido de casamento. Sabia que não era, mas sonhar é de graça e não paga imposto. Só o fato de Ladybug ter algo a lhe dizer já o fazia sorrir.
"Me encontre na Torre Eiffel à meia-noite.
Assinado: Ladybug"
Ele tinha um encontro com Ladybug à noite! Era tão bom quanto o pedido de casamento! E mais fácil de conseguir também, como agora foi provado.
Ele esperou ansiosamente — entende-se posando para câmeras — o horário escolhido por Ladybug. Quando finalmente o relógio deu suas 12 badaladas, ele se transformou e escapou pela janela, quando supostamente estaria dormindo.
Chat Noir chegou antes de Ladybug, coisa que só aumentou sua ansiedade. Quando estava prestes a matar alguém, ela chegou.
—Olá, Chat, desculpe o atraso.
—Tudo bem, My Lady. — e beijou sua mão
Ladybug queria ver Chat Noir, e queria desesperadamente. Quando ele se esqueceu de tudo o que tiveram, isso verdadeiramente abalou a garota. Não sabia o que era aquilo, mas necessitava de sua companhia, cantadas, trocadilhos, necessitava de um My Lady. Quando finalmente o ouviu, ele se lembrar dela novamente, o mundo passou a brilhar para ela. Se Adrien aparecesse naquele momento e a pedisse em casamento ela nem ligaria. Se Alya aparecesse e afirmasse ter descoberto que era a Ladybug, também não se importaria. Não se importaria nem se Chloé aparecesse.
Demonstrou tudo isso que sentia dando um abraço em seu parceiro. Ela nunca se sentiu tão acolhida.
Ele imaginou que ela fosse fazer o de sempre, tirar e reclamar, portanto, foi surpreendido quando ela o abraçou e chorou em seu ombro. Num primeiro momento, ele ficou preocupado. Posteriormente, percebeu que chorava de alegria.
Ele não soube reagir. Quero dizer, ele retribuiu o abraço e curtiu o momento enquanto ele durou, mas isso não queria dizer que não estava chocado. No entanto, logo se recompôs.
—Então você estava chorando... Por que isso? Descobriu que está apaixonada por mim? — disse ele galanteador enquanto chegava o mais perto que dava de chegar, considerando que já estavam próximos por causa do abraço
Subitamente, Chat Noir se viu beijado por Ladybug. Ele não sabia nada sobre o porquê daquilo, mas o que entendeu era o dever de corresponder com a mesma intensidade. Coisa que ele realmente fez.
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