Memórias

3 Reconhecendo ou conhecendo?


Notas iniciais
Olá senhoritas, como estão? Estão prontas para conhecer um pouquinho mais desses personagens? Eu espero sinceramente que vocês gostem. Boa leitura

Abri meus olhos tentando me localizar.

Ah...sim.

Eu estou em um hospital por ter sofrido um acidente e acordei ontem, depois de passar mais de um ano em coma. Meu nome é Edward Cullen, sou casado com uma linda mulher chamada Tanya, tenho dois irmãos Emmett e Jasper e meus pais se chamam Esme e Carlisle.

Bom.

Pelo menos eu me lembro do que aconteceu ontem, mesmo sem saber do resto de minha vida.

Fechei meus olhos respirando bem fundo me sentindo aliviado pela dor que me atormentava no dia anterior ter ido embora e, ao mesmo tempo, tentando me recuperar do sonho que me tirou o folego.

Eu sonhei a noite toda com um par de olhos castanhos que me olhavam por debaixo dos cílios sorrindo de canto para mim, me chamando de senhor. Isso era resultado de minha mente que não me deixou pensar em outra coisa desde que eu a vi, mesmo enquanto minha família estava comigo ou depois que fiquei sozinho com minha esposa.

Era só ela, aquela doce senhorita que dominou meus pensamentos.

A senhorita não me falou seu nome, não me disse quem era ou por que estava ali e, isso me deixou intrigado por não entender o porquê de ela ter mexido tanto comigo dessa maneira. Ninguém que conheci no dia anterior teve esse poder sobre mim: nem de minha família, nem minha esposa me fizeram sentir assim.

Ela deve fazer parte de minha vida, deve ser parte muito grande de mim por ser a única que me fez sentir desse jeito desesperado por mais, por saber mais de sua vida, por mais de sua companhia.

Era estranho pensar que minha família não sabia que ela esteve aqui enquanto estive desacordado, eles realmente não devem conhecê-la afinal ninguém perguntou por ela ou tocou em seu nome, o que não fazia sentido se fosse verdade que nos conhecíamos.

Como pode ser que uma pessoa tão importante para mim, como eu sinto que aquele lindo anjo é, não conheça a minha família e precise se esconder deles?

Eu não pude parar de me perguntar se agora que eu estava acordado ela voltaria para me ver, se viria para ficar comigo como tinha feito quando eu estava em coma, eu esperava que sim, tinha tanta coisa para dizer a ela, tanta coisa que eu queria saber, sem falar da necessidade de tê-la ao meu lado.

Eu a queria comigo.

Meus pensamentos foram interrompidos quando ouvi alguém abrir a porta e olhei ansioso, imaginando que como no dia anterior, aquele anjo viria por mim.

Mas não era ela.

O sorriso que destinei a ela, ao menos, não foi em vão, por que não tinha como não responder ao sorriso carinhoso que Esme dirigia a mim.

–Oi, filho — ela disse chegando mais perto — bom dia, que bom que você acordou!

–Bom dia — continuei sorrindo para ela que continuava a se aproximar cada vez mais.

–Meu coração ainda não acredita que você está aqui, que você está bem, que você voltou para mim... — a voz dela estava embargada e Esme estava bem perto que deu para ver seus olhos cheios de lágrimas e eu a puxei para um abraço sentindo que era disso que ela estava precisando, tentando suprir sua necessidade.

Ela me apertou com muita força chorando em meus braços e eu retribui o carinho e só a deixei se afastar quando estava bem mais calma.

–Eu senti tanta a sua falta, meu filho, tanta — ela tocou meu rosto e eu me encolhi surpreso com esse gesto e ela se afastou de pressa — Me perdoe, eu não queria feri-lo com minha mão.

–Não, você não me feriu — respondi segurando suas mãos entre as minhas impedindo que ela se afastasse ainda mais. Elas eram pequenas e deveriam ser bem delicadas, mas eram ásperas com aspecto de quem trabalhou muito, em trabalho muito pesado.

–Minhas mãos não são mais como antes, não depois de tanto trabalho — ela se desculpou olhando também para as mãos calejadas.

–O que você faz?

–Trabalhamos, todos nós, cortando árvores na madeireira da cidade.

–Você também? — perguntei com o cenho franzido pensando em como aquela mulher tão pequena e delicada poderia fazer algo tão pesado.

–Acho que sou bem mais forte do que pareço — ela assentiu.

–E eu trabalho com você?

–Não — ela sorriu cheia de lembranças — você desde pequeno não quis saber dessa vida, sempre disse que um dia teria uma casa grande, um carro bonito e que não ficaria cortando madeira para sempre.

–E o que aconteceu?

–Você estudou bastante e foi para a faculdade, se formou em direito e se tornou um dos maiores juizes da região. Conseguiu sua casa grande e seu carro bonito — ela sorriu orgulhosa — desde pequenino você sempre foi muito determinado, sabia exatamente o que queria e o que fazer para conseguir.

–E você ainda mora no mesmo lugar, faz a mesma coisa?

–Eu não fiz nada para mudar, então não poderia — ela deu um pequeno sorriso dando de ombros — não tive uma vida muito fácil, não juntei muita coisa, mas tenho o maior tesouro que alguém poderia ter, meu trabalho, minha casinha, um marido amoroso, filhos incríveis, noras que os amam e lindos netos...

–Netos? — perguntei com os olhos arregalados — eu tenho filhos?

–Oh não, você não. Pelo menos ainda, mas seus irmãos sim. Jasper tem um menino de onze anos e Emmett tem quatro crianças, um de dez, dois de oito e um de quatro.

–Sua família é bem grande.
–Sim, nossa família é muito grande e a gente se ama demais — ao ouvi-la, me lembrei do que Tanya tinha me dito no dia anterior a respeito de não nos darmos bem e que vivíamos afastados deles e pensei se isso era mesmo verdade, como eu poderia não amar e admirar essa mulher tão forte, tão incrível?

Eu pensava nisso enquanto alguém bateu a porta e a enfermeira se aproximou para ver os aparelhos que estavam ligados a mim e perguntou se eu estava pronto para o café da manhã.

–Eu vou deixar você comer em paz — Esme se levantou, pronta para sair e eu a segurei.

–Não vá, fique comigo mais um pouco, eu estou adorando ficar com você, saber mais sobre você e... sobre nossa família. Não vá ainda — ela sorriu assentindo.

–Acho que tenho mais um tempinho antes de Carlisle chegar.

Em pouco tempo fomos servidos com um café da manhã muito farto para um hospital e para um homem que acabou de sair do coma. Esme ficou me olhando e claramente pensando a mesma coisa.

–Coma comigo — convidei vendo ela olhar admirada para tanta comida.

–Não querido, é para você.

–Eu jamais conseguira comer tudo isso sozinho, me ajude — sorrindo empurrei a bandeja em direção a ela que timidamente aceitou um croissant enquanto eu lhe servia um pouco de chá.

–Conte mais sobre a sua... Hm... A nossa família.

–O que quer saber? — ela disse tomando um pouco de chá — tenho tanto para te dizer...

–Quero saber sobre vocês, sobre mim. Eu sou seu filho mais velho? Quantos anos eu tenho?

–Você é meu caçula, tem vinte e oito anos. Jasper é o mais velho com trinta e cinco e Emmett tem trinta e dois. Somos muito felizes por ter você, até por que era algo que parecia impossível.

–Por que?

–Quando eu estava grávida de Emmett, tive algumas complicações por não ter parado de trabalhar. Eu não era uma mulher inconsequente, mas os tempos eram difíceis e eu simplesmente não poderia deixar Carl sozinho com tantas responsabilidades, mas, enfim, houve complicações e por pouco eu não perco a vida e meu filho por conta de um parto muito complicado. O médico disse que eu não poderia ter mais filhos, que engravidar depois de tudo o que passei era impossível até que, cinco anos depois, completamente de surpresa, você veio para nós, como um presente — Esme fez uma pausa me olhando com carinho.

–Não corri risco algum enquanto te carregava, foi a gravidez mais tranquila que tive, mas só foi assim por que seu pai e seus irmãos, pequeninos naquela época, mimavam a gente de todas as maneiras possíveis, tanto que nem pareceu um milagre nós estarmos bem — ela suspirou deixando o que comia de lado — e depois de tanto tempo eu sinto o mesmo medo de te perder e mais uma vez Deus te livrou da morte me deixando viver contigo — sorri fraco vendo o amor que essa mulher tinha por mim.

Eu tinha tanta coisa para perguntar a ela, mas por um momento eu só conseguia olhar para ela tentando me lembrar dessa mulher tão carinhosa e que visivelmente me amava tanto.

–E sobre meus irmãos? — perguntei depois de tomar um pouco de suco sorrindo tanto quanto ela — nós nos damos bem?

–É claro que tem as brigas, que irmãos não tem? — falou sem realmente responder minha pergunta — por mais que tenham as diferenças de vocês, o amor e cumplicidade que criaram quando eram crianças é uma coisa que não desaparece, vocês eram tão unidos, confiavam tanto uns nos outros, aprontavam tanto juntos...

–Aprontávamos bastante? — ela assentiu franzindo o cenho, mas com um pequeno sorriso.

–Vocês deixavam a mim e seu pai completamente loucos quando sumiam floresta a adentro e demoravam horas para voltar, ou pelas travessuras que faziam — ela sorriu balançando a cabeça ao se lembrar — Jasper sempre foi responsável e acabava indo com vocês mais para protegê-los, Emmett era o terrível, meu Deus, passei muito cortado na mão desse menino. Eu sempre pensei que era ele quem inventava tudo e era o cérebro por trás dos planos, e que você era coagido a acompanhar, mas não era bem assim, eu descobri que era você quem bolava tudo — ri junto com ela querendo me lembrar.

–Era eu?

–Sim, o mais novo que comandava aqueles marmanjos.

–Como descobriu?

–Uma vez, eu ouvi você... — a história foi interrompida quando a porta foi aberta e por ela passou o resto de minha família. Carlisle se aproximou beijando a esposa com carinho antes de olhar para mim sorrindo.

–Bom dia meu filho. É muito bom ver seus olhos abertos mais essa manhã. Como está se sentindo?

–Eu estou muito bem e feliz por estar aqui — olhei para meus irmãos no canto do quarto — e vocês também. Que bom que vieram.

–É claro que viríamos — Emmett se aproximou sorrindo enquanto Carlisle e Jasper se encaravam — ainda é meio surreal ver você acordado, irmão. Você fez uma falta danada para nós.

–Fez mesmo — Jasper concordou se aproximando um pouquinho.

–É tão bom ver minha família unida outra vez — Esme fungou emocionada recebendo um beijo de seu marido.

–Eu disse a você que isso aconteceria novamente, não disse?

–Que legal, agora eles vão ficar ai namorando por um tempão e se esquecendo da gente — Emmett reclamou quando eles se beijaram fazendo Jasper rir.

–Eles fazem muito isso?

–Mais do que um casal recém-casado. Nem minha esposa e eu fazemos isso na frente das pessoas.

–Não precisa mentir também Emm, você e Rosalie não são as pessoas mais discretas do mundo.

–Mas não fazemos isso na frente de nossos filhos. Pode traumatizar os coitadinhos.

–Que bom que vocês chegaram — Esme disse voltando a prestar a atenção em nós cortando nossa conversa sussurrada — eu estava contando ao Edward um pouco da infância de vocês e das travessuras que faziam.

–Mãe, se tem coisas que ele não lembra é melhor assim...

–O que foi Emm? — Jasper riu — não quer que ele se lembre o quanto você era dominado por ele?

–Não era bem assim.

–É claro que era, não havia nada que o pequeno Edward quisesse que Emmett não fazia. Quantas vezes fugíamos do trabalho por que Edward queria ver os ursos na floresta. Por mais que fosse perigoso e nossos pais sempre nos proibiam de ir até lá, se o pequeno Edward queria, lá ia o Emmett levá-lo — eles todos riram e Emmett cruzou os braços parecendo bravo, mas rindo também.

Passamos um bom momento conversando sobre o passado e eu fui conhecendo o quanto a minha família era incrível. Meus irmãos ficavam implicando um com o outro a cada assunto que surgia e mesmo que eu fosse praticamente um mero expectador não ficava de fora, eles sempre encontravam uma provocação para mim também. Fomos interrompidos, algumas horas mais tarde por Tanya que chegou perto da hora do almoço.

–Amor, oi! — ela disse se aproximando sem sequer falar com os outros, beijou meu rosto e segurou minha mão que não estava entre as de Esme — eu sinto muito pela minha demora, mas eu acabei perdendo a hora.

–Tudo bem, não tem problema.

–Não queria ter deixado você sozinho.

–E não deixou, estou com minha família, eu estou bem — olhei para minha mãe que sorria feliz da vida, meu pai olhava para minha mãe e Jasper e Emmett se entreolhavam, raivosos por algum motivo — mas foi bom que chegou, eu estava ouvindo histórias ótimas sobre minha infância.

–Isso é muito bom.

–Você as conhece?

–Apenas algumas.

–Então vamos ouvir mais — olhei ansioso esperando que Carlisle continuasse a história que estava contando, mas ele respirou fundo e abraçou sua esposa.

–Eu bem que gostaria, filho, mas precisamos ir.

–Por que? Estávamos tão bem aqui.

–Viemos apenas para pegar sua mãe e acabamos ficando mais do que deveríamos.

–Poderiam ficar um pouco mais, Tanya acabou de chegar.

–Mas o trabalho nos espera, querido, eu sinto muito. Aquelas árvores não se cortarão sozinhas.

–Ah... Tudo bem — respondi um pouco desapontado, me sentindo um menino de dez anos que Esme disse que fui — mas vocês voltam para me ver mais tarde não é?

–Terminamos o trabalho bem tarde e precisamos nos levantar bem cedo, mas estaremos aqui, pela manha, como fizemos hoje assim conversamos um pouco mais — Esme se aproximou beijando meu rosto — fique com Deus, Edward. Eu volto amanha.

–Vou ficar esperando ansioso por isso e por vocês também — disse para meus irmãos que se despediram de longe seguindo nossos pais para fora do quarto.

–Você está bem? — Tanya sorriu parecendo aliviada quando ficamos sozinhos e se abraçou a mim.

–Claro que estou passei uma manhã muito boa com eles.

–Mesmo? — franziu o cenho incrédula.

–Sim, foi bom conversar, saber um pouco mais sobre eles, sobre mim, mesmo que seja por outras pessoas.

–Mesmo que sejam aquelas pessoas? — perguntou me fazendo uma careta.

–Eles são a minha família e me amam, eu sinto isso, mesmo sem conseguir lembrar nenhum pouco deles — Tanya suspirou e se aproximou sentando ao meu lado segurando minha mão com um pequeno sorriso.

–Um dia você vai se lembrar de tudo, amor, e ai vai entender.

–Por que diz isso? O que aconteceu para que nos afastássemos deles?

–É que eles não gostaram muito de mim e não aceitaram muito bem nosso relacionamento, foram contra nossas escolhas, mas não nos deixamos abater e mesmo assim seguimos nossos sonhos e estamos bem, somos muito felizes.

–Então parece que eles superaram o que aconteceu, já que estavam aqui e nos trataram muito bem.

–Pode ser.

–Eu não me lembro de nada e então poderíamos recomeçar, não acha? Vamos unir nossas famílias e continuar como se nada tivesse acontecido, como Carlisle disse.

–Se é isso o que você quer, querido — sorri para ela esperando de verdade que isso pudesse acontecer. Tanya sorriu de volta, beijou meu rosto e me abraçou antes de olhar para mim com aqueles lindos olhos azuis

–Edward, você não se lembra de mim mesmo? Nada, nenhum pouquinho?

–Eu sinto muito.

–Tudo bem. Nada vai me tirar do seu lado, afinal eu eu prometi na saúde e na doença, até que a morte nos separe e eu não sou de quebrar minhas promessas — ela parecia um pouco triste ao dizer isso e eu acariciei seu rosto para tranquilizá-la.

–Por que não me fala um pouco sobre você, conte como nos conhecemos — ela sorriu parecendo cheia de memórias, esses que eu também queria ter.

–Nos conhecemos na faculdade. Eu fiquei louca por você desde o primeiro instante, afinal, você é o homem mais lindo que eu já vi na vida...

–Eu sou? — ela riu.

–Sim, meu amor, você é. Não se lembra nem de seu rosto? — balancei minha cabeça devagar — bem, pelo menos nisso eu posso te ajudar — ela se levantou procurando algo em sua bolsa e logo voltou com um espelho, sentando ao meu lado — esse é você, Edward.

Olhei no espelho encarando os olhos verdes antes de olhar o resto. Meu nariz estava um pouco torto, visivelmente depois de uma fratura, provavelmente vinda do acidente. Minha pele era bem pálida e eu lembrava Carlisle por algumas feições, mas meu cabelo era algo próximo da cor do de Esme, apenas um pouco mais escuro, quase como cobre e era bem curto.

–Está vendo o porquê de eu ter me apaixonado? — olhei para ela que parecia emocionada — você sempre teve o cabelo mais comprido, só está desse tamanho por conta da cirurgia que fizeram em você. Quando te conheci seus cabelos viviam muito bagunçados, mas de uns tempos para cá você resolveu doma-los — ela disse saudosa tocando neles — eu me apaixonei por você no primeiro instante que te vi e não foi nada fácil chamar a sua atenção.

–Por que? Você é tão linda.

–Obrigada — ela respondeu com um grande sorriso — mas você não tinha tempo para reparar em mim. Era muito focado nos estudos, tudo o que queria era se formar depressa, mas aos poucos eu consegui fazer com que você tirasse os olhos dos livros e olhasse para mim e foi assim que nos conhecemos melhor que eu consegui ganhar seu coração.

–Edward — ela disse com a voz embargada segurando minha mão com força — mesmo que você nunca se lembre de mim, de nós, eu vou fazer de tudo para conquistar seu coração novamente, como eu fiz há tanto tempo. Eu te amo demais para me afastar de você — ela se aproximou tocando meu rosto. Seus olhos mudavam dos meus para a minha boca e ela passou a língua pelo lábio.

–Eu sei que para você vai parecer estranho, mas eu estou com tanta saudade. Deixa eu te beijar, meu amor, deixa? — eu mesmo tomei a iniciativa e a puxei para junto de mim tomando seus lábios. Ela soltou um leve gemido quando nossas línguas se tocaram e se envolveram deliciosamente.

–Meu amor, obrigada por voltar para mim. Eu te amo tanto, tanto! — ela sussurrou com a boca ainda encostada a minha.

Aquelas palavras não me tocaram, aquele beijo não mexeu comigo, de forma alguma, nem aquela mulher que me olhava apaixonadamente, quase em desespero. Mesmo assim aceitei seu carinho, aceitei seus beijos sentindo que era isso que ela precisava.

–Conte mais sobre nós dois — pedi entre um beijo e outro enquanto ela estava bem acomodada em meus braços — Nos conhecemos na faculdade, então temos a mesma profissão?

–Sim, eu me formei em direito também.

–Nós trabalhamos juntos?

–No começo sim. Trabalhávamos no mesmo escritório enquanto você estudava para passar no concurso para juiz e quando conseguiu, começou a ganhar um pouco melhor e então você achou melhor que eu não trabalhasse mais, que ficasse em casa para me poupar e para preparar o terreno para os filhos que teríamos.

–Temos planos de ter filhos?

–Sim. Bem, na verdade eu quero ter e você concordou comigo, prometeu que iriamos tentar que eu poderia parar com a pilula e assim iniciaríamos nossa produção. Tínhamos uma rodada de sexo programada para quando você chegasse do seu fim de semana, mas você nunca chegou. Você ficou longe de mim esse tempo todo e eu tive muito medo de te perder para sempre — ela me abraçou novamente seu corpo tremendo contra o meu e eu a abracei de volta tentando acalma-la.

–Eu estou aqui agora, Tanya, estou aqui.
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–Bem, Edward, acredito que amanhã mesmo você poderá ter alta. Não vejo motivo nenhum para te segurar aqui por mais um dia sequer — Doutor Black, meu médico, disse sorrindo depois de voltarmos de mais uma bateria completa de exames, duas semanas depois que eu tinha acordado. Eu realmente já me sentia bem melhor, as dores dos primeiros dias se foram completamente e eu até já caminhava pelo hospital todos os dias ao fim da tarde.

–A sua saúde está melhor do que a minha.

–Isso é muito bom doutor — respondi animado.

–Já disse para me chamar de Jacob — ele pediu socando meu ombro. Esse tempo todo em que estive aqui, ele sempre foi muito brincalhão deixando meus dias mais alegres, principalmente quando minha família precisava ir ou eu tinha que repetir aqueles exames tediosos.

–Tudo bem, Jacob.

–É isso ai. Vou te dar alta por que sei que não aguenta mais estar aqui, sem falar que ir para a casa vai lhe fazer muito bem, estar em um ambiente familiar vai ajudar em sua memória — fiz uma careta. Eu ainda não tinha me lembrado de nada. Minha mãe e esposa viviam me falando sobre minha vida, mas eu nunca consegui me lembrar de nada por mim mesmo, de ninguém que vinha me visitar ou de qualquer fato de minha vida.

–Não há mesmo nada que você possa fazer para me ajudar com isso? Um remédio, algum tratamento, qualquer coisa que possa trazer a minha memória de volta?

–Infelizmente não. Pelos exames a parte afetada de seu cérebro, a que guarda as lembranças passadas, não tem nenhum dano aparente, mas você teve um trauma muito grande e pode levar algum tempo para se regenerar por completo.

–Quanto tempo?

–Uma hora? Um dia? Uma semana? Um mês? Um ano? Uma década? Não há como precisar, por isso eu recomendo que volte para a sua vida normal, seu trabalho, sua esposa, sua rotina isso pode ajudar a resgatar as memorias que estão obstruídas de alguma maneira.

–Tudo bem.

–Vida normal, Cullen, mas quero que faça algumas consultas para que possamos ir acompanhando suas evoluções — ele disse animado, se despedindo de mim com a mão estendida — aproveite essa segunda chance que recebeu, tenha uma boa vida.

–Obrigado dou... Hmm... Jacob, mas antes de você ir, quero te fazer uma pergunta.

–Já sei. Quer saber se está liberado para fazer sexo, não é? — ele riu batendo em meu ombro — Imagino que deve estar louco para estar com sua mulher, que é linda, se me permite dizer.

–Na verdade...

–A sua esposa já me perguntou sobre isso antes de sair daqui mais cedo. Aposto como ela está subindo pelas paredes e vai te dar um trabalhão quando voltar para casa. Seu fosse você descansava bastante aqui, por que em casa, meu amigo... você não vai ter paz.

–Não é nada disso.

–Edward — ele me interrompeu outra vez colocando a mão em meu ombro — não se preocupe, tudo em você está funcionando muito bem, aproveite. Como eu disse você pode voltar para a sua vida normal, sem restrições.

–Obrigado, mas não era isso que eu queria saber.

–O que é então?

–Quero te perguntar sobre a moça que estava aqui quando acordei, você se lembra?

–O que tem ela? — Jacob perguntou deixando o ar debochado que tinha há instantes, sem mais sorrir e franzindo o cenho para mim.

–Sabe quem é ela? Sabe por que estava aqui?

–Não, eu não sei de nada.

–Tem certeza? Ela me disse que ficou um bom tempo comigo enquanto eu estava em coma e naquele dia, estava vestida de enfermeira, estava bem aqui no quarto quando você me viu acordado pela primeira vez.

–Sei de quem está falando, mas não sei quem é — respondeu com o tom ríspido — a vi algumas vezes, mas também não sei nada sobre ela.

–Nem seu nome, onde posso encontrá-la?

–Desculpe-me.

–Sabe ao menos por que ela não voltou? — perguntei tentando não mostrar o quanto eu estava decepcionado com isso. Durante todo o tempo eu esperei vê-la novamente, mas ela nunca veio.

–Não tenho ideia, sinto muito — ele deu de ombros guardando sua caneta no bolso — amanhã eu volto para me despedir de você. Tenha uma boa noite.

–Obrigado doutor.

Quando Jacob foi embora e eu me preparei para dormir, ansioso para que o dia seguinte chegasse depressa e eu finalmente pudesse ir para casa.

Por um lado eu estava feliz com isso, mas por outro, eu tinha medo de que saindo daqui eu nunca mais veria meu anjo, afinal aqui era o único lugar que eu tinha esperança de voltar a vê-la.

Ela me disse que eu a encontraria, que minha natureza faria com que eu a buscasse, mas eu não fazia ideia do que isso significava de onde ela estava e do que fazer para saber mais sobre ela.

Como tem sido todas as noites desde que acordei, sonhei com aqueles incríveis olhos castanhos que me olhavam com tanta adoração e isso só me fez pensar em estratégias para, de qualquer maneira, conseguir encontrá-la.

–Bom dia Edward — Esme chegou, como todas as manhãs, beijando meu rosto — como está se sentindo?

–Estou bem. Vou ter alta daqui a pouco e poderei ir para a casa.

–Verdade? Que bom querido, isso significa que você está bem, que está tudo normal com você.

–Foi o que o médico disse.

–A única coisa é que eu sentirei saudade de ter ver todos os dias, de tomar café da manhã com você.

–Mas você pode ir para a minha casa ou eu posso visitar você. Não quero você longe de minha vida, mãe — ela olhou para mim com os olhos cheios de lágrimas.

–Edward... — Ela começou a chorar e eu a abracei depressa.

–Ei... o que foi? — Perguntei assustado — o que houve?

–Não liga para a sua velha e boba mãe — ela disse me abraçando com mais força — eu só estou feliz, você não tinha me chamado de mãe desde que acordou, e meu coração não aguentou o tranco — ela sorriu olhando para o meu rosto com carinho — acho que fiquei mais emocionada de quando você me chamou pela primeira vez, quando tinha um ano — eu retribui o sorriso para aquela mulher que realmente ganhou meu coração.

–Eu ainda não me lembro de você, mas eu já te amo, sinto o seu amor por mim e quero sempre ter você ao meu lado. Obrigado por sua dedicação, por estar ao meu lado todo esse tempo.

–Eu também te amo, meu filho, com um amor que não tem fim — beijei suas bochechas e sorri para ela.

–E agora, que tal se tomássemos café? O último aqui no hospital, hein? — Ela sorriu assentindo enquanto limpava suas lágrimas.

Comemos como todos os dias, ela sempre com muito apetite, maravilhada com o cardápio sempre muito vasto do hospital. Durante a refeição, ela sempre me contava algo sobre si mesma, sobre mim e sobre os nossos e depois de ouvir tudo isso imaginei que era a primeira vez que ela comia tão bem.

Esme era uma mulher muito simples, bem como seu marido e filhos, via-se pela forma com que falavam, como se vestiam, aparentavam que não tinham muita coisa, mas tinham boa índole, eram pessoas de bem que se amavam entre si e me amavam também. Eu podia sentir.

–Olá — como de costume, assim que acabamos de comer, Emmett, Jasper e Carlisle chegaram para passarmos um tempo juntos. Emmett fazendo festa, como todos os dias contando as ultimas pérolas de seus filhos, nos fazendo rir, nos divertindo com as lembranças que eles contavam. Isso até que Tanya chegou.

Por mais que eles precisassem trabalhar e que eu entendesse isso, era muito estranho que eles sempre precisavam ir quando minha esposa chegava, não importando o horário que fosse. Talvez ela tenha razão e minha família ainda não superou tão bem o que quer que seja que nos aconteceu no passado e só estavam aqui por mim.

–Mãe, pai, por favor, não deixem de me visitar em minha casa. Eu estou esperando por vocês e por vocês também — olhei para meus irmãos — estou louco para conhecer Alice, Rosalie e todos os meus sobrinhos.

–Pode deixar, irmão — Emmett bateu em meu ombro rindo — você não vai se livrar de nós tão cedo.

–Eu espero que não. Poderíamos dar um jantar no fim de semana e ai reuniremos todo o pessoal, o que acha, Tanya? — perguntei animado — vai ser uma ótima oportunidade para juntar todo mundo.

–É claro que sim querido, quando quiser.

–Eu prefiro que primeiro você vá para a sua casa, recupere bastante e depois combinaremos o resto — minha mãe se aproximou deixando um beijo em minha testa — eu estou muito feliz por você, meu filho. Fique bem e se precisar de alguma coisa, qualquer coisa, estaremos aqui por você, sempre.

–Eu sei, obrigado — nós nos despedimos e eles se foram, não sem antes me deixar telefone e endereço para que eu pudesse encontrá-los.

–Quando poderemos ir? — Tanya me perguntou depois de me beijar. Eu não me importava de todas as vezes que ela tomava a iniciativa de me beijar, mas eu gostaria de ter um pouco de controle sobre isso.

Não havia motivo algum para isso, mas eu ainda não me sentia confortável por que eu não conseguia me lembrar dela e do que tínhamos construído juntos, sem falar que havia outra mulher rondando meus pensamentos, que não saía de meus sonhos.

–Só estamos esperando o Jacob para me dar alta.

–Não estão mais — ele entrou enquanto eu ainda falava todo alegre e espalhafatoso como sempre — sei que está ansioso para ir para casa, Cullen, desculpe se demorei.

–Está tudo bem, acho que Tanya está mais ansiosa do que eu — Jacob me deu um olhar cheio de significados e antes de gargalhar.

–Então não temos mais nada para conversar, pegue suas coisas e rua! — eu me levantei pegando a mala com as roupas que Tanya trouxe para mim e fui me vestir no banheiro enquanto ele assinava meu prontuario.

–Edward — Jacob disse quando eu estava pronto — sua próxima consulta está agendada na papelada que receberá quando passar pela recepção. Vejo você em alguns meses para exames de rotina e uma consulta para sabermos como você está. Qualquer coisa diferente que sinta, procure um hospital imediatamente, tudo bem?

–Pode deixar, doutor.

–Então, é isso. Muita saúde para você, felicidades.

–Obrigado por tudo, Jacob.

Como recomendado, passamos pela recepção e pegamos toda a papelada antes de sair para a vida.

Fora do hospital uma chuva caía levemente.

Eu já tinha me acostumado a ver essa chuva sempre através da janela, mas era a primeira vez — que eu me lembre — que eu a sentia sobre minha pele. A sensação era libertadora, deliciosa.

Era como se a vida estivesse voltando para o meu corpo a cada gota.

–Vem Edward — Tanya gritou abrindo a porta de um carro prata, tão bonito quanto minha mãe disse, mas eu não tinha pressa, estava adorando me sentir livre, me sentir vivo.

De repente, eu senti como se houvesse alguma coisa que clamava por mim ali perto. Eu olhei em todas as direções tentando encontrar de onde vinha, mas não via nada, não via ninguém. A única coisa que eu sabia dizer que aquilo era muito forte, quase físico.

–Edward, querido, por favor, entre no carro, você não pode ficar doente — dei uma última olhada tentando encontrar o que estava fazendo meu coração bater tão forte, mas sem nenhum sucesso.

Eu entrei no carro e enquanto Tanya arrancava do lado de uma caminhonete vermelha eu tentava decifrar, tentava entender o que era aquilo e de onde veio.

Notas finais
E então, o que vocês acharam? Contem para mim! Muita gente já sentiu como será a história e isso é o máximo! kkkk Muito obrigada pelos comentários, por acompanharem, por contar para mim o que estão achando. Eu espero por vocês no proximo. Mil beijos!