Memórias
32 Acontecendo
Notas iniciais
Aquela noite foi difícil para dormir, tanto para mim quanto para Bella. Depois que eu disse que a amava, nós passamos muito tempo acordados, olhando um para o outro, mas não dissemos sequer uma palavra. Havia muito a ser dito, mas não tínhamos coragem de falar e a certa altura, quando percebi que Bella parecia cansada demais, eu a abracei e sussurrei para que dormisse.
Mesmo sem aquele contato visual intenso, permaneci abraçado a Bella, sentindo seu cheiro e seu calor – coisas que sempre me acalmavam e me faziam dormir em paz – não tive uma noite tranquila por que minha cabeça não parava de pensar em tudo o que nós dois vivemos. Eu não me lembrava de grande parte de nossa história e por isso eu tinha quase certeza de que era essa parte que impedia Bella de sentir o mesmo que sinto por ela.
Apesar de que desde que passamos a morar juntos tudo tomou uma proporção diferente do que sempre foi, a minha frieza do passado, a forma como eu devo tê-la tratado por tanto tempo – como um mero objeto de prazer – toda a distância e frieza ainda deve ser recente demais em suas memórias, tanto que eu não consigo chegar ao seu coração, não tenho acesso livre a ele como tenho com seu corpo.
Desde sempre, minha senhorita me mostrou ter um enorme carinho por mim, há pouco disse estar apaixonada – e repetiu diversas vezes para o deleite do meu coração que tanto a ama – então havia muita esperança de que um dia isso se tornasse amor. Eu tinha que entender que talvez, por todos esses motivos, fosse cedo demais para ela, afinal foram muitos anos de um jeito e dois meses depois de tantas mudanças.
Paciência. Eu precisava ter muita paciência.
Continuei olhando para ela quando o sol amanheceu, como fiz a noite toda até que minha senhorita abriu os olhos. Como sempre, meu coração disparou como um louco ao olhar para aqueles olhos tão incríveis, a olhar para aquela mulher que eu amo tanto.
—Oi – sussurrei quase sem folego diante de tanta beleza, praticamente sufocado com tudo o que sentia por ela e a puxei para mais perto incapaz de pensar em me separar.
—Oi, bom dia – Bella sorriu para mim e beijou meu peito me olhando com atenção – dormiu bem?
—Sim, não dá para ser diferente quando você está aqui comigo – ela me olhou por mais um minuto, como se me analisasse, como se pudesse ver além do que eu queria lhe mostrar e eu pude perceber seu rosto ficando rosa e depois vermelho, ao mesmo tempo em que seus olhos se enchiam de um sentimento que eu não pude decifrar, principalmente por ela os ter desviado dos meus olhando para o relógio.
—E por que ainda está deitado? Você vai trabalhar hoje, não é?
—Sim, eu vou. Tenho um julgamento importante, não posso falhar – ela me olhava parecendo dizer muita coisa com o olhar, mas antes que sua boca o fizesse eu lhe dei um beijo de leve e estreitei meus olhos para ela – mesmo se eu não fosse, duvido que ficaríamos juntos, já que desde que Emily nasceu você não fica aqui comigo, nem em nosso fim de semana.
Balancei minha cabeça me lembrando. A filha de meu irmão nasceu há uma semana e naquele mesmo dia, ele nos convidou a sermos padrinhos da pequena Emily. Minha Bella ficou completamente encantada com o convite e era uma luta para eu conseguir tirá-la de perto da bebê, tanto, que até em nosso fim de semana ela quis ir para a casa de Emmett e mimar um pouco a nova sobrinha.
—Não fala assim... eu só estou encantada com a nossa afilhada – ela abriu um enorme sorriso me contagiando – e mesmo que não admita, sei que está também.
—Esse é um dos motivos para eu não ter reclamado de dividir você com ela, poder ver você com um bebê também me encanta, mais ainda do que te ver com as outras crianças. Sem falar que isso me enche de esperanças também.
—Esperanças de que?
—Quem sabe você mude de ideia sobre termos nossas próprias crianças... – dessa vez Bella me olhou nos olhos parecendo pensar, mas isso durou apenas um minuto, depois ela sorriu envergonhada.
—Eu nunca disse que não queria ter filhos, só disse que nunca tinha pensado sobre o assunto.
—Quem sabe convivendo com um bebê você comece a pensar – beijei seu sorriso com carinho e ela suspirou mudando de assunto.
-A gente podia comprar um presente para ela um dia desses. O que você acha?
—É claro que sim e aproveitamos para comprar um para você também, afinal seu aniversário está chegando.
—Não precisa fazer isso – pediu envergonhada – você é tudo o que eu quero – toquei seu rosto olhando para seus olhos.
—Mas é seu aniversário, o primeiro que eu passo ao seu lado – sorri – quer dizer, é o primeiro de que me lembro e o primeiro em que somos um casal. Pode pedir o que quiser, nem que for o céu.
—Não precisa me dar nada... de verdade.
—Mas eu quero. Lembro do quanto ficou emocionada ao falar dos presentes que eu te dava antes do nosso relacionamento mudar que eu decidi que quero dar essa alegria a você e olhar em seus olhos quando fizer isso.
—Edward, não precisa de nada disso – ela tocou meu rosto depois de beijar meus lábios levemente – Ter você comigo, aqui, vivo é o melhor presente que eu poderia ter – ela sorriu desviando o olhar e então percebi que ela não conseguia fixar seus olhos nos meus, mas não me ative a isso.
—Não mais do que é para mim, ter você em minha vida. Tudo o que eu mais quero é ver você feliz, saudável, realizando seus sonhos.
—E eu quero dividir a minha vida com você – olhou em meus olhos e sussurrou – para sempre.
—É tudo o que quero também, meu amor. Desejo mais do que tudo ter uma vida inteira com você, Bella, por que eu te amo, te amo demais – ela ofegou abaixando a cabeça e fechando os olhos com força. Eu estava tão perto que senti sua pulsação se acelerar, senti sua respiração irregular como se ela estivesse apavorada.
—Edward... – depois de um tempo ela me chamou, mas não teve coragem de dizer mais nada e eu beijei seu cabelo com medo do que poderia ouvir.
—Tudo bem, não precisa dizer nada... eu só espero não ter estragado tudo com o que disse, que você não me deixe por causa disso.
—Não, é claro que não, Edward. Eu falei sério quando disse que jamais conseguiria te deixar. Não consigo imaginar minha vida sem você.
—Isso é muito bom, por que eu também não consigo ficar longe de você.
—Olha ... eu só não disse de volta por que... – toquei seus lábios impedindo que ela falasse.
—Não precisa falar nada. Não me deve explicações. Eu disse que te amo por que não aguento mais guardar isso para mim, não se sinta obrigada a dizer de volta – ela me olhou por um longo minuto antes de tocar meu rosto, sorrindo um sorriso triste.
—Eu juro que não queria te magoar, não queria ver o que estou vendo em seus olhos agora, mas...
—Por favor, não se preocupe. Eu sei que é tudo muito novo para você principalmente como estamos levando a nossa relação, tão diferente do que era antes... e posso imaginar como isso assusta, sei disso por que me assusta também, mas não vou deixar que isso me afaste de você, pelo contrário, quero estar cada vez mais perto para deixarmos cada vez mais sólido o que temos aqui.
—Não sei o que te dizer... apesar de ter tanta coisa que eu queria que você soubesse, mas... eu só... preciso pensar um pouco mais sobre isso... preciso entender o que eu sinto, entender o que está acontecendo comigo antes de qualquer outra coisa. Não quero dizer algo que eu não tenha certeza... por que estou apavorada...
—Você ainda tem medo de mim? Do que eu vou fazer?
—Não, não é medo, nunca tive medo de você, tenho medo do que pode estar acontecendo comigo e do que eu sinto, mas nunca de você. Eu só preciso ter certeza...
—Tudo bem, Bella. Não se sinta pressionada – beijei seus lábios, desejando ser apenas um beijo leve e rápido, mas ela não deixou que eu me afastasse me beijando com urgência. Meu amor me abraçava contra seu corpo não deixando espaço para que eu me afastasse nem sequer por um milímetro. Antes que eu perdesse o controle e esquecesse meus compromissos do dia eu me afastei olhando para seus olhos que tanto me encantavam e sussurrei para ela.
—Nós precisamos nos levantar e encarar nossos dias.
—Quando voltarmos para casa, vamos conversar, não vamos?
—Se você quiser isso – dei de ombros mais uma vez assustado com o que ela poderia me dizer enquanto ela assentia veemente.
—Eu quero. Acho que eu terei tempo para colocar minhas ideias no lugar e ser clara, segura e sincera a respeito do que eu sinto.
—Tudo bem, leve o tempo que precisar, afinal eu não vou a lugar algum – olhei para o relógio me dando conta de que eu estava em cima da hora – quer dizer, eu vou trabalhar, mas volto logo para você – Bella riu e eu lhe beijei – vamos, levante-se.
Não tivemos tempo nem ao menos para um café da manhã juntos, só saímos o mais rápido possível antes que ficasse tarde demais. Deixei minha senhorita na casa de meus pais e depois que desceu, ela me olhou pela janela estranhando o fato de eu não acompanha-la como todos os dias.
—Não vai entrar um pouco?
—Não vai dar, eu estou quase atrasado e ainda preciso me reunir com Eleazar. Vai ser um longo e cansativo julgamento e quanto mais tarde começarmos, mais ele vai se estender pelo dia afora.
—Tudo bem. Eu espero que não demore muito e você volte logo para mim.
—Vou voltar, meu amor. É uma promessa. Vou voltar para você, não importa o que aconteça – ela assentiu com um sorriso e eu não pude mais resistir. Desci do carro e a puxei para o meu corpo beijando minha namorada com todo o amor que eu sentia por ela. Estávamos cada vez mais nos entregando ao beijo quando a voz de minha mãe nos fez parar.
—Mãe? O que está fazendo aqui ainda? – pedi tentando escapar da pergunta que ela me fez e eu não ouvi – já está bem tarde.
—Eu sei – ela me abraçou – eu só queria ver você antes de ir para o trabalho. Quero te dar a minha benção e pedir que se cuide, filho, por favor – olhei para o meu pai por cima dos ombros que me abraçavam com força e pedi explicações com o olhar.
—Mãe, algum problema? – questionei ainda olhando para me pai exigindo uma resposta.
—Ela está assim desde ontem – ele finalmente respondeu fingindo não estar tão abalado quanto seus olhos diziam que estava – desde que você levou a Bella sem entrar e lhe falar nenhum oi.
—Desculpe, mas eu estava com um pouco de pressa e para falar a verdade, eu ainda estou...
—Eu não quero te atrapalhar, já vou te deixar ir – ainda sem afrouxar nosso abraço ela olhou para mim – só me prometa que vai se cuidar, que vai ficar bem.
—É claro que prometo, mãe, não se preocupe.
—Esse é o problema. Eu não consigo, meu coração dói só de pensar em você indo daqui. Por que você não fica? Tire o dia para passar aqui com a Bella... comigo. Eu preparo o que quiser comer, faço o que for para ficar aqui hoje – olhei em volta e vi os rostos de meu pai e de Bella repletos da preocupação que eu via no rosto de minha mãe e senti um aperto no peito.
—Adoraria de verdade passar o dia com você, mas eu realmente não posso, hoje não. Tenho um julgamento importante e preciso ir, mas vou ficar bem. Estarei o tempo inteiro no fórum e volto para cá assim que terminar.
—Você não pode adiar isso? Liga para eles, fala que está doente, vai amanhã, mas fica aqui comigo hoje.
—Querida – meu pai se aproximou tocando o ombro dela – Edward é um homem importante, ele não pode simplesmente faltar ao trabalho quando bem entende, precisam dele lá.
—Que tal assim, mãe? Eu vou para o trabalho hoje, mas amanhã eu fico aqui desde manhãzinha, se quiser eu até durmo aqui entre você e o pai para não ficar nem um minuto longe de você – ela sorriu.
—Como quando você era criança – sorri também.
—Sim, exatamente. Só que hoje eu realmente tenho que ir.
—Então me prometa que vai se cuidar, filho, não saia sozinho, nem sequer converse com quem você sabe que te faz mal e volte para casa o mais depressa possível, por favor.
—Esme... Edward é um homem adulto agora, ele sabe se cuidar – Carlisle brincou fazendo Bella e eu rirmos, mas minha mãe permaneceu séria.
—Ele pode até ser, mas para mim vai ser sempre o meu menininho sapeca que se mete em confusões. Por isso, Edward, por favor cuide-se.
—Pode deixar, mãe, eu prometo. Qualquer coisa, Charlie estará bem perto de mim e irá ao meu socorro, não estarei sozinho, eu vou ficar bem – minha mãe me olhou por um longo tempo antes de respirar bem fundo e assentir.
—Tudo bem, tudo bem. Só tome cuidado, por favor – só consegui sair de lá depois de muitas promessas tanto a ela quanto a Bella que ficou muito preocupada com tudo o que Esme estava sentindo e para ser sincero, eu também.
Minha mãe tinha pressentido a desgraça que tinha acontecido comigo há tanto tempo, será que estava pressentindo outra? Se eu pudesse teria ficado com ela ali, sem hesitar, mas eu realmente precisava ir, hoje seria a conclusão de um trabalho duro que Eleazar e eu temos desenvolvido durante todo esse mês e não poderíamos adiar essa resolução.
Dirigi com o máximo de cuidado enquanto pensava no que minha mãe disse e nas recomendações que Charlie vinha me fazendo desde que destituiu Aro de seu cargo e ele gritou para quem quisesse ouvir que eu pagaria pelo que estava acontecendo com ele. Eram coisas como não ficar sem meu celular em hipótese alguma, ligar para ele a qualquer sinal de perigo e desde que Bella tinha falado com ele sobre os diversos carros que eu nem sabia que tinha, o delegado achou uma boa ideia que eu não estivesse sempre com o mesmo carro, para não dar sorte aos que estavam apenas esperando uma oportunidade para me pegar.
Eu não via como isso poderia realmente ajudar, afinal de quanto tempo eles precisariam para danificar meu carro? Mesmo sabendo que poucos minutos bastariam eu apenas o obedecia sem hesitar.
Eu não via meu amigo há alguns dias e nem sequer conseguia falar com ele. Ambos estávamos cheios de trabalho, ele empenhado e fazendo tudo o que podia para descobrir o que aquela quadrilha estava tramando contra mim e tentando impedir um novo ataque. Não sei ao certo o que ele estava fazendo, mas sabia que não media esforços para acabar com tudo isso.
Eu até tentei falar com ele algumas vezes para ter alguma noção do que estaria acontecendo, mas não consegui e nem insisti devido as diversas consultas com Jacob – todas elas muito frustrantes e cansativas – e o stress do meu trabalho. Eu estava exausto de tudo e agora minha cabeça estava ainda mais cheia por não parar de pensar no que minha mãe disse e ainda mais no que Bella e eu conversaríamos no fim da noite.
Quando cheguei ao fórum, muitos minutos depois do que eu deveria ter chegado, apenas deixei minhas coisas em minha sala antes de seguir para a sala de audiências. No caminho passei em frente a sala de Quill e como todos os dias Tanya estava lá, olhando para mim. Diferente dos outros dias, ela não me olhava com a mesma expressão cheia de ódio e indignação, hoje, ela parecia estar implorando por algo enquanto me via passar.
Não me ative a isso, não me prendi em seu olhar, como nunca tinha feito, apenas segui meu caminho para dar início ao meu trabalho.
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O julgamento terminou tarde, muito mais tarde do que eu pensei que terminaria. Tiveram muitas testemunhas e muita coisa para analisar tanto que já passava das dez da noite quando finalmente tudo acabou. Eu estava cansado, me sentindo um caco, pela noite mal dormida, pela alimentação ruim durante o dia todo e por toda a merda que não saia da minha cabeça de jeito nenhum. Tudo o que eu queria era ir para casa, com minha família e descansar.
—Excelente trabalho, Cullen. Mais uma atuação brilhante – o promotor me alcançou logo que cruzei a saída da sala de audiências e eu sorri.
—Obrigado, Eleazar, você também esteve ótimo.
—Formamos uma boa dupla – ele riu – qualquer dia desses precisamos tomar uma cerveja, relaxar um pouco, que tal?
—Vai ser ótimo, cara, vamos marcar – nós nos despedimos ao chegar a recepção vazia àquela hora da noite e eu o vi cruzar a porta da frente junto com os outros membros do júri. Estava pronto para fazer o mesmo quando Gianna me parou.
—Dr. Cullen, os papeis que precisa preencher para formalizar a sentença já estão em sua mesa.
—Obrigado. Tem algum recado para mim?
—O delegado Swan ligou para o senhor muitas vezes durante o dia – franzi o cenho estranhando.
—E o que ele queria?
—Não sei ao certo, mas ele parecia realmente precisar falar com o senhor – pendurou sua bolsa no ombro e recolheu mais alguns pertences de cima da mesa – anotei os recados e os deixei em sua sala.
—Tudo bem, obrigado.
—Já deu a minha hora, doutor, e eu realmente preciso ir...
—Não se preocupe, apenas feche tudo, eu vou logo depois de você – segui em frente, louco para assinar a papelada que ainda me prendia aqui e voltar para a casa, para a minha Bella.
Quando me sentei a mesa, vi meu celular deixado ali o dia todo e só então me dei conta que não esteve comigo. Havia inúmeras ligações de Charlie e de Bella e eu me perguntei o que estaria acontecendo, mais do que depressa, eu liguei para o meu amor.
—Edward!— ela atendeu no primeiro toque, parecendo aliviada – Finalmente! Você está bem?
—Sim, eu estou bem e você?
—Estou bem, mas passei o dia todo querendo falar com você. O que aconteceu? Por que não atendeu? Está bem mesmo?
—Eu passei o dia todo em um julgamento, acabei de sair. O que você quer falar comigo? – perguntei estranhando – Por que ficou tão preocupada?
—Tenho uma coisa muito importante para te dizer— ela falou um pouco mais baixo e soube que estava envergonhada – mas... — continuou antes que eu pudesse perguntar o motivo de seu constrangimento – fiquei preocupada mesmo por que o tio Charlie estava louco te procurando. Conseguiu falar com ele?
—Ainda não, vi sua chamada e resolvi falar com você primeiro, fiquei preocupado e achei que algo pudesse ter acontecido.
—Eu estou bem, muito bem... só com saudade— ficamos em silencio por um instante antes que eu perguntasse.
—Como foi o seu dia? Fez alguma coisa de bom?
—Foi muito... diferente e surpreendente, eu diria. Ainda não acredito em tudo o que aconteceu... ou melhor no que está acontecendo...
—Como assim?
—Eu descobri uma coisa muito importante que vai... vai mudar nossas vidas e eu não tenho certeza se você vai gostar...
—E o que é? – perguntei preocupado com o seu nervosismo.
—Eu prefiro contar quando estiver aqui— ela pareceu nervosa outra vez – já está vindo para cá?
—Acabei agora, mas tenho uma pilha de papéis para assinar então acho que vou demorar um pouco mais. A não ser que seja urgente e precise de mim agora. Sabe que eu largo tudo se precisar de mim, você é o que eu tenho de mais importante em minha vida.
—Não se preocupe comigo, eu estou bem, nunca imaginei que me sentiria assim diante do que está me... nos acontecendo... — ela suspirou me deixando curioso para entender seu enigma – só perguntei para saber em quanto tempo estará aqui.
—Por que você quer ficar um pouco mais com Rosalie e Emily?
—Por que eu quero preparar um jantar gostoso para você, para saborearmos essa notícia. Eu vou para casa cuidar de tudo. — ela hesitou por um momento e perguntou – Posso?
—Está tarde... eu preferia que ficasse aí mesmo e esperasse por mim.
—Emmett me leva, vou ficar segura em casa, não se preocupe.
—Tudo bem, mas qualquer coisa ligue imediatamente para mim, sim?
—Pode deixar. Mal posso esperar para você chegar.
—Vou fazer de tudo para estar ai o mais depressa possível. Eu te amo – sussurrei ouvindo-a suspirar e desliguei.
Estava pronto para ligar para Charlie, mas minha bateria acabou assim que desliguei. Eu coloquei o celular em cima da mesa e com o olhar procurei os recados que ele tinha deixado imaginando o que ele poderia querer comigo. Peguei os recados e girei a cadeira virando de costas para a porta de entrada e de frente para o banheiro que havia ali, dando de cara com Tanya me olhando estranhamente.
—Você nunca disse que me ama – falou depois de nos encararmos por um longo minuto – nunca, nunca, nunca! Não disse nada nem parecido com isso.
—É por que não sinto nada por você, não tenho porque mentir – ela balançou a cabeça e se aproximou devagar, passo por passo.
—Você nunca nem ao menos me tratou com carinho, o respeito era tão raro que eu me surpreendia e me animava quando era gentil comigo, mas isso nunca durou – ela fechou as mãos em punho me olhando com raiva e estreitei os olhos.
—E o mais engraçado é que você quer continuar com isso, deseja ardentemente a minha indiferença. Juro que não entendo o porquê de você querer isso para si, se é assim tão ruim.
—Não é uma questão de querer, não é uma escolha. Nós pertencemos um ao outro, mesmo que você não entenda, mesmo que não se lembre – balancei minha cabeça imaginando se ela tinha algum tipo de demência, essa esperança que ela mantinha era algo inacreditável.
—Tanya, o que você quer aqui? – perguntei por fim desejando acabar logo com isso e ir para a casa.
—Vim falar com você...
—E o que quer falar? Faz semanas que vem aqui todos os dias e nunca mais nem sequer me cumprimentou. Desistiu do ódio que sentia por mim?
—Eu amo você Edward, jamais poderia te odiar. É claro que há momentos que suas atitudes me deixam um pouco irritada, mas eu não me esqueço do que realmente é importante para mim – ela sorriu – e sei que por mais que esteja confuso com o que sente por essa mulher, com você acontece a mesma coisa, uma vez que um mês se passou e ainda não mandou um advogado para cuidar de nosso divórcio como disse que faria. Sei que vai esquecer disso tudo e voltar para mim, para nossa casa, não é?
Eu ri. Era inacreditável! Inacreditável porque, ao que parece, Tanya realmente acreditava no que estava dizendo, suspirei. Eu estava tão cansado dessa situação que resolvo dar um fim nisso de uma vez por todas.
—Tanya, eu realmente não sei se você acha que com a minha memória foi-se também a minha inteligência ou se você é verdadeiramente muito burra. Achou mesmo que eu nunca descobriria a verdade?
—Do que está falando?
—Há tempos eu sei que já estamos divorciados desde antes de meu acidente.
—Como é? – ela ofegou com a mão no peito, fazendo sua ceninha típica – do que está falando?
—Não finja que não sabe – Tanya continuou me olhando como se não estivesse entendendo e eu respirei fundo para não perder a paciência – Não somos mais marido e mulher há quase dois anos, você me enganou todo esse tempo. Como quer que eu ainda fique com você?
—Quando soube? Como foi que soube disso? Ninguém sabia... não tinha como contarem a você!
—Achei os documentos em meu cofre, vi nossas assinaturas e a validação do juiz. Não temos mais nada um com o outro – ela me olhava pasma e demorou um pouco para que processasse tudo o que eu disse.
—Em que cofre encontrou isso? – perguntou por fim com o cenho franzido – Eu revirei todas as suas coisas tentei destruir as provas que te afastariam de mim... eu olhei em todos os seus cofres, em todos os lugares possíveis e nunca encontrei nada.
—Parece que não sabia tanto sobre mim quanto imaginou, não é? Os documentos estão na casa em que moro com Bella, a minha mulher.
—A sua mulher sou eu.
—Você foi casada comigo, mas nunca foi a minha mulher, não de verdade, não como Bella é para mim.
—Edward... nós temos uma história juntos...
—Que eu não lembro e nem quero me lembrar, até por que tudo o que eu sei já me deixa com nojo de você.
—Não fala assim.... tudo o que eu fiz foi porque eu te amo, porque queria ter uma vida nova com você – balancei minha cabeça sem acreditar no que estava ouvindo.
—Escolheu fazer isso da pior maneira possível, tanto que depois que descobri essa sujeira toda, eu te desprezo cada dia mais – ela me olhou com os olhos cheios de lágrimas e fungou antes de perguntar.
—Desde quando sabe disso?
—Desde que sai de casa. É por isso que eu mal consigo olhar para você desde então. Como você pôde me enganar desse jeito?
—Deve ter algum engano...
—Não há engano algum – bati na mesa com raiva daquela ceninha quando ela tentou negar outra vez e gritei com ela – Não me enrole mais, porra! Eu já sei de tudo, todas as mentiras que você me contou, conheço as tramas que montou para me manipular e até os remédios que me deu para que eu continuasse em suas mãos. É hora de acabarmos com isso de uma vez por todas.
Tanya me olhou parecendo assustada e eu me lembrei da conversa que ouvi outro dia, do medo que tinham de que eu descobrisse tudo e agora estava feito. Ficamos em silencio por um longo tempo, ela torcia as mãos olhando para mim. Eu esperava que ela dissesse algo, mas o telefone tocou acabando com o silencio. Como ela ainda não tinha se manifestado estendi minha mão para atende-lo, mas Tanya veio para cima de mim, segurando minha mão.
—Edward, me escuta, olha para mim... eu não queria que nada disso tivesse acontecido, mas você precisa entender que eu não tive escolha... não poderia te perder.
—Então decidiu que teria que me matar? É assim que não queria me perder?
—Não... eu...
—Eu já sei que você faz parte da quadrilha que tentou me matar, Tanya. Você quis que eu morresse por que nunca te amei...
—Edward...
—Já sei de tudo, não adianta negar. Você encomendou meu acidente porque sabia que eu estava pronto para viver minha vida com a mulher que eu amo de verdade, você sempre soube disso.
—Não, você não ama aquela mulher. Sei que suas submissas são apenas um objeto para você, foi assim com todas as outras...
—Mas Bella é diferente, você sabe que é.
—Olha, eu não me importo, nunca me importei de dividir você com elas, a gente sempre deu certo desse jeito, os fins de semana podem continuar dela, você faz aquilo tudo o que te satisfaz e na segunda você volta para mim, tudo volta ao normal.
—Isso não dá certo, não quero apenas um fim de semana com ela, que a quero o tempo todo, cada minuto do meu dia. Eu sou incapaz de tocar outra mulher que não seja ela, sou incapaz até de pensar em outra pessoa porque eu a tenho. Entenda de uma vez por todas, eu não pertenço a você, meu coração nunca pertenceu, nem pertencerá – o telefone voltou a tocar insistente e eu o tirei do gancho, mas Tanya o puxou de minha mão o jogando no chão para gritar comigo:
—Não pode fazer isso comigo... você... eu juro, Edward Cullen, juro que vai se arrepender se me abandonar! – eu a segurei pelos braços e a sacudi com força.
—Vou me arrepender por que? Vai tentar me matar de novo? É isso?
—Eu não tenho escolha, não quando eu tento te proteger e você não me ajuda a te manter vivo!
—Do que está falando? O que vai fazer?
—Eu jamais concordei com o que eles queriam fazer, jamais, porra! – ela segurou meu rosto chorando ainda mais quando eu me afastei – Eu amo você, amo com todo o meu coração, mas eles estão certos. Você não se importa comigo, você não me quer – dei de ombros.
—Não somos compatíveis, nunca fomos. Não somos o que o outro precisa nunca daríamos certo.
—Daríamos se se esforçasse se quisesse isso, mas você nunca quis.
—E então, por causa disso, você prefere que eu morra?
—O que eu posso fazer se não posso ter você por perto? Que diferença faria se estivesse do outro lado da cidade ou debaixo da terra?
—Se me amasse de verdade queria o meu bem, preferiria me ver feliz a participar de minha ruina.
—Eu te amo, mas isso não muda nada – ela limpou uma lágrima e balançou a cabeça – eu sinto muito que tenha que ser assim, Edward, sinto muitíssimo.
—Como assim? – Tanya tentou me tocar, mas eu afastei e ela secou as lágrimas esfregando o rosto com força.
—Quill? – ela gritou e eu me levantei surpreso quando vi pai e filho adentrando minha sala no fórum vazio.
—O que vocês todos estão fazendo aqui? – perguntei me lembrando de como minha mãe estava essa manhã vendo que, ao que parece, aquele mau pressentimento tinha mesmo fundamento.
—Não é óbvio, meu caro Edward? – Aro riu se aproximando – vamos completar o serviço que não conseguimos fazer da primeira vez.
—Vieram me matar? – minha voz saiu tremula e ele assentiu.
—E agora vamos conseguir, não vai sair vivo daqui desta vez, Cullen, tenha certeza disso – Tanya chorava no canto e Quill a consolava beijando seus cabelos enquanto Aro parecia extremamente satisfeito.
Charlie deveria saber de algum jeito que isso aconteceria, uma vez que ele me deixou tantos recados durante o dia e posso apostar que era ele quem estava me ligando agora a pouco. Talvez ele soubesse do que estava prestes a acontecer, talvez ele estivesse a caminho para impedir o que quer que fosse. Pensando nisso eu tentava ganhar tempo de alguma forma.
—E por que quer tanto isso? – perguntei tentando distraí-lo dando alguns passos para longe dele e para perto da porta – Não suporta saber que seu tempo já passou, que tem pessoas muito mais talentosas que você?
—E por um acaso você seria uma dessas pessoas que são mais talentosa do que eu? – Aro riu cheio de deboche – você é só um moleque que ainda não sabe de nada e que ainda não fez nem metade do que eu fiz no meu primeiro ano de trabalho.
—Se não está com inveja de mim, por que quer me matar?
—Porque eu acolhi você como a um filho, te preparei para ser meu sucessor, praticamente meu herdeiro de tudo o que trabalhei tanto para construir e como pagamento, você acaba com a minha vida – ele balançou a cabeça – como se não bastasse ter feito isso uma vez, você foi lá e fez outra. Como quer que eu deixe tudo de lado depois do que me fez?
—Não é assim que se lida com os problemas, que graça teria se matássemos todo mundo que entrasse em nosso caminho? Podemos conversar e lidar com isso de homem para homem.
—Está querendo brigar, meu rapaz? – Quill levantou a cabeça olhando para nós, como se analisasse se deveria ou não entrar em ação, mas sem deixar de abraçar Tanya e não deixava de sussurrar para ela.
—Estou apenas querendo acabar com isso de uma vez por todas, resolver nossas diferenças da melhor maneira possível.
—Não tenho mais idade e nem força para resolver as coisas desse jeito e além do mais, eu não quero te ver machucado, quero te ver morto.
—Charlie está na sua cola, na cola de todos vocês – ameacei – Ele sabe tudo o que fizeram e não ficarão impune se conseguirem o que planejam.
—Não me preocupo com isso. Tenho meus meios para me livrar da justiça, afinal sou um juiz renomado, trabalho com isso desde antes de você nascer e não foi em vão. Com meus meios, posso me livrar das acusações ou deixa-las mais brandas, mas o único jeito de me livrar de você é te matando e então não vou mais perder tempo.
Eu olhei em volta pensando no que ele faria. Ali estavam apenas uma mulher em prantos, um homem muito velho e um outro muito mais fraco do que eu. Não seria difícil detê-los do que quer que fosse que estivessem planejando principalmente se Charlie chegasse aqui como imagino que aconteceria.
—Pensei muito no que fazer quando chegássemos a esse ponto – o velho juiz refletiu me olhando – pensei em repetir a dose e tentar sabotar seu carro mais uma vez, mas sei que estavam cautelosos quanto a isso e não seria assim tão fácil. Pensei numa emboscada no meio da estrada em que te mataríamos e te jogaríamos no mato, pensei até em colocar fogo nisso tudo com você dentro, mas não foi isso o que escolhi.
—O que vai fazer, Aro? Não vê que posso acabar com isso num instante. A raiva que sinto de vocês, por tudo o que fizeram com a minha vida, por tudo o que planejaram contra mim... é muito mais fácil que apenas eu saia vivo daqui.
—Isso não vai acontecer, você já era, Cullen.
—O que está pretendendo?
—Tanya, vá em frente, querida – assim que Aro deu o comando Quill passou uma arma para ela que a segurou antes de assentir freneticamente a algo que lhe foi sussurrado.
—Então esse é o plano? Deixar que a moça faça o serviço sujo?
—Mais do que eu ou Quill, Tanya terá todo o prazer em fazer isso. Foi ela quem mais sofreu com a sua existência e quem de nós mais aturou você, nada mais do que justo que ponha um fim nisso tudo – minha ex tremia, chorando compulsivamente com a arma na mão.
—Tanya? Vai mesmo fazer isso? – perguntei quando ela apontou a arma em minha direção – vai mesmo acabar com a minha vida, assim, tão covardemente?
—Você... você não me deu escolhas... não tem outro jeito. Eu preciso fazer isso.
—Não precisa. E todo amor que você sempre disse sentir por mim? Vai mesmo deixar de lado e me matar?
—Não vou fazer isso por tudo o que sinto por você, mas por tudo o que sente por mim, por tudo o que acabou de me dizer – ela soluçou e suas mãos vacilaram baixando a arma por um instante e eu dei um passo em sua direção imaginando se poderia desarma-la – não vou suportar olhar para você, para a sua felicidade com aquela mulher, principalmente depois de tudo o que me disse.
—Tanya... – eu a chamei de mansinho tentando me aproximar, um passo de cada vez, mas Quill interferiu chegando perto dela.
—Vamos logo com isso, querida, antes que ele consiga te enganar mais uma vez e você esqueça tudo o que ele te fez, só para recomeçar esse seu sofrimento. Dê um fim nisso de uma vez. Atire! – ela assentiu mirando a arma em mim.
—Você quer mesmo que eu morra assim? Sem nem ao menos termos conversado direito?
—Já disseram tudo o que tinha para ser dito – Quill se meteu me ajudando a ganhar tempo – ela não precisa que você a machuque mais do que já fez.
—Tanya sabe que eu sou sincero, quero que ela tenha com alguém o que não posso dar a ela.
—Não seja por isso, Cullen, assim que morrer, eu vou cuidar dela, vou cuidar melhor do que jamais conseguiu fazer. Ainda não entendo como foi que pôde ter sido casado com essa mulher maravilhosa e nunca ter dado o devido valor a ela – ele fechou as mãos em punho me olhando com mais raiva – esse detalhe só me faz te odiar ainda mais.
—Então cuide dela, sabe que ela está livre. O que passou, passou não precisamos ficar presos no passado. Nós não precisamos cruzar o caminho um do outro nunca mais enquanto vivermos. Eu só quero viver a minha vida e você a sua, vamos apenas fazer isso.
—Ainda não entendeu o que está acontecendo aqui? Tanya não vai desistir de você enquanto estiver vivo e eu só poderei viver em paz quando morrer.
—Mas você sabe que ela não vai conseguir me matar, ela me ama, não suportaria me machucar desse jeito.
—Mas eu também não suporto mais ser machucada – ela gritou voltando a chorar compulsivamente – eu não aguento mais, Edward! Mas não se preocupe, mesmo que você morra, meu amor vai continuar sempre comigo – dizendo isso segurou a arma com mais firmeza e posicionou o dedo no gatilho – até porque eu não vou durar muito mais que você, assim que morrer, eu vou junto e quem sabe, em outra vida nós poderemos ter a felicidade que não conseguimos ter aqui?
—Tanya, não! – pedi tentando não levantar a minha voz para que ela não disparasse a arma com o susto, mas foi em vão. A porta aberta de supetão fez com que ela acertando meu braço em cheio.
—Policia! Coloquem as armas no chão! – Charlie entrou em minha sala com uma arma em cada mão apontando para todos os lados. Aro ergueu as mãos e Quill se esgueirou para os cantos com as mãos erguidas, mas o delegado não prestou tanta atenção nele quando percebeu a arma na mão de Tanya e o quanto ela parecia descontrolada – Tanya, coloca a arma no chão agora ou eu atiro em você!
—Eu não posso! Tenho que matar o Edward – pela primeira vez, o delegado pareceu me ver ali e arregalou os olhos ao me ver sangrando.
—Edward, você está bem?
—Eu... eu vou ficar bem – assenti segurando meu braço com força, tentando estancar um pouco do sangue que jorrava.
—Não vai, você vai morrer, meu amor, e eu vou morrer com você – ela ainda apontava a arma em minha direção e de longe se via o quanto tremia. Sem tirar sua atenção de Aro que estava na mira da outra arma, Charlie se aproximou dela com cautela, com certeza percebendo como estava desestruturada.
—Tanya, é a última vez que eu te peço, coloque essa arma no chão agora, ou eu vou atirar em você! – ordenou com firmeza, mas sem gritar.
Charlie continuou falar com ela, mas eu não consegui prestar atenção, meu braço estava doendo demais, sangrando demais. Uma vertigem me atingiu e eu acabei me sentando no chão.
A minha visão turva, a dor insuportável e a quantidade de sangue que saía de meu braço ferido não me deixavam prestar a atenção no que estava acontecendo, escutava a voz de Aro, de Charlie, o choro compulsivo de Tanya, mas não conseguia entender nada, não conseguia me concentrar, tanto que só percebi que Quill estava ao meu lado quando ele falou baixo ao meu ouvido.
—Descanse em paz, Cullen – antes que eu pudesse reagir de qualquer forma, sem ao menos entender o que estava acontecendo, sinto uma pancada muito forte em minha cabeça e o estampido de um tiro foi a última coisa que ouvi antes de apagar por completo.
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