Memórias
9 Capítulo 9 - No Light No Light
Notas iniciais
Eu nunca imaginei que a luz do dia podia ser tão violenta.
– Eu? — perguntou Jaafar.
Apontando para Jaafar, Kaito respondeu:
– Você mesmo. Está apaixonado pela Fairuz?
Foi, de fato, uma pergunta inesperada, antes que os outros se intrometessem Kaito insistiu novamente que mantivessem-se calados, até mesmo Fairuz, que não sabia se sorria e ficava sem jeito ou se avançava em Kaito para mudar o assunto:
– Seja sincero, saberei se mentir. — Continuou.
– Então eu só preciso não responder.
– Que desapontante. E eu tinha acabado de te elogiar, significa que tem algo a esconder e isso seria gostar realmente da Fairuz. — criticou Kaito.
Pego no truque, Jaafar respondeu relutante:
– Ainda é muito cedo para isso, foi muito rápido, mas...
– Mas? — interrompeu.
– É, eu gosto dela sim.
Fairuz, e não só ela, foi surpreendida com o dito de Jaafar, extremamente feliz, sorria de forma abobada com olhos lacrimejando.
– Tem certeza? — questionou Kaito.
– Como assim? Tu que concluiu isso e estava certo! Está ficando burro?
– Shh! Para de tentar revidar. Paixão, amor, ou interesse no que ela poderia te dar: perdão? Alívio de consciência? Está tentando pagar pelos seus pecados? Segurança? Sei que você se sente culpado pelo divórcio dos seus pais, pela solidão da tua irmã, pelo inferno que se sucedeu; por isso a procurou por tanto tempo. Tenha cuidado, Jaafar.
– Hã?! Do que tu está falando? Cuidado do quê? Por que?
– Todo o gelo que criou é emocional, pode não aparentar, mas você é frio, você tem medo, Jaafar. Medo de calor? Afeto? Medo de descongelar seus sentimentos? De transformar suas lágrimas em gelo? Que contraditório. Essas... Correntes...
Assustado, Jaafar permaneceu em silêncio; com um sorriso de canto de boca, Kaito proclamou:
– Todos vocês! Coisas estranhas acontecerão enquanto não superarem seus problemas! Isso é passado! Todos estão vivos por eles! Mas, por que? Que coisas são essas? São maldições! São castigos, são obrigações! Cada um de vocês foi escolhido por mim como guardião de algo nesse mundo! Se vocês entrarem em desequilíbrio, irão se autodestruir!
Jaafar congelava toda e qualquer superfície úmida, assim como sua frieza que evitava o derramar de suas lágrimas; Irie causava destruição quando sentia emoções fortes pelo fato de não conseguir dominá-las ou superá-las, quando não se tem controle da própria raiva ou tristeza nunca se sabe quem será atingido em momentos em que não se pensa; Fairuz prevê desastres do futuro, apenas coisas ruins, pelo pessimismo de viver pensando no pior, pensando no futuro trágico, por viver com medo de perder seus amigos no futuro, e de se juntar a eles com medo da possibilidade de perda e esquecer de viver o presente.
São as maldições que ganharam.
– Antes de prosseguir, eu aplaudo Haran e Coda por serem tão saudáveis, mas tomem cuidado, alguém, uma pessoa, virá para causar rebu na vida de vocês. — disse aplaudindo.
Ninguém sabia o que dizer, era como alguém invadindo a mente deles e proclamando a sentença de morte. Kaito tirou de uma bolsa em suas costas e dela cinco pergaminhos, distribuindo-os.
– Leiam o que tem aí, vão entender melhor tudo, essa é a segunda coisa que tenho a dizer.
Ao abrirem, confetes estouraram em seus rostos e havia uma mensagem de parabéns em todas com alguma coisa escrita em baixo.
– Parabéns... Você é o guardião da chuva... — leu Jaafar.
– No meu tem tempo. — disse Fairuz.
– Noite. — disse Coda.
– Dia? — estranhou Haran.
– Morte... — disse Irie pensativa.
Uma revelação à luz do dia. Você pode escolher o que fica e o que desaparece.
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