Memórias...
3 3 - Fantasmas do presente
Notas iniciais
Natsumi havia passado a noite em claro, o rosto de seus pais ainda a assombravam toda vez que ela fechava os olhos, era como se suas feições tivessem sido estampadas nas pálpebras da garota, mas foi quando os primeiros raios do dia invadiram a janela do recinto que a jovem Kurosawa percebeu que estava em seu quarto, quando será que havia ido para lá?
Alguém bateu na porta de sua casa, ela não ouviu... Silencio.
Novamente a campainha toca, e com o mesmo resultado por parte da garota, mas é quando a porta e derrubada que a menor acorda de seu transe, ela ouve passou lentos e pesados, pareciam estar subindo a escada e logo estariam na porta de seu quarto, uma sombra preta é projetada na parede e a garota consegue ver a silhueta de uma pessoa, mais especificamente, um homem, ele parecia alto e forte o suficiente acabar com a Kurosawa em poucos segundos.
A sombra se projetava para frente e a garota se sentia suando frio, será que seria o homem que matou seus pais? Será que ele havia voltado para leva-la? Ah! Desse modo seria tão mais fácil! Ela simplesmente poderia se encontrar novamente com as pessoas que mais amava, por alguns segundos ela se sentiu feliz ao imaginar ao redor deles.
Sua felicidade se desfazia com o passar do tempo e agora seu cérebro tentava a fazer aceitar que ela não estava mais sozinha em seu quarto e junto dela se projetava a figura alta de um guarda, que junto com sua farda escura se movia em direção a ela, tentando dizer algumas palavras de solidariedade e carinho, para só então perguntar se a garota era a filha dos recém-falecidos.
Natsumi abriu a boca, mas as palavras emperraram em sua garganta, lá se amontoando e quase que estrangulando a garota, sem saber muito que fazer, a menor somente afirma com a cabeça.
Poucas horas depois Natsumi se vê em um carro indo em direção ao desconhecido, deixando sua casa e dizendo adeus a tudo o que um dia foi seu paraíso, seu estado ainda não a permitia dizer nada e seus sentimentos eram uma mistura inimaginável de coisas que não tinham definição.
O veiculo foi desacelerando aos poucos, assim como o coração da menor que até a pouco estava em disparada, ao olhar para a janela era possível ver uma casa singela e repleta de cores enjoativas, com pontos desgastados e tons opacos que um dia já foram vivos. As paredes falavam pelo local, que provavelmente seria mais um lugar sozinho cujo um dia já teve companhia e era feliz, mas agora se encontrava usado e triste.
Porém a garota não viu a tristeza e muito menos a felicidade perdida do lugar, ela estava ocupada de mais tentando adivinhar o que fazia ali, ou melhor... O que exatamente era ali?
Como se ouvisse seus pensamentos, o guarda havia começado um pequeno discurso falando que lá seria seu novo lar e que ela não precisaria se preocupar com mais nada. “Se fosse possível...” Pensava cheia de ironia a possuidora dos cabelos castanhos claros. Natsumi, com algum esforço conseguiu fazer meia dúzia de palavras saírem de sua boca, aliviando a preção e fazendo-a se sentir menos sufocada, ela falava sobre não ser necessária sua estadia e que ela poderia ficar com os avós.
Isso fez com quem o guarda se retesasse, provavelmente por não aguardar algo assim, e agora, como explicar? Talvez sendo rápido ela entenda, não? Se a informação vier rápida, quem sabe a reação seja mais leve... E foi então que veio, a frase que nenhuma garota gostaria de ouvir após tudo aquilo ter acontecido.
“É só você agora, seus avós morreram, não tem para onde você ir se não for aqui.”
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