Memórias

18 Capítulo 18 - Imperceptível


Diga-me por quê?

Ainda continuo a respirar...

Rasga-me os sentimentos que já não sinto

As pétalas, os ramos, as raízes

Retira-me todas as emoções que já não penso

Corta-me em fatias essa overdose de esquecimento

Anestesia as minhas lágrimas tão sentidas

Empresta-me o tempo que não tive

O quanto demorei pra encontrar o ponto

Onde começa e termina a eternidade

Se caso você duvidar, mata-me

Mas deixe-me descansar

Para que possas perceber que é tarde

Pra me proibires de sonhar

Meu objetivo é ser

Imperceptível como os ritmos quentes

Dos batimentos cardíacos

Pudessem as mãos

Escrever uma música entre o teu sonho

E os fantasmas de papel esboçados

Nesse mais profundo sentir

Que se torna próximo, transparente

Quando digo que a distância

É o momento mais perto de ti

Pudesse eu ter coragem de dizer metade das palavras

Que estão gravadas em mim

Pudesses ser só sonho

Ser o céu e pensamentos

Por enquanto conto-te contos antes de adormecer

Embalo versos, algarismos capazes de medir

O peso de uma voz com cálculos matemáticos

Veja, não há sentido no que digo

No entanto, peço aos pássaros que regressem contigo dos céus

Não é senão pedir em vão asas para eu continuar a cair.