Memória Perdida

8 Capítulo 7 Explosões e Lágrimas


Notas iniciais
OIIIIIIII,
Esse capitulo ficou enorme, mas eu me empolguei e não parei!!!
Bjinhos sangrentos....
PS: VOCÊS PREFEREM ESSA CAPA OU A ANTIGA? Eu mudei pq enjoei aquela!

Natalie Kabra puxou sua mala até o pé da porta de seu apartamento. Deixou a grande e pesada mala ao lado da minúscula mochila de Amy e da pequena mala de mão de Ian.

Eles ainda estavam no quarto, pensando os últimos detalhes da viagem de ultima hora.

Ian tinha invadido o quarto de Natalie antes das sete da manhã para anunciar que viajariam para a Suíça. A jovem Kabra adorava a Suíça. Era um país maravilhoso e com os melhores chocolates do mundo, mas ela não estava com cabeça para roupas e compras. Sua atenção estava voltada para os irmãos Cahill.

Ela não queria admitir, mas estava muito preocupada. Dan Cahill estava sumido e Amy não se lembrava do passado. E, além de tudo, ela podia ver que o brilho nos olhos do irmão tinha voltado. Ele nunca tinha se recuperado totalmente da busca pelas pistas.

Natalie também não.

A menina secou uma lágrima, se perguntando de onde ela tinha vindo, quando Ian e Amy saíram do quarto e andaram até a sala.

- Precisamos nos armar. – Natalie disse assim que os viu. Seu irmão apenas assentiu com a cabeça.

Ian Kabra andou até um dos belos originais de Vincent van Gogh e se posicionou diante dele, arregalando bem os olhos para o detector de retina escondido no quadro.

De repente, janelas de metal começaram a descer do teto, cobrindo totalmente as enormes janelas da belíssima sala dos Kabra.

Luzes se acenderam e Amy se viu em uma sala fechada. Todos os quadros que estavam na sala se dobraram para dentro das paredes e deram espaço para prateleiras de armas. Pistolas de dardos, facas, armas convencionais, aramas de longa distancia, armas com silenciadores...

As almofadas do lindo sofá de couro também se dobraram, deixando à mostra telas de computadores.

Natalie parou diante de uma das telas e falou:

- Armas para aviões. Tiro distância e defesa.

A frase parecia sem sentido para um ser humano, mas o computador entendeu perfeitamente.

- Armas sendo selecionadas... – Amy se assustou ao ouvir a voz robótica sair do computador.

Fotos de armas começaram a surgir nas telas dos três computadores – que antes eram inocentes almofadas – e Ian começou a pegar as armas que apareciam.

- Todo esse arsenal pode ser visto nos raios-X. – Amy falou – Vocês querem viajar com isso?

- São feitas de um metal diferente. – Explicou Ian. – As máquinas não conseguem identifica-las. Os fiscais vão ver apenas imagens desfocadas ou, se o aparelho for dos mais tecnológicos, armas de brinquedo. O metal de dessas armas é misturado com um tipo de plástico que impede que o metal seja visto, por isso que elas são especiais para viagens aéreas.

Ele pegou uma pequena pistola de dardos e colocou dentro do casaco.

Natalie pegou mais algumas das armas selecionadas pelo computador e as colocou em sua bolsa Dior de pele de cobra.

Amy pegou uma das armas. Era uma pequena pistola com um silenciador. Perfeita para se usada em segredo.

- Tem certeza que você quer levar uma dessas? – Perguntou Natalie, franzindo o cenho.

- Sempre gostei de armas com silenciadores. São bem mais discretas. – Amy soltou, sem perceber. Ela não sabia de onde tinha vindo aquilo, mas, olhando para a arma em sua mão, a ruiva teve certeza que o que dizia era verdadeiro.

Queria tanto lembrar...

Os pensamentos dela foram interrompidos pelo toque do celular de Ian.

Ele atendeu a ligação e ficou em silêncio, ouvindo a pessoa do outro lado da linha.

Seu maxilar se contraiu e seus olhos ficaram mais tristes.

- Obrigado por ter avisado. – Ele disse depois de um tempo e desligou.

- Quem era? – Natalie perguntou enquanto contava a quantidade de balas reservas que levaria para a viagem.

- Da polícia. – O moreno disse e sua irmã parou de contar as balas. – Do necrotério para ser mais exato.

Todos ali já sabiam o que aquilo significava, mas apenas Ian teve forças suficientes para dizer em voz alta:

- O corpo de Nellie chegou. Eles querem que algum familiar ou amigo identifique o corpo.

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O táxi devia estar a caminho do aeroporto, mas a viagem teve que ser adiada por algumas horas.

A cada rua que o táxi virava, a mão de ferro que prendia o coração de Amy se apertava.

Ela estava em silêncio, sentada no banco de trás do carro junto com Natalie e Ian, observando a cidade de Londres pela janela.

Amy não tinha nenhuma lembrança da tal Nellie Gomez, mas sentia que aquela pessoa era especial. Sentia uma tristeza muito forte só de parar para pensar naquela garota. A ruiva não sabia como ela era, mas a imaginava como uma jovem rebelde e rockeira que tinha ainda muito para viver.

Nellie Gomez...

O nome lhe parecia familiar. Amy sabia que não poderia reconhecer uma pessoa que nunca tinha visto na vida – ou que não se lembrava de ter visto na vida – e que iria ver o corpo apenas para saber quem era aquela garota tão especial.

O táxi enfim parou.

O prédio pintado de azul devia ter mais de quatro andares e ficava em uma rua de muito movimento.

Pessoas andavam apressadas ou passavam correndo com roupas de malhação ou passeavam com seus cachorros. Alguns policiais entravam e saia do prédio, mas passavam por Amy, Ian e Natalie sem olha-los nos olhos.

Natalie respirou fundo, tentando se mostrar mais forte do que realmente era, e disse:

- Vamos acabar logo com isso.

Eles entraram no prédio e andaram até a recepção.

- Bom dia. – Cumprimentou a recepcionista. – Posso ajuda-los?

Ian tirou a identidade do bolso do casaco e, de tão nervoso que estava, quase permitiu que a recepcionista visse a arma que transportava ali.

- Fomos chamados para identificar o corpo de Nellie Gomez. – Ele disse.

- Só um minuto. – A recepcionista pegou a identidade de Ian e a de Natalie e girou a cadeira com rodinhas até chegar ao telefone. Discou alguns números e cochichou com alguém por alguns segundo antes de desligar. – Nosso legista vai atendê-los.

O elevador perto da recepção se abriu e um homem de meia idade, vestido com uma bata branca, caminhou até o trio.

- Meu nome é Munhoz e fiquei responsável pelo corpo da senhorita Nellie Gomez. Queiram me seguir.

Ian, Amy e Natalie seguiram o homem até o elevador, onde ele apertou o botão para o terceiro andar.

- Assim que a o juiz liberou a vinda do corpo da Espanha para cá que fiquei intrigado. – O homem começou a falar. – O resultado do exame de sangue comprovou que a morte foi devido a overdose e encontramos um pequeno furo de agulha no pescoço da jovem, o que indica homicídio.

O elevador parou e a porta deslizou para o lado, permitindo que todos saíssem.

Munhoz se virou para Amy e disse:

- Você de vê ser Amy Cahill. Encontramos uma foto de vocês duas juntas na carteira da jovem, mas a foto já foi analisada e constatamos que foi uma montagem. – O médico parou de andar diante de uma das portas do corredor. Ele suspirou. – Desejam mesmo fazer isso?

Natalie não queria, mas foi a única a falar:

- Sim.

Eles entraram na sala e se depararam com um corpo deitado em uma bancada de metal, coberto por completo por um tecido azul claro.

Natalie baixou os olhos, tentando ao máximo segurar as lágrimas que turvavam sua visão.

Ian parou perto da irmã e a abraçou.

Amy deixou as lágrimas escorrerem enquanto se aproximava do corpo.

Munhoz segurou o tecido entre as mãos e o girou, revelando o rosto sem vida de Nellie.

Amy focou os olhos. Sua vontade de chorar sumiu.

A jovem tinha o cabelo loiro, repleto de mechas coloridas, cortado de forma aleatória, como se tivesse sido cortado por uma faca ao invés de uma tesoura.

A ruiva continuou a observar o rosto e depois pediu com uma voz falha:

- Quero ver o corpo dela por completo.

O médico franziu o cenho para a menina.

- Amy, acho melhor nós irmos embor... – Ian começou, mas não conseguiu terminar sua frase.

- Eu preciso ver o corpo dela. – A Cahill disse, os olhos secos, sem nenhuma lágrima. – É necessário.

Munhoz, sem alternativa, puxou o tecido até os joelhos da jovem morta, expondo o seu corpo nu para Amy.

Ela tinha uma enorme tatuagem de dragão que começava nos quadris e terminava entre os seios, onde o rabo do dragão sumia.

A cabeça de Amy girou.

- Corre, Amy. Corre! – Dan gritou.

Amy fez o que o irmão dizia, sabendo que era impossível lutar com todos aqueles Vesper. Ela percorreu em alta velocidade os corredores do museu, derrubando peças pelo caminho para atrapalhar os Vesper que a perseguiam, mas um deles a surpreendeu.

A mulher voou para cima de Amy, a derrubando no chão.

A Vesper sentou na barriga da menina, segurando seus braços e tentando mantê-la presa, apesar de Amy chutar com força suas costas.

Dois homens agarraram os braços da Cahill, puxando a manga de sua camisa para cima e expondo os finos braços da menina, que se debatia e tentava se soltar.

A mulher que tinha a derrubado tirou do macacão que usava uma seringa contendo um líquido azul. Segurou com força o braço de Amy e enfiou a agulha nele, forçando o líquido a entrar na corrente sanguínea da jovem.

Amy gritou forte e conseguiu acertar um chute forte nas costas da mulher, que caiu de lado com um baque forte. A Cahill girou o corpo e conseguiu soltar uma das mãos, arrancou a seringa do próprio braço e cravou no braço do Vesper que ainda a segurava.

O homem urrou de dor.

Seu companheiro e a mulher se colocaram de pé e tentaram agarrar Amy, mas ela foi mais rápida e pegou um vaso Romano que estava na exposição e bateu com força na cabeça do Vesper.

Ele desmaiou.

A agente Vesper agarrou Amy pela cintura e a prendeu na parede.

A ruiva bateu a própria cabeça no nariz da mulher, que a soltou para segurar o nariz ensanguentado.

A Vesper berrou quando Amy se pôs a correr novamente e tirou um canivete do bolso. Atacou a Cahill com o objeto, fazendo um corte na bochecha de Amy.

A menina foi rápida: levantou o pé e chutou a mão da mulher, derrubando o canivete perto de seus pés. Ela pegou a arma e deferiu um golpe em direção a Vesper, que tinha o rosto totalmente melado do sangue que escorria do nariz.

O canivete passou pelo macacão da mulher, cortando-o no meio e expondo a barriga da mulher com uma enorme tatuagem de dragão.

Amy levantou o pé mais uma vez e acertou um chute no rosto da Vesper, que caiu no chão. Desmaiada.

Amy se segurou na outra mesa de metal.

- Você está bem? – Perguntou Ian, segurando o rosto da ruiva entre as mãos. – Vamos embora. – Ele começou a puxar Amy, mas ela o interrompeu.

- Só mais um segundo. – Ela gesticula antes de se aproximar novamente do corpo descoberto da jovem.

Foi quando teve certeza: a enorme tatuagem de dragão era a mesma da Vesper.

Aquela corpo pertencia a Vesper!

Amy se virou para Ian e uma Natalie cabisbaixa e disse com uma certeza que nunca teve antes na vida:

- Essa pessoa não é Nellie Gomez.

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Jonah Wizard apressou o passo.

Um grupo de meninas passou por ele. Uma delas usava uma camisa com os dizeres “Jonah eu te amo!” em italiano.

Com a cabeça baixa e coberta pelo capuz do agasalho que usava, Jonah podia caminhar tranquilamente pelas ruas de Veneza, sem medo de ser surpreendido por alguma fã histérica reclamando que ele não tinha ido para o seu show em Las Vegas no dia anterior.

Broderick Wizard tinha prometido a todos os fã que iam para o show que teriam seu dinheiro reembolsado, mas isso não acalmou as revistas de fofocas, que procuravam loucamente por Jonah, desaparecido das câmeras desde Las Vegas.

O astro do hip-hop tinha coisas mais importantes para resolver.

Ele saiu das ruas mais movimentadas e desceu uma viela deserta, ladeada de lojinhas.

Jonah parou diante da loja Disco Volante que estava fechada. O nome da loja, antes um letreiro brilhante de neon, estava desligado.

Ele tirou uma pequena goma do bolso e colocou na fechadura. A fechadura começou a ferver e derreteu, permitindo que Jonah entrasse na loja.

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Gisella sempre adorou ser Janus.

Era uma escritora renomada.

Uma escritora renomada que sabe exatamente quando vai morrer! Ela pensou enquanto olhava para a enorme tela, o único aparelho que estava ligado na base Janus em Veneza.

Cerca de vinte pessoas estavam aglomeradas naquela mesma sala. Todos os agente que estavam na base quando o poderoso vírus Vesper tomou o comando dos computadores da base.

Nenhum Vesper apareceu pessoalmente e todos os Janus ficaram presos ali.

Gisella até tinha conseguido captar um fraco sinal de satélite e ligado para Jonah Wizard, um amigo de longa data e filho da líder do clã, mas não teve tempo de avisar o que aconteceu antes que a ligação caísse.

Não teve tempo para contar que não havia mais esperança para nenhuma das pessoas que estavam presas ali.

A mensagem Vesper deixara isso bem claro.

O vídeo fora bem claro: Damien Vesper teve a honra de se apresentar, contar alguns segredinhos dos Vesper e depois dar o seu recado. A base inteira estava ligada a um sistema de explosivos e, assim que alguém entrasse na lojinha Disco Volante e apertasse o tocador na música exata para abrir a porta que levava a base, todos os explosivos seriam acionados.

Uma câmera mostrava ao vivo a loja. A loja estava fechada e as luzes desligadas. Ninguém entrava naquele lugar havia quase um dia.

De repente a porta se abre.

O coração da escritora quase para de bater quando ela vê Jonah entrando na loja.

- NÃO! – Berra uma das agentes Janus, batendo com o punho fechado na tela do computador. Todos ali estavam desesperados.

Gisella apenas deixou as lágrimas escorrerem.

Aquele era o seu fim e seu ultimo desejo era que Jonah conseguisse sobreviver...

Jonah andou até a cabine de escuta, que ficava atrás de um vidro de isolamento sonoro.

Ele tirou o CD com músicas de Mozart e colocou no aparelho de som.

Cada vez que ele apertava o botão para passar uma música, Gisella via o rosto das pessoas que amou durante a vida.

Jonah parou de passar as músicas.

Isso significava que ele já tinha chegado na KV 617, a música que abria a passagem para a base.

Gisella deixou as ultimas lágrimas de sua vida escorrerem enquanto ouvia o som forte das explosões.

Os gritos e gemidos. O barulho das explosões.

Nada mais afetava a escritora.

Pois ela não sentia nada além da escuridão.

A escuridão que a levou desse mundo...

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O chão tremeu por completo sob os pés de Jonah.

Ele saiu da salinha de escuta e viu as paredes rachando como papel molhado.

O astro do hip-hop protegeu o rosto com os braços enquanto corria para fora da loja.

BAM... BAM... BAM...

As explosões cessaram.

Jogado no meio da rua, Jonah observou o prédio por completo ruir.

Uma nuvem de poeira e fumaça subiu, chamando a atenção de pessoas, que gritavam em italiano pela rua.

Jonah, oculto entre a poeira, deixou as lágrimas escorrerem sem medo.

A base Janus de Veneza não existia mais.

Os Vesper tinham vencido.

Mais uma vez.

Notas finais
Gostaram?
Odiaram?
Adiei mais uma vez o encontro com Ham e Sinead, mas foi por uma boa causa!
Nellie no próximo capitulo!!! hehehehe
COMENTEM!
FANTASMINHAS, AGUARDO O COMENTÁRIO DE VCS! :D
Bjinhos sangrentos....