Memória Perdida

17 Capítulo 16 Juntos


Notas iniciais
Perdoem-me a demora, mas eu realmente não consegui postar antes.
Outra coisa que me fez perder a inspiração: tenho 21 leitoras e recebi apenas 7 comentarios no ultimo capitulo... Eu fiquei realmente triste com isso!
Bom, curtam o capitulo.
Bjinhos sangrentos

A Suíça era realmente um país belíssimo.

Ian caminhava tranquilamente pelas ruas movimentadas. Depois dos prédios e estações ferroviárias, ele conseguia ver os belos Alpes Suíços. As montanhas pareciam proteger os habitantes daquele pequeno país.

Nas ruas, o francês e o alemão se misturavam com resquícios de italiano e inglês e Ian parecia deslocado entre tantas pessoas de pele clara.

As palavras de Amy não saiam de sua cabeça. Assassino. Ele seria mesmo um assassino? No fundo o moreno sabia que o que Amy disse era verdade, afinal, durante a busca pelas pistas, ele tentou mata-la inúmeras vezes.

Ian achava que, depois de quase três anos sem ver a mãe, os ensinamentos diabólicos dela tivessem o abandonado por completo, mas estava enganado. Sua mente ainda pensava em sangue. Ian se sentia feliz e curado quando estava perto de Amy e, pela primeira vez na vida, ele pensou que podia realmente fazer alguém amá-lo. Mas isso foi antes. Agora tudo que restou do jovem Ian Kabra foram as lembranças do passado.

Amy devia ter o deixado explodir no museu com o cravo de Mozart ou devia ter o deixado cair do Everest. Talvez tudo teria sido mais fácil se isso tivesse acontecido. Os irmãos Cahill nem se dariam ao trabalho de lembrar-se dele e Natalie provavelmente teria fugido junto com o pai para o Brasil. Ou até melhor! Isabel poderia ter ganhado a busca pelas pistas e os Kabra teriam se tornado a família mais poderosa do mundo.

Ian parou de repente. Sem perceber, seus pés o levaram de volta para a casa de Sinead. O moreno não queria entrar, mas já tinha passado várias horas fora e Natalie precisava dele.

Será que Natalie está sentindo a minha falta? Ele se perguntou e então encaixou a sua copia da chave da casa dos Starling na fechadura. Será que, se eu desaparecesse por vários dias alguém nessa casa sentiria a minha falta?

Ele abriu a porta e encontrou uma cena que já esperava encontrar: todos estavam na sala, debruçados sobre papéis e mapas. Enfim, todos, menos Amy.

Sinead levantou os olhos para Ian e abriu um sorriso.

- Olha só que resolveu aparecer! – Ela disse e todos viraram para olhá-lo. De repente, Sinead adquiriu um rosto sério. – É melhor você ir para o quarto, Ian.

Como eu pensei: sou acusado de assassino e agora todos vão me julgar. Provavelmente eles e Amy estavam rindo de mim pelas costas!

Ian se dirigiu para o quarto que dividia com Amy. Pensar na garota o deixou triste, mas ele devia saber que um dia isso iria acontecer. Quando Amy tiver suas memórias de volta, provavelmente vai odiar Ian.

Ele abriu a porta do quarto devagar.

- Vai embora, Hamilton! – Berrou uma voz. Amy se levantou da cama, o rosto e os olhos inchados e vermelhos, e atirou um travesseiro em Ian, sem saber que era ele que estava plantado na porta. Quando os olhos da ruiva se acostumaram com a claridade que vinha de fora do quarto, ela percebeu que não de tratava de Hamilton e sim de Ian. – Ian?

Amy se levantou aos tropeços, as lágrimas descendo novamente pelo seu rosto, e se jogou nos braços de Ian.

O menino foi pego tão de surpresa que cambaleou para trás. Ele estava tão depressivo e se odiando tanto que não conseguia acreditar no que estava acontecendo. As memórias do passado pareciam querer explodir a mente dele, mas o abraço de Amy era como uma vasoura: varria tudo de ruim para fora da mente de Ian.

Ela não me odeia no final das contas! Ian sentiu um enorme peso sair de cima de seus ombros

- Eu fiquei tão preocupada! – Amy gritou, agarrando a camisa de Ian. – Você sumiu o dia inteiro. Eu procurei por todos os lugares. Pensei até que você tinha partido atrás de Natalie sozinho ou... – Um novo soluço fez com que ela parasse de falar.

Ian não conseguia falar. Não conseguia organizar seus pensamentos e ideias, seus sentimentos e problemas, mas uma frase se sobrepunha a todo aquele caus. Três palavras que ele devia ter dito enquanto caminhava ao lado de Amy na enorme propriedade de Alistair Oh na Coréia do Sul, tantos anos atrás. Ou no fim das buscas pelas pistas, mas sentiu vergonha demais para falar.

Ian segurou o rosto molhado de Amy entre as mãos. Ela parecia ainda mais acabada do que naquela manhã.

- Você se lembra do que falou para mim essa manhã? – Ele começou. – Sobre juntos sermos fortes? Passei todas essas horas pensando em tudo que já aconteceu na minha vida e consegui entender as suas palavras. Juntos. Unidos. Pensando como uma única mente, trabalhando como um único corpo. Você sabe o que é isso?

Ele parou, esperando que Amy respondesse, mas ela apenas o encarava com aqueles maravilhosos olhos verdes. As lágrimas não desciam mais pelo seu rosto. As palavras de Ian acalmaram a sua mente e o seu coração. No fundo (Amy tinha certeza disso) não importava o que tinha acontecido no passado, porque era exatamente isso: passado.

- Isso é amor. – Ian respondeu sua própria pergunta. – Eu te amo. Eu te amo demais, Amy.

Uma onda de paz invadiu Ian e levou para longe toda a angustia e sofrimento de todos aqueles anos. Tinha conseguido pronunciar aquelas três palavrinhas amaldiçoadas que nunca saíram pela sua boca. Ele se sentia tão bem por enfim poder dizer aquilo sem que alguém o olhasse de lado e dissesse que amar era para os fracos.

Esse alguém era Isabel. Você estava enganada, mamãe. Ian pensou, desejando que ela pudesse ouvir. O amor nos torna mais forte e não mais fraco.

Amy abriu um enorme sorriso e a sua boca abriu para tornar os seus pensamentos em palavras:

- Eu também amo você!

Ian sorriu e sentiu uma gota molhar seu rosto. Ele passou a mão pelo rosto e limpou a lágrima, surpreso: nunca tinha acreditado que era possível chorar de felicidade.

Ian beijou Amy e eles se fundiram um no outro. Os lábios do moreno saborearam pela segunda vez o gosto doce da boca da ruivinha.

Ian interrompeu o beijo apenas para levantar Amy do chão e gira-la no ar.

A menina gargalhou alto, feliz por se sentir feliz.

Mas para os Cahill a felicidade nunca dura para sempre. Enquanto eles ainda riam e se beijavam, os gritos de Sinead atravessaram as paredes e subiram as escadas:

- Ian! Amy! Desçam aqui agora!

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Jonah estava sentado no sofá da sala de Sinead. A caneca de chocolate quente tremia em suas mãos.

- Jonah, o que aconteceu? – Perguntou Hamilton.

Ham, Sinead e Victor foram surpreendidos pela campainha do apartamento e, quando abriram a porta, se depararam por um Jonah Wizard quase carregado pelo pai. Ele parecia em tranze e não tinha dito nenhuma palavra desde que chegara.

Amy se ajoelhou diante do primo:

- O que aconteceu, Jonah? – Ela tirou a caneca das mãos do primo e a colocou encima da mesinha de centro. – Seu pai disse que você recebeu uma ligação e ficou assim. Quem ligou para você? Foram os Vesper?

Ele encarou Amy.

- Nellie ligou para mim.

Hamilton e Sinead prenderam o fôlego.

Amy e Ian se entreolharam: não tinham contado para os primos que Nellie não estava morta!

- Jonah, – Começou Sinead. – Nellie está mort...

- Nós sabíamos que ela estava viva. – Ian cortou de repente. Todos os olhares se voltaram para ele, menos o de Amy, que baixou a cabeça.

- O que você disse? – Perguntou Si.

- Isso mesmo que você ouviu. – Disse Ian. – Nellie está viva e nós já sabíamos disso. Nós apenas não sabíamos onde ela estava. Bom, agora sabemos, ou melhor, Jonah sabe. – Ele apontou para o astro do hip-hop.

Jonah se levantou em um pulo:

- VOCÊ SABIA QUE NELLIE ESTAVA VIVA E NÃO ME DISSE NADA?

- Eu achei que você detestava Nellie. – Disse Amy colocando-se entre Jonah e Ian e impedindo um novo derramamento de sangue. Jonah encarou a prima e pareceu perceber – enfim! – que Amy não era mais a mesma Amy de antes. Ela não se lembrava de que ele e Nellie tinham um caso.

- Eu amo Nellie. – Ele disse, abrindo o jogo de uma vez por todas.

Ian gargalhou alto.

- Você e Nellie Gomez?

O astro da musica cruzou os braços diante do corpo.

- Você e Amy Cahill?

- Nellie Gomez e você nunca tiveram nada a ver um com o outro! – Retrucou Ian.

- E você tem alguma coisa em comum com a Amy? – Disse Jonah. – Pois saiba que eu mudei depois do fim da busca pelas pistas e Nellie também mudou. Pergunte para Dan quando o encontrarem, ele é prova disso.

- Ian, por que você não disse isso antes? – Perguntou Hamilton, empurrando Jonah para o lado para poder ficar frente a frente com o moreno.

- Achamos que era melhor para todos – O moreno respondeu e depois se voltou para Jonah: – Ela disse onde está? Nellie está bem?

Jonah se sentou no sofá e suspirou.

- Ela disse que estava na Ilha da Páscoa em missão de paz. – Contou. – Quando foi atacada por Vesper. Ela foi salva por um nativo da região e teve que ficar na tribo até o seu tornozelo melhorasse de um machucado. Ao que parece ela voltou para a “civilização” e deve estar viajando para cá nesse momento. Foi o que eu entendi. A ligação foi rápida.

Jonah baixou os olhos e segurou as lágrimas de emoção.

O Sol se punha no horizonte quando Sinead prendeu a sua mão na de Hamilton. Eles se entreolharam e depois desviaram o olhar para os outros que estava na sala.

Eles sabiam onde Natalie e Dan estavam.

Nellie estava viva e logo estaria ao lado deles.

Amy e Ian estavam se dando bem novamente.

Sinead temia apenas por uma coisa: como Hamilton reagiria quando ela lhe contasse o seu maior segredo?

Notas finais
ESPERO MAIS COMENTARIOS QUE NO ULTIMO CAPITULO....
Bjinhos sangrentos e amo vocês! :D