Memória
1 Comprimidos
Notas iniciais
Narrado pelo Mello.
Isso estava me irritando. Muito. E me assustando também. Quando é que isso ia acabar, caramba?!
Acho que é isso que chamam de ironia do destino. Antes, eu não tinha me dado conta, por todo esse tempo eu nunca me toquei. E agora, eu não posso fazer nada. Haha... Que merda de ironia, estou rindo pra caramba aqui, não está vendo?
Droga...
— Mello, o diretor o está chamando — um monitor avisou quando eu estava prestes a cruzar com ele no corredor.
Eu nem respondi para ele, passei reto. Acho que o ouvi resmungando algo sobre este lugar estar cheio de mal educados ou algo parecido.
Azar dele. Ninguém mandou vir trabalhar nesse orfanato.
Fui o mais rápido que pude para a sala de Roger. Acho que essa a primeira vez que eu ia apressado, e não me arrastando até lá, mas enfim. Eu estava ansioso demais para ouvir o que quer que ele tivesse para me dizer, para ficar enrolando aqui.
Não me preocupei em bater na porta, já entrei direto e sem fazer uso da boa educação que tentaram me ensinar. Roger já estava suficientemente acostumado com isso para reclamar. Na verdade, fazia um tempo já que ele cansou de reclamar..
— Mello, e então? Houve alguma mudança? — ele perguntou com o mesmo semblante sério que dominou seu rosto enrugado durante as duas últimas semanas.
— Houve. Parece que a dor de cabeça tem aumentado — e então lhe lancei um olhar acusador — Sem falar que um corte enorme no braço não é exatamente a coisa mais confortável que existe. Claro que isso tudo poderia ser resolvido se você simplesmente disponibilizasse mais analgésicos.
Roger suspirou — Esta já é a dosagem máxima, mais do que isso pode ser perigoso.
— Você me chamou para isso? Para repetir que não vai facilitar em nada na recuperação? Pois bem, recado dado. Posso ir? — tenho certeza de que se a situação fosse outra, Roger ficaria furioso por eu falar assim com ele e já estaria me arranjando meia dúzia de tarefas como castigo. Mas isso se a situação fosse outra.
Ele ficou em um pensativo silêncio por um tempo, e eu estava quase me virando para ir embora quando ele finalmente falou alguma coisa. E eu fiquei realmente surpreso com o que ele disse.
— Está bem. Pode pegar para o caso da dor aumentar — ele disse, abrindo uma das gavetas de sua escrivaninha e pegando uma cartela de comprimidos, me entregando em seguida — Mas só um. Pode causar um atraso no tratamento caso tome muitos.
Apressei-me em concordar, prometendo que ia tomar cuidado e dizendo mais um monte de coisas que eu nem prestei atenção realmente no que significavam. Mas não importava.
Saí quase que correndo da sala, praticamente trombando com o mesmo monitor que tinha me avisado que Roger estava me chamando.
No corredor eu já estava correndo a toda, até que alcancei o meu quarto. Abri a porta, apertando a cartela de pequenos comprimidos amarelos na mão que a segurava.
Mas...
O quarto estava vazio.
Onde... Onde estava Matt?!
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