Memory of Love

4 Um Encontro na Escuridão


Notas iniciais
Hey, voltei!! Obrigada pelos comentários, sempre lindos. Erros no caminho, sorry!! Bjos e boa leitura.

– Tem que ter muitas luzes e brilho como eu, é claro!

– Tem que ser um mega show!

– No maracanã!

– Podíamos convidar o Dinho do Capital.

– E o Di Ferreiro.

– Tenho certeza que eles topam.

– Pedro... Pedro!?

Pedro piscou, voltando para a sala de reuniões, onde todas as cabeças estavam voltadas para ele. Estavam decidindo como fariam para comemorar os sete anos da banda e os cinco anos desde o lançamento por uma gravadora das primeiras músicas deles.

Ainda se lembrava quando segurou o CD nas mãos pela primeira vez, no mesmo dia sua música tocou na rádio também pela primeira vez. Daí para o sucesso foi apenas um passo, os shows começaram a aparecer e não demorou para passarem mais tempo na estrada que em suas casas.

Pedro olhou todos os rostos que o encaravam, havia se passado semanas desde que tomara a decisão de esquece Karina e encontra um novo amor, mas tomar a decisão foi mais fácil do que fazer.

– Não sei... — disse se focando na reunião.

– O que você não sabe Pedro?

– Isso parece muito parecido com o nosso último DVD.

– Pedro tem razão, e ultimamente todos os músicos tem lançado DVDs assim, com muitas luzes e brilhos, em grandes espaços, com muitas participações especiais — Elisa, a assessora de imprensa, e responsável por toda a imagem da banda, disse fazendo pequenas anotações em um tablet.

– E deu o maior trabalho controlar aquelas histéricas — Big Tom, o chefe da segurança se pronunciou com sua voz grave e seu rosto impassível. Pedro sorriu para ele, que apenas moveu o canto dos lábios, era o máximo de um sorriso que ele conseguia produzir.

– Faz quase dois anos, desde o último DVD que lançamos, e a banda não lança uma música nova a quase um ano — André o empresário, lançou um olhar para Pedro que apenas ignorou — Tem que ser algo chamativo e que as fãs, e até que não é fã, compre!

– Que tal uma volta as origens? — Todos na mesa viraram a cabeça em direção a porta, onde uma bonita mulher, com cabelos ruivos até os ombros, e grandes olhos verdes estava parada. Com um sorriso largo de dentes muito brancos ela atravessou a sala e sentou-se ao lado de Sol.

– O que você quer dizer Mel? — Sol perguntou sorrindo para sua figurinista.

– Por que ao invés de gravarem um DVD em um estádio, cheio de efeitos especiais, vocês não fazem algo mais intimista, mas não menos grandioso, uma volta ao passado, um DVD duplo, com um show onde tudo começou, e um documentário com entrevistas, com as pessoas que viram o início, vocês vivem contando histórias engraçadas de quando começaram, as fãs adorariam.

– Isso é bom, isso é muito bom — André disse com os olhos brilhando provavelmente fazendo as contas de quanto faturariam com as vendagens.

– A ideia é muito boa, acredito que conseguiremos bastante destaque na mídia, mas o DVD além do repertorio de músicas antigas precisa de novas também.

Pedro se recostou em sua cadeira e fechou os olhos ouvindo os ruídos das vozes enquanto debatiam as ideias propostas e novas ideias eram lançadas e descartadas. Voltar para casa? Não voltava para casa a mais de dois anos e das poucas vezes que esteve de volta, foi o suficiente para perceber que cada canto do bairro onde viveu sua adolescência suscitavam a lembrança dela, e o quanto essas memorias ainda o machucavam.

Mas esse era um beco sem saída, as lembranças dela sempre o machucariam, por mais que tentasse transforma-las em algo nostálgico e agridoce, elas viam sempre acompanhadas de tristeza e raiva, e dor. Por que o fazia lembrar que nunca mais a tocaria, a beijaria, ouviria a voz dela, a risada dela... que não teriam um futuro juntos.

Um leve pressionar em seu braço o fez abrir os olhos, Pedro piscou ao ver as pessoas saindo, deixando apenas ele e Sol na sala.

– A reunião acabou?

– Você ficou disperso a reunião inteira. Mal abriu a boca!

– Só estou cansado Sol.

– O que você achou da ideia de voltarmos as origens? — Sol sorriu, mas havia um leve brilho de tristeza nos olhos dela — Tudo bem pra você, sei o quanto ainda é difícil pra você...

– Sol, tá tudo bem, a ideia é ótima.

Ela suspirou e balançou a cabeça concordando.

– Você sabe que pode contar comigo e com a banda, não é? Lembrar? Um por todos e todos por um!

Pedro sorriu, se levantou e deu um beijo na cabeça da amiga.

– Brigado Solzinha!

– Pedro vai ser bom voltar para casa, rever nossas famílias, nossos amigos.

Eu sei, estava mesmo na hora de volta, e enterra o passado de vez, para que eu possa seguir em frente, dessa vez sem nenhum fantasma do meu lado.

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– Ka!

Karina olhou por sobre seu ombro em direção a voz que a chamava, estava organizando a despensa, separando os produtos por data de validade.

– Já vou!

Com um pulo desceu do banco onde estava em pé organizando as prateleiras mais altas. Lincoln tirava o uniforme de chef com pressa.

– Vou precisar sair!

– Aconteceu alguma coisa?

– Minha mulher passou mal, levaram ela para o hospital! — ele disse agitado.

– Pode deixar, que eu cuido de tudo! Não precisa se preocupar já estamos quase fechando — Ele confirmou com a cabeça e saiu correndo.

Karina olhou o salão onde haviam algumas pessoas jogando papo fora. Esperou, e não demorou para que elas fossem embora. Colocou os alimentos perecíveis na geladeira, verificou se o gás estava desligado assim como todas as luzes, deu uma última conferida no salão, satisfeita trancou as portas do Perfeitão.

A noite estava bonita e uma brisa morna soprou contra seu rosto, e pela primeira vez desde muito tempo sorriu verdadeiramente, fazia uma semana que trabalhava no restaurante, e não podia estar mais feliz, pela primeira vez desde que fugira se sentia segura.

Uma movimentação chamou sua atenção, quando um carro estacionou em frente ao prédio onde ficava a academia e a escola de arte, e duas pessoas desceram. Se tornará um habito, seu olhar ser atraído para a fábrica, mesmo contra a sua vontade, se pegava olhando o lugar. Seu coração sempre se agitava, com um sentimento que não conseguia identificar quando o olhava.

Karina parou hesitante ao lado do carro.

– Não podíamos espera para trazer amanhã esse material Ed?

– Esqueceu Lu, que as aulas começam segunda, precisamos ter tudo pronto até lá...

A mulher a viu primeiro, e a olhou de cima a baixo.

– Você quer alguma coisa garota?

– Eu... não, achei que podiam precisar de ajudar.

– Eu nunca vi você por aqui antes — O homem, Ed, disse a olhando com desconfiança.

– Eu comecei essa semana a trabalha no Perfeitão — Karina indicou o restaurante com a cabeça — Estava indo embora quando ouvir vocês...

– Não é o Lincoln que fecha o Perfeitão... E a Delma?

– Esqueceu que ela foi viajar com a orca.

– É mesmo.

– E o seu Lincoln precisou ir embora mais cedo.

– Lincoln deixou ela fecha o restaurante, ela deve ser de confiança. Você pode nos ajudar com as caixas?

– Lucrécia!

– O que?! Eu não vou carregar essas caixas, e você sozinho vai demora uma eternidade.

– Eu ajudo sim — disse ajeitando a mochila nas costas, hoje poderia matar sua curiosidade de como seria a academia e a Ribalta por dentro.

Lucrécia foi até o carro e abriu a porta mala, mostrando as caixas, Karina pegou a maior, que era mais leve do que imaginava, o homem suspirou resignado.

– Anda Ed, pega logo a outra caixa!

– Tá bom, mas toma cuidado garota! Dentro dessa caixa tem uns adereços que são muito frágeis. Karina sorriu e concordou com a cabeça. Ed, foi na frente e ela o seguiu.

Quando por fim entrou na fábrica, foi como se uma onda escura e espessa a acertasse com toda a sua força, a caixa escorregou das suas mãos, provocando que o barulho ecoasse em seus ouvidos.

Estava sufocando. Se afogando.

Mais ainda conseguia ver.

O ringue, as prateleiras cheias de troféus, os sacos de pancada, uma pilha de luvas em um canto...

Como mãos fortes, a voz de Ed, a arrancou do mar onde se afogava.

– O que você está fazendo! — ele gritou do topo da escada — Sua desastrada! Eu disse que eram adereços frágeis!

Karina puxou o ar com força, sentindo seu peito doer, se abaixou rapidamente e pegou a caixa do chão. Algo se expandia em seu peito, fazendo força para sair em forma de lágrimas. Inspirando e espirando, apertou a caixa contra seu peito e subiu as escadas.

– Desculpa — murmurou quando alcançou Ed, sua voz soando distante aos seus ouvidos.

– Espero que não tenha danificado nada... Você está bem? Está pálida — Karina não conseguiu responder, apenas acenou com a cabeça que estava bem — Vem! Vamos ver se nada foi quebrado...

Enquanto Ed verificava se nada tinha sido danificado, Karina se apoiou a grande mesa, onde todos os professores da Ribalta se reunião para toma decisões. A pressão em seu peito já diminuirá, e já não se sentia se afogando.

– Parece que nada foi quebrado! Mas não posso deixar isso aqui, se não mais algum desastrado pode esbarrar... garota... qual é mesmo seu nome?

– Catarina.

– Catarina, a indomável! Você já encontrou o seu Petrúquio para doma-la?

Karina apenas o olhou, sua expressão dizendo mais que qualquer palavra. Ed, apenas bufou frustrado.

– Esqueça! Você pode me fazer mais um favor? Enquanto pego as outras caixas no carro, leve essa para sala de figurinos... vá até o final do corredor e vire à direita, você vai ver uma porta com uma placa escrito figurinos...

Quando chegou a sala de figurinos, colocou a caixa no chão com todo cuidado e saiu da sala, foi quando seu olhar periférico captou algo, fazendo-a se deter, seguiu o corredor oposto ao que tinha vindo até uma sala, onde acima da porta uma pequena placa indicava como a sala de música, não soube por que, mas isso lhe trouxe um sorriso aos lábios e antes que pudesse se deter entrou na sala. Localizou o interruptor e acendeu as luzes, havia instrumentos espalhados pelo chão, alguns estavam pendurados na parede, como obras de arte.

Um mural com fotos que tomava quase toda uma parede, chamou sua atenção, se aproximou olhando as fotos, de jovens tocando ou cantando, em grupos ou sozinhos. Seu olhar se prendeu a uma foto, como se não tivesse controle sobre seu corpo, seu braço ser ergueu, seus dedos roçaram na imagem, era um garoto, ele segurava uma guitarra, a cabeça levemente abaixada olhando o instrumento em suas mãos, o sorriso aberto, não conseguia ver os olhos dele, pela posição que ele estava e pelo cabelo bagunçado, mas tinha certeza que eram cheios de brilho, brilho de alguém que estava fazendo algo que realmente amava.

Karina sentiu o gosto salgado em sua boca, surpresa levou as mãos ao rosto e percebeu que estava chorando, as lagrimas rolavam por seu rosto fora do seu controle, antes que pudesse criar uma teoria do por que estava chorando sem motivo, foi interrompida.

– O que você está fazendo aqui?! — rapidamente limpou as lágrimas e virou-se para olhar Ed.

– Desculpa, eu... eu vi a sala...

– Não me diga que você é música? Cantora?

– Não, eu apenas... — Ed, olhou por sobre seu ombro e revirou os olhos.

– Você é fã de um dos nossos artistas, e resolveu pega uma foto! — Karina abaixou o olhar, não tinha uma explicação do por que estava nessa sala, então achou melhor deixar ele acreditar no que quisesse.

– Andar, vem logo, antes que Lucrécia vá embora e me deixe aqui!

Karina caminhou até a porta, mas antes de sair olhou por sobre seu ombro a foto do garoto, tentando entender por que sentia como se já o tivesse visto antes.

Já na rua, Lucrécia e Ed a agradeceram pela ajuda. Karina os observou irem embora, e fez uma anotação mental de perguntar a Lincoln, mais informações sobre as pessoas que frequentavam a fábrica.

O pensamento a fez lembrar que precisava ligar para o chef e saber se a esposa dele estava bem, se ele precisava de algo. Talvez ele não pudesse vir trabalhar, e ela teria que vir mais cedo para abrir o restaurante...

Karina parou de repente, sua linha de raciocínio se perdendo, ao ver uma luz vindo do Perfeitão.

Um ladrão!

Com uma careta Karina tentou afastar a ideia, provavelmente havia esquecido de apagar alguma luz. Era isso! Com a respiração acelerada, foi até o restaurante, pegou as chaves no bolso, e hesitou por um momento, e se fosse um bandido? Talvez o melhor fosse chamar a Polícia. E causa uma confusão, caso não fosse um bandido, e tivesse apenas esquecido a luz acessar!

Bem só havia um jeito de saber! Karina abriu o restaurante e entrou silenciosamente, as luzes do salão estavam apagadas, mas as luzes da cozinha não.

Seu coração batia tão forte, que se houvesse alguém ali já o teria ouvido. Lentamente, um passo depois outro, caminhou até a cozinha, e respirou aliviada ao encontra-la vazia. Sorriu de si mesma, e do seu descuido. Apagou as luzes e estava no meio do salão quando ouviu os passos que se aproximavam vindo do banheiro.

O vulto parou surpreso quando a viu. Os dois se olharam pelo que pareceu uma eternidade, apenas seus contornos nítidos na escuridão. Então tudo aconteceu. Karina correu na direção da cozinha, seu único pensamento era alcança uma faca para se defender, mas mãos a seguraram e a puxaram com força, o que a fez retroceder cambaleante, fazendo seu corpo chocar contra o do estranho, que perdeu o equilíbrio com o impacto levando os dois ao chão.

Karina tentou se levanta, mas ele foi mais rápido, e a virou segurando seus pulsos contra o chão, tentou se debater, mas ele a mantinha presa ao chão com o peso do corpo dele, fechou os olhos com força, não queria ver o rosto dele, não queria olhar nos olhos dele e ver o que ele estava disposto a fazer com ela. Sentia a respiração dele batendo em seu rosto, tentou clarear sua mente, não podia deixar o pânico ganhar espaço, precisava pensar em como escapar.

– Você pensar que pode entrar no restaurante da minha família para roubar e sair impune!

Karina abriu os olhos, seu olhar colidindo com o dele.

– Você?!

Notas finais
Oi suas lindas, vocês disseram que eu podia fazer caps maiores, então ai vai. Se ficou muito grande e cansativo me avisem!! Ah, obrigada para quem favoritou a fic, me deixou com um sorrisão. Ellyven, estou ótima e você? Que maravilhoso o seu comentário, me deixou super feliz!! Admiro muito pessoas como você que deixam comentários assim, queria se assim nos meus comentários!! Esse capitulo está maior que os outros, meus caps tem tendencia a crescer enquanto a historia vai andando, mas se ficou cansativo me avisa, combinado? Cara, serio? Uma recomendação? Meu Deus, não acha melhor espera um pouquinho mais? De qualquer forma você já ganhou meu coração com seu comentário!! Espero não decepcionar você!! Eu amei o comentário. Bjos linda!! SteAmorinha, oi tudo bem? Esse cap já é um pouquinho maior, espero que você tenha gostado, o primeiro encontro/reencontro aconteceu, mas esses dois ainda passaram por algumas situações antes do happy end!! Brigadão pelo comentário linda! Jainara oi! Brigadão pelo comentário, então, sim o Pedro conhece a Karina, só que todos acham que a Karina tá morta, e ela não se lembra de nada e ninguém, mas pra frente explico como tudo isso aconteceu, como ela perdeu a memoria, foi para com o Henrique, e todos acham que ela está morta!! Bjos linda! Raquel, oi! Eu tenho os dois pés enfiados no drama, então pode ter certeza que a Karina ainda vai sofre um pouquinho, e o Pedro também, sorry, mas vai ter uns momentos hots pra compensar, que bom que você está gostando, me deixa muito feliz. Bjos. Bruuh, tudo bem? Obrigada pelo comentário, confesso que caps pequenos também me dão aflição, mas caps grandes cheios de enrolação também me dão, então se você sentir que os meus estão assim, me avise que vou te agradecer!! Bjos linda.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.