Memory
1 Capítulo 1
Memory
Meia noite, nem um som da rua. A lua perdeu sua memória? Ela está rindo sozinha na luz das lâmpadas.
As folhas secas se recolhem aos meus pés, e o vento começa a se afligir.
Todas as lâmpadas da rua parecem piscar. Um aviso fatalista.
Alguém murmura, e as lâmpadas da rua se apagam... E logo será de manhã.
[...]
‘’ Ah, qual é? Reprovada? Não posso que acreditar que, estudei tanto para ser reprovada em uma prova de inglês tão ridícula. ’’
Lembro-me deste dia como se fosse ontem, estava ali em pé parada em frente à porta da sala de inglês indignada com o resultado do meu desempenho na prova de dispensa. Rezava a qualquer divindade para que estivesse sonhando e que quando, abrisse os olhos veria que havia passado. Porém, não foi o que ocorreu e quis matar minha professora por isso. Afinal, em que eu havia errado?
Mas, de que adiantava reclamar não é mesmo? Reprovei e teria que, conviver mais um semestre com aquela insuportável professora e seu sotaque ‘’adorável’’.
- Mas que maravilha! – Ouvi uma voz feminina ao meu lado, diferente do que achava sua expressão facial não era das melhores.
- O que houve? – Perguntei, já imaginando uma possível resposta.
- Reprovada! – Exclamou insatisfeita com a nota no mural.
- Meus parabéns! Somos duas. – Respondi sem muito animo e ouvi um suspiro por parte da garota.
- Ah, mas isso não vai ficar assim. Não aceitarei ser reprovada sem ao menos saber o por que. – Falou decidida que, até me assustei quando vi um furação loiro entrar na sala ao lado, parando em frente à mesa da professora que, ali estava a corrigir o que pareciam ser provas de outra turma.
Podia vê-la encarar a mais velha com um olhar intimidador, confesso que tive medo.
Caroline era seu nome. Estudávamos na mesma sala há um semestre, mas mal conversávamos. Talvez, não passasse de um boa tarde ou como vai? Ela tinha outras amizades, assim como eu que na época, fazia parte de um grupo enorme de amigas. Entretanto aquelas amizades que, eu julgava prevalecerem após a conclusão do curso técnico, não durariam mais que alguns meses após aquele dia.
- Estou querendo entender onde errei para a senhora me reprovar? – A loira questionava a mais velha.
- Exatamente aqui. – A professora apontava para o papel sob a mesa. – Desculpe-me Caroline, mas este exercício era crucial para a prova e você não obteve um bom desempenho nele, por esta razão tive que, reprová-la. – A mais velha concluiu fazendo a garota revirar os olhos.
Eu mesmo nem fiz questão de entrar na sala, pois já havia ouvido a mesma coisa que, a loira há poucos instantes atrás.
Estava tão pensativa que nem me dei conta quando, Caroline parou a minha frente.
- Vamos? – Ela falou e eu apenas assenti.
Andávamos aquele imenso corredor do bloco três, xingando a professora de todos os nomes possíveis já inventados pelo ser humano.
De fato, a indignação em nossos rostos era visível a qualquer um que, passasse perto.
A noite já dava sinais de sua chegada. Despedimos-nos e combinamos de nos encontrar no dia seguinte em frente à sala de inglês, já que teríamos mais um semestre pela frente.
No dia seguinte, as 11h59hs da manhã eu contava impacientemente os minutos restantes, para o termino das aulas daquela ensolarada sexta-feira.
Estava cursando o 2º ano do ensino médio na época. Na parte da manhã frequentava a escola e, na parte da tarde fazia técnico em Secretariado. Um curso que, defino em apenas uma palavra... Odioso.
Sempre foi um sonho fazer um curso técnico em uma ETEC (Escola Técnica Estadual) e quando consegui meu tão almejado objetivo, tive a ‘’inteligência’’ de optar por fazer Secretariado.
Pensando bem atualmente, a única coisa boa daqueles quase dois anos de técnico foi tê-la encontrado.
O sinal soava anunciando que a ultima aula do dia havia chegado ao fim. Agradeci a Deus, arrumando minha mochila em minhas costas.
A ETEC era definitivamente longe da minha escola, mas eu não ligava gostava de andar. Só não gostava de subir aquela ladeira depois que, passava pela portaria do curso.
‘’ Que coisa viu, estou morrendo. Necessito de água quando, chegar ao bloco três. Puta que pariu uma escola desse tamanho e, eles nem para colocarem um elevador. ‘’
Eu pensava isso todos os dias enquanto, subia a enorme ladeira.
Quando finalmente cheguei ao bloco três, sorri em satisfação. Poderia sentar-me e descansar um pouco já que, a aula começaria em alguns minutos.
Subi as escadas rumo ao piso superior do bloco, encontrando um ser loiro jogado no chão. Caroline, ali estava ela com uma expressão de poucos amigos na face.
Sentei-me ao seu lado e arrisquei-me a cumprimentar a garota.
- Boa tarde! – Falei um pouco ofegante por conta da subida de minutos atrás.
- Nem tão boa, não é mesmo? – A loira mais afirmou, fazendo-me soltar um riso.
- Teremos que, conviver com isso. – Falei sorridente e ela assentiu.
Não demorou muito para a professora chegar à porta da sala destrancando-a.
Caroline me ajudou a levantar e, entramos na sala. Pela cara da professora a aula seria um tédio.
Sentamos-nos afastadas das outras garotas, portando um semblante de quem estava com preguiça de viver.
As explicações que, a professora dava para a turma eram ridículas para nós. Afinal, fazíamos curso de inglês há muito tempo e verb to be era algo que, até uma alface entenderia sem muita dificuldade. Por isso, até hoje me pergunto como ela nos reprovou.
Passamos a aula fazendo exercícios idiotas e, falando mal da professora. Devo admitir que, foi divertido tirar uma com a cara dela. Caroline e eu realmente éramos terríveis. Ainda sorrio nostálgica quando, lembro-me disso.
Assim, passaram-se aulas, dias, semanas e meses. Minha amizade com as garotas que, conheci no começo do curso já não era mais a mesma. Não que isso tenha me afetado, eu nem ao menos dei importância, pois com o tempo pude presenciar certas atitudes por parte delas que, não me agradaram e fizeram-me afastar cada vez mais. Principalmente de uma em especial que, criticava Caroline por qualquer motivo banal.
Isso me irritava, pois não suporto ninguém falando mal de pessoas que eu gosto. Ainda, mais falando pelas costas. Realmente é algo que, me da nos nervos.
‘’ Finalmente... Férias. ’’
Encontrava-me animada. E quem, não estava? Havia terminado o 2º ano com ótimas médias, também estava muito bem no técnico. Então, poderia ter meu merecido descanso.
Mas, só uma coisa deixava-me triste. Ficaria longe da minha loirinha por dois meses. Não gostava de pensar nisso.
Nesses poucos meses de convivência desenvolvemos uma amizade muito forte, algo que jamais tive com qualquer outra pessoa e me admirava, pois Caroline era formidável, a maneira dela é claro. Não havia um dia que, eu não tivesse dor na barriga de tanto rir das besteiras que, falávamos.
Eu também não era nenhuma santa, aos poucos a loira descobriu o quão palhaça e brincalhona eu poderia ser. Uma personalidade completamente diferente de quem me vê por ai, uma garota de cabelos negros e compridos que veste calças rasgadas e camisetas pretas de bandas de rock, sempre com o fone de ouvido escutando uns rock ‘’pauleira’’. Pois é, aparências enganam. Tanto que, a loira apelidou-me de pontinho preto. Devo dizer que, adorei.
- Até ano que vem. – Eu disse abraçando-a.
- Até. – Ela falou soltando-se do abraço.
Sabe, o que deixou-me mais feliz, foi o fato que as férias não foram um empecilho para conversamos todos os dias, até mesmo de madrugada.
Assim, passaram-se dois meses e lá estava eu em meu primeiro dia de aula no 3º ano completamente sozinha. Meus dois únicos amigos da escola precisaram mudar para o turno da noite já que, estavam a trabalhar.
Senti-me deslocada no meio daquela gente que, não escondia o fato de não gostarem de mim. Não sabia o porquê, talvez nem queira saber. Apenas, sei que foi um ano difícil para mim.
Tive o que podemos chamar de depressão, faltava em excesso nas aulas, podia-se dizer que em cinco dias de aula e frequentava ao máximo dois. Na ETEC não, estava muito diferente, mas ainda sim tinha mais frequência por que a única coisa que, me animava ir era a presença de Caroline.
Falando nela, a loira sempre estava a meu lado, sempre me ouvia chorar e dava-me conselhos.
- Tudo ficará bem. – É o que ela dizia. – Vamos, volte para escola anjo. Já, tudo isso acaba. – Ela sempre tentava me motivar de alguma forma e, agradeço até hoje por isso.
Os meses passaram e com ajuda de Caroline, aos poucos fui superando aquela fase ruim da minha vida.
Logo, havia voltado à ativa. Frequentava a escola todos os dias, assim como o técnico.
O final do ano estava próximo e, estávamos lotadas até o pescoço de trabalhos e apresentações. Confesso que, não sei o que seria de mim se não fosse Carol para ajudar-me com tantas tarefas.
Sabe o que me deixa mais feliz? Perceber que, no mundo ainda há amizades verdadeiras que surgem assim, do nada... Quando a gente menos espera aquele fiel amigo aparece e fica, apesar do tempo das circunstâncias ou de rumos diferentes que, a gente siga. O que prevalece é a certeza de que, esse laço forte de amizade jamais se quebrará enquanto mantivermos a promessa de nunca nos esquecermos de quem um dia fomos e de quem gostamos.
Lembrança, totalmente sozinha a luz da lua.
Eu posso sorrir nos dias passados, a vida era bonita então eu me lembro do tempo que eu conheci o que era felicidade. Deixe a lembrança viver novamente.
Luz do dia, eu devo esperar pelo nascer do sol. Eu devo pensar em uma nova vida, e eu não devo ceder.
Quando o amanhecer vier, essa noite será uma lembrança também, e um novo dia começará.
[...]
Notas finais
Meus parabéns!!! Amo muito você.
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