Your faith was strong but you needed proof

You saw her bathing on the roof

Her beauty and the moonlight overthrew you

She tied you To a kitchen chair

She broke your throne, and she cut your hair

And from your lips she drew the Hallelujah

Temerosos, todos encaravam a caixa sobre a mesa de Draco. Ninguém parecia estar disposto a se habilitar para abri-la, pois Harry havia dito que poderia conter algo perigoso. Ainda discutiam sobre um modo seguro de fazê-lo, mas já estava impaciente com um dilema tão inútil. Hermione entendia, tinham de explorar todas as hipóteses, foram treinados para isso, mas ela não, sabia que não havia nada dentro daquela caixa que pudesse machucá-la. No fim das contas, o invasor ainda queria que participasse da festa do Ministério.

Revirando os olhos, avançou para a caixa e, sob os protestos de Harry e dos demais Aurores, tirou a tampa e a descartou, displicentemente. Cautelosamente, percebendo que todos haviam prendido as respirações, tirou todo o papel de seda que a atrapalhava e levantou o vestido de festa. Algumas exclamações foram ouvidas quando o segurou à frente de seu corpo para analisá-lo melhor.

Era vermelho sangue, possuía um discreto decote quadrado e a cintura marcada por um fino cinto de brilhantes. Com assombro, percebeu que em muito lembrava o modelo que usara no sexto ano. Porém, este era longo, como exigia a ocasião, e detalhes em tule da mesma cor preenchiam toda sua extensão.

– Bem, pelo menos, ele tem bom gosto. — Comentou Nott jocosamente, amenizando o clima tenso que havia se instalado no escritório.

Um dos Aurores, que se apresentou como McCarthy, pediu que lhe entregasse o vestido para que este fosse analisado por sua equipe. Hermione o fez sem restrições, apesar de ter certeza de que não haveria nada ali que pudesse lhes dar qualquer pista. Ele era muito esperto, esteve rondando a casa de Draco e ninguém percebera. Tão perto, mas inalcançável.

Ao ouvir as ordens de Harry — que consistia, basicamente, em fazer um mapeamento de toda a vizinha de Draco e usar pontos estratégicos para vigiar a casa dele até o dia seguinte à noite -, a maioria dos homens da sala se dispersaram. Harry e McLaggen ainda discutiam algo sobre a festa do Ministério, eles pareciam ter superado as rixas de infância.

– Não é muito cedo para isso? — Perguntou, referindo-se aos drinques de uísque que a Sra. Jo carregava numa bandeja prateada ao entrar na sala.

– — Relaxe, Granger, ainda temos um depoimento para terminar. — Revidou Nott, bebendo um grande gole.

– Exato, você está em serviço.

– Merlin! — O moreno encarou Draco com uma careta. — Ela é um pé no saco.

Malfoy lançou ao amigo um sorriso malicioso e Hermione revirou os olhos, voltando-se para Michael, que aparentemente encontrava-se encarando o nada através da janela. Seus braços estavam cruzados contra o peito e ele estava perto demais do vidro, o que fazia com que este ficasse embaçado e contribuísse para lhe atribuir um ar ainda mais melancólico. Suspirou e aproximou-se do mesmo, mordendo os lábios de insegurança.

– Michael? — Ele não lhe deu sinal de que estava ouvindo e Hermione parou ao seu lado, percebendo que não havia recebido nenhuma reprimenda, pois udo que fizera desde a noite anterior foi deixar claro que queria distância de sua pessoa. — Nós vamos encontrá-la...

– Quando entregarmos você a ele. — Apenas meneou a cabeça. — As coisas por aqui funcionam do mesmo modo que no meu mundo, já deu para perceber.

– Talvez esse seja o preço para tê-la de volta. — Encarou o perfil de Michael até ele se sentir incomodado o suficiente para fazê-lo de volta, olhando em seus olhos. Ele havia chorado na noite anterior, seus olhos azuis estavam rasos e vermelhos, o que apertou ainda mais seu coração. — E, acredite, eu sou capaz de pagá-lo.

– Desculpe por tê-la de chamado de vadia. — Ele pediu em voz baixa e Hermione, por incrível que pareça, conseguiu sorrir, desviando o olhar.

– Você queria fazer isso há muito tempo.

– Sim, queria.

Ele afastou-se, pegou uma dose de uísque na bandeja da Sra. Jo e saiu da sala. Hermione sabia que sua relação, já muito frágil, com Michael estaria abalada para sempre depois de tantos acontecimentos, não poderia esperar menos.

Harry e McLaggen saíram do escritório para que pudesse ser ouvida por Nott, que conduziu o depoimento da forma mais amadora que já tinha visto. Qualquer um que futuramente o lesse alegaria que ele não havia se empenhado o bastante para conseguir qualquer pista de sua parte, mas poderia se defender dizendo que não era sua função cobrir o trabalho de um Auror.

Quando terminaram, já passava da hora do almoço e a Sra. Jo havia interrompido-os tantas vezes que Hermione perdera a conta na quinta. Harry parecia estar levando sua rixa com Draco ao pé da letra, pois mandara todos os seus subordinados fazer suas refeições ali e ainda fez questão de enviar um bilhete à Malfoy agradecendo a recepção. Hermione riu quando o loiro amassou o bilhete e soltou um xingamento, lembrando-a claramente dos tempos de Hogwarts.

– A culpa disso é toda sua, Granger. Nunca mais, nunca mais, usarão minha casa como QG. O Ministério resolveu economizar nos gastos com segurança, por acaso?!

– Bem, meu trabalho por aqui acabou. — Nott guardou o bloco de anotação e a pena de repetição rápida. — Você é um gastador de primeira, Draco, não faça o indignado, não combina com você. Ainda estamos esperando o titio?

– Sim, ele disse que daria notícias à noite. — Respondeu Draco, de mau gosto.

Nott se despediu com um aperto de mão e bateu a porta atrás de si. Cansada, Hermione praticamente jogou-se no grande e confortável sofá de couro negro. Viu Draco aproximar-se, o olhar analisador à procura de algo que denunciasse que estava pensando em tentar outra overdose. Revirou os olhos e aceitou o copo que ele lhe oferecia, precisava mesmo relaxar.

Descansou a cabeça no encosto do sofá, sentindo-o acomodar-se ao seu lado. Ele não havia tirado os olhos dela na noite anterior. Fizera questão que ficasse em seu quarto, para "ter certeza de que não tentaria outra peripécia indesejável." Não houve sexo, não houve brigas — até por que tinha a impressão de que Draco queria mantê-la o mais calma possível -, apenas ficaram em silêncio, ouvindo as próprias respirações até caírem no sono. Era incrível como ele sabia a hora de ficar quieto.

– Devia ter dito que ele estaria aqui. — Murmurou baixo, como se alguém do lado de fora pudesse ouvi-los. A verdade é que gostava quando conversavam daquela maneira, tornava tudo mais pessoal.

– Não poderia evitá-lo por mais tempo. – Retrucou ele, no mesmo tom.

– Saber que está certo me irrita ainda mais.

Sentiu o corpo dele tremer ao seu lado e abriu os olhos para encará-lo. Draco ria baixo, olhando-a com divertimento. Toda a tensão da situação não parecia afetá-lo, apesar de achar que ele fingia muito bem e estava fazendo isso para relaxá-la. Não era possível que estivesse tão tranquilo com tudo aquilo — aurores usando seu escritório pessoal como QG, hóspedes indesejáveis, sua casa vigiada 24 horas, estranhos entrando e saindo, comendo de sua comida.

– Isso é mesmo a sua cara. — Deu de ombros e suspirou. O braço direito de Draco a circulou pelos ombros, colando-a ao corpo dele, enquanto o loiro levava à boca ao seu ouvido. — Vamos dar uma volta?

Afastou-se para encará-lo, confusa, mas ele apenas se levantou e lhe estendeu a mão. Suspirando, aceitou e ambos saíram do escritório. Hermione não sabia se realmente poderiam sair com toda aquela concentração ali, mas os aurores pareciam estar ocupados demais com seus próprios afazeres para que pudessem prestar atenção neles. Entretanto, Harry apareceu em seu campo de visão, olhando-os seriamente, a postura rígida, os braços cruzados atrás do corpo.

– Posso saber aonde vão?

– Somos os mocinhos, Potter, não pode nos manter trancafiados aqui. — Disse Draco, ironicamente.

– É mesmo? Então me diga qual é a sensação, já que parece estar gostando tanto. — O olhar dele voou para seus dedos entrelaçados e Hermione soltou o ar, irritada com a atitude de ambos.

– Amanhã eu prometo que irei lhe esclarecer tudo, extraoficialmente. – Encarou o moreno, seriamente.

Harry os olhou por alguns segundos em silêncio e deu um passo para o lado, liberando a passagem, o olhar mortal sobre os dois. Acima de tudo, ele ainda estava muito interessado em saber a verdade.

Elijah, como sempre, estava esperando-os ao lado do carro e, ao avistá-los, abriu a porta para que se acomodassem no banco de trás. Uma garoa fina havia começado, manchando levemente seu terno escuro.

– Boa tarde, Sr. Malfoy.

– Como vai, Elijah? — Hermione sorriu, cumprimentando o senhor.

Conversando amenidades que nada tinham a ver com a tempestade que ocorria dentro da casa de Draco, seguiram pelas ruas de Londres tranquilamente. Ainda estava inquieta, é claro, no dia seguinte iria praticamente ao encontro de seu perseguidor, não havia como ficar neutro e calmo diante de tal situação.

Elijah e a Sra. Jo não mencionavam os aurores que ocuparam a casa de Draco e Hermione não sabia exatamente por que. Certamente Malfoy havia lhes dado explicações convincentes para que não questionassem. Surpresa, percebeu que o carro havia parado bem em frente ao Orfanato St. James. Os portões de ferro retorcido mal podiam ser vistos pelo vidro molhado do carro, a chuva já era forte naquela parte da cidade, mas reconhecia perfeitamente o prédio, os jardins bem cuidados escondidos pela neve.

– Por que estamos aqui? — Olhou Draco, em busca de respostas.

– Eu... Apenas tive vontade de vir.

– E resolveu me trazer? — Perguntou um pouco incrédula, pois a última vez que estiveram ali juntos não fora nada legal. Draco deu de ombros, no mesmo instante em que a porta ao seu lado se abrira. Elijah carregava um guarda-chuva largo o suficiente para duas pessoas. O loiro o pegou e deu a volta para que ela pudesse descer sem se molhar. Então se encaminharam para a porta escura e tocaram a campainha. No mesmo instante, a mesma se abriu, como se as inspetoras já esperassem a chegada do casal.

– Sr. Malfoy! — Miss Gold pareceu um tanto surpresa ao se dar conta de sua presença. — Srta. Granger, que surpresa. Entrem, entrem!

Draco e Hermione acompanharam a falante mulher por todo o caminho até a Ala Sul, ela parecia estar um tanto quanto empolgada pela presença deles ali.

– Miss Hermann está organizando a apresentação?

– Sim, ela faz questão de organizar pessoalmente todos os anos. — A senhorita deu de ombros, quase imperceptivelmente. — Acho que é uma maneira de estar mais próxima das crianças.

Intrigada, Hermione percebeu quando passaram reto pela Ala Sul, observando também que a mesma estava completamente deserta. Franziu o cenho e encarou Malfoy.

– Apresentação?

Antes que ele pudesse responder, fizeram a esquina de um corredor e avistaram uma porta de duas folhas ao final do corredor. Respirou fundo, percebendo que Draco não falaria por que estavam ali. Resolveu não perguntar à inspetora, embora tivesse de se esforçar para segurar a língua, não queria se passar por ignorante na frente da mesma.

Quando Miss Gold empurrou a porta, um imponente salão se abriu diante deles. Não era tão grande quanto o Salão Principal de Hogwarts, mas certamente tão bem zelado quanto, com janelas de espaldar alto e lustres no teto. Supôs que fosse o lugar onde as crianças faziam suas refeições todos os dias, mas mesas quadradas com quatro lugares haviam sido espalhadas por todos os lados, devidamente enfeitadas com pequenos arranjos de flores artificiais. Tudo simples, mas parecia ser feito com tanto esmero que se tornava bonito aos olhos de quem parava para pensar sobre. Ao fim do mesmo, um palco — escondido por um cortina vermelha — havia sido montado e Hermione quase podia ver a movimentação do outro lado.

– O que é isso? — Perguntou, quando Draco lhe conduziu a uma das mesas. Todas as outras já estavam lotadas por pessoas bem vestidas e elegantes. Algumas conversavam animadamente entre si, outras apenas suspiravam entediadas enquanto encaravam seus celulares.

– É benfeitora há um mês, eu, há sete anos. — Revirou os olhos e o encarou. — É apenas uma confraternização, para comemorar o aniversário do orfanato e reunir os benfeitores. Você recebeu o convite, mas acho que não está com tempo para olhar sua caixa de correio.

– E o que eles fazem, tradicionalmente?

– Você verá.

Uma das inspetoras apareceu, oferecendo refrigerante e um salgadinho, os quais Draco aceitou prontamente, não lhe dando alternativa a não ser fazer o mesmo. Não estava realmente com fome, toda a tensão envolvendo o perseguidor a estava tirando dos eixos, nunca dispensara uma boa comida.

– Espera... Andou revirando minha caixa de correio? — Ele lhe sorriu, maliciosamente, e Hermione lhe deu uma tapa no braço.

– Vai comer isso?

Ele perguntou, referindo-se a seu salgadinho intocado no prato. Negou, tomando um gole de refrigerante, enquanto perguntava-se como Draco Malfoy mantinha a forma comendo tanto. Havia reparado que ele sempre arranjava tempo para comer algo e que nunca, no tempo em que esteve hospedada na casa dele, pulara a sobremesa. Pelo contrário, sempre se fartara dela.

Quando menos esperava, a diretora, Miss Hermann, apareceu em frente à cortina segurando um microfone, sorrindo empolgada para todos. Draco começou a limpar a mão adocicada.

– Boa tarde a todos, é com muito prazer que anuncio o início de nossas atividades deste ano em que comemoramos os 50 anos do Orfanato St. James. Agora, com vocês as crianças da Ala Sul apresentando a canção Hallelujah.

Uma salva de palmas foi ouvida e a cortina se abriu, relevando o coral das crianças da Ala Sul. Todos com as bochechas coradas de vergonha ao encarar o mar de pessoas no salão, segurando pastas onde se encontravam a letra da música e usando o uniforme azul do Orfanato.

Porém, quando o som do piano, tocado por um senhor de cabelos prateados, preencheu o ambiente, todas — sem exceção — começaram a cantar. Era visível como estavam bem ensaiadas, deviam estar se preparando há meses, visto que tinham em média de 3 a 7 anos.

Em meio ao mar de cabeças, viu Liesel extremamente concentrada na letra da música, que uma de suas colegas mais velhas segurava. Ela parecia estar se esforçando muito para não olhar para frente, percebeu. Hermione não sabia se os cabelos castanhos destacavam a menininha em meios aos outros ou se, apenas, tinha olhos para ela, não conseguia deixar de se sentir orgulhosa.

Quando a apresentação terminou, todos aplaudiram de pé e as crianças — depois de agradecer, devidamente, as palmas — saíram do palco. Acompanhou Liesel com os olhos, até perdê-la de vista, suspirando resignada.

– Sabe que pode adotá-la, se quiser. — Draco, pelo visto, acompanhara todos os seus gestos e parecia saber de quem estava falando. Hermione deu de ombros e sentou-se, novamente.

– Minha vida está um caos e não sei quando isso terminará. Não seria justo colocá-la no meio disso.

– Vamos vê-la.

Rendida, contornaram várias mesas em direção ao palco. Uma mesa comprida havia sido colocada bem frente ao mesmo para acomodar todas as crianças, assim como algumas inspetoras. As crianças conversavam animadas ante o lanche que seria servido assim que as apresentações terminassem.

– Liesel?

A menina não parecia ter feito amizades após o Natal, pois brincava distraidamente com os talheres enquanto esperava que a próxima rodada de apresentações começasse. Assim que percebeu de quem se tratava, ela levantou-se correndo e jogou-se nos braços de Hermione.

Percebeu que a mesma tremia em seu colo e teve que se sentar para ampará-la melhor. O rosto claro estava manchado por lágrimas e sentiu o coração apertar ao tentar fazê-la parar, não obtendo sucesso.

– Ei, o que foi? O que aconteceu?

– Pensei que não viria mais me ver. — Hermione sorriu e a abraçou mais forte.

– Eu estou aqui, não é? Não me esqueci de você, querida. — Ajeitou-a melhor em seu colo e virou-se para Malfoy, que apenas observava a cena, parecendo um tanto confuso. — Já conhece Draco?

Tiveram de ficar em silêncio, pois a próxima apresentação começara, mas assistiram dali mesmo, perto do palco, com Liesel em seu colo e Draco tentando entretê-la para que não voltasse a chorar. Ninguém havia percebido quando conjurara com a varinha um de seus clássicos infantis para dar a menina, pois fora o que prometera a última vez que estivera ali. Estava tão concentrada em seus próprios problemas que nem percebera que a menina realmente a esperaria. Ela era apenas uma criança e fizera uma promessa, a qual quase não cumprira. Como consequência, Liesel não desgrudara de Hermione durante toda a cerimônia.

A tempestade passara há horas, mas não estavam com tanta pressa de ir para casa. O sol era fraco, tentando inutilmente furar o bloqueio das nuvens, e a neve fazia com que precisassem andar com cuidado ao saírem do orfanato. Elijah já os esperava do lado de fora dos portões de ferro, ao lado do carro, em sua pose de motorista. Hermione mordeu os lábios e parou, antes que pudessem alcançar os portões do orfanato, obrigando-o a encará-la.

– Por que resolveu ajudar esse orfanato?

– Seu amigo Potter deve estar dando chiliques pela nossa demora, então... – Ele virou-se para alcançar Elijah, mas Hermione segurou seu pulso, impedindo-o de sair.

– Draco. – O loiro a encarou resignado, suspirando impaciente.

– Devia parar com essa mania de querer saber tudo.

Draco fechou os olhos e adiantou-se até os degraus da entrada do prédio, sujos e ainda úmidos pela chuva, mas ele não se importou em se sentar ali e Hermione não viu escolha a não ser segui-lo. Encarando-o com atenção, pode perceber como aquilo parecia difícil. Falar de si mesmo, claramente, era um problema para Malfoy e foi então que Hermione percebeu que, durante toda a relação um tanto quanto estranha que mantinham, tudo era sobre ela. Sua fuga, o invasor, seu sangue, os problemas familiares, sua dependência de remédios... Tudo que os unia era sobre ela e, por isso, pegou-se desejando que Draco lhe desse algo novo, algo sobre ele que fizesse com que ficassem mais próximos.

Por um momento, ele encarou seus próprios dedos, entrelaçando-os nervosamente, parecendo pensar por onde começaria. O anel de família chamava a atenção em seu dedo, mas Hermione não o via mais como uma ameaça. Conhecia Draco e, agora, entendia sua família: eles jogavam por si e apenas por isso. Sobretudo, Malfoy não era mais influenciado pelos valores distorcidos de seus pais.

– Como você sabe, minha família foi absolvida quando a Guerra terminou. Isso não quer dizer que fomos imediatamente aceitos, pelo contrário. Depois da faculdade, trabalhei por muitos anos para limpar o nome dos Malfoy perante a sociedade. Tudo foi pela família, claro, mas demorou muito para que nosso sobrenome voltasse a ter algum peso dentro da sociedade bruxa. O estado do meu pai não ajudou, você o viu, ele não tem condições de aparecer em público. – Ele hesitou. Em momento algum olhara para ela, embora Hermione estivesse completamente centrada em suas feições. – Eu... Achei que precisava fazer algo por mim, minha própria redenção. Já estava trabalhando com os trouxas quando me apresentaram este Orfanato. Precisava de reformas drásticas, contratação de pessoal, enfim... Tudo para manter essas crianças seguras.

– E você patrocinou tudo isso? – Para se sentir melhor consigo mesmo, completou mentalmente olhando-o admirada. Não imaginava que houvesse uma história como essa por trás de toda a superproteção que ele tivera com o Orfanato, na primeira vez que se viram ali.

– Fizemos tantas atrocidades na Guerra, eu... Apenas encarei como uma forma de compensar tudo aquilo, mesmo que não fosse ao mundo bruxo. – Hermione encaixou seu braço no dele e encarou Elijah esperando-os pacientemente, de costas para lhes dar privacidade. – Me faz bem, mesmo que ninguém saiba.

– Sabe, isso é admirável. – Ele deu de ombros e a encarou, pela primeira vez desde que se sentaram.

– E você, Granger, qual a sua história com este Orfanato? – Ela meneou a cabeça e levantou-se, puxando-o para irem embora.

– Não é o momento para falarmos disso. – Draco se manteve teimosamente sentado, embora ainda segurasse sua mão. Ele levantou uma sobrancelha e Hermione suspirou. – Por favor.

– Essa foi a primeira e última vez que me manipulou, okay?

Hermione sorriu divertida e o loiro finalmente levantou-se. Corajosamente, passou os braços ao redor de seus ombros, puxando-o para mais perto. Sem pressa, ele entrelaçou seus braços ao redor de sua cintura, os olhos nunca perdendo contato. Surpreendentemente, nenhum deles parecia incomodado com o fato de estarem em um local público, onde qualquer um podia vê-los.

O beijo se iniciou calmo, como se possuíssem todo tempo do mundo. Era um abuso por que, na verdade, a casa de Draco deveria estar um caos com a ausência de ambos e a inevitável presença de tantos aurores. Tinha plena consciência de como seus batimentos cardíacos se encontravam desconexos em meio ao beijo lento e de como se arrepiou ao sentir as mãos dele passearem por sua cintura – colando-a completamente em seu corpo – na mesma velocidade da língua que vasculhava sua boca, tão lento e, na mesma medida, tão bom. Não imaginava que podia sentir tantas sensações em apenas um beijo.

Por isso, quando este terminou, devido à falta de ar de ambos, Hermione ainda emendou um selinho em busca de todas essas sensações novamente. Abriu os olhos, um pouco decepcionada por ter de pôr fim àquilo tudo. O encarou, com seriedade, sem fazer questão de afastar-se.

– Obrigada pela tarde.

No próximo capítulo

Por que alguém que não é da família estaria te perseguindo? Somos loucos o bastante para isso e ninguém teve a audácia.

...

– Estava sendo possessivo.

– Eu sou possessivo.

...

– Você... Toma alguma poção ou remédio anticoncepcional, certo?

Notas finais
Oieee!!! Pra quem estava reclamando da falta de Draco no último capítulo, ele esteve BASTANTE presente nesse. Eu simplesmente não sei por que, mas adorei escrever a aproximação deles nesse capítulo, sinceramente ^^ Então, e o motivo de Draco para estar no orfanato? Gostaram? Ele fez algo por si mesmo, sem buscar o reconhecimento da sociedade bruxa, me digam o que acharam sobre isso! :D E essa Hermione toda apaixonada, sentindo todas essas sensações em único beijo. Eu não sei por que, mas gostei dessa parte romântica, então no próximo vou continuar nesse ritmo, mas... Com um Hentai por que Draco e Hermione pedem hentai, certo? kkkkkkkk Mas vamos deixar pra discutir isso no próximo. Também separei uma surpresa pra vocês, acho que não esperam por isso, chutem!! kkkkk Quanto ao vestido, sabia que muitos iam acertar nos comentários, tava bem na cara kkkkkkkk Agora quero que me digam seus palpites sobre o invasor! Sei que esse capítulo não foi dedicado a ele, mas ainda assim foi importante para o desenvolvimento da história né? Galera, muito obrigada pelos comentários, eu ADOREI deixar aquele spoiler extra pra vocês kkkkkkkk E, também, alguns me deixaram boba :D Enfim, até o próximo, galera, me digam o que acharam de tudo que aconteceu aqui!! Bjão :))