Memories of the Past
34 Capítulo 34
Hermione suspirou e começou a descer as escadas da Mansão Malfoy. Agora que tinha condições de se defender, estava na hora de voltar e ser a mulher que não deveria ter deixado adormecer dentro de si: forte e, principalmente, independente.
Lestrange havia ido embora na noite anterior e os Malfoy certamente estavam reunidos na sala de estar. No pouco tempo em que estivera hospedada na Mansão, pôde perceber que aquele parecia ser o local preferido da família para dialogar ou, simplesmente, brigar, caso a primeira opção não funcionasse.
Aproximou-se silenciosamente, queria se despedir de Draco e avisar que estava indo embora. Não haviam dormido juntos, nem mesmo o vira na noite anterior após falar com Lestrange, mas o loiro tinha o costume de estar fora da cama logo após o nascer do sol. Não sabia onde ele tinha adquirido a mania de acordar cedo, mas não combinava em nada com o lema que adotara para sua própria vida: dormir o máximo possível.
Antes de abrir a porta, porém, ouviu a voz de Narcissa se fazer presente do outro lado:
– Ela nunca irá me aceitar como parte da família.
– Granger nunca será membro dessa família. — Desdenhou Lucius. — Ela jamais irá compactuar com o que acreditamos...
– Com o que você acredita. Pare de fantasiar que os tempos de Voldemort voltarão, pai, isso não irá acontecer. — Disse Draco, convicto.
– É mesmo? Então quem é o perseguidor da sua namoradinha?
O Sr. Malfoy retrucou em tom de deboche e o silêncio instalou-se do outro lado da sala. Hermione afastou-se da porta, temerosa de que até mesmo o som de sua respiração pudesse ser ouvido.
Subiu as escadas novamente e adentrou o quarto em que estava hospedada, dirigindo-se para a janela, correr o risco de ser pega ouvindo atrás da porta seria constrangedor demais. Será que ele sabia de algo? Lucius não estava em seus melhores tempos de sanidade, mas geralmente sabia tudo sobre qualquer coisa. Localizara Rabastan com muita facilidade, o próprio Lestrange confirmara tal fato com preocupação, logo, ele poderia ter pistas de seu perseguidor, embora não tivesse a mínima intenção de ajudá-la. Não poderia esperar menos.
Sentou-se na cama e escondeu o rosto sob as mãos, o que Narcissa dissera rondando sua mente, ecoando como se Hermione fosse a responsável por estarem em tal situação, quando era exatamente o contrário. Considerar a mulher como sua família significava aceitar que o sangue Black corria em suas veias, apesar de não haver nada a ser feito quanto à isso, principalmente depois de o sangue dela ter sido usado no ritual.
Estava sendo injusta, pois Narcissa jamais quisera seu mal e, confessava, tinha medo de uma aproximação. Ela era uma Malfoy, das mais tradicionais, e se quisesse mudá-la, torná-la a sangue-puro perfeita? Poderia reconhecer seu sangue e sua família biológica, mas queria continuar sendo a mesma Hermione de sempre, mesmo que seu sobrenome fosse alterado.
Uma batida soou na porta e Draco entrou, sem esperar por resposta, parecendo um pouco atordoado, embora claramente não estivesse disposto a falar sobre qualquer coisa que tivesse deixado-o naquele estado.
– Já está indo? — Perguntou ele, encarando as malas fechadas sobre a cama, esperando para serem despachadas, dessa vez para sua própria casa. Sinalizou afirmativamente e levantou-se, respirando fundo.
– Podemos conversar? — Draco fechou a porta e encaminhou-se para a janela de espaldar alto, acomodando-se no parapeito e cruzando os braços. Sentia-se analisada e não sabia onde colocar as mãos, então resolveu aproximar-se e sentar-se numa das poltronas de chá que havia ali.
– É que...
– Você vai voltar para casa. — Ele a cortou, não expressando emoção alguma, no tom ou na face.
– Como soube? — Perguntou, suspirando.
– Agora você pode usar magia para se defender. Previsível. — O silêncio entre eles foi longo e desconfortável, pelo menos para Hermione, não queria que ele a visse como oportunista ou interesseira.
– Quero fazer algo para que isso acabe.
– Theo e Lestrange estão buscando pistas, da maneira deles, é claro.
– Eu sei, mas... Pode demorar tanto, não é? — Ele apenas meneou a cabeça, consciente de que ela tinha razão e Hermione abaixou a cabeça, desanimada. Quantas vezes fizera isso quando estava à procura das Horcruxes com Harry e Ron? Quantas vezes quisera desistir e sempre tinha alguém para animá-la e dizer que "aquele não era o fim"? — Eu só quero... Poder deitar a cabeça no travesseiro e dormir tranquilamente, parece... Que não faço isso há séculos.
Malfoy encarou o grande jardim que se estendia por muitos metros adornando a entrada da Mansão e suspirou. Hermione analisou seu perfil e desviou os olhos, estava enxergando tudo aquilo como uma despedida e se sentia estranhamente triste, o que a assustava ao considerar que se detestavam até algumas semanas atrás. Pelo amor de Deus, ainda iriam se ver depois que voltasse para casa!
– Tenho algo para você.
Ele anunciou inesperadamente e lhe estendeu a mão, a qual aceitou de bom grado. O seguiu em silêncio pelos corredores da mansão, subindo escadas e abrindo portas e mais portas. Mesmo à luz do dia, era possível ouvir barulhos estranhos, os quais não sabia de onde vinham e lhe pareciam assustadores.
Por fim, quando finalmente chegaram à seu destino final, estava praticamente colada à Draco e sua mão apertava a dele sem dó. Encontravam-se em uma enorme estufa, no terraço da mansão, muito parecida com a que Draco mantinha em sua própria casa. Ali havia tantos tipos de plantas, de tantas espécies diferentes, que Hermione sequer conseguia distinguir com facilidade onde uma terminava e outra começava.
– Isso aqui é enorme! — Disse, admirada, pois apesar da completa falta de ordem, era uma das estufas mais bonitas que já vira.
– Eu a construí na mesma época em que abri minha empresa no mundo bruxo. Há o laboratório oficial, é claro, mas eu prefiro trabalhar sozinho.
– Previsível.
– Não sou anti-social, se é o que está sugerindo, Granger. — Seguindo-o de perto, Hermione ouviu o divertimento em sua voz e também sorriu, recriminando-se em seguida.
– Você sempre foi anti-social em alguns aspectos.
Ele virou-se apenas para lhe revirar os olhos e continuou caminhando por entre o pequeno corredor que a grande quantidade de plantas ocupando ambos os lados deixava livre. No final da estufa, um grande aparato repleto de tubos de ensaio fora montado. Havia substâncias químicas ocupando-os, fervendo em caldeirões, exalando um aroma forte, porém, não desagradável; Matéria-prima para poções estavam espalhadas por toda a mesa, completamente desorganizadas, o que comprovava sua teoria de que Malfoy realmente não prezava pela organização de nada.
– Realmente gosta do que faz, não é?
– É o que sei fazer. — Ele deu de ombros e Hermione estendeu a mão para tocar um líquido rosa que parecia gel, cheio de pétalas de rosas vermelhas flutuando lentamente de um lado para o outro. Era tão bonito e exalava uma fragrância tão suave... — Não toque nisso, se não quiser que sua mão fique cheia de bolhas por duas semanas.
Recolheu a mão rapidamente e voltou-se para Draco, relaxando o corpo. Encostou-se à mesa e cruzou os braços, analisando-o e constatando que, definitivamente, preto era sua cor, embora contrastasse de forma gritante com o sol lá fora. Porém, ele virou-se abruptamente fazendo-a levantar os olhos, diretamente para a caixa de cor verde que tinha em mãos.
– O que é isso? — Perguntou pausadamente, arregalando os olhos.
– Não é o que está pensando! — Ele franziu o cenho de forma engraçada ao vê-la soltar a respiração, aliviada. A caixa era relativamente pequena, com um simples 'm' prateado, desenhado artisticamente na tampa. — É algo que comecei a desenvolver quando viemos para cá, estava em minha mente há alguns dias. Eu... Achei que apreciaria.
Ele lhe entregou a pequena, porém pesada, caixa e com cuidado, hesitante, Hermione a abriu. Ergueu as sobrancelhas ao mesmo tempo em que segurava com cuidado o pequeno vidro transparente. O líquido rosa claro combinava perfeitamente com o laço negro que adornava o pequeno e simples frasco. Burrifou o perfume no próprio pulso e ia começar a esfregá-lo quando Draco segurou sua mão e pegou o frasco.
– Tem que deixar fixar naturalmente em sua pele. — Ele depositou mais um pouco em seu pescoço, sem exagerar.
– Obrigada. — Ela disse, sentindo a fragrância presente no ambiente.
– É uma combinação de lavanda, cravo e... — Ele calou-se, colocando o frasco de volta na caixa e a tapando.
– E...? — Levantou uma sobrancelha, instigando-o, mas Malfoy sorriu, esperto.
– Eu não vou revelar.
– E se eu adivinhar? — Hermione passou por Draco, encarando as substâncias presentes sobre a mesa. — Sou uma advogada, posso descobrir pela sua expressão quando está mentindo ou falando a verdade.
– Não sou tão fácil assim de ler. — Ele segurou seu pulso quando estendeu a mão para pegar o ramo de uma planta qualquer.
– Isso é que você acha. — Hermione riu e sentiu o perfume em seu pulso, o aroma adocicado e levemente amadeirado preenchendo seu olfato. — É realmente ótimo. Obrigada.
Draco a encarou por alguns segundos antes de se aproximar. Soube instintivamente o que ele faria e não o afastou — como a parte racional de seu cérebro mandava fazer -, apenas deixou que ele escondesse o rosto na curva de seu ombro e aspirasse, diretamente de seu pescoço, a fragrância que havia criado. Arrepiando-a, Malfoy fez questão de passar a ponta de nariz por toda a extensão perfumada até encontrar sua orelha, onde falou roucamente.
– É exatamente do jeito que eu imaginei. — Engoliu em seco, fechando os olhos e apertando as unhas nos braços dele, por cima das roupas. Aquilo era demais para ela, tê-lo tão perto despertava todos os seus sentidos. Mordeu os lábios, impedindo um gemido quando Draco mordeu levemente a veia saltada em seu pescoço e passou a língua, provocando-a deliberadamente. — Quando senti o cheiro de sua pele, na última noite antes de virmos para cá, soube que precisava criar algo que combinasse.
Suas testas se encontraram e os lábios brincaram por alguns segundos, jogando com seus desejos, até Draco capturá-los e, finalmente, juntar suas bocas num beijo intenso. Apoiando-se nos ombros dele, se deixou ser colocada na mesa mais próxima, puxando-o para mais perto quando, novamente, dedicou atenção especial a seu pescoço.
– Você é um cretino, Malfoy. — Murmurou, ao começar a desabotoar a camisa do mesmo, agradecendo mentalmente que ele não tivesse escolhido usar gravata naquele dia.
Draco riu, encarando-a, os lábios vermelhos e inchados e um sorriso malicioso no canto direito.
– Isso não devia te surpreender.
A beijou novamente e segurou seus braços, colocando-os contra a parede, deixando tudo mais lento e, consequentemente, mais pessoal. Hermione mordeu seus lábios, protestando, mas não houve acordo, pois ele, aparentemente, havia resolvido torturá-la por algum tempo e estava achando tudo isso muito divertido.
Com uma das mãos segurando seus pulsos, Malfoy abriu o zíper lateral de seu vestido azul escuro e perdeu uma das mãos por ali, infiltrando-a embaixo do tecido, buscando pele, fazendo-a tremer de prazer ao sentir as mãos frias. Seus corpos estavam completamente colados, pois a mesa não era tão grande assim e as pernas de Hermione o mantinham junto de si o tempo todo.
– Draco? — A voz de Narcissa fez ambos pularem de susto, tão concentrados estavam no corpo e nas reações um do outro. Ele suspirou, frustrado, e deu espaço para que Hermione descesse da pequena mesa, tentando ficar o mais apresentável. — Você está aqui?
– Aqui nos fundos. — Ele respondeu, colocando a camisa novamente dentro da calça e a abotoando.
Hermione o encarou e engoliu o riso ao ver a marca de batom próxima aos lábios. Não estava tão visível assim, mas não passaria batido por ninguém, ainda mais se levasse em conta o quanto estava claro ali. Instintivamente, segurou o rosto dele e o limpou, evitando olhá-lo diretamente, embora sentisse seu rosto ser analisado milimetricamente.
– Um dos elfos me contou que... — Narcissa parou ao constatar sua presença. Sorriu, como uma adolescente pega no flagra, quando a mulher passou os olhos por todo seu corpo, analisando-a, até chegar ao rosto. — Hermione vai embora.
– Podemos marcar algo, se quiser, é claro. — Disse, lembrando-se do que havia ouvido há poucos minutos e o sorriso animado que a senhora tentava conter a aqueceu por dentro, como um sinal de que estava fazendo o certo. — Draco tem meu endereço.
– Mandarei uma coruja. — Narcissa sorriu.
– Bem, eu tenho que ir, há algo que preciso fazer. — Virou-se para Draco e aproximou-se para depositar um beijo em sua bochecha. — Obrigada.
– Sabe onde moro. — Disse ele, entregando a caixinha com seu vidro de perfume. Meneou a cabeça e voltou-se para Narcissa.
– Obrigada por me receber na sua casa.
– Será sempre bem vinda aqui, Hermione. — Apenas sorriu, lembrando-se que Lucius certamente não compartilharia da mesma opinião da esposa. Passou pela mulher, apertando levemente sua mão, pois obviamente não tinham intimidade para ensaiar um abraço.
– Irei esperar a coruja.
Assim, saiu da estufa e percorreu alguns corredores até encontrar o principal, que levava à grande escadaria de mármore da entrada da Mansão. Não encontrou Lucius e agradeceu mentalmente por isso. A última coisa que queria no momento era ter de lidar com ele.
Ainda olhou para trás, vendo ao longe aos silhuetas de Draco e Narcissa, encarando-a da estufa no último andar. Franziu o cenho, sentindo um estranho aperto no peito ao fechar os portões de ferro e, finalmente, aparatar com apenas um lugar em mente. Tinha realmente algo para fazer e já havia esperado muito para isso.
As ruas do Soho, para Hermione, sempre haviam sido cheias de vida. Pessoas iam e vinham à todo o momento, especialmente quando alguma atração local estava fazendo show em algum pub, o que sempre acontecia. Nesses dias, Nina estava se preparando para sair de seu casulo e ir "encontrar gente". Na verdade, ela sempre alegara que pubs eram os melhores lugares para encontrar namorados, embora Hermione não concordasse com essa tese, visto que o relacionamento mais duradouro da ruiva nos últimos dois anos fora de apenas três meses.
Por isso, assim que aparatou naquele bairro, torceu para que Nina ainda estivesse em casa. Queria acertar as coisas em sua vida, de uma vez por todas, e iria começar pela ruiva, afinal, perder uma amizade como a dela seria estupidez. Acreditara desde o princípio nas palavras dela: haviam se tornado amigas de verdade, apesar de sua missão para o Ministério. Entretanto, tivera tempo para entender e aprender lidar com isso e não queria mais se manter longe, precisava de uma amiga.
Foi pensando nisso que tocou a campainha da ruiva, seu coração batendo descompassado ao ouvir passos e, sobretudo, risadas do outro lado da porta. Quando esta foi aberta, o sorriso de Nina murchou quase que totalmente ao vê-la ali, surpresa.
– Oi. — A ruiva piscou algumas vezes, franzindo o cenho por alguns segundos antes de, abruptamente, pular em seu pescoço, apertando-a num abraço.
– Oi! — Disse ela, em tom aliviado. O abraço de Nina era confortável e Hermione fechou os olhos, sorrindo agradecida que as coisas entre elas estivessem se acertando. Se afastaram, o olhar da ruiva esperançoso, quase infantil. — Você já me perdoou?
Antes que pudesse responder, a porta do apartamento vizinho se fechou e ambas se viraram, deparando-se com um casal de senhores encarando-as atentamente. Nina os cumprimentou e puxou Hermione para dentro de seu próprio apartamento, porém, a tempo de ouvir o homem falando:
– Eu disse para você que ela é lésbica.
– Jura que seus vizinhos acham que você é lésbica? — Ela lhe sorriu maliciosa.
– É por que eles não podem ouvir minha movimentação entre quatro paredes.
Hermione sentou-se em sua poltrona preferida, pronta para começar a falar a quais conclusões havia chegado depois de todo aquele tempo afastada, mas nesse momento a porta do quarto de Nina foi aberta e, para sua eterna surpresa, Theodore Nott saiu de lá, os cabelos bagunçados e a camisa desabotoada.
– O que está fazendo aqui? — Perguntou, ainda um pouco atônica.
– Quer mesmo que eu explique? — Disse ele, com um sorriso malicioso, indo até cozinha e pegando uma xícara de café, completamente confortável. — Digamos que Nina precisava de um consolo depois que você a descartou.
– Eu não a descartei. — Retrucou, entredentes. Aquela acidez entre eles não ia mesmo ter fim.
– Não foi o que me pareceu. — Nott terminou de abotoar a camisa e aproximou-se de Nina, lhe dando um beijo rápido e tão intenso que Hermione precisou desviar os olhos, constrangida. — Nos vemos depois, amor.
– Amor? — Disse, numa careta, quando ele saiu avisando que devolvia a xícara mais tarde. — Há quanto tempo isso vem acontecendo?
– Er... Uma semana, talvez. É só uma maneira de ele dizer, não é nada sério. — Nina encarou a porta e suspirou. — Acho que estou apaixonada.
– Sério? Por Theodore Nott? Esse cara é detestável! — Nina lhe franziu o cenho, contrariada. — Ouça o que estou dizendo, eu já conheci Rabastan Lestrange e Nott ganha disparado.
– Hermione, você achava Draco detestável e, hoje em dia, transa com ele. — Ela falou como se fosse óbvio. — Seus parâmetros para "detestável" não são tão confiáveis assim.
Bufou, concordando que não poderia opinar, embora ainda achasse Draco detestável em muitos aspectos. Encarou Nina, percebendo que ela parecia esperar para ver quem daria o primeiro passo, afinal era Hermione quem havia aparecido em sua porta.
– Me desculpe. — A ruiva abaixou os olhos para os próprios dedos, mordendo os lábios. — Por tê-la deixado aqui daquela maneira. Eu sei que... Não fui compreensiva. Eu... Apenas precisava de um tempo.
Nina respirou fundo e a encarou, seus olhos molhados.
– Eu só... Queria que entendesse que fui sua amiga em todos os momentos de verdade. E sei que você também foi a melhor amiga que alguém poderia ter, por isso entendo por que ficou magoada. — Ela deu de ombros. — Foi quando Theo apareceu e disse que talvez você precisasse de um tempo para assimilar tudo.
– Então desistiu de mim para aproveitar algumas noites com Theodore Nott? — Perguntou, risonha, tentando amenizar o clima tenso que havia se instalado na sala, sinalizar que já estava tudo bem. Nina riu e levantou-se, pegando uma garrafa de vinho e duas taças.
– Ele é um cavalheiro, se você quer saber.
– Sonserinos. — Disse Hermione, bebendo quase que completamente todo o líquido de sua taça, sob o olhar quase assustado da amiga. — Malfoy também é um cavalheiro.
Nina deixou a cabeça cair para um lado, um olhar analisador em seu rosto, aquele olhar que Hermione tanto conhecia e tanto fugia.
– Está apaixonada. — Meneou a cabeça e fechou os olhos, apoiando a cabeça na poltrona. Era exatamente o que estava evitando confessar a si mesma. Ter tantos problemas e ainda estar apaixonada por Draco era, no mínimo, demais para qualquer pessoa. — Meu Deus, está apaixonada por Draco Malfoy!
– Estamos ferradas, Nina.
Prévia do capítulo 35
– Michael? Michael, onde está Lucy? Ela está bem?
– É claro que ela está bem. Por que não estaria?
–--x---
– Não espere que tentar uma overdose de remédios irá a isentar da culpa, Hermione.
–--x---
– Confie em mim, você não está carregando isso sozinha.
– Devido ao seu imenso senso de dever com a família.
– Você sabe que não é apenas por isso.
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