Memories of the Past
9 Capítulo 9
Hermione passou a Noite de Natal em casa. Depois do péssimo final de dia que havia tido, resolveu que ficar em casa era o melhor dos planos.
Estava na sala desfrutando de um bom vinho e alguns frios. As chamas da lareira acesa crepitavam e faziam sombras e formas na parede. As luzes estavam apagadas. Nada melhor para relaxar.
Porém, assim que saiu do Orfanato, soube que seus pensamentos e questionamentos não a deixariam em paz. Queria saber por que Malfoy havia decidido se tornar bem feitor do lar e há quanto tempo isso havia acontecido. Por que o destino insistia em colocá-lo em seu caminho?
Respirou fundo, enchendo mais uma vez a taça de vinho tinto. Foi quando ouviu um baque alto vindo do seu quarto, como se algo pesado tivesse caído contra o piso de madeira envernizada.
Estranhou. Fazia muito tempo que Bichento havia morrido. Havia sido uma tristeza, mas não o substituíra. Agora, era apenas ela. Lentamente, colocou a taça sobre a mesinha de centro e levantou-se.
Percorreu o corredor silenciosamente e adentrou seu próprio quarto, já que o de hóspedes estava trancado à chave há mais de um mês. Fazia um mês que Nina não chegava bêbada em sua casa.
Seu quarto estava completamente tomado pela escuridão, mas algo ainda prendia sua atenção. Tinha certeza que podia sentir uma presença ali, fosse estranha ou não. Podia ouvir seu próprio coração martelando contra o peito.
Acendeu as luzes, não notando nada de diferente naquele ambiente. Andou até o banheiro e o closet e, finalmente, viu. O antigo malão que guardava sobre a capa de invisibilidade em cima do guarda roupa estava no chão, com todas as coisas espalhadas.
Segurou-se para não soltar um grito de pavor. Ninguém sabia que aquele malão velho e esquecido estava ali, nem mesmo Lucy ou Nina. Ainda olhou uma vez no banheiro antes de ajoelhar-se ao lado do malão para começar a juntar seus antigos pertences. Entretanto, foi impossível não parar e olhar cuidadosamente cada um dos objetos. Seus antigos livros de magia, diários pessoais, fichários de anotações, penas velhas e tinteiros, sua varinha e o exemplar de “Os contos de Beedle, o Bardo” que herdara de Dumbledore.
Havia ainda algumas fotos do tempo de Hogwarts com Harry e Ron. Olhou mais atentamente uma na qual estava ao lado de um sorridente professor Slughorn na festa de Natal de seu clube. Foi naquele ano que começou mudar. Ron não estava nesta foto, apenas Luna, Ginny, Harry, Neville de garçom e, não sabia exatamente como, Blásio Zabine. Tinha a leve impressão de que o último queria estar numa foto ao lado de Harry.
Sorriu levemente, com um bolo na garganta. Será que ainda existiam aquelas picuinhas entre sonserinos e grifinórios? Como estaria Hogwarts agora? Minerva ainda estaria lá, com suas vestes verde-esmeralda e seu chapéu torto? E Hagrid? Deus, tinha tanta saudade de Hagrid.
A lágrima fria que escorreu por sua bochecha, porém, logo foi esquecida quando avistou algo que não deveria estar ali. Estava embaixo de suas vestes antigas da Grifinória, mas tinha certeza que nunca havia estado ali em momento algum.
Segurou a rosa negra com as mãos trêmulas, evitando tocar os espinhos. Ela só podia ter sido colocada ali há pouco tempo, pois tinha a aparência de ter sido colhida recentemente.
Com a respiração acelerada, Hermione correu para o quarto novamente. Não sabia o que esperava encontrar, mas com certeza não era uma janela aberta. Havia passado pelo quarto há poucos minutos e tinha certeza que estava tudo fechado. As cortinas da porta que dava para a sacada esvoaçavam com o vento que trazia uma tempestade de neve para a Noite de Natal.
Engolindo em seco, não pode evitar a curiosidade, dirigiu-se até a sacada pequena. Não havia nada lá. A rua estava totalmente vazia, com exceção de algumas pessoas que comemoravam seus próprios Natais. Podia ouvir risadas e música ao longe. Suspirou e encarou a rosa que tinha em mãos.
Não sabia quem poderia ter sido, mas tinha certeza de que essa pessoa sabia exatamente na casa de quem estava. Voltou para dentro do quarto ao sentir o vento gelar suas bochechas e nariz e trancou a janela novamente.
Voltou para o closet, guardou seus antigos pertences cuidadosamente dentro do malão e o colocou em cima do guarda roupa descobrindo que a capa havia sido roubada. Com certeza, o intruso recorrera a ela quando o malão caiu no chão. Ou melhor, foi jogado para chamar sua atenção. Apenas não sabia qual o objetivo do mesmo ao deixar uma rosa negra como recado ao invés de terminar o serviço. Ele devia saber perfeitamente que ela estava a apenas alguns passos do quarto, na sala. Mais vulnerável impossível!
Mordeu os lábios e tentou pensar racionalmente, que era o que sabia fazer de melhor. Evitou o nervosismo com firmeza para raciocinar com clareza, mas não gostou da conclusão a que chegou.
Malfoy. Ele era a única pessoa que podia ajudá-la, sem levantar suspeitas e sem ter que recorrer a outros meios. Deixou a rosa negra sobre a cama e pegou a bolsa, em cima de uma das poltronas que ficava perto da entrada do closet. Buscou o endereço dele, jogado sem cuidado dentro da bolsa.
Trocou os sapatos e colocou um casaco, descendo as escadas, a rosa negra dentro da bolsa. Porém, parou ao chegar à porta da cozinha. E se fosse Malfoy quem estivera em sua casa há apenas alguns minutos? E se fosse ele quem havia deixado à flor?
Por impulso, deu um soco na parede ao seu lado. Mas por que ele faria isso? Levou a mão à cabeça, coçando tão displicentemente que nem percebera. A briga de mais cedo nem havia chegado a grandes proporções e ele não sabia onde Hermione morava. Lucy não dava seu endereço a ninguém, como havia pedido há muito tempo atrás.
Certo. Encarou o endereço novamente, há muito amassado entre seus dedos. Teria que ir à casa de Malfoy de qualquer maneira. Só assim poderia descobrir se havia ou não chances de ele estar envolvido em todo o episódio que havia acontecido em sua casa.
Decidida, abriu a porta e destravou o alarme do carro. Inconscientemente, estava saindo para não ter que ficar sozinha ali, no caso do intruso voltar. Conscientemente, poderia estar indo diretamente para os braços do intruso que lhe deixara à rosa negra.
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