Memories of the Past
43 Capítulo 43
Dentro da cela escura, Hermione andava irritada de um lado para o outro. Lucy certamente já estava cansada de repetir exaustivamente que tal ato de nada adiantaria visto que Córmaco sumira há algumas horas. Estavam em uma masmorra, mas podiam ouvir o barulho dos passos do loiro quando este se aproximava, o que não acontecia há bastante tempo. Tempo suficiente para que várias ideias sobre sair dali ou, pelo menos, tirar Lucy povoassem a cabeça de Hermione. Nenhuma delas parecia boa o suficiente, entretanto.
Suspirou frustrada e voltou a se sentar ao lado de Lucy, escondendo o rosto entre os joelhos. Sempre fora uma forma de se acalmar, mas não conseguia esvaziar a mente para que relaxasse e pensasse com a frieza com que estava acostumada. Há muito tempo não passava por uma situação de estresse minimamente parecida com a que tinha vivido na adolescência, só agora via que – embora estivesse esperando que o invasor agisse – não estava preparada para isso.
Só queria, por Deus, saber onde estava Harry, os aurores, Draco... As palavras de Córmaco não saíam de sua mente, por que ele falava com tanto rancor do loiro? O que Malfoy poderia ter haver com tudo isso?
– Preciso encontrar uma forma de tirá-la daqui. – Anunciou levantando-se novamente enquanto limpava as mãos no vestido caro que McLaggen lhe dera, que certamente já estava completamente sujo devido à imundice daquele lugar.
– Hermione, eu estou bem. – Disse Lucy em tom quase entediado.
– Por enquanto, não sabemos o que McLaggen quer e...
Hermione foi interrompida pelo estrondo da porta abrindo-se abruptamente e McLaggen entrou furioso, parecendo mais nervoso do que quando havia saído.
– Não sabemos o que McLaggen quer. – Ele imitou em falsete, empurrando Hermione em direção à parede, fazendo com que a mesma gemesse de dor ao sentir a superfície de pedras irregulares. – O que eu quero certamente não tem relação com sua amiguinha inútil.
– Se afaste de mim, Córmaco. – Anunciou vendo, pelo canto dos olhos, Lucy levantar-se lentamente do outro lado da cela. – O que você quer?
– Algo que pode me dar com bastante facilidade.
Córmaco avançou segurando seus braços contra a parede enquanto depositava beijos e mordidas em seu pescoço, ignorando os protestos e o fato de que Hermione tentava desvencilhar-se dele à todo instante.
– Eu não irei fazer sexo com você, me solta! – Infelizmente, a morena não conseguia empurrá-lo para longe de seu corpo, o homem era muito menor e não fazia uma refeição decente há mais de 24 horas.
– Cale a boca e seja boazinha, Hermione. – Segurando seus braços acima da cabeça com apenas uma mão, Córmaco usou a livre para rasgar a saia de tule do vestido e abrir caminho para suas pernas desnudas. Claramente sem se importar com a dor, ele apertava suas coxas e nádegas, provavelmente deixando marcas por toda a extensão de pele onde tinha acesso.
– Não! Você está louco...
Pela primeira vez, então, desde que chegara ali, Hermione sentiu o medo aflorar. Ele ia estuprá-la, sem dó, sem pensar, e sequer sabia o motivo. Conseguindo livrar um de seus braços, juntou todas as forças que possuía e deferiu uma tapa na cara do homem, que retribuiu na mesma moeda.
Ardência espalhou-se por sua face esquerda e algumas lágrimas escorreram enquanto Córmaco levava a mesma mão que lhe batera para apertar seu pescoço e falava de modo ofegante, a respiração quente batendo contra seu rosto.
– Eu só quero que seja minha, Hermione. – Viu as chamas que iluminavam o corredor tremeluzir, produzindo uma sombra fantasmagórica nos olhos azuis a centímetros de seu rosto. Córmaco estava visivelmente louco, sem condições de medir as consequências fria e calculadamente, como havia feito durante todo o tempo em que esteve jogando com ela, lhe mandando bilhetes e flores negras. Não, agora nada disso importava, ele apenas queria tê-la e para isso estava disposto a machucá-la da forma mais repugnante que Hermione conhecia. – Por que tem que dificultar tanto as coisas?!
Hermione desviou-se o quanto podia, mas a boca dele ainda tomou a sua violentamente, enfiando a língua de forma descarada e fazendo-a ter vontade de vomitar. Ao invés disso, depositou toda sua força ao morder a língua dele, fazendo-o gritar de dor e se afastar.
– Sua vadia maldita! – Disse ele furioso levando as mãos à boca. Sentiu o gosto acre do sangue alheio em sua boca e demorou alguns segundos para realizar que havia o machucado de verdade. – Você vai pagar por isso!
– Fique longe de mim, McLaggen! – Encolheu-se a parede, tentando encará-lo de forma decidida, embora tudo que conseguisse pensar no momento era que seria estuprada ali.
– Ou o quê? – Ele disse de forma deliberada, sem se preocupar em limpar a mão suja de seu próprio sangue, enquanto aproximava-se novamente. – Você não tem uma varinha.
– Mas eu tenho.
Hermione não reconheceu de imediato a voz que se pronunciou logo atrás de Córmaco, mas quando o mesmo virou-se, atônito demais para reagir com rapidez, Rabastan Lestrange o lançou com um movimento de varinha em direção a parede, fazendo-o gritar de dor.
– Lestrange? – Franziu o cenho em confusão ao vê-lo ali, a última pessoa que poderia imaginar que apareceria.
– Ninguém mexe com quem é da família, bonitinha. – Declarou ele, no mesmo instante em que McLaggen gemeu no chão, indicando que ainda estava consciente. Rabastan aproximou-se do mesmo, agachando-se no chão enquanto o olhava com desprezo e o cutucava dolorosamente nas costelas usando a varinha. – Só não irei te torturar aqui mesmo por que sei que é apenas um fantoche idiota.
– Do que está falando? – Hermione perguntou confusa demais para assimilar tudo que acontecia.
Lestrange levantou-se e antes que pudesse responder, Evan apareceu na porta apoiando uma Lucy um tanto quanto ofegante.
– Me desculpe... Eu fui procurar ajuda. – Ela fechou os olhos, exausta e suada, seus cabelos mais bagunçados do que Hermione provavelmente havia visto durante o tempo em que se conheciam. – Preciso começar a praticar atividades físicas.
Porém, antes que qualquer um pudesse falar, Draco ultrapassou o batente da porta e dirigiu-se a Hermione rapidamente, encarando-a de cima abaixo à procura de algo fora do normal antes de abraçá-la.
– Está tudo bem? – Ele sussurrou para que só ela pudesse ouvir e Hermione teve vontade de chorar ao sentir o perfume conhecido do loiro invadir suas narinas. Por um momento, achou que o resto de sua vida resumir-se-ia àquele momento aterrorizante com Córmaco. Apenas balançou a cabeça em afirmativo, querendo prolongar ao máximo o abraço, mas ele afastou-se para encarar Rabastan com seriedade. – Eu chamei os aurores.
– Bem, o dia já foi salvo, acho que é hora de ir. – Hermione viu Evan revirar os olhos, no mesmo instante em que Draco e Lestrange trocavam um aperto de mãos que não poderia ser considerado camarada. – Diga a seu papai que eu irei visitá-lo.
– Rabastan. – Hermione percebeu sua voz rouca, provavelmente devido a vontade de chorar e ao nervosismo. O homem virou-se para ela, o semblante interrogativo ao ver sua mão estendida. – Obrigada.
Rabastan sorriu e levou sua mão aos próprios lábios, depositando um beijo educado, como quando se conheceram.
– Família é família.¹
Rabastan foi embora sem despedir-se de Evan, que apenas revirou os olhos pela atitude displicente do pai. De qualquer forma, Hermione tinha a impressão de que eles se viam com mais frequência do que deixavam transparecer.
– Vamos, os aurores estão chegando. – Disse Evan a Lucy, surpreendo a morena ao pegá-la no colo para que não se esforçasse ao subir as escadas. – Logo vai poder encontrar seu marido.
Hermione voltou-se para Draco percebendo os olhos dele presos em algo no chão de pedra da cela. Seguiu seu olhar, deparando-se com a calcinha de renda branca que Córmaco rasgara e arrancara a força. Viu a expressão no rosto dele mudar num segundo ao voltar-se para McLaggen, praticamente inconsciente no chão.
– Eu vou matá-lo! – Com o restante de forças que possuía, o segurou impedindo-o de chegar até o corpo do homem.
– Não, Draco. – O loiro voltou-se para ela, revoltado. – Ele não... Terminou. Não fez nada, tudo bem? Deixe os aurores cuidarem disso, por favor.
– Por que seus lábios estão cheios de sangue? – Ele perguntou, limpando com a própria mão o sangue de McLaggen em seu rosto e lábios.
– Eu o mordi. – Deu de ombros, vendo o olhar dele suavizar ao encarar os rasgos em seu vestido e ajeitá-lo para que suas pernas não ficassem desnudas.
– Desculpe não ter aparecido antes. – Segurou o rosto dele entre as mãos, fazendo com que suas testas se encontrassem.
– Não tem que se desculpar sobre nada, Draco. – Declarou, sentindo-o os braços dele ao redor de sua cintura enrijecer.
– Hermione...
Antes que ele pudesse completar, passos descendo as escadas do lado de fora puderam ser ouvidos e a voz de Harry se fez presente, obrigando-os a se afastar.
– Não devia ter vindo sem a presença de um oficial, Malfoy! – Ele disse furioso enquanto seus subordinados algemavam McLaggen com um feitiço e o levavam para fora da cela, não encontrando obstáculos.
– Sempre fui mais eficiente que você, de qualquer maneira, Potter. – Draco revirou os olhos e a puxou pela mão. – Vou levar Granger para casa.
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