Hermione estava sentada numa das poltronas macias da sala de estar de Lucy, com as pernas cruzadas e uma xícara de chá nas mãos. Draco, Michael e Lucy estavam conversando sobre o que fazer na empresa do primeiro, que parecia ter sofrido desvio de dinheiro por alguns de seus funcionários de mais alto escalão.

Obviamente, todos estavam achando que ela estava prestando atenção em tudo, mas só tinha algo em mente: Draco Malfoy se tornaria uma figura cada vez mais presente em sua vida, considerando que ele e Michael pareciam velhos amigos de infância.

Não sabia se Draco continuava com os mesmos hábitos de quando estudavam juntos, mas Michael era certamente uma companhia muito melhor que Crabbe, Goyle e Zabine. Ah, Zabine… Ela fez um careta ao se lembrar daquele sonserino odiável. Em pensar que Ginny já havia tido uma pequena paixão platônica por ele. Como será que ela estaria? Casada com Harry? Jogando quadribol? Com uma penca de filhos ruivos e de olhos verdes, como se espera de uma Weasley?

Suspirou pesadamente, como sentia falta de Ginny. E de Harry e Ron. Tinha certeza de que eles nunca a perdoariam por abandoná-los, ainda mais no meio da guerra. E, pior ainda, sem explicar o por que. Mas sabia que as coisas nunca voltariam a ser iguais quando eles descobrissem de quem era filha e por isso havia sido melhor que se afastasse.

Agora Draco Malfoy estava ali, sentado à sua frente, conversando com seus amigos, agindo como um verdadeiro empresário trouxa, para mostrar que o passado nunca havia a deixado, mesmo que tivesse fingido durante todo esse tempo, certa de que sim.

Quando percebeu todos tinham os olhos pregados nela, parecendo esperar que dissesse algo. Lucy arregalou os olhos levemente, como que perguntando o que estava acontecendo. Mas ela não poderia entender, por que apesar de serem amigas há um bom tempo não sabia nada sobre o passado de Hermione.

– O que?

– Estávamos perguntando se vai estar livre amanhã para um almoço na casa de Draco. – Hermione viu Draco levantar uma das sobrancelhas, como que perguntando o que ela faria para se livrar daquilo. Ah claro, estava apenas esperando que ele voltasse a ser aquele cara irônico de sempre. Tinha certeza de que ele ainda estava ali em algum lugar. – Os rapazes estão querendo jogar tênis e eu estarei completamente sozinha.

– Er… Não posso. – Lucy deixou os ombros caírem. – Eu… Tenho o aniversário da filha da minha vizinha, lembra?

– A sua vizinha insuportável, foi isso que me disse.­

– De qualquer maneira, não posso deixar de ir, ou a vizinhança toda vai comentar.

Disse, sem sequer tentar disfarçar o quão aliv­­iada estava por não ter que ir a casa dele. Será que Draco levaria Michael e Lucy até aquele mausoléu onde morava quando eram mais novos? Não podia ir lá de qualquer maneira, Wiltshire lhe dava arrepios e ainda tinha pesadelos até hoje com a noite em que Bellatrix a torturou.

– É, os vizinhos não gostam muito de Hermione. – Hermione conhecia muito bem o tom de Michael, então colocou a xícara vazia de chá na mesinha de centro e afundou na poltrona, revirando os olhos. – Entenda, eles são um pouco conservadores. Praticamente, todos os vizinhos dela são casados e Hermione é uma exceção, então…

Ele deu de ombros, como se com aquela explicação já deixasse tudo explícito. Lucy fuzilou o marido com os olhos, pois havia entendido a mesma coisa: Michael estava taxando-a de solteirona por querer.

Não que Michael fosse mal, ele gostava de tirar uma com a cara de Hermione. O advogado, por incrível que pareça era daquele tipo que não se leva muito a sério e quer dar uma de legal sendo amigo de todo mundo. O problema é que tudo tinha limite e, não pela primeira vez, Michael o estava ultrapassando. Ele não sabia quando parar.

– Eles não entendem que estou solteira por opção.

– Compreendo. – Hermione evitou um revirar de olhos, pois ninguém havia percebido a ironia de Draco. Por que ninguém o conhecia como ela.

– Bom, já está tarde e eu preciso ir. – Levantou-se, decidida a colocar um fim na noite. Aquele jantar havia sido um desastre do início ao fim. – O jantar estava ótimo, querida.

– Mas…

– Obrigada por vir, Hermione.

Michael cortou a esposa e Hermione o agradeceu mentalmente por isso. Pelo menos ele era mais perceptível para convenções sociais do que a Lucy. Ela estava acostumada a ter tudo que queria, custe o que custasse, fazia o possível para as coisas se acertarem do jeito que ela gostava, sem perceber, por ingenuidade, quando isso ultrapassava a linha do aceitável para os outros.

Colocou o casaco rapidamente e pegou a bolsa, que havia deixado no aparador do hall de entrada quando haviam ido para a sala de jantar. Porém, ouviu Draco informar que também iria embora.

– Parece até que está fugindo… — Sussurrou Lucy, enquanto abria a porta para ela passar.

– E só agora percebeu?

A noite estava fria quando começou a andar em direção ao seu carro e encolheu-se ainda mais dentro do casaco quando uma brisa se fez presente contra seu rosto, mas ouviu Lucy despedir-se de Draco acrescentando que se veriam no dia seguinte. Como estava feliz por poder não ir àquele almoço. Provavelmente ele envenenaria seu prato na primeira oportunidade que tivesse!

Porém, sua felicidade teve fim quando ouviu os passos do novo amigo dos Bonnes alcançando-a. Maldito salto que não a deixava andar rápido na passarela escorregadia.

– Solteira por opção, Granger? – Ela bufou com o tom risonho que ele estava usando. – Essa é a desculpa das desesperadas.

– Qual é? – Ela disse, virando-se. – O que você quer, afinal? Anda me seguindo?

– Não, tenho cara de quem faz isso?

– O que aconteceu com o Draco Malfoy preconceituoso, mesquinho, egocêntrico e egoísta de Hogwarts? – Perguntou, já perdendo a paciência. – O Malfoy que eu conhecia jamais se misturaria com trouxas, muitos menos abriria uma empresa no mundo trouxa, ou comeria a comida deles. Qual é a jogada dessa vez?

– Se não tivesse sumido por 10 anos, Granger, saberia que esse Draco Malfoy não existe mais. Não existe jogada alguma.

– Eu quero saber por que. – Disse, de súbito, no que ele franziu.

– Aqui? Em frente à casa da sua amiga casamenteira, que está espiando pela janela nesse momento?

Hermione olhou em direção a casa da amiga, que fechou a cortina e se escondeu assim que percebeu que havia a avistado lá. Suspirou e o encarou de volta.

Tudo bem, uma reunião com um ex-colega de escola que não gostava não fazia parte dos seus planos para encerrar a noite, mas ele passaria a ser uma presença constante em sua vida depois do contrato assinado, isso era uma realidade e devia sair da fase da negação.

Mas se agora passaria a vê-lo com frequência, precisava saber o que havia acontecido ou acabaria ficando louca sem saber os motivos pelos quais ele havia mudado tanto. Se é que tudo não passava de uma jogada para enganá-la.

– Tudo bem, me siga.

Então, andou até o carro e deu partida, antes que pudesse se arrepender do que estava fazendo.

Notas finais
Capítulo de transição só para deixar vocês mais curiosas! Cruel, mas necessário, afinal eles precisam de um ponto de partida. Porém... Prometo que, para compensar, vou tentar não demorar para postar o próximo. Ele já está escrito e revisado, apesar de eu sempre ler mais uma vez antes de postar aqui. Mais uma vez: obrigada pelos comentários, eles realmente são um estímulo a mais. Podem continuar, OKAY? :D Tudo bem, eu falo sério, apesar dos acessos é sempre bom contar com a opinião de vocês. P.s.: Não vamos esquecer que o Draco sofreu grandes mudanças depois da guerra, mas ainda possui seus próprios fantasmas, assim como Hermione. P.s.2.: Os beijos de Draco são realmente o sonho de qualquer uma. Bjobjo, até o próximo ;)