O bairro trouxa onde Malfoy escolheu morar, se é que ele morava realmente ali, era discreto apesar de luxuoso. Os prédios e casas tinham portas negras que davam diretamente para a rua, com jardins pequenos e bem cuidados ao lado das mesmas.

Porém, apesar do lugar calmo que ele escolhera, ainda era um Malfoy e, aparentemente, um Malfoy precisava morar num prédio de esquina com três andares. Pelo menos era o que dizia o endereço que tinha em mãos. O poste de luz clareava a porta do número 18. Sim, era ali.

Do carro, percebeu que apenas uma luz do segundo andar estava acesa. Será mesmo que ele estaria ali? O que estaria fazendo? Ela respirou fundo. Ele havia ficado em casa a noite toda?

Destravou o cinto de segurança, sentindo que a segurança terminaria literalmente assim que descesse do carro. Andou agasalhada até o número 18 e tocou a campainha, escondendo a boca e o queixo do vento frio dentro do cachecol.

Esperou mais de um minuto até ouvir os passos do outro lado da porta. Olhou para trás, percebendo que a rua encontrava-se deserta, apesar de haver alguns carros aqui e ali estacionados em sua extensão. Se gritasse, ninguém ouviria.

Subitamente, sentiu um arrepio percorrer sua coluna de baixo para cima, mas teve consciência de que não tinha nada a ver com a tempestade de neve que se aproximava. Se acontecesse algo, seria seu fim, pois Malfoy era um bruxo com plenos poderes e Hermione não tinha nada que pudesse usar para se defender. Duvidava que conseguisse executar algum feitiço se tivesse uma varinha em mãos, depois de todo esse tempo. Será que ainda tinha poderes ou estes haviam sido adormecidos em algum lugar sombrio dentro de seu ser?

Para sua surpresa, quando a porta se abriu, era Malfoy quem estava abaixo do batente parecendo aturdido ao vê-la ali. Será que não havia suspeitado nem por um segundo que Hermione iria atrás dele, atualmente seu único contato com o mundo bruxo, depois do que havia acontecido? Ou será que simplesmente não sabia de nada? Seu coração batia freneticamente contra o peito.

– Granger? – Ele olhou para trás e bloqueou o espaço aberto da porta com o próprio corpo, abaixando o tom de voz quando voltou a lhe falar. – O que você está fazendo aqui?

– Está ocupado?

– É noite de Natal, você não devia estar… Comemorando? – Perguntou ele com uma careta.

– Você está?

Nesse momento, ele enrolou-se um pouco olhando novamente para trás, para dentro de sua casa, sem deixar brecha para que ela pudesse ver algo. Hermione ouviu o barulho de passos. Passos de mulher a julgar pelo barulho do salto alto.

Hermione semicerrou os olhos para Malfoy. Ele estava passando a noite de Natal com uma mulher ao invés de estar com a família?

– Não é uma boa hora. – Confessou.

– É a melhor hora. – Nesse momento, o espírito de advogada já estava falando mais alto e Hermione queria descobrir exatamente o que Malfoy estava fazendo… Ou o que havia feito. – Precisamos conversar.

– Volte amanhã.

– Malfoy, eu me desloquei da minha casa até aqui para falar com você e não vou voltar sem tê-lo feito. – Disse, firmemente, fuzilando-o.

Odiava a tentativa das pessoas quando tentavam evitar outras com desculpas esfarrapadas. E, vindo de Malfoy, isso parecia ainda mais suspeito, principalmente naquela noite.

– Draco…? – Uma voz feminina chamou do lado de dentro.

– Eu já estou indo, o vinho está no meu escritório. – Hermione abriu a boca incrédula quando ele voltou-a a olhá-la e sussurrou urgentemente. – Você tem que ir embora.

– Está congelando aqui fora, sabia?

– Meu coração não ficou tão mole assim. – Ele desdenhou, apoiando-se na porta, aparentemente pensando no que faria com ela.

Hermione estava irritada. Soltou o ar enquanto o olhava pensando em algo que pudesse fazê-lo mudar de ideia. Foi quando subitamente uma ideia passou por sua cabeça.

Ele levantou a sobrancelha esperando sua próxima reação. Em outras ocasiões retrucaria de volta e ficariam nessa até que estivessem cansados demais para tentar desmoralizar um ao outro com palavras – ou até que o frio passasse a incomodá-los -, mas pareceria suspeito demais para quem quer que estivesse lá dentro o fato de Malfoy estar demorando muito na porta.

Sorriu. Ele ainda era um homem e, com isso, poderia ser distraído por qualquer mulher durante um bom tempo. Mas alguns segundos bastariam, pensou Hermione. Ainda pôde ver o olhar confuso de Malfoy ao vê-la sorrir, mas não deixou tempo para que ele pudesse pensar muito sobre o fato.

Sem hesitar, segurou o rosto dele com as duas mãos enluvadas e uniu seus lábios, ambos frios por estarem expostos ao frio da noite. No momento em que Malfoy deixou de apoiar a porta para enlaçá-la pela cintura, suas línguas se encontraram. Até mesmo na hora do beijo brigavam por espaço.

Hermione desejou estar sem luvas para poder sentir a textura dos cabelos dele entre seus dedos. Gastou mais tempo do que o necessário, aproveitando-se do beijo de Malfoy, para empurrá-lo discretamente para dentro do hall de entrada e virar o jogo prensando-o em direção à parede mais próxima e fechando a porta com uma das mãos, antes que ele percebesse suas intenções.

Então, Malfoy quebrou o beijo percebendo o que havia acontecido. Não houve tempo para discussões já que passos vindos de algum lugar atrás de Hermione se fizeram presentes novamente.

– Espere aqui até não ouvir som de passos. Quando isso acontecer tire os sapatos e suba os dois lances de escada até o último andar, eu vou estar no segundo entretendo as visitas.

As instruções duraram cinco segundos e Hermione não teve tempo de protestar, pois no instante seguinte estava sendo empurrada para dentro de um armário de casacos.

– Desgraçado!

Tentou esquivar-se dos três casacos que se encontravam ali, colou o ouvido na porta do pequeno armário tentando escutar o que estava acontecendo do lado de fora.

– Você mantem um estoque de vinhos de excelente qualidade em seu escritório, Draco. – Hermione tinha a impressão de já ter ouvido aquela voz feminina. Era doce, mas ao mesmo tempo parecia bastante formal.

– Os clientes gostam de ser bem recebidos, mas normalmente preferem uísque.

– Claro, claro.

O barulho de vozes assim como o de passos foi se dispersando enquanto Draco e a mulher misteriosa supostamente subiam as escadas. Ela mordeu os lábios. Devia seguir as instruções de Draco e sair dali, pois em algum momento “as visitas” iriam embora e teriam que pegar seus casacos.

Tirou os sapatos e abriu a porta lentamente segurando-os em apenas uma mão. Já estava começando a suar, pois o sistema de calefação da casa estava ligado no máximo. Talvez por isso Malfoy estivesse com aquela camisa preta… Ela balançou a cabeça negativamente tirando a imagem dele da cabeça e obrigando-se a concentrar-se na missão que tinha pela frente.

Subiu as escadas pé-ante-pé, segurando o par de sapatos contra o peito. Ridículo, pareço uma adolescentes fugindo de casa, pensou distraidamente. Porém, quando chegou ao segundo andar, Hermione teve uma surpresa ao perceber quem eram as “visitas”. Os três encontravam-se de costas para ela encarando um Monet autêntico enquanto Malfoy descrevia o quão difícil havia sido a compra da obra em um leilão, já que era uma peça muito disputada.

– …Vocês sabem, arte ainda é um bom negócio.

– Devo admitir, os trouxas sabem reconhecer um bom artista.

O homem que estava ao lado de Draco fez um som desdenhoso e tomou um gole de seu vinho. Hermione não pode deixar de reparar no quanto eles se pareciam, mesmo de costas, e no quanto a pose da família Malfoy inteira era idêntica, tirando o fato óbvio de todos terem os cabelos platinados.

Notas finais
Primeiramente, desculpem por não ter postado ontem, eu estava com visita e totalmente sem animação pra uma postagem de capítulo decente! Enfim... Finalmente, família Malfoy inteira para vocês (e para minha felicidade), eu adoro eles! Foi apenas uma pequena aparição, mas eu tenho planos para que eles sejam mais importantes do que isso :D Então, vamos ao beijo... Eu estava doida pra postar esse capítulo :D Desde o início eu tinha em mente que quem tomaria a primeira iniciativa seria ela, acho que vocês já perceberam que a Hermione não é nada inexperiente, pelo contrário, nesse capítulo ela se mostrou muito confiante de si (EU ACHO). Só por esse capítulo vocês já puderam ver que, como eu disse em uma resposta de comentário, essa noite de Natal vai render. PLEASE, comentem o que acharam dele por que eu adorei escrever, sinceramente!! E... Como vocês deixaram muitos comentários para fazer minha felicidade, eu vou deixar outro spoiler do próximo, vocês são demais!! - Qual é o seu problema?! - Gosta de rosas negras, Malfoy? Bjobjo, até o próximo!!