Memories Of A Day With Rain.
2 Aluna nova.
Notas iniciais
Enfim! O capítulo ^^
Espero que gostem!
Quando abri os olhos parecia que eu não havia dormido nem um minuto sequer.
Esfreguei meus olhos e olhei para o relógio: seis e cinquenta e nove.
Fechei os olhos novamente e me ajeitei no cobertor quente e aconchegante, então processei o horário na minha cabeça e abri os olhos, pulei da cama. Estava atrasada! MUITO atrasada!
Troquei-me o mais rápido que consegui, colocando o tênis enquanto pulava para fora do quarto.
Desci as escadas, peguei minha mochila e já ia me dirigindo para a porta quando meu irmão me impediu.
-Não vai comer o café da manhã? –perguntou com uma torrada na boca, ele era três anos mais velho que eu e usava uma blusa preta juntamente com uma bermuda escura.
Nós éramos bem parecidos um com o outro, com os cabelos entre o escuro e claro e olhos cinzentos.
-Não dá tempo! –exclamei, tirando-o do caminho.
-Está bem, nervosinha. –levantou os braços e pegou algo do bolso colocando na minha mão. –coma isto então.
Estava praticamente pulando na porta da frente, olhei para o pedaço de pão suspeito na minha mão e o balancei na frente do rosto do meu irmão.
-Você tirou isso do seu bolso e está falando para eu comer?
Ele afastou o pão do seu rosto.
-Eu lavei minha calça, está bem? Eu acabei de fazê-lo, aliás, estava guardando para depois. –ele fechou a cara, emburrado.
Cheirei o pão, desconfiada, mas mesmo assim olhei para meu irmão, agradecida.
-Obrigada.
Ele sorriu e eu saí correndo para a escola, mordi o pão e admito, até que ele estava bom, terminei-o rapidamente.
Quando alcancei a escola o sinal bateu, olhei para o relógio: 07h10min. Tinha que me apressar.
Pulei as escadas e cheguei à sala, ofegante.
-Com licença. –bati na porta tentando recobrar minha respiração ao normal, entrei na sala e sentei-me na minha carteira que era ao lado de Angie.
-O que aconteceu? –ela sussurrou para mim.
-Perdi o horário. –respondi baixinho pegando meu material e anotando a aula.
Enquanto o professor explicava era como se o tempo não passasse, meu olho estava sonolento e eu quase dormia na carteira, tentei não bocejar.
Quando o sinal bateu eu levei um susto tão grande que quase caí da carteira, já era o intervalo.
Saímos e percebi alguém diferente na área, uma garota que notei ser nova.
Enquanto as meninas iam na frente eu fiquei para trás, Tyler mexia no Iphone dele como de costume, mas onde estava Andrew?
-Então, pequena, perdeu o horário? –alguém me veio para meu lado, sabia que era Andrew.
-Não me chame de pequena! –ralhei com ele, empurrando-o, ele riu.
-Tudo bem, pequena.
Sabia que não ia adiantar, então enquanto chegávamos perto de Drew, Angie e Tyler em um canto escutei Andrew sussurrar:
-Desculpe-me por não ter te contado ontem... você sabe...
-O quê? Você vai me contar. Ainda hoje.
Ele riu e segurou minha mão.
-Que tal agora?
Sorri e olhei para ele que sorria radiante diante de mim, mas então minha atenção se desviou para a menina nova, ela tinha cabelos encaracolados longos e claros, seus olhos claros dava uma impressão divertida e ela sorria e gritava o nome de Angie.
Angie? Como assim?
Ela passou por trás de Andrew e deu um abraço apertado em Angie, como se conhecessem há tempos, eu estranhei.
Elas riam e Angie a apresentou para os demais alegremente.
Andrew percebeu que eu estava olhando para ela, pois explicou:
-Ela chegou hoje, o professor Steve a apresentou mais cedo, ela chama-se Lessie e veio do exterior. Quando ela apareceu na porta Angie ficou surpresa e quase se levantou, mas se conteve, parece que elas já se conhecem.
Franzi a testa. Certo, estava com ciúmes. Mas não posso me precipitar.
-Venha. –chamei Andrew puxando-o pelo braço para perto deles. –Oi!
O pessoal olhou para mim e para Andrew e sorriram, a tal de Lessie olhou para nossas mãos dadas, deu um largo sorriso simpático e disse jorrando as palavras para fora da boca:
-Oi! Eu sou Lessie e você deve ser a Claire que tanto ouço falar! E você é... Andrew, certo? Angie me disse que tinha alguém chamado assim. Vocês dois estão juntos? Ah, que ótimo! Angie me disse que vocês logo iriam ficar juntos, sempre falava no telefone “Já está na cara que eles vão namorar e ficar juntos para sempre, você vai entender quando vê-los”. E agora eu entendo- –Angie tampou a boca de Lessie para interrompê-la e eu enrubesci, minha mão escorregando da de Andrew que estava corado e com um olhar surpreso.
Pigarreei.
-É... prazer, mas nós não estamos... er- hmm... namorando... –gaguejei para Lessie que ficou sem graça e tirou a mão de Angie da boca para se desculpar.
-Às vezes ela fala demais... –riu fracamente Angie, olhei para ela e para os outros que estavam tentando disfarças a risada.
-Vocês já se conheciam? –perguntou Andrew mudando de assunto.
-Sim, sim. Nós nos conhecemos desde pequenas na nossa cidade natal, sempre nós nos falamos e raramente nós visitávamos uma a outra depois de cada uma ir para um lado, mas agora que minha mãe se mudou para cá por causa do emprego, eu posso ficar com Angie! –informou Lessie com o maior sorriso de todos, Angie parecia estar sem jeito.
Era estranho como Angie nunca me contara aquilo antes, quer dizer que ela já tinha uma amiga íntima antes de mim?
Não que ela não poderia ter, mas... Por que ela nunca me contou? Parecia que Angie e os outros se divertiam bastante com ela que não fazia nenhum esforço em divertir os outros.
Naquele dia fui embora mais cedo, fui a primeira a sair da sala e corri para casa.
Por que estava tão abatida por causa daquilo?
Afinal, Angie pode ter quantos amigos quiser sem me contar, mas algo me incomodava. Ela, Lessie, era diferente.
Cheguei em casa e parei na entrada, na porta, coloquei a mão na maçaneta e a girei devagar entrando silenciosamente no cômodo de casa, quando pisei no primeiro degrau da escada minha mãe apareceu do nada e gritou:
-Boa tarde! –abraçou-me. –Por que chegou tão cedo?
Ela separou-se de mim, me segurando pelos ombros e perguntando estupefata:
-Que cara é essa? Aconteceu alguma coisa? –ela apertou minhas bochechas.
-Essa é a minha cara, mãe, eu acho que eu não posso evitar e não, não aconteceu nada. –segurei sua mão subindo por trás as escadas, lentamente.
Minha mãe soltou as mãos e as colocou na cintura.
-Tem certeza?
-Claro, mãe. –subi depressa a escadaria.
-Qualquer coisa eu estou aqui! –ela avisou gritando.
-Obrigada, mas estou bem! –insisti entrando no meu quarto e tacando minha mochila no chão ao lado da cama e me jogando nela.
Fechei os olhos e escutei um bipe do meu celular.
Levei minha mão na mochila e retirei meu celular de lá. Outro bipe. Sentei.
Tinha recebido duas mensagens, a primeira era de Angie e a outra de Andrew.
Olhei a de Angie.
“Claire! Quer ir tomar sorvete agora? A Lessie tem uma sorveteria aqui perto! É só descer a rua da escola, não sei o nome da sorveteria agora, se quiser nós estamos lá. Angie.”
Suspirei, não percebeu que eu tinha saído mais cedo... Talvez ninguém tenha notado.
Agora Lessie estava lá para eles, não é mesmo?
Abri a mensagem de Andrew.
“Claire? Onde você foi parar? Por que saiu tão cedo? Está tudo bem? Angie deve ter avisado da sorveteria... vou estar em casa, qualquer coisa pode ligar, ok?! Desculpe-me, de novo...”
Li a mensagem outra vez, pelo menos Andrew percebeu... Ele não gostava de sair, sabia disso, por isso não ia à sorveteria, mas por que “desculpa”?
Olhei para o teto e apoiei o celular no meu colo, deitando-me na cama novamente.
Andrew estava agindo diferente ultimamente e eu ainda estava encucada com Lessie.
Peguei meu celular e digitei apenas algumas palavras:
“Estou em casa e estou bem, obrigada por ter se preocupado, mas não precisava... C.”.
Enviei para Andrew e fechei novamente os olhos, algo apertou meu coração. Eu tinha um mau pressentimento.
Os dias assim foram se passando, cada vez mais Lessie se enturmava com Drew, Tyler e, claro, com Angie.
Eu tentava agira o mais normal possível. Andrew não saia muito com eles e ficava do meu lado, talvez ele sentisse algo, mas sempre falava coisas que me ajudava, ele não havia me dito o que queria ainda, mas isso pode ser em parte por minha culpa, chegava atrasada e ia embora cedo da escola.
Parecia que quanto mais Lessie ficava lá, mais ela afastava Angie de mim, sentia que nossa amizade não era a mesma.
Logo descobri que Lessie tinha perdido o pai também, em um incêndio, e que tinha um irmão, só que mais novo, ela parecia comigo nesses casos.
Um dia cheguei em casa exausta e ouvi meu celular tocar, era Andrew.
-Sim?
-Claire, oi! Eu queria...
-Perguntar se eu estava bem? Sério Andy, eu estou, não se preocupe.
Escutei um suspiro do outro lado da linha e mais nada, sabia que quando ele não respondia ele estava preocupado com alguma coisa.
-É que... você parece triste. –sua voz estava vacilando e me arrependi de ter falado daquele jeito com ele.
-Desculpe-me, não queria ter falado por mal... –olhei para o céu, ok, eu me rendo. –Está bem, é que Lessie e Angie...
-Angie está mudada, é isso?
-Exato. –concordei. –Você acha que tem a ver com Lessie?
Escutei um barulho de água corrente.
-E por que deveria?
Hesitei, talvez fosse só minha imaginação, afinal de contas.
-Hum... esqueça. Vamos com eles amanhã na casa de Lessie assistir algum filme? –perguntei de repente. –soube que eles vão para lá.
-Se você assim quiser. –seu tom de voz estava levemente surpreso.
Conversamos um pouco mais e desligamos.
Talvez minha ideia não seja totalmente sensata, mas por que não?
Um leve aperto no coração resolveu aparecer. De novo.
No dia seguinte estávamos indo na casa de Lessie e eu não sabia se eu me sentia entusiasmada ou desolada.
Drew não parava de repetir o quanto eu ia gostar de Lessie e como eu ia adorar a casa dela, mas eu só prestava atenção em como Lessie e Angie andavam juntas, rindo como se nada tivesse acontecido.
Drew parou de falar quando percebeu que eu não prestava atenção e foi com Tyler de cara fechada.
Abaixei a cabeça e observei meus pés que andavam passo a passo sempre para frente. Deveria continuar?
Andrew que estava do meu lado agarrou minha mão.
-Vai dar tudo certo. –sussurrou no meu ouvido.
Levantei a cabeça e o olhei nos olhos, ele não gostava muito de sair e era por minha culpa ele vir, eu meio que o obriguei, se bem que não precisei insistir muito.
Mandei um olhar agradecido e logo chegamos à casa de Lessie.
Não pude deter uma expressão de admiração, a casa dela era enorme e linda.
-Sinta-se em casa. –disse-me Lessie me convidando a entrar.
Todos estavam na sala, fazendo o que quiserem como se fossem a casa deles, nem na minha casa eles faziam aquilo, e na dela sim?
Era impressão minha ou Drew, aquela garota tímida, havia ficado mais agitada?
Andrew apertou minha mão e eu o segui até a sala, sentando-me no seu lado, de alguma forma me sentia desconfortável.
Lessie chegou com pipoca e refrigerante, estava sem fome por isso fiquei quieta e não comi nada.
Não conseguia me concentrar no filme, nem sabia qual filme era ou o que estava acontecendo, no meio dele –ou pelo menos eu acho que é o meio- eu cheguei a uma conclusão: iria falar com Angie.
Peguei uma pipoca e mirei em Angie, agradeci por estar no canto e ela estar próxima.
Andrew levantou o cenho, mas não falou nada, e quando estava na mira certa taquei a pipoca nela e a acertei, fazendo-a pular de susto, ela virou-se para mim e falou com as mãos: “Eu?” enviei-lhe uma cara de “não, minha avó” e indiquei a porta da frente para nós conversarmos, ela sorriu e assentiu, levantando-se e dirigindo-se para lá.
Quando eu ia me levantar Andrew me deteve, ele estava inquieto.
Sorri confiante e despreocupada para ele, ele pareceu se acalmar e me deixou ir.
Chegando do lado de fora eu fechei a porta e olhei para Angie que estava com um sorriso maroto.
-O que está havendo entre você e o Andrew?
Fiquei desnorteada.
-Nada, por quê?
-Nada. –ela falou ironicamente. –Por que você me trouxe para fora?
Lá, naquele instante era como se nada tivesse acontecido e tudo estivesse voltado ao normal, mas endireitei as costas e falei de um só fôlego:
-Eu quero falar com você sobre os últimos dias.
Olhei nos seus olhos claros e esperei ela dizer algo, ela adquiriu uma expressão curiosa.
-Sim, você não está mais andando muito com a gente, nem sai também, você está ficando que nem o Andrew, sem ir para lugar nenhum e mofando dentro de casa.
Meneei a cabeça, é você que não está mais comigo, Angie. –pensei.
-Não... Por que você nunca me falou de Lessie? Ela se parece comigo em vários aspectos, nós podíamos se dar bem e quando ela chegasse não seria tão surpresa para mim.
Angie desviou o olhar e sua felicidade murchou dentro dela.
-Então e por isso que me trouxe aqui. –ela parecia desapontada.
Olhei para o chão e novamente para ela.
-Entenda que não foi por mal. — ela soltou o ar pela boca.
-É só ela chegar que você não fica mais comigo, é como se virasse outra pessoa, Angie. Distante de mim.
-Como você pode falar uma coisa dessas? –ela aproximou-se e eu recuei virando o rosto para não mostrar meus olhos cheios de lágrimas.
-Você sabe que é verdade. Quando você chegou nesta cidade você se sentia sozinha, percebia isso, mas conforme você pegava amizade comigo era como se estivesse com outra pessoa. –lembrei. –você falava coisas que ainda não tinha conversado comigo como se fosse uma antiga conversa, me chamava de ‘Les’ e agora que percebi, é a Lessie não é?
Olhei para ela com uma leve fagulha de esperança de ela negar, mas ela apenas abaixou os olhos, constrangida, uma lágrima conseguiu escapar do meu olho e descer pela minha bochecha.
-Agora fale, Angie, você tentou encaixar ela em mim para não sentir falta dela, certo? Quando meu pai se foi... –engoli um soluço indesejado. –quando ele se foi você se sentiu mais animada com nossa amizade, não é? Afinal, mais uma semelhança, mais uma maneira de pensar em Lessie. Fale, nossa amizade é verdadeira? Ou é só uma falsidade?
Quando Angie levantou os olhos percebi que ela estava chorando.
-Eu não fiz por mal, Claire. Iria ser temporário, estava muito triste e você era a única forma de voltar a minha outra vida, mas... – sua voz vacilou.
-Mas o quê? É por isso que quando ela chegou foi como se eu tivesse sumido? Por que não precisava mais de uma substituta!? –aquelas palavras ficaram entaladas na minha garganta, não era fácil falar aquelas coisas.
-Não, Claire! –Angie tentou me impedir, mas eu me soltei de seu aperto e corri.
Tudo foi rápido demais, a rua estava deserta e de repente um carro virou bruscamente em minha direção, uma luz ofuscou meus olhos e uma batida forte em meu ventre, um estralo, então eu me desequilibrei e caí no chão, uma dor excruciante, alguém que parecia estar muito longe berrar meu nome em desespero e dor.
Escutei vagamente o som dos pneus do carro gritarem nos meus ouvidos e sair apressado, sentia um gosto de sangue na boca e a minha consciência se esvaindo, com uma enorme dor que me tirou o ar dos pulmões que senti rasgar meu peito.
Virei a cabeça e vi com a visão turva Angie correr e cair ao meu lado, ela gritava, mas eu não escutava, não sentia mais meu corpo e tudo era difícil de processar.
Angie levantou as mãos que estavam na minha barriga para colocar em minha cabeça, suas mãos estavam ensanguentadas e ela chorava e berrava.
Em meus últimos sentidos vi todo o pessoal sair da casa e Andrew gritar e correr desmoronando do meu lado, ele chorava.
Ele inclinou-se para mim desesperado como se quisesse me proteger.
Proteger de quê? Estavam morrendo...
Via Lessie no telefone e todos os outros surpresos, olhei para Andrew, queria falar-lhe que tudo ia ficar bem, mas não conseguia.
Fechei os olhos e antes de perder a consciência por completo, fiz meus últimos esforços ignorando a dor que não me deixava respirar e peguei a sua mão, senti seu calor de novo e senti o aperto que ele fazia como que tentando agarrar e não me deixar partir, como se não deixasse escapar a minha vida, tentei segurar ao máximo a minha vida ali.
Mas eu não conseguiria, sabia que tinha perdido muito sangue e minha cabeça doía tanto que a dor sobressaia a todas as outras, minha respiração raspava, e a cada respiração uma parte de mim se ia.
Morrer para mim estava ficando cada vez mais aconchegante e atraente, e eu daria as boas-vindas a ela.
A última coisa que senti antes de morrer foi o aperto e o calor da mão de Andrew então me entreguei à escuridão.
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