Memories

2 Happy 6th Anniverssary Babe


Notas iniciais
Obrigada pela Leitura

Nos meus planos para uma vida com Izzy, eu fantasiava uma casa linda, com um enorme quintal de dar inveja a vizinhança toda, filhos, uma boa comida e ela com seu sorriso lindo estampado no rosto me dando um “bom dia” todo enfeitado por seu otimismo. E estava sendo assim, estava sendo perfeito, até um maldito acidente cruzar nossas vidas, ainda não podia acreditar que aquilo havia de fato acontecido, não mesmo.

Apenas me levantei, vesti minha roupa de costume, nada muito chamativo, nada muito alegre. Penteei meus cabelos e os prendi em um rabo-de-cavalo alto, não me maquiei, não havia motivos para isso. Vesti meus óculos de sol logo saindo de casa, dirigindo até o escritório de minha esposa. Estava disposta a qualquer coisa para encontra-la, eu sabia que não estava morta, eu ainda podia senti-la, como sempre. Encontrei uma vaga livre no estacionamento do escritório, saí do carro e o único ruído que se podia ouvir era os de meus saltos ecoando pelo ambiente, e aquilo de alguma forma me deixava ainda mais apreensiva. Entrei, e de imediato vi todos os funcionários me olhando com cara de pena, pareciam que sentiam dó de mim, dó de estar quase falindo e ainda perder a esposa, devem pensar “Quanta derrota senhora O’brian”. Desviei de todos os “meus pêsames” e caminhei em direção a bancada de Darla, a secretaria com quem tinha conversando no dia anterior, ela esboçou um sorriso de canto de lábio e foi a única que não transpareceu qualquer sentimento de lastima ou pena por mim, apenas foi realista, foi sincera.

— Como vai senhorita O’Brian? – Solto um suspiro longo e logo com uma leve levantada nas sobrancelhas digo

— Apenas como eu deveria estar Darla. E nesse dia, dispenso formalidade, me trate por Barb mesmo. Eeu agradeço. – ela sorri angelicalmente e me diz

— Okay então, Barb. – rimos por alguns instantes e logo ela me pergunta sobre meus sentimentos com tudo aquilo, eu simplesmente disse a ela que ainda nada estava perdido, ainda nada tinha acabado, que no meu coração eu sentia que iria encontra-la. A ruiva apenas sorriu e disse que admirava minha perseverança e que era algo bonito meu, é ... talvez seja mais bonito do que eu pensava.

E assim se deu uma conversa longa e produtiva, tive tempo de relembrar os momentos mais divertidos ao lado de Izzy, como o dia que a conheci, nosso casamento e o dia que eu tentei fazer uma lasanha e quase coloquei fogo na casa inteira, essas lembranças sempre me faziam sorrir, não importava as circunstancias, eu sempre sorria ao me lembrar dela. E sempre irei sorrir enquanto ela estiver viva em meus pensamentos. Depois de tanto tampo de conversa uma questão se apontou em minha cabeça, como estariam as investigações? Será que já encontraram Izzy? Bom, eu não iria esperar o noticiário para ter minha resposta.

— Ham.. Darla, me perdoe mudar de assunto assim tão rápido mas, onde foi mesmo que o avião caiu?

— Caiu próximo a Victoria, uma ilha, bem próximo daqui.

— E quais as autoridades que são responsáveis pelas buscas?

— Tem varias envolvidas nas procuras dos corpos, mas as principais são as de Toronto, Quebec e o exercito local de Vancouver.

— Exército ... hm... Sabe onde fica?

— A quase dois quilômetros da faixa litorânea, você por acaso não pensou em ir até lá não é?

— E-eu? Ir até lá?

— É, você vai fazer isso.

— É eu vou.

— Sabia. Mente teimosa.

— Culpe sua chefe, aprendi com a mestre – Digo colocando as alsas de minha bolsa sobre meu ombro dando uma piscadela de leve por cima dos óculos para Darla. Me viro e sigo até a porta – Tenho certeza de uma só coisa, trarei nossa Izzy de volta, pode apostar. – Dito isso sorrio e caminho de volta pra meu carro, estava decidida a fazer tudo que estava em meu poder para encontra-la, ah mas eu ia mesmo. Deixei o local e fui direto a procura do exercito local que eu não fazia a mínima ideia de onde ficava aquilo, nem sabia que existia um aqui, para você ver como sou super antenada em minha cidade. Após algumas perguntas para estranhos e umas vinte voltas no mesmo quarteirão encontro o tal exercito, graças a Deus, já estava começando a ficar enjoada. Estaciono em qualquer lugar ali mesmo e desço, andando até um portão imenso de aço cor prata. Nunca vi um troço tão gigante daquele jeito, deve ser por que eu meço menos de 1,65, porém isso não vem ao caso, mero detalhe.

Meio perdida com tanta imensidão olho pros lados tentando encontrar alguma coisa que não fosse o bendito portão, e avistei um interfone, apertei o botão verde sujo com alguma coisa que eu não sei o que era e esperei uma voz grossa pigarreada me responder através de um alto-falante com defeitos.

— Exército da republica Canadense boa tarde. – Republica Canadense? Ignorei a falta de estudo do rapaz e me identifiquei.

— Er... boa tarde, meu nome é Barbara Lewis O’Brian. Venho em busca de noticias sobre a queda do avião 7799. É de extrema urgência.

— Com quem deseja falar ? – Por um momento havia me esquecido de quem era o líder maior de um exercito, até que me lembrei do primeiro que me veio a mente e respondi

— Com o general por favor.

— Espere um instante. – Assim o fiz, esperei, esperei, esperei, esperei mais um pouco e então logo a mesma voz apareceu pelo alto-falante outra vez. – General Williams lhe aguarda em sua sala. Por favor se identifique com algum documento com foto, mostrando-o na câmera que se encontra ao seu lado esquerdo. Obrigada. – Semicerro meus olhos tentando escutar o que ele dizia em meio a chiados e falhas do aparelho, chegava a encostar meu ouvido naquilo para ver se melhorava. Acabei por entender tudo e mostrar o que ele havia me pedido. Feito isso o imenso portão de aço solta um ruído quase ensurdecedor de metal rangendo contra metal logo começando a se mover para dentro da sede até estar totalmente aberto. Depois de tudo isso consegui abrir os olhos e via duas pessoas que ao longe pareciam ser dois soldados armados e em postura impecável. Caminhei para dentro da sede com certa dificuldade pois meus saltos afundavam no chão de areia, isso me fez querer nunca mais usa-los.

Finalmente os alcanço, e para minha grande surpresa o tal soldado com a voz mais grossa do que a de um locutor de rodeio era puro e simplesmente, uma mulher. Sim, uma mulher, não quis parecer meio rude mas meu melhor intrigante me entregou.

— Ér... onde posso falar com general ?

— Queira nos acompanhar senhorita, por favor por esse lado. – Estende a mão em forma de cortesia me dando a chance de passar primeiro e caminhar ao lado de dois postes de mais ou menos dois metros e meios que chamavam de “Cabo”. Me sentia mais segura que a própria rainha Elizabeth, até me permitir ajustar a postura e empinar um pouco meu rosto para parecer um pouco, intimidadora, tão intimidadora quanto uma formiga com asas. Chegamos no quartel general onde ficava coincidentemente o general Williams P. Hummel. Era isso que dizia na plaquinha posta sobre a mesa marrom ao centro da sala. Ele parecia não ter expressão, apenas estava sentado e acompanhava cada passo meu com seus olhos verdes. Tinha os cabelos grisalhos por completo, as sobrancelhas também, marcas de expressões fortíssimas na testa e um bigode tão expeço que mal se podia ver sua boca. Maxilar largo e travado. Me dava certo medo.

— Boa tarde senhorita O’Brian, queira se sentar por favor, e soldados, descansar.

— Sim senhor. – Numa demonstração de disciplina e respeito, os quatro soldados batem continência em uma sincronia de dar inveja a qualquer grupo de coral do mundo, saindo todos eles enfileirados e ainda marchando. Realmente admirável. Volto meu olhar para o General e sorrio suavemente ajeitando minhas mãos sobre meu colo.

— Boa tarde senhor, tomei a liberdade de vir até aqui para saber sobre as buscas, do caso da linha 7799.

— Ah sim, a terrível linha 7799. Mais de 45 gravemente feridos. Sem duvidas umas das piores tragédias depois do terremoto na China.

— Com certeza, sem duvidas.

— Mas me diga senhorita, o que exatamente te fez vir até aqui, por que se fosse apenas uma noticia boba que passou na televisão, com certeza não estaria aqui. Quem a senhorita perdeu lá? – Parece que tinha lido minha mente, como assim quem eu perdi lá?

— Confesso que não foi apenas pelo interesse e pela gravidade do acidente que me trouxe aqui. Minha esposa, estava dentro daquele avião e vim saber se esta viva. – Naquele instante o velho se ajeita em sua cadeira e cruza os dedos apoiando seus cotovelos sobre a mesa me olhando fixamente.

— Esposa? Esses jovens de hoje em dia, nos surpreende cada dia mais, mas nada que fuja do meu espanto. Mas o que de verdade me surpreendeu mesmo, foi o fato de a senhorita ter alguma esperança de encontra-la viva minha cara. Já viu como o avião ficou depois do acidente?

— Sim senhor, claro que já vi, e percebi que foi lamentável, mas ainda não perdi as esperanças, não aceito a morte dela até vê-la em minha frente, até poder senti-la.

— Olha, por muito pouco homens tinham desistido e dado o caso como encerrado. Mas a senhorita me surpreendeu outra vez pela fidelidade e lealdade. Eu não sei se de acordo com as leis do mundo ai fora eu posso fazer isso, mas de acordo com as leis da minha cidade eu devo. – Ele então vira o monitor de seu computador para que eu pudesse enxergar o que tinha na tela. Era o mapa, muito grande, imensamente grande com vários pontos vermelhos sobre uma determinada região que eu acredito ser onde houve o acidente.

— Aqui, foi onde ocorreu a queda – aponta para a região recheada de pontos brilhantes vermelhos – E aqui – Arrasta seu dedo para outra área dessa vez com os pontos mais dispersos por ela toda – É onde se encontram os corpos encontrados.

— E ... vocês já a identificaram?

— Você esses pontos acesos sobre a área?

— Sim vejo.

— São os corpos encontrados, e agora vê esses dois apagados? São os ainda desaparecidos.

— Vocês tem os nomes?

— Com certeza, somos os principais responsáveis por esta busca, temos tudo. – Imediatamente foi entregue a ele um papel onde supostamente os nomes se encontravam – Margaret Miller, Robson Hill, Jannet Ferder, Izzy Loren O’Brian-Lewis, Marck... – Antes que pudesse terminar de falar o interrompo sentindo o coração acelerar compulsivamente.

— Espera, espera, Izzy? Disse Izzy Loren ?

— Foi o que pareceu senhorita.

— É ela, é ela! Quando a encontraram?

— De acordo com a ficha feita para ela, a encontraram exatamente as 00:05 do dia 22 de Agosto de 2013. A cerca de vinte e cinco quilômetros de onde o avião caiu. – Joga o papel com os nomes sobre a mesa e se recosta na cadeira me olhando. – Viva senhorita Lewis.Com alguns ferimentos graves pelo corpo porém viva, encaminhada para o hospital local daqui. – Meus olhos se enchem de lagrimas e meu coração de felicidade, ah mas eu sabia! Deus eu sabia que não iria permitir que ela se fosse dessa maneira, não mesmo. Minha esposa estava viva! Viva! O sorriso se abri largo em meu rosto e em um impulso momentâneo abraço o General por cima da mesa afagando seus ombros.

— Muito obrigada general! Não sabe como sou grata por isso, por esse trabalho incrível, por me simplesmente me dar ouvidos. Salvou minha vida, definitivamente, a salvou. – Os soldados se aproximaram porém eu logo me afastando o observando ajeitar sua farda e dar uma risada profunda e satisfeita.

— Não me agradeça senhorita, vá atrás de sua esposa, vá! vá! – Pego minha bolsa e eufórica saio dalí em passos rápidos até meu carro.

— General, por que quis falar com ela? – pergunta um soldado.

— Meu caro, nunca vi alguém tão leal e apaixonado por uma pessoa como esta senhorita é, mereceu minha atenção, é uma das poucas que cumprem o que os votos de casamento pedem. Amar na saúde e na doença, até que a morte as separe. Ou não. Mas chega de conversa furada, vamos ao trabalho.

Agradecia a Deus a cada pensamento meu, agradecia por a ter de volta, meu coração não poderia estar mais feliz, pensei outra vez em ligar para Lilian, mas a essas alturas ela já sabia, iria levar uma bronca, mas não me importo, caramba! Izzy está viva. Bato ambas das mão no volante com um sorriso de orelha a orelha nos lábios, pisando forte no acelerador em direção ao hospital mais conhecido da região Phillip Health.

Me aproximo da recepção em passos lentos, ao mesmo tempo que vibrava em saber que minha esposa estava viva, meu corpo todo suava frio, minhas mãos tremiam e calafrios percorriam minha espinha. Sentia medo, medo de vê-la como esta, de olhar para como havia ficado. Sentia medo de sentir a dor que ela sentia.

— Com licença, Izzy Loren O’Brian-Lewis.

— Quem?

— A-Ah! Me perdoe, procuro por Izzy Loren O’Brian-Lewis.

— Ah sim, que foi encontrada naquele acidente com o avião 7799 correto?

— Correto.

— Só um momento por favor. – Enquanto a recepcionista falava com alguém do hospital pelo telefone, eu olhava para minhas mãos e estavam pálidas, olhava em volta e tudo parecia embaçado e fora de orbita. Parecia um sonho.

— Senhora!

— Ah, sim, perdão, estou um pouco artoada.

— O que você é da vitima ?

— Esposa.

— Esposa, claro, como não – sinto o ar zombador no tom de voz dela e o sorriso sarcástico nos lábios – UTI, área principal, quarto 22. Primeira porta a esquerda. – me entrega um crachá com certa rejeição e repugnância. Até pensei em dar uma resposta bem grosseira a senhora educação ali, mas preferi me recolher a minha sabedoria e seguir até a porta dita pela recepcionista. Quando ia empurrar a porta para entrar um rapaz totalmente vestido de branco e com uma mascara me para e pergunta.

— Ei! Onde esta indo? – vou logo mostrando meu crachá e ele o lê

— Estou indo para UTI, ver uma pessoa.

— Não pode entrar aqui, é acesso restrito somente para funcionários e médicos. Visitas só em quartos.

— É, não! Você não esta entendendo, minha esposa esta ali dentro, ela sofreu um acidente, e eu ... eu preciso vê-la, por favor.

— Que tipo de acidente ela sofreu senhora ?

— Queda de um avião.

— 7799..

— Isso. – Sentia um certo incomodo em pronunciar esses números, mas era a única forma de identifica-la no momento.

— Olha senhora, a centenas de familiares aqui a espera de uma visita a seus entes feridos aqui nesse hospital, se eu permitir que a senhora entre, pode causar revoltas.

— Ninguém precisa saber, mas eu, eu necessito ver a minha esposa. Por favor. – Senti nos olhar dele que a comoção o tinha atingindo, de tal forma que me puxou para dentro do corredor do lado interior da porta grande, me levou até uma sala e me pediu para vestir roupas iguaiszinhas as que ele vestia. Me fez lavar as mãos, lavar o rosto, até mesmo escovar os dentes, levei isso como uma ofensa mas não quis me pronunciar. Logo mais ele me levou até uma área isolada na parte mais inferior do hospital, uma cena perturbadora, centenas de macas indo de lá pra cá corriam pelos corredores, levando pessoas extremamente feridas e machucadas. Existiam mais pessoas que assim como eu, estavam apreensivas por estas que estão aqui, sem saber se viverão ou morrerão. Paramos então em uma porta, a porta com um numero escrito nela, “numero 22”.

— Senhora, antes de mais nada devo ler a ficha de sua esposa antes que entre e a veja.

— Claro, com certeza, pode dizer.

— A senhorita Izzy, se sentava na poltrona 35, que se encontrava na área inferior da aeronave, o que diminuiu a gravidade do acidente para ela pois foi a ultima parte a se chocar contra o chão. Isso a trouxe três costelas quebradas, a clavícula fraturada e traumatismo craniano mediano.

— O que isso tudo quer dizer? Me explique de uma forma direta doutor por favor.

— Sua esposa está em coma por tempo indeterminado senhora.

— Por tempo, indeterminado? Como assim.

— Como eu já lhe disse, ela bateu muito forte com a cabeça quando o avião atingiu o chão. A pressão feita pelo chão e a parte traseira da cabeça, foi suficiente para ocasionar um traumatismo e logo a levando a um coma. Ela passou por uma cirurgia, foi um sucesso, mas infelizmente, ela não despertou até agora. E no caso dela, como se é indeterminado, não sabemos quando ela vai acordar, pode ser daqui dois minutos, dois dias, meses, anos, não podemos afirmar com certeza senhora. – Aquilo foi como um golpe de luva no estomago, não estava preparada para aquilo, apenas concordei com a cabeça mostrando que entendi e o vi se afastar me dizendo que eu tinha meia hora. Me virei para a porta e fitei a maçaneta como se ela fosse cortar minha pele. Mas mais que a pele ferida, minha alma rasgada também doía. Abri a porta e aos poucos pelas frestas ia surgindo a imagem dela deitada sobre uma cama, as maquinas, o soro, o barulho de seus batimentos cardíacos suaves e lentos. Conforme eu ia me adentrando mais no quarto, ela ia surgindo, surgindo com o rosto ferido nas laterais e na testa, arranhões ainda recentes pelas marcas de sangue neles. Cabeça envolta por uma faixa, nariz coberto por uma mascará de oxigênio e seus braços perfeitamente alinhados ao lado de seu tronco. Quase irreconhecível, quase perdida. Mas seus olhos, seus lábios não me permitiam enganar, não me permitiam iludir... era ela. Me aproximei de sua cama até ter a visão perfeita dela e a coragem para encostar em seus braços, seu peito subia e descia em uma respiração relaxada, era como se estivesse dormindo, serena e linda. Acaricio seu rosto com as pontas de meus dedos sentindo as lagrimas percorrem meu rosto todo.

— Meu amor, olha só você aqui. – A olhava reparando em cada feição dada por ela, em cada parte de seu rosto, como se a visse pela primeira vez. – O que houve com você meu anjo? Quando foi que errei para que uma coisa dessas lhe acontecesse. Talvez, talvez eu devesse ter te impedido de ir, talvez eu devesse ter insistido, talvez ... Me perdoe, se você pode me ouvir, me perdoe, me perdoe por não ter te abraçado mais, por não ter te dito que és linda, me perdoe por não ter feito você sorrir mais depois daquelas nossas brigas feias, aliás me perdoe por cada uma delas, me perdoe por não ter te beijado mais, por ... por ... ter te deixado ir – Oh Deus, não pude me segurar, não mais, deitei minha cabeça sobre sua barriga e me permitir chorar como nunca chorei em minha vida toda, como se estivessem tirando espinhos enormes de meu coração, tirando sem delicadeza alguma. Sem aviso prévio. Chorei de soluçar, chorei de transbordar dor por cada gota de lagrima minha. Chorei como eu estivesse em seu lugar, sentindo a sua dor. – Apenas me perdoe por não ter, não ter lhe dado mais flores, mais amores, mais ... mais de mim. – Era inevitável, qualquer coisa que fazia ou pensava a vontade chorar só aumentava e me invadia como brutalidade. Não suportava a ver ali, não suportava a ver ali deitada em pleno aniversario de casada, e não a ver sorrindo e dizendo “Tudo bem meu amor, já passou. Parabéns para nós”.

Notas finais
Muito obrigada