Notas iniciais
Boa leitura!

39º Amarelo

À noite, como ficou marcado, logo após o jantar, Emma apareceu na casa de Regina, mas diferente do que Mills esperava, que seria ficar em casa com ela, Swan a convidou para um passeio pela noturna Orlando, e como a loira ainda não conhecia muito da cidade, a morena sugeriu que fossem até Cocoa. Fazia algum tempo que não ia por lá e estava com saudade.

No caminho para a praia, deram uma pequena desviada e pararam na La Cafe de Paris, sua cafeteria preferida, na qual, agora, ela se lembrava muito bem.

Minutos após a chegada, entre goles de café e fatias de bolo, conversas, risadas e trocas de carinho, Emma surpreendeu Regina com duas folhas de papéis amassadas e manchadas de vinho. Era uma composição.

― Eu escrevi logo depois que você voltou para cá. ― Swan revelou em um tom baixo, um pouco envergonhada, logo que a morena desdobrou o papel e viu o que era. ― Eu estava esperando o momento certo para te mostrar. ― Acrescentou ainda no mesmo tom, observando atentamente o rosto dela, esperando as reações.

Quando Regina começou a ler a letra da música intitulada “Yellow” seus olhos marejaram, seu coração acelerou, suas velhas amigas, as borboletas, fizeram-se presente, e seus lábios se curvaram em um doce e lindo sorriso. Era a declaração mais bonita que já tinha recebido e estava fascinada com a delicadeza das palavras usadas para a composição, que deixava claro o quanto Emma sentia por ela.

Look at the stars ― Olhe para as estrelas
Look how they shine for you ― Olhe como elas brilham para você
And everything you do ― E tudo o que você
Yeah, they were all yellow ― Sim, elas eram todas amarelas

I came along ― Eu vim de longe
I wrote a song for you ― Eu escrevi uma canção para você
And all the things you do ― E todas as coisas que você faz
And it was called Yellow ― E foi chamada de Amarelo

So then I took my turn ― Então eu esperei a minha vez
Oh, what a thing to've done ― Oh, que coisa para se fazer
And it was all yellow ― E era tudo amarelo

Your skin ― Sua pele
Oh, yeah, your skin and bones ― O, sim, sua pele e ossos
Turn into something beautiful ― Transformam-se em algo bonito
Do you know ― Você sabe
You know I love you so? ― Você sabe que eu te amo tanto?
You know I love you so? ― Você sabe que eu te amo tanto?

Ao final da leitura, Mills dobrou o papel com todo o cuidado possível, guardou-o em seu bolso e, sem palavras para expressar tudo o que estava sentindo no momento, fechou seus olhos, aproximou-se lentamente e tocou os lábios rosados da outra com os seus em um beijo apaixonado.

― Um dia eu quero que você cante para mim. ― Sussurrou o pedido após separar as bocas, olhando intensamente para os verdes brilhantes.

― Com prazer. ― Sorriu ternamente. ― Eu te amo! ― Sussurrou a declaração e voltou a unir seus lábios em um beijo arrebatador, trazendo ainda mais agitação para o coração apaixonado da morena.

Após meia hora, as mulheres fecharam a conta no estabelecimento e prosseguiram o caminho para Cocoa, que não ficava muito longe, como tinha sido combinado quando saíram de casa.

No caminho, Regina recebeu uma mensagem de Zelena, avisando que estava na praia com Ruby e perguntando onde as duas estavam para se encontrarem. Em vez de lhe responder com uma mensagem de volta, a morena decidiu por lhe ligar e colocou o aparelho no alto-falante assim que ela atendeu, contando que tinham feito um desvio, mas que já estavam a caminho e marcando um ponto de encontro.

Mais tarde, faltando 10 minutos para a meia-noite, Emma e Ruby deixaram as irmãs Mills em casa. Embora fosse tarde, contrariando todas as teorias das irmãs e também surpreendendo-as, Cora e Henry Mills não fizeram cara feia para as amigas ou qualquer coisa do tipo, apenas conversaram com ambas por alguns minutos, desejaram boa noite e saíram da sala, deixando-as sozinhas com as filhas. As amigas ainda permaneceram por algum tempo com as irmãs, e quando decidiram ir embora, já mais tarde, Zelena e Regina ofereceram quartos para que ficassem e fossem no dia seguinte, mas Lucas e Swan, embora agradecidas pela oferta, negaram por não quererem incomodar. Então, despediram-se das duas e foram embora.

Horas depois, antes de ir dormir, Regina chamou os pais para uma conversa em seu quarto e revelou para eles que, graças ao amigo de Zelena, o Dr. Ricky Martin, ela conseguiu recuperar todas as suas memórias perdidas. Desde que se lembrou de tudo, tanta coisa aconteceu que ela esqueceu que precisava contar para eles também.

Após explicar detalhadamente como o Dr. lhe ajudou, mas sem contar a história das realidades, seus pais lhe abraçaram forte, alegres com a volta completa da filha, despediram-se em seguida e encaminharam-se para o último quarto do corredor, deixando-a sozinha.

Assim que a porta foi fechada, Regina deitou a cabeça em seu macio travesseiro, apagou o abajur, fechou os olhos e deixou sua mente repassar tudo que tinha acontecido no dia. Cada troca de olhares, beijos trocados, carinhos feitos, palavras ditas, fez um sorriso bobo aparecer em seus lábios. Todavia, o que mais lhe fez sorrir e até acordou o seu coração e suas amigas borboletas, foi a música que a sua loira tinha composto. Ela jamais esqueceria aquela declaração em forma de música.

Look at the stars ― Olhe para as estrelas
Look how they shine for you ― Olhe como elas brilham para você
And everything you do ― E para tudo o que você faz
Yeah, they were all yellow ― Sim, elas eram todas amarelas

•§•

Ao abrir a porta do seu consultório e se despedir do primeiro paciente do dia, Martin estranha ao encontrar apenas Regina e uma loira que nunca vira, em sua sala de espera. Emma e Regina estavam tão absortas no celular, que nem perceberam a presença do homem.

― Regina? ― Chama-a hesitante.

Ao escutar seu nome ser chamado, Mills levanta sua cabeça, vendo-o parado perto da porta e abre um sorriso. Em seguida, olha para Emma e a loira entende que está na hora de entrar.

Guardando os celulares no bolso, Emma se levanta e empurra Regina até Martin.

― Onde está Zelena? ― Questiona assim que as duas estão perto, não escondendo a curiosidade em saber por que sua amiga não estava acompanhando a irmã como sempre.

― Minha irmã tinha um compromisso com a namorada dela, então eu a dispensei. ― Explica, vendo o homem abrir a boca e balançar a cabeça em compreensão. Emma lhe lança um olhar questionador sobre a parte “namorada dela”, Zelena e Ruby ainda não estavam namorando, não oficialmente, e Regina finge que não entendeu o motivo de seu olhar. ― Martin, essa é a Emma. ― Apresenta a loira, puxando-a para o seu lado.

― A famosa Emma Swan? ― Martin pergunta brincalhão e o rosto de Regina fica vermelho de vergonha.

― Famosa? ― A loira pergunta curiosa, fazendo-se presente na conversa, arqueando a sobrancelha e dividindo o olhar entre Mills e Ricky. A morena fica ainda mais vermelha de vergonha.

― Prazer em te conhecer, Emma! ― O homem estende sua mão e Swan a aperta prontamente, aceitando o cumprimento.

― Prazer em te conhecer, Martin! ― Emma responde, apertando ainda mais o contato.

Ricky dá passagem para as duas entrarem e logo Regina se acomoda em seu lugar de sempre e Emma ao seu lado, onde Zelena costuma ficar.

― Bem, primeiramente, eu queria te agradecer por ter me ajudado tanto, não só me fazendo entender o que estava acontecendo, mas me ajudando a lembrar de tudo também. ― Regina começa, puxando o assunto. ― Se não fosse por você e a sua grande ajuda, talvez eu estivesse agora mesmo, internada em um hospital psiquiátrico... ― Finaliza com um tom baixo e triste.

― Eu é que agradeço por você ter aceito vir até mim e permitiu que eu te ajudasse. ― Para ficar mais perto de sua paciente, ele arrasta-se um pouco no acento e fica na ponta. ― A sua melhora é o meu maior pagamento, Regina. ― Acrescenta sincero, segurando sua mão e apertando-a forte.

― Obrigada! ― Dá um sorriso sincero e o homem lhe retribui com outro. Emocionada, Mills permite que algumas tímidas lágrimas rolem pelo seu rosto. ― Agora que você ajudou a entender o que se passa comigo, eu gostaria que me ensinasse a controlar essas mudanças. ― Enxuga as poucas lágrimas e solta uma risadinha pelo que pretendia dizer em seguida. ― Agradeço sinceramente ao meu cérebro por ter se preocupado tanto comigo e pelo seu bom trabalho e esforço em querer me proteger do trauma que sofri, mas agora eu não preciso mais dessa sua ajuda... ― Diz bem-humorada e os dois presentes lhe acompanham na risada. ― Agora que eu sei o que é verdade e o que é mentira, quero aprender a controlar essas mudanças, quero entrar e sair tranquilamente quando eu quiser, embora eu não tenha mais motivos e nem precise mais disso... ― E então lança um olhar significativo para Emma, logo buscando unir suas mãos.

― Muito bem! ― Ele se levanta da poltrona e caminha até a sua estante de livros e olhando os títulos atentamente. ― Eu já esperava que fosse me pedir isso. ― Revela, sem se virar, causando um sorrisinho na morena, que automaticamente se lembrou de outras vezes em que tocou em um assunto e ele lhe respondeu que já esperava por algo do tipo. “Ou ele é muito bom ou eu sou muito previsível” Pensou. ― E mesmo que não pedisse, eu iria tocar no assunto. ― Acrescenta rindo, virando-se rapidamente e mostrando o dedo indicador. ― É muito importante que você aprenda a controlar essa mudança de realidade, principalmente agora que não precisa mais. ― Continua, voltando a sua busca na estante. ― Houve um descontrole e você não soube controlar e nem mesmo podia, já que ninguém sabia o que estava acontecendo. Mas agora é diferente! Você sabe e pode controlar. ― Puxa um livro grande e grosso de capa dura e vermelha e abre no sumário, procurando o assunto desejado. ― Aprendendo a controlar, você não corre o risco de entrar em alguma contra a sua vontade, mas sim, apenas quando quiser...

― É exatamente isso que eu quero, mas antes que você começasse com isso, eu gostaria que você me explicasse algo... ― Regina murmura, interrompendo a pequena pesquisa do homem. Ele direciona sua atenção para ela e balança a cabeça afirmativamente, dando a permissão para que continue. ― O que são memórias falsas?

Ao escutar a pergunta, Martin franze o cenho, confuso, mas também curioso e desconfiado. Em seguida, fecha o livro e caminha até a sua poltrona novamente.

― Tem algum motivo específico pela curiosidade? ― Senta-se no estofado e encara a morena sem se preocupar em esconder sua confusão e desconfiança.

― É que em uma das vezes que eu vim, antes de me lembrar de tudo, naquela vez que eu te falei sobre Zelena ter visto algo na internet como motivo para não enxergar o rosto de alguém em sonho, ela também tinha me falado sobre isso e eu fiquei de te perguntar sobre e acabei esquecendo. ― Revira os olhos e balança a cabeça negativamente, reprovando-se. ― Ela também não me explicou muito bem o que era e eu fiquei curiosa para saber.

― Até eu fiquei curiosa agora. ― Emma explana sua curiosidade, entrando na conversa, e ao mesmo tempo, Regina e Martin lhe direcionam um olhar e riem, fazendo-a rir também.

― Tudo bem! ― Deixa o livro de lado e se encosta na poltrona, logo cruzando as pernas. ― Irei matar a curiosidade de vocês duas e explicar o que são memórias falsas. ― Apoia seus cotovelos nos braços do estofado e une suas mãos, lançando um olhar enigmático por cima da ponta de seus dedos unidos, mas ao mesmo tempo engraçado, para as ouvintes expectantes e atentas.

•§•

Após o almoço em família com a presença de Emma e Ruby solicitada por Cora e Henry, Kristin e Lilith chegam para mais uma sessão com Regina.

Enquanto mãe e filha preparavam a área designada para o treino, regulando as barras paralelas que seriam usadas pela primeira vez e posicionando um espelho em frente ao aparelho, Mills, mais ansiosa que o normal, trocava de roupa em seu quarto.

Quando a morena entrou no quarto de hóspedes e viu a barra montada, segurou-se fortemente para não explodir em um choro, porém de emoção. Só ela sabia o quanto tinha esperado por aquele dia.

Posicionada de frente para as barras, Regina fechou os olhos e respirou fundo, sentindo o seu coração bater forte no peito e o sangue gelar nas veias.

― Está preparada, Regina? ― Lilith pergunta, aproximando-se da paciente. Ela abre os olhos, direciona seu olhar para a barra e depois volta para a jovem, balançando a cabeça positivamente.

― Antes, eu só quero te passar algumas instruções. ― Kristin se pronuncia, chegando mais perto da barra e se apoiando. ― Essas barras paralelas são o aparelho mais importante para o desenvolvimento do equilíbrio. ― Ao escutar a última palavra, tanto Regina como os outros ouvintes, Emma, Zelena, Ruby, Cora e Henry, arrepiam-se. ― O objetivo é criar tolerância a posição em pé e suportar o peso corporal, manutenção do equilíbrio em pé, treinamento do controle pélvico e ensinar o padrão básico da marcha, o andar, com preparação para manter o equilíbrio com as muletas por exemplo. ― Explica brevemente, deixando a sua principal ouvinte animada. ― Para você depositar mais peso corporal nas extremidades inferiores... ― Faz uma breve pausa e aponta para as próprias pernas, contudo indicando as da paciente. ― Você vai colocar as palmas das mãos estendidas na barra, mas sem agarrá-las, ok? ― Regina assente. ― Tem alguma dúvida? ― Embora Kristin tenha perguntando diretamente para Mills, ela olha para todos, questionando-os também.

― Eu tenho! ― Cora diz, levantando uma mão e a Dra. Page prontamente assente, permitindo que ela fale. ― Para que serve o espelho? ― Ao explanar sua dúvida, os outros balançam a cabeça em concordância, demonstrando compartilharem da mesma curiosidade.

― O espelho colocado estrategicamente em frente ao aparelho serve para favorecer a coordenação e autocorreção da postura do paciente. ― Lilith responde pela mãe, sanando a curiosidade de todos.

― Obrigada! ― A mais velha agradece à filha pela ajuda. ― Alguém mais? ― Direciona-se para os demais e eles negam. ― Então, podemos começar? ― Sem pensar duas vezes, Regina Mills confirma. ― Ok! Vamos lá!

Cada uma de lado, mãe e filha se ajoelham ao lado da paciente e colocam seus pés no chão, movimenta-os um pouco, aquecendo a circulação e então se levantam.

― Agora, do jeito que eu te disse, segure nas barras, mas sem agarrá-las, e quando estiver pronta, levante-se bem devagar. ― Kristin instrui.

― A pressa é inimiga da perfeição! ― Zelena murmura e todos concordam.

Respirando fundo e roubando todo o ar do cômodo, Regina segura nas barras e se prepara para se levantar. Nesse momento, os observadores prendem a respiração, todos tensos. Cora Mills, mostrando o seu lado religioso, fecha os olhos e pede em pensamento para Deus ajudar a sua filha. Quando Regina coloca força em seus braços e se impulsiona para cima, conseguindo ficar de pé nas barras, o quarto é tomado por gritos de comemoração, mas que logo são silenciados por Kristin e Lilith para evitar desconcentração da paciente, embora quisessem fazer parte da comemoração também. Regina abre um sorriso emocionado e seu rosto é banhado por lágrimas.

― Muito bem, Regina! Você está indo muito bem. ― Kristin parabeniza, ficando ao seu lado e segurando em sua cintura. Rapidamente Lilith vai para o outro lado para fazer o mesmo. ― Agora, deposite só um pouco do seu peso em suas pernas e dê o primeiro passo. ― Ao ouvir o pedido da fisioterapeuta, movida pela ansiedade, a morena move o pé direito mais rápido que o necessário, sem colocar a força adequada e acaba cambaleando. Por sorte, dois pares de mãos lhe seguravam de lado. ― Devagar, senhorita! Não precisamos de pressa. ― Relembra.

― Não seja afobada, Regina! ― Zelena diz, fazendo os outros rirem e Regina lhe mostra a língua, já que não pode mostrar o dedo.

― Vamos prosseguir? ― Lilith pergunta, tocando no braço da paciente e ela assente, voltando a olhar para frente e se concentrando de novo.

― Vocês querem alguma coisa? ― Cora pergunta solícita, antes que a filha dê continuidade.

― Eu adoraria um bolo, mãe! ― Zelena responde em um tom sério, arrancando risadas da irmã e do pai e fazendo a senhora Mills revirar os olhos.

― Se não for incomodar, eu gostaria de um pouco de café. ― Lilith se pronuncia, um pouco sem jeito.

― Ok! Eu vou preparar uns lanches para nós. ― Cora anuncia, para alegria de sua filha ruiva que bate palminhas de excitação, virando-se para sair.

― Eu vou com você. ― Henry avisa, segurando em seu ombro e seguindo-a para fora do quarto.

Então Regina dá continuidade à sua fisioterapia e após uma hora contada no relógio, em meio a assovios e palmas de comemoração, a morena consegue atravessar toda a barra e chegar em frente ao espelho.

Feliz com sua vitória, mas muito cansada também, a paciente pede uma pausa. Nesse momento, o casal Mills volta para o quarto com duas bandejas repletas de biscoitos, torradas e geleias, bolo, chá e café. Eles oferecem os lanches à todos os presentes, deixam as bandejas em cima da cama e vão para perto da filha, que está toda suada e sorridente.

― Aproveitando a pausa, será que nós poderíamos conversar com vocês duas? ― Kristin pergunta hesitante, olhando de Regina para Emma.

― Nós vamos deixar vocês mais à vontade. ― Zelena avisa, puxando Ruby e seus pais para fora do quarto. Quando a porta é fechada pelo último que passa, o Sr. Henry, Emma vai para perto de Regina e mãe e filha se sentam na cama, de frente para as duas.

― Nós queríamos pedir perdão por tudo que aconteceu no nosso primeiro e rápido encontro no passado. ― Kristin começa, nervosa e envergonhada, mas olhando firme para as duas, que ficam surpresas com o assunto e com o pedido. ― Sei que um simples pedido de perdão não apaga o dano que causamos, e para falar a verdade, nada apagará, mas queremos que saibam que nos arrependemos pelo que fizemos. ― É sincera e o seu tom de voz deixa claro para as ouvintes. ― Nós também entendemos se não conseguirem, afinal, não é algo fácil de se perdoar independente do tempo que tenha passado... ― Acrescenta em um tom mais baixo e Lilith balança a cabeça negativamente. ― Só queremos, de verdade, que saibam o quanto ficamos na época, mas algum tempo depois, e ainda estamos, arrependidas. ― Segurando na mão da mãe, Lilith balança a cabeça mais uma vez, concordando com todas as suas palavras.

― Não é um passado do qual nos orgulhamos e nem nos orgulharemos algum dia, mas como não podemos voltar atrás e mudarmos o erro, queremos ao menos fazer o certo agora, no presente. ― A Page mais nova agrega à fala da mãe, que rapidamente balança a cabeça em concordância.

Emma e Regina se olham rapidamente e a loira balança a cabeça em um pedido mudo para que ela fale. Assentindo, a morena volta a olhar para frente.

― No começo, foi difícil esquecer o que aconteceu e evitar a raiva, até ficamos um pouco traumatizadas, vendo vocês em outras pessoas... ― Ela murmura em tom claro de chateação, chamando a atenção de mãe e filha que olhavam para o chão, esperando uma resposta. ― Mas eu perdoo vocês... ― Diz sincera, olhando fundo nos olhos azuis da fisioterapeuta que surpresa, abre a boca e arregala um pouco os olhos. Embora fosse o que tanto queria ouvir, não acreditava na possibilidade de acontecer.

― Eu também perdoo vocês. ― Emma também se pronuncia, tocando o ombro da amada, que logo que sente o toque, segura sua mão e a aperta.

― Vocês não podem voltar no tempo e apagarem o erro cometido, mas o fato de estarem aqui, ajudando-me em minha recuperação, vibrando sinceramente com a minha vitória e demonstrando real arrependimento, já é um grande passo de reparação pelo que fizeram. ― Regina torna a falar, causando sorrisos aliviados e agradecidos nas duas ouvintes.

― Obrigada! ― Kristin agradece sinceramente, levantando-se e estendendo as mãos na direção das duas. Lilith também se levanta e faz mesmo.

― Obrigada também! ― Mills rebate sincera, aceitando o cumprimento e apertando as mãos das duas. Emma dá um passo para frente, ficando ao lado de Regina e faz o mesmo.

Ao soltarem as mãos, Kristin e Lilith voltam a se sentarem na cama e uma conversa leve sobre o progresso de Regina se inicia, mandando a tensão da conversa anterior embora.

•§•

O celular de Emma começa a vibrar, indicando uma ligação, e ao olhar na tela, abre um sorriso por ver que são seus pais. Olhando para Regina, que estava atenta ao jogo de xadrez entre Ruby e Zelena, ela tem uma ideia. Então, encerra a chamada e retorna com uma chamada de vídeo.

― Mãe e pai, essa é a Regina. ― Emma abraça a morena e a traz para mais perto, tornando-a mais visível no pequeno retângulo ao lado direito da tela do celular.

― Ei, olá Regina! Prazer em te conhecer. ― Mary Margareth, a mãe, saúda animadamente, com um enorme sorriso.

― Prazer em conhecer vocês também! ― A morena rebate um pouco envergonhada. Estava tão concentrada no jogo entre a irmã e Ruby que não tinha percebido a movimentação da loira e tinha sido pega de surpresa.

― Filha, essa é a moça que você nos falou? ― David, o pai, pergunta e Regina lhe olha curiosa, com o olhar semicerrado e a sobrancelha arqueada.

― Sim! Ela mesmo, pai. ― Emma responde rapidamente e vira-se para Mills. ― Eu falei para eles que estava com saudade de você e queria vir aqui, então contei também que estava apaixonada. ― Conta baixinho para que os dois, que viam tudo, não escutasse.

De repente, os gritos de euforia de Ruby, que ganhara a partida contra Zelena, interrompem a conversa e chamam a atenção dos quatros.

― O que aconteceu? ― David pergunta assustado e preocupado.

Gargalhando, Emma vira o celular na direção de uma Zelena irritada, de braços cruzados e bicuda, e uma Ruby toda animada, dando vários soquinhos no ar.

― É só a Ruby ganhando um jogo. ― Swan explica entre risadas, fazendo os pais rirem também.

Uma nova partida entre as mulheres, um pedido de revanche da perdedora, recomeça e Regina aproveita para se afastar de Emma, para que ela possa ter mais privacidade na conversa com os pais. Então, despede-se dos dois e se arrasta para mais perto das meninas, saindo de suas vistas.

Quando Emma volta a ficar sozinha na tela, seus pais perguntam-na como está e após sua resposta, pedem para que volte para Miami, pois estavam precisando de sua ajuda com a pequena empresa que tinham acabado de montar.

Ao final da conversa, Mary Margareth pede para que Regina apareça na tela novamente, pois queria dá um recado.

― Gostaríamos de te conhecer pessoalmente, Regina. ― Ao escutar o pedido, Regina olha para Emma e recebe um olhar expectante. Então, com um tímido sorriso, a morena torna a olhar para a câmera e aceita o convite. Em seguida, os quatro se despedem e encerram a chamada.

Na manhã seguinte, após levar Emma e Ruby para o aeroporto, as irmãs Mills param em uma cafeteria para tomar o café-da-manhã, pois tinham saído cedo demais e estavam sem fome no momento, e na volta para casa, ficam presas em um engarrafamento por causa de um acidente. Sentindo-se entediada, Regina inventa de fazer uma arrumação no porta-luvas e acaba por encontrar o convite do chá de fraldas de Rose e Graham perdido entre papéis. Lembrando-se que na última vez que falara com a amiga, dias atrás na festa, Evan já estava perto de vir ao mundo, Regina pegou o celular e discou o número da amiga. Além de querer saber se já tinha uma data certa para o nascimento, queria contar para a amiga que havia se lembrado de tudo.

Quando Rose atendeu o telefone e disse que já estava no hospital e até tinha lhe enviado uma mensagem avisando, Zelena quase enlouqueceu para conseguir fazer a volta e ir até lá.

Ao chegarem no quarto onde Rose estava internada, apenas esperando o momento exato, as irmãs sentam-se nas poltronas e iniciam uma conversa animada sobre bebês.

― Evan já nasceu? ― Graham entra no quarto de repente, assustando as três e interrompendo a conversa.

― Se ele já não nasceu agora, com esse susto que você deu... ― Zelena comenta brincalhona e todos riem.

― Eu queria aproveitar que você está aqui, Graham, para dizer, não só para você, mas para a minha amiga também, que eu me lembrei de tudo que aconteceu na noite do meu acidente, e todas as outras coisas que eu esqueci também... ― Regina diz, atraindo a atenção de todos, olhando de Humbert para Rose, que bate palmas em comemoração pela notícia. ― E por isso, eu queria pedir mais uma vez, perdão pela forma como te tratei, além de quer te agradecer por ter tentado me ajudar.

― Como eu disse da outra vez: tudo bem, já passou! ― Dá de ombros, chegando perto dela e apertando levemente o seu ombro. ― E eu não guardo ressentimentos. ― Acrescenta bem-humorado, dando uma piscadinha para a morena e mostrando um sorriso. ― O que importa é que você está bem.

Interrompendo a conversa, Rose começa a ter as contrações e Graham sai apressado do quarto, voltando minutos depois com uma maca e um maqueiro. Devagar, transferem a loira para o outro leito e a levam para fora do quarto.

― O Evan está a caminho! ― Zelena diz animada, levantando-se da poltrona, ajudando a irmã a sentar na cadeira e saindo do quarto logo em seguida.

Notas finais
Para saber mais sobre aparelhos de fisioterapia: https://vidadefisioterapeuta.wordpress.com/2015/04/22/fisioterapia-geral-i-aparelhos/ Música, que é de Coldplay: https://open.spotify.com/user/kparrilla_/playlist/53014UCr0fSYD39N7Epbpc?si=8eIfhXTcRhaj-Qipfjb_SQ Apresento o Martin à vocês: https://twitter.com/prescottmiills/status/1054571780881502208?s=08 Até o nosso último encontro em Memories.