Memories
26 Visitor
Notas iniciais
26° Visita
[Regina]
― Queridas, vocês têm visita! ― Mamãe avisou, entrando em meu quarto. Estávamos, eu e Zelena, maratonando nossa atual série preferida, que havia acabado de estrear uma nova temporada. Havíamos passado a tarde toda revendo tudo. Pausas só aconteciam para ir ao banheiro ou encher a jarra de água. Nem mesmo ligações estávamos atendendo. Na verdade, havíamos aposentado o celular, deixando-o bem longe de nossas vistas, só para que nada pudesse nos atrapalhar.
― Justo agora que só faltam dois episódios para terminarmos tudo... ― Zelena reclama, dando pausa e se levantando. ― Quem é? ― Perguntou à nossa mãe, que observava atentamente a pequena bagunça no quarto.
― Desçam e vejam! ― Diz simplesmente, saindo do quarto e fechando a porta novamente.
Olho para Zelena e ela está revirando os olhos e balançando a cabeça negativamente.
― Vamos logo! Quanto mais rápido formos, mais rápido voltamos. ― Pega uma blusa minha no guarda-roupa e corre para o banheiro.
― Já ouvi essa frase antes... ― Murmuro, lembrando-me de quando estava conversando com Emma por mensagens e Zelena avisou que havia chegado visitas para mim.
Lembrar de Emma faz o meu coração acelerar consideravelmente.
Como será que ela está?
Como será que todas elas estão?
― Não acredito que você nem se mexeu. ― Escuto a voz irritada de minha irmã, e ao olhar na direção que viera, vejo-a de braços cruzados batendo com o pé no chão. Eu estava com saudade dessa Zelena.
― Eu estava pensando na Emma, desculpa. ― Confesso sem graça.
― Vocês já conversaram desde que você saiu do hospital? ― Senta-se ao meu lado na cama, montando a minha cadeira.
― Não tive coragem de mandar mensagens. ― Conto, olhando para o meu aparelho, há mais de 10m de mim, em cima da poltrona, com a tela virada para baixo, estrategicamente para eu não ver sua tela acesa caso recebesse alguma ligação ou mensagem. Talvez tivesse alguma coisa dela. Talvez não. ― Não quero atrapalhar. Prefi...
― Ai, Regina... ― Interrompe-me revirando os olhos pela terceira vez em menos de cinco segundos.
― Prefiro que ela ligue quando estiver com tempo disponível. ― Continuei o que dizia, ignorando suas negativas ao que eu dizia.
― Como você é difícil, mulher! ― Fala com expressão séria, mas acabamos por gargalhar do jeito que a frase saíra. ― Ok, chega de conversa, vamos nos arrumar e descer logo. ― Bate palmas, dando a ordem. Com um impulso, jogo-me da cama para a cadeira, e quando levanto a cabeça, sou atingida por uma blusa e uma calça. ― E vamos fazer um lanchezinho antes de voltar, porque até fiquei com fome. ― Acrescenta e entra no banheiro novamente, deixando-me sozinha, rindo de seu jeito.
É, eu realmente estava com saudade dessa Zelena. Não é à toa que ela é a minha preferida.
•§•
― Rose! Que surpresa boa. ― Zel diz, verdadeiramente feliz, assim que descemos as escadas e a encontramos na sala, de costas para nós, conversando com papai.
Quando ela, levantando-se, vira-se em nossas direções e eu posso vê-la de frente, finalmente, primeiro, tomo um enorme susto por ver que está usando uma grossa aliança de ouro no anelar esquerdo, depois, fico ainda mais por ver sua enorme barriga, de talvez uns sete meses, e depois, por ver que está tão diferente da última vez que eu lembro de tê-la visto. Agora estava loira, cabelos curtos demais, quase do tamanho dos meus, mais forte, e parecia mais branca também.
― Estou me perguntando se essa sua cara de assustada é por eu estar grávida ou... ― Pronuncia-se, vindo em nossa direção fazendo uma expressão divertida, fingindo estar pensando.
― Meninas, eu vou deixar vocês mais à vontade. ― Papai se pronuncia, também se levantando e vindo em nossa direção. ― Qualquer coisa, estou na cozinha. ― Aponta para o cômodo, e passa por Rose, dando dois tapinhas em seu ombro e oferecendo-lhe um sorriso gentil. Na sequência, passar por nós, eu e Zelena, beija carinhosamente as nossas testas e desaparece pelo corredor de acesso.
― Com certeza é porque você cortou o cabelo e pintou. ― Respondo, fingindo seriedade, rolando minha cadeira ainda mais para perto. Zelena me acompanha em silêncio. ― Lembro quando você dizia que nunca faria isso. ― E então começamos a sorrir. ― Ok, na verdade, a minha maior surpresa não é você grávida, mas sim, essa enorme aliança aí... ― Pego em sua mão esquerda, analisando o anel de compromisso. ― Está casada?
― Não na igreja e nem mesmo no cartório... ― Dá de ombros. ― Mas sim, eu estou.
― Parabéns! Finalmente... ― Finge-se de ofendida e eu sorrio. ― Zelena disse que você não sabia quem era... ― De repente, interrompendo-me, recebo uma tapa no braço, de Zelena. ― Ai! ― Reclamo, passando a mão no local, sem entender o motivo da agressão, e lhe encaro, esperando uma explicação.
― Como está o papai? ― Ela questiona à Rose, ignorando-me completamente.
― Graham está viajando a trabalho. Aceitou a viagem para poder ganhar um extra e poder terminar de construir o quarto do bebê.
Espera...
Graham? Isso é mesmo sério?
Eu sei que minha irmã havia falado sobre um ex namorado dela ter esse mesmo nome, mas a ficha não tinha caído ainda. Além de que, Zel não havia dito que era um ex namorado? Onde foi que eu me perdi?
― E falta muita coisa? ― A voz de Zelena continuando a conversa me traz de volta a realidade. ― Nós podemos ajudar.
― Ah, não precisa, de verdade. ― Seu tom parecia sem graça. ― Só falta algumas coisas da mobília, mas o principal já temos, que é o que importa.
― Eu acho que... Acho que eu não conheço esse Graham... ― Digo incerta, interrompendo a conversa, sentindo-me estranha por causa das memórias de uma das minhas realidades. Se por um acaso fosse o mesmo, ao mesmo tempo que eu o conhecia, eu não o conhecia. Era louco e estranho.
― Eu o conheci faz pouco mais de um ano, você ainda não... ― Para de falar e faz movimentos nervosos com as mãos, como se o que fosse dizer a seguir, fosse algo proibido.
― Ah sim... Entendi... ― Sorrio, tentando lhe mostrar que está tudo bem. ― Rose, não há problema em dizer que fiquei em coma, ok?
― Se você quiser, pode dizer que ela hibernou. ― Zelena acrescenta, causando risos à mulher em nossa frente. ― É mais legal!
― Ok, desculpa... ― Pede sem graça e eu faço um movimento com a mão, indicando que está tudo tranquilo. ― Bem, eu vim aqui para entregar um convite do chá de fraldas que vamos fazer. ― Retira um papel do bolso e nos entrega. ― Só pudemos fazer agora. Estávamos sem tempo.
― Imagino que sim... ― Murmuro compreensiva, lembrando de quando ela disse que o marido viajou para ganhar um pouco mais. ― Quantos meses já tem? ― Toco em seu enorme barrigão, alisando-o de cima à baixo.
― Falta pouco para 8 meses. ― Responde com uma voz afetada, também passando suas mãos pela barriga.
― Mais ou menos 30 semanas... ― Comento.
― Eu não entendo muito bem disso, mas acho que sim... ― Faz uma careta e nós rimos. ― Essa coisa toda de maternidade não chegou para mim ainda. ― Balança a cabeça negativamente e eu sorrio, achando graça de seu jeito.
― E talvez nem venha... ― Zelena cantarola e eu dou-lhe uma tapa na barriga, aproveitando o ensejo para rebater a que ela havia me dado, no começo da conversa. Minha irmã faz uma careta, mas não devolve a agressão. Até agora estamos quites. Mas ainda quero saber por que ela me interrompeu quando eu falei sobre nossa amiga não saber quem é o pai.
― Não ligue para ela, Rose. ― Apresso-me em dizer, apesar de saber que Rose sabe bem, que algumas coisas ditas por Zelena não devem ser levadas a sério.
― Bem, eu vim também para saber como você estava, Regina. ― Pega em minha mão e a aperta. ― Estava morrendo de saudade de você. ― Do jeito que pode, abraça-me de lado, encostando a cabeça na minha. ― Não pude vir assim que você voltou do hospital. ― Murmura, apertando-me um pouco.
― Meninas, será que podemos continuar essa conversa na cozinha? ― Minha irmã sugere, já começando a andar em direção ao corredor de acesso, sem esperar por uma resposta. ― Preciso alimentar minhas crias! ― E passa a mão na barriga.
E sem alternativas, seguimos minha ruiva preferida para a sua segunda parte favorita da casa, o que me faz lembrar que também era um dos cômodos favoritos de uma das Emma que conheci. A Emma que eu era noiva, na realidade em que eu não havia sofrido nenhum acidente, que estávamos juntas desde quando nos conhecemos em Miami, em minhas férias, que era minha noiva, e que a última coisa que eu me lembrava quando acordei aqui pela primeira vez, era que iria fazer uma viagem para Alemanha.
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